Tiago Caeiro, autor em Saúde Online https://saudeonline.pt/author/tiago-caeiro/ Notícias sobre saúde Thu, 16 Mar 2023 11:19:41 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Tiago Caeiro, autor em Saúde Online https://saudeonline.pt/author/tiago-caeiro/ 32 32 Rosa Valente de Matos. “Temos serviços fechados por falta de enfermeiros” https://saudeonline.pt/rosa-valente-de-matos-temos-servicos-fechados-por-falta-de-enfermeiros/ https://saudeonline.pt/rosa-valente-de-matos-temos-servicos-fechados-por-falta-de-enfermeiros/#respond Wed, 15 Mar 2023 10:08:12 +0000 https://saudeonline.pt/?p=141520 Em entrevista, a presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Central admite a carência de enfermeiros e de internistas, anestesistas e obstetras. Rosa Valente de Matos sublinha, no entanto, que a qualidade da formação está garantida.

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Quais são os maiores desafios que enfrenta na gestão de um centro hospitalar desta dimensão, com mais de oito mil profissionais?

 A gestão dos recursos humanos é sempre um grande desafio. O nosso objetivo é assegurar acesso e prestar cuidados com cada vez maior qualidade, imprimindo inovação. E o meu objetivo é dar aos profissionais os instrumentos e as condições para que cumpram da melhor forma possível a sua missão, para que possam trabalhar com qualidade. Nem sempre é fácil, as dificuldades são muitas (financeiras, de comunicação entre os vários hospitais), mas o empenho e dedicação dos profissionais é a nossa maior força.

A falta de recursos humanos é certamente uma realidade no CHULC, como nos outros centros hospitalares do SNS.

A falta de recursos humanos é uma realidade no CHULC. Temos falta de profissionais. Mas o problema é mais amplo. Vejamos a questão dos cuidados de saúde primários na região de Lisboa. A carência de médicos de família é evidente, mas também de enfermeiros. Ora, numa região que não tem a base do sistema devidamente robustecida, é natural que os hospitais se ressintam dessa realidade.

 “Nem sempre é fácil [trabalhar com qualidade no CHULC], as dificuldades são muitas”

De que profissionais de saúde tem o CHULC mais necessidade?

Temos uma grande carência de enfermeiros, que se tem agravado. Temos serviços fechados por falta de enfermeiros, principalmente na Medicina Interna. Os enfermeiros simplesmente não vêm. Quando ouço falar em zonas carenciadas, apetece-me dizer que também somos uma zona carenciada.

Em relação aos médicos, quais são as especialidades onde existe maior carência?

A Anestesiologia, a Radiologia, a Medicina Interna, a Ortopedia, a Obstetrícia.

O CHULC tem desenvolvido estratégias para atrair e fixar os profissionais?

Uma das estratégias passa pela criação dos Centros de Responsabilidade Integrados (CRI) – a maior parte foram criados durante a pandemia. Os CRI assentam muito na produção adicional, maior acesso, trabalho em equipa, autonomia e responsabilidade, e ainda não temos um modelo remuneratório próprio para os CRI, o que seria importante para que este modelo organizativo possa vingar ainda mais.

Temos também um centro de investigação e formação, onde temos investido muito. Os jovens médicos sabem que essa é uma das mais-valias do CHULC.

Sentem dificuldades na retenção dos internos?

Uns acabam por não ficar. Temos feito um trabalho de proximidade com os internos, para percebermos as expectativas deles para a carreira e de que forma os podemos reter. A maioria espera ficar, pelo que sei. Como sabe a nossa autonomia de gestão é limitada.

Como evoluíram os indicadores assistenciais do CHULC em 2022, nomeadamente em relação ao último ano pré-pandémico (2019)?

Já ultrapassámos a atividade de 2019, tanto a nível das consultas, como de cirurgias. 80% das pessoas que aguardam cirurgia no CHULC estão dentro dos tempos máximos de resposta garantidos. A minha expectativa é que em 2023 consigamos diminuir ainda mais o número de doentes que aguardam fora do tempo recomendado.

