Pedro Meireles - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/pedro-meireles/ Notícias sobre saúde Thu, 27 Mar 2025 11:56:41 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Pedro Meireles - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/pedro-meireles/ 32 32 “A maior parte dos casos de cancro da mama masculino ocorre após os 60 anos” https://saudeonline.pt/a-maior-parte-dos-casos-de-cancro-da-mama-masculino-ocorre-apos-os-60-anos/ https://saudeonline.pt/a-maior-parte-dos-casos-de-cancro-da-mama-masculino-ocorre-apos-os-60-anos/#respond Wed, 26 Mar 2025 09:15:44 +0000 https://saudeonline.pt/?p=173556 O cancro da mama também pode afetar os homens, sendo necessário apostar mais na literacia em saúde para se estar atento aos primeiros sintomas, alerta Pedro Meireles, médico oncologista do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil. Em entrevista, o médico realça que cancro já não tem quer sinónimo de morte.

O conteúdo “A maior parte dos casos de cancro da mama masculino ocorre após os 60 anos” aparece primeiro em Saúde Online.

]]>

Qual a prevalência do cancro da mama nos homens e nos idosos?

Embora seja mais comum nas mulheres, o cancro da mama pode também afetar os homens — representa cerca de 1% de todos os casos de cancro da mama. A maior parte dos casos de cancro da mama masculino ocorre justamente após os 60 anos. No entanto, por desconhecimento e pela falsa ideia de que é uma doença só de mulheres, o diagnóstico tende a ser mais tardio. É fundamental alertar que os homens, sobretudo os mais velhos, também devem estar atentos a sinais suspeitos.

 A que sintomas devem estar atentos?

Tanto homens como mulheres, e sobretudo os mais velhos, devem estar atentos a qualquer alteração mamária: nódulos, inchaços, alterações da pele ou do mamilo, secreções ou dores persistentes. Nos homens, pode manifestar-se como um caroço duro por detrás do mamilo. Em todos os casos, o diagnóstico precoce faz uma grande diferença.

 

Em termos de rastreio, o que deve mudar, para que estes dois grupos populacionais possam também ser abrangidos?

O rastreio do cancro da mama é maioritariamente direcionado às mulheres entre os 45 e os 74 anos. Quanto aos homens, apesar de não se justificar um rastreio populacional, é fundamental promover a literacia em saúde e sensibilizar os profissionais para avaliar casos com fatores de risco, como a história familiar ou a presença de mutações genéticas (ex: BRCA).

“Apesar de tudo, ainda existem preconceitos que levam a subtratar ou a desvalorizar os sintomas nos doentes idosos, mesmo quando poderiam beneficiar de tratamentos”

Os tratamentos na terceira idade são semelhantes aos aplicados a alguém mais novo?

A abordagem terapêutica deve ser sempre personalizada. A idade cronológica, por si só, não deve ditar o tratamento. Há idosos com excelente estado funcional e poucos problemas de saúde, que toleram bem tratamentos como cirurgia, quimioterapia ou tratamento hormonal. As decisões devem ter em conta o estado geral, a autonomia e as preferências do doente. Felizmente, hoje temos terapias mais seguras e menos agressivas, que se ajustam bem a toda a população.

Neste campo, considera que ainda existe idadismo por parte dos profissionais de saúde?

Acredito que exista cada vez menos, pelo menos na classe dos oncologistas e cirurgiões. Apesar de tudo, ainda existem preconceitos que levam a subtratar ou a desvalorizar os sintomas nos doentes idosos, mesmo quando poderiam beneficiar de tratamentos. A medicina moderna exige uma avaliação personalizada e integrada da pessoa idosa. Combatemos o idadismo com conhecimento, empatia e escuta ativa e é um dever ético fazê-lo.

O cancro afeta as mais diversas esferas da vida. Em termos de sexualidade, que desafios se enfrentam?

A sexualidade pode ser profundamente afetada pelo cancro, nomeadamente pelo cancro da mama, quer nos homens quer nas mulheres, e em qualquer idade. Alterações físicas, efeitos hormonais ou mudanças psicológicas são comuns. Nos idosos, por exemplo, muitas vezes este tema é negligenciado, por se presumir, erradamente, que a sexualidade deixa de ter importância.