Outra questão importante é a da formação médica. A carência de profissionais pode vir a colocar em causa a qualidade da formação no CHULC?

A qualidade da formação está garantida, a Ordem dos Médicos faz auditorias com regularidade. Mas essa questão preocupa-me. O nosso centro hospitalar forma não só médicos, mas também enfermeiros, técnicos e outros profissionais. Não podemos perder a capacidade formativa e isso não tem acontecido. Quando há um alerta, intervimos para que o CHULC não perca a capacidade formativa. Mas não tem sido fácil.

“A qualidade da formação está garantida”

Que balanço faz do seu mandato no CHULC e que legado gostaria de deixar?

Foi um mandato muito exigente e complexo. Passámos pela pandemia e fomos o centro que tratou o maior número de doentes covid-19 em Portugal. Mas todos os 8200 funcionários do CHULC devem estar orgulhosos, uma vez que conseguimos aumentar a eficiência, tratar um maior número de doentes e com mais qualidade, criar um ambiente de equipa. E isso só é possível fazer em conjunto. O legado que gostaria de deixar é o da importância do trabalho em equipa e também um CHULC mais moderno, mais inovador, onde as pessoas possam trabalhar com mais qualidade e satisfação.

 

Projetos do CHULC

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– Nove centros de responsabilidade Integrados: Gastroenterologia, Urologia, Oftalmologia Pediátrica, Esclerose Múltipla, Traumatologia Ortopédica, Medicina e Cirurgia Fetal, Obesidade, Dermatologia, Coluna (prestes a abrir).

– Quatro clínicas (de Pré-operatório, da Diversidade de Género, da Obesidade e de Injeções Intravítreas).

– Clínica de Ambulatório do Serviço de Urgência: para atendimento para casos pouco graves.  Estes casos são reencaminhados para consulta no centro de saúde; para consulta pós-urgência no CHULC ou de novo para a urgência geral se for necessário realizar meios complementares de diagnóstico. Nesta clínica funciona ainda uma urgência telefónica.

– Processo de digitalização, desde a capacitação dos profissionais até à telessaúde.

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Ordem dos Enfermeiros denuncia situação grave no Garcia de Orta, com doente em arrecadação https://saudeonline.pt/ordem-dos-enfermeiros-denuncia-situacao-grave-no-garcia-de-orta-com-doente-em-arrecadacao/ https://saudeonline.pt/ordem-dos-enfermeiros-denuncia-situacao-grave-no-garcia-de-orta-com-doente-em-arrecadacao/#respond Wed, 15 Mar 2023 09:42:10 +0000 https://saudeonline.pt/?p=141517 Todos os enfermeiros do serviço de Medicina III pediram escusa de responsabilidade "devido à situação em que o serviço se encontra, com défice grave de recursos humanos".

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A bastonária da Ordem dos Enfermeiros alertou hoje para os problemas no Serviço de Medicina III do Hospital Garcia de Orta, onde todos os enfermeiros pediram escusa de responsabilidade, denunciando que um doente numa maca foi colocado numa arrecadação.

Ana Rita Cavaco visitou este serviço do hospital de Almada na sequência do pedido de escusa de responsabilidade da equipa de enfermagem, “devido à situação em que o serviço se encontra, com défice grave de recursos humanos, com a totalidade do serviço ocupado e doentes em maca nos corredores”.

Em declarações à agência Lusa no final da visita, a bastonária fez um “balanço mau” do que observou no serviço, mas também do cansaço da equipa, que está “muitíssimo desmotivada” e que tinha “estampado no rosto” tristeza e desmotivação.

Segundo Ana Rita Cavaco, este serviço, com 31 camas, “tem doentes muito dependentes, com várias doenças associadas” que precisam de “muitas horas de cuidados de enfermagem”.

“Era um serviço, e por isso é que quis vir cá, que tinha camas encerradas precisamente por falta de enfermeiros”, disse, adiantando que a equipa é composta por 24 enfermeiros, muitos dos quais mulheres em horário reduzido por estarem a amamentar.

A bastonária disse que “era expectável” que, para abrir as 31 camas, tivessem entrado mais enfermeiros para a equipa, mas tal não aconteceu.

“Foram abertas as 31 camas, foram colocados doentes em maca, foram colocados doentes em maca em outros serviços de medicina, também na ortopedia, e este hospital, como todos os outros, tem um plano de contingência para estas situações em que há mais doentes internados e esse plano de contingência não está a ser cumprido”, criticou.

Este plano, acrescentou, “prevê, por exemplo, uma redução da atividade cirúrgica e isso não aconteceu e deparámo-nos com uma situação neste serviço de um doente em maca que foi, inclusive, colocado pela diretora de Serviço numa arrecadação.

“Eu tirei uma fotografia à arrecadação, o doente já lá não está, mas de facto, isto é uma indignidade que não pode em 2023 ser permitida no Serviço Nacional de Saúde”, censurou.

Para a bastonária dos enfermeiros “não há neste hospital uma estratégia de retenção de enfermeiros que tem que haver no país como um todo”.

“Eu não posso continuar a ter camas livres noutros serviços e por uma opção de gestão colocar macas em determinados serviços e não ocupar essas camas que existem livres porque os diretores desses serviços não querem. De uma vez por todas, os serviços, os hospitais, os centros de saúde são das pessoas, não são dos médicos, nem dos enfermeiros, nem de nenhum profissional de saúde”, afirmou.

Ana Rita Cavaco disse que não se reuniu com o Conselho de Administração (CA) do hospital, preferindo expor a situação por escrito.

Contactado na segunda-feira pela Lusa, o hospital esclareceu que a utilização de macas nos internamentos dos vários serviços resulta de “situações excecionais”, definidas no seu Plano de Contingência.

“Estas situações ocorrem apenas quando o número de doentes no Serviço de Urgência Geral exceder os 55, altura em que se procede à transferência de, no máximo, dois doentes em maca por Serviço de Internamento, e durante o menor período de tempo possível”, explicou.

O CA sublinha ainda que “mantém o diálogo permanente com todos os colaboradores, podendo desde já garantir que fará o possível para assegurar as melhores condições de trabalho a todos os profissionais”.

LUSA

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Hospitais de Coimbra realizam a primeira intervenção percutânea eletrocirúrgica https://saudeonline.pt/hospitais-de-coimbra-realizam-a-primeira-intervencao-percutanea-eletrocirurgica/ Wed, 15 Mar 2023 09:30:00 +0000 https://saudeonline.pt/?p=141514 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Hospitais de Coimbra realizam a primeira intervenção percutânea eletrocirúrgica aparece primeiro em Saúde Online.

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Listas de espera no SNS aumentaram porque procura cresceu mais de 20% https://saudeonline.pt/listas-de-espera-no-sns-aumentaram-porque-procura-cresceu-mais-de-20/ https://saudeonline.pt/listas-de-espera-no-sns-aumentaram-porque-procura-cresceu-mais-de-20/#respond Wed, 15 Mar 2023 08:33:53 +0000 https://saudeonline.pt/?p=141536 “A procura tem aumentado de forma extremamente expressiva”, disse Fernando Araújo, diretor executivo do SNS.

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sindicato dos médicos - horas extra

O diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) revelou que as listas de espera têm aumentando no serviço público porque a procura cresceu mais de 20%, enquanto a produção subiu entre 8% e 10%.

A procura tem aumentado de forma extremamente expressiva”, disse Fernando Araújo, que falava na Comissão Parlamentar da Saúde, na Assembleia da República, onde hoje está a ser ouvido, a pedido do PCP e do Chega, sobre a falta de profissionais, o programa do Governo para assegurar a dotação de serviços, a valorização de profissionais e sobre o funcionamento da própria Direção Executiva do SNS.

O responsável sublinhou o esforço dos profissionais de saúde, dizendo que estes “têm feito um esforço enorme que permitiu aumentar a produção”, exemplificando com dados referentes a janeiro deste ano e que indicam que aumentaram em 8% as consultas médicas hospitalares e em 15% as cirurgias, quando comparadas com os valores de janeiro do ano passado.

Segundo Fernando Araújo, em janeiro foram realizadas 1.226.000 consultas hospitalares e 71.682 cirurgias, um “recorde de sempre” na produção.