“Para os homens e os idosos, é crucial combater o estigma e o medo. A mensagem deve ser clara: o cancro da mama tem tratamento e, em muitos casos, pode ser curado ou controlado por muitos anos”

E que cuidados ou apoio é necessário também no campo da sexualidade?

É essencial normalizar a conversa sobre sexualidade nas consultas, por vezes puxar o tema e deixar o/a doente confortável para falar com o médico ou o enfermeiro sobre o tema. Os profissionais de saúde devem estar atentos e criar espaço seguro para abordar o tema. O apoio pode incluir desde aconselhamento psicológico até orientação sobre estratégias ou produtos que ajudem a recuperar a intimidade. O cuidado oncológico deve incluir o bem-estar emocional e sexual.

A palavra cancro assusta sempre, por estar associada a morte. No caso dos homens e dos idosos, essa mensagem também deve ser contrariada face às inovações terapêuticas nos últimos anos?

Sem dúvida. Vivemos uma verdadeira revolução no tratamento do cancro da mama, com terapias mais eficazes, menos tóxicas e mais personalizadas. O diagnóstico precoce e os avanços científicos permitem hoje uma vida longa e com qualidade, mesmo após a doença metastática. Para os homens e os idosos, é crucial combater o estigma e o medo. A mensagem deve ser clara: o cancro da mama tem tratamento e, em muitos casos, pode ser curado ou controlado por muitos anos, independentemente do género e da idade ao diagnóstico.

Maria João Garcia

 

Notícia relacionada

Quatro mulheres diagnosticadas com cancro da mama a cada minuto

O conteúdo “A maior parte dos casos de cancro da mama masculino ocorre após os 60 anos” aparece primeiro em Saúde Online.

]]>
https://saudeonline.pt/a-maior-parte-dos-casos-de-cancro-da-mama-masculino-ocorre-apos-os-60-anos/feed/ 0
Cancro do endométrio. “A hemorragia uterina anómala está associada a mais de 75% dos casos” https://saudeonline.pt/cancro-do-endometrio-a-hemorragia-uterina-anomala-esta-associada-a-mais-de-75-dos-casos/ https://saudeonline.pt/cancro-do-endometrio-a-hemorragia-uterina-anomala-esta-associada-a-mais-de-75-dos-casos/#respond Fri, 25 Oct 2024 09:00:13 +0000 https://saudeonline.pt/?p=163895 O cancro do endométrio é o cancro ginecológico mais frequente em Portugal, que afeta maioritariamente as mulheres com mais de 50 anos e no período pós-menopausa. Pedro Meireles, médico oncologista do IPO Lisboa, alerta para os sintomas.

O conteúdo Cancro do endométrio. “A hemorragia uterina anómala está associada a mais de 75% dos casos” aparece primeiro em Saúde Online.

]]>

Qual a prevalência do cancro do endométrio na menopausa e quem é mais afetado?

O cancro do endométrio é o cancro ginecológico mais prevalente nos países desenvolvidos, especialmente após a menopausa. A sua incidência aumentou mais de 40% nas duas últimas décadas. A prevalência deste tipo de cancro tende a aumentar com a idade, sendo mais frequentemente diagnosticado em mulheres com mais de 50 anos, tipicamente já na pós-menopausa.

Em termos de fatores de risco, mulheres com excesso de peso, hipertensão arterial, diabetes mellitus e história de uso de terapia hormonal com estrogénios estão mais propensas a desenvolver este tipo de cancro. Para além disso, mulheres com história de menarca precoce (início precoce da menstruação), menopausa tardia, nuliparidade (nunca terem tido filhos), síndrome dos ovários poliquísticos e síndromes genéticos, como a síndrome de Lynch, têm um risco aumentado de desenvolver cancro do endométrio.

Quais os sintomas?

Um dos mais comuns é a hemorragia uterina anómala, cuja ocorrência está associada a mais de 75% dos casos. Trata-se de uma perda de sangue vaginal, semelhante à menstruação, mas num período em que as mulheres atingiram já a menopausa. Nas mulheres na pré-menopausa, o sangramento menstrual irregular ou excessivo também pode ser um sintoma. Por outro lado, sintomas como o corrimento vaginal anormal, que não está associado a infeção ou outras causas comuns, dor pélvica, aumento do volume abdominal ou dispareunia também podem ocorrer