Reconhecendo que “não é suficiente”, o responsável acrescentou: “Significa que temos de avançar de forma profunda na autonomia das decisões, com responsabilidade e prestação de contas”.

Fernando Araújo reconheceu que uma das grandes vulnerabilidades do SNS é a escassez de recursos, mas sublinhou que, ainda assim, o número de profissionais tem aumentado.

A este nível, apontou um crescimento – com dados de janeiro – de 472 médicos especialistas, 807 enfermeiros e 110 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica e assistentes técnicos.

“Se me pergunta se chegam? Não chegam, precisamos de mais e precisamos sobretudo de modelos e formas de organizar os recursos humanos”, disse o diretor executivo do SNS, assumindo que “um dos grandes desafios” é precisamente “mudar a forma de gerir os recursos humanos”.

LUSA

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Questões administrativas e acesso aos cuidados de saúde são as principais queixas dos utentes https://saudeonline.pt/questoes-administrativas-e-acesso-aos-cuidados-de-saude-sao-as-principais-queixas-dos-utentes/ https://saudeonline.pt/questoes-administrativas-e-acesso-aos-cuidados-de-saude-sao-as-principais-queixas-dos-utentes/#respond Wed, 15 Mar 2023 08:10:33 +0000 https://saudeonline.pt/?p=141529 Cerca de 80% das referências feitas no ano passado foram reclamações aos serviços de saúde público e privado e 19% foram elogios.

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pandemia

Procedimentos administrativos, acesso aos cuidados de saúde e cuidados relacionados com os doentes são as principais reclamações dos utentes que chegaram à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) em 2022.

No âmbito do Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, que se assinala na quarta-feira, a ERS publicou um boletim informativo com as sugestões, reclamações e queixas apresentadas pelos utentes em 2022 sobre todos os aspetos relacionados com a prestação de cuidados de saúde.

Segundo a ERS, cerca de 80% das referências feitas no ano passado foram reclamações aos serviços de saúde público e privado e 19% foram elogios.

A ERS diz que cerca de 15,24% das queixas dos utentes apresentadas no ano passado estavam relacionadas com procedimentos administrativos, 15,15% com acesso aos cuidados de saúde e 14,8% com cuidados de saúde e segurança do doente, seguido de questões financeiras (11,69%), focalização no utente (11,67%) e tempos de espera (7.04%).

A Entidade Reguladora da Saúde indica que todas as pessoas têm o direito de apresentar sugestões, reclamações e queixas sobre todos os aspetos relacionados com a prestação de cuidados de saúde, bem como “o direito de obter uma resposta adequada, clara e percetível”.

Para tal, sustenta a ARS, os cidadãos devem pedir o Livro de Reclamações ou recorrer a outro meio para apresentação de reclamação ou queixa, “sempre que se pretenda expressar uma opinião sobre alguma situação que possa constituir uma ofensa dos direitos e interesses legítimos do utente, no âmbito da atividade de prestação de cuidados que ocorra num estabelecimento prestador de cuidados de saúde”.

Adicionalmente e com o objetivo de garantir a prestação de informação, orientação e apoio aos utentes dos serviços de saúde, a ERS responde a todos os pedidos de informação sobre direitos e deveres dos utentes.

No ano passado, a maior parte dos pedidos de informação prestados pela ERS estiveram relacionados com o direito de acesso aos cuidados de saúde, procedimentos administrativos, atribuições e competências da ERS e questões financeiras das unidades de saúde.

LUSA

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Oftalmologia. “A maioria da população recorre ao privado. O acesso é difícil” https://saudeonline.pt/oftalmologia-a-maioria-da-populacao-recorre-ao-privado-o-acesso-e-dificil/ https://saudeonline.pt/oftalmologia-a-maioria-da-populacao-recorre-ao-privado-o-acesso-e-dificil/#respond Tue, 14 Mar 2023 10:43:50 +0000 https://saudeonline.pt/?p=141452 O acesso aos cuidados de saúde ocular ainda fica aquém do necessário em Portugal. Cerca de 13% das pessoas nunca recorreram a este tipo de cuidados, o que "é preocupante", destaca a vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, Angelina Meireles, em entrevista ao SaúdeOnline, concedida juntamente com o também oftalmologista Rufino Silva.

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A que conclusões chegou o estudo Cuidados médicos na área da saúde ocular em Portugal, feito pela SPO e pela universidade Católica?

Rufino Silva (médico oftalmologista, Prof. da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra): O estudo efetuado pelo SPO e a Universidade católica incluiu 2.373 inquéritos válidos e representativos da população portuguesa com mais de 21 anos, do seu  nível de escolaridade e das diferentes áreas regionais de saúde de Portugal.

Os resultados abrangem um leque de temáticas  com o objetivo de conhecer a que serviços de saúde os portugueses recorrem, qual o nível da sua saúde ocular, o impacto da sua visão (ou falta dela) nas atividades da sua vida diária, a que profissionais recorrem, em caso de problemas de saúde  ocular, e qual o comportamento da população perante o cuidado de saúde ocular dos seus filhos menores. Apresentamos algumas das conclusões do estudo:

– Mais de metade da população (53,4%) admite ter problemas de saúde ocular, sendo os erros refrativos os mais frequentes – miopia (23,7%) e astigmatismo (18,8%). Só em terceiro lugar é referida a catarata. Os problemas menos referidos são a retinopatia diabética (0,6%) e a Degenerescência Macular da Idade (0,6%). Dos inquiridos que afirmam ter sido diagnosticados com diabetes, 6,3% afirma ter sido diagnosticado com Retinopatia diabética.

– Quanto ao impacto da diminuição da visão da vida diária da população, a perceção da população quanto à sua capacidade visual é boa: 44,5% da população considera ter problemas de visão não graves, enquanto 42,7% considera que a saúde dos seus olhos é boa. No entanto, 33,1% da população considera que a falta de visão “influencia”  ou “influencia muito” a produtividade profissional.

– Do total dos respondentes com filhos, 23,5% deles revelam nunca ter feito uma consulta de saúde ocular aos seus filhos menores.

Como classifica a procura por cuidados de saúde oculares por parte dos portugueses e o nível de acesso a consultas de oftalmologia? Existem diferenças regionais assinaláveis?

Rufino Silva: A maioria da população portuguesa (57,2%) recorre ao sistema privado de saúde quando necessita de assistência para a sua saúde ocular. Há, contudo, uma percentagem muito significativa da população que recorre ao setor público, seja SNS ou subsistemas de saúde (35,3%). Relativamente à parte da amostra que recorre ao sistema de saúde público é, sobretudo, a população mais idosa (23,39%). No caso do setor privado, a maior fatia de utentes tem entre 45 e 55 anos (22,89%).

– No que concerne aos profissionais na área, 82% da amostra total refere o Médico Oftalmologista como o profissional mais bem preparado para tratar da saúde ocular e, de facto, 77,2% recorre a um Médico Oftalmologista para diagnóstico dos seus problemas. Esta percentagem diminui para 65,3% na fase de acompanhamento regular do problema de saúde  previamente diagnosticado. A conveniência e facilidade de acesso, assim como a confiança, parecem ter um papel preponderante na escolha do profissional.

–  Existem diferenças regionais na prestação dos cuidados. Por exemplo, em relação à saúde ocular infantil, na ARS Norte, 54,3% afirmam ter levado os filhos a realizar o rastreio visual fotográfico. Na ARS Centro, 49,7% afirmam ter levado os filhos a realizar o rastreio visual fotográfico. A zona onde a percentagem foi menor, foi na ARS do Algarve onde, de todos os inquiridos com filhos na zona, 25,7% revelam ter levado os filhos a realizar o rastreio visual fotográfico.

Com que regularidade deve ser avaliada a saúde ocular? Preocupa-o/a a percentagem de pessoas que nunca o fez?

Angelina Meireles: Sendo a visão o sentido mais valorizado pelas pessoas, para o qual o nosso cérebro dedica cerca de 30% do seu córtex e em que cerca de 80% de todas as nossas impressões são percebidas através da visão, torna-se fundamental não só o desenvolvimento de uma boa saúde ocular como a sua manutenção. Assim, a ida ao médico oftalmologista devia fazer parte dos nossos hábitos.

Não deve acontecer apenas quando surge algum sintoma, mas sim fazer-se com alguma regularidade para que a deteção precoce de alguma doença possa ser tratada atempadamente, ou até mesmo prevenida. Cabe aqui fazer um destaque especial para dois grupos populacionais, as crianças e a população mais velha. Aliás, no caso das crianças, em que a janela temporal é apertada para diagnosticar as alterações oftalmológicas capazes de provocar ambliopia, vulgo “olho preguiçoso”, está já implementado a nível nacional o Rastreio de Saúde Visual Infantil (RSVI) a todas as crianças no semestre em que completam dois anos e num segundo momento aos quatro anos.

A necessidade deste rastreio deve-se ao facto de, uma criança saudável e que não revela sintomas, pode ter uma alteração da visão, como por exemplo, um erro refrativo ou um estrabismo, que se não tratado atempadamente pode comprometer para o resto da vida a sua visão. Já nos adultos mais velhos, para além da chamada “vista cansada”, que geralmente surge por volta dos 45 anos, que é quando grande parte da população recorre pela primeira vez a uma consulta, outras doenças como o glaucoma, a retinopatia diabética (também objeto de um programa de rastreio nacional) e a degenerescência macular da idade (DMI) podem surgir agravando-se com o evoluir da idade com perda progressiva e irreversível da visão. Só numa consulta com o oftalmologista podem ser diagnosticados os sinais precoces destas ou de outras doenças oculares que, se tratadas atempadamente, pode ser evitada a cegueira .

Assim, e com base nas normas de orientação clínica, o exame oftalmológico deve ser realizado:

– em crianças de alto risco ( potencial para sofrer retinopatia de prematuridade, história familiar e/ou suspeita de retinoblastoma, catarata infantil, glaucoma congénito e doenças genéticas e metabólicas) nos dois primeiros meses de vida;

– rastreio de saúde visual infantil com, pelo menos, uma observação entre os 0 e 2 anos e outra entre os 2 e 5 anos;

– dos 5 aos 45 anos: de acordo com os fatores de risco, ou se ocorrer baixa de visão, aparecimento de estrabismo, traumatismo ocular, etc.;

– dos 45 aos 65 anos: aconselha-se vigilância de 4 em 4 anos;

– depois dos 65 anos : aconselha-se vigilância de 2 em 2 anos;

– rastreio sistemático aos doentes diabéticos de acordo com o Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes.

De acordo com o estudo realizado, cerca de 30% da população inquirida apenas recorre aos cuidados de saúde ocular quando tem algum problema, e 13% nunca o fez, o que para mim é preocupante. Podemos interpretá-los de duas formas: por um lado, podem refletir algum grau de negligência, não apenas das próprias pessoas relativamente à sua saúde ocular, mas também dos diversos órgãos com competências para a sua promoção; por outro, o acesso difícil ou inexistente aos serviços de saúde em determinadas regiões do país.

Um dado ainda mais preocupante é a percentagem de crianças que não fizeram qualquer rastreio visual.

Que melhorias devem ser implementadas nos próximos anos, de modo a aproximar os portugueses dos cuidados de saúde oculares?

Angelina Meireles: Além da implementação das várias medidas propostas na Estratégia Nacional para a Saúde da Visão elaborada em 2018, de que fazem parte, por exemplo, a criação de Pontos de Avaliação Básica em Oftalmologia nos cuidados de Saúde Primários, da responsabilidade do Governo, cabe a outras Instituições como é o caso da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) promover a saúde ocular dos portugueses através de campanhas de sensibilização, consciencialização e conhecimento das múltiplas doenças oftalmológicas não só nos meios de comunicação social tradicionais como rádio, televisão e jornais, assim como nas redes sociais. Posso adiantar, por exemplo, que  estamos a desenvolver conteúdos específicos para que o público em geral, acedendo ao site da SPO, esclareça as suas dúvidas e saiba como deverá proceder.

SO

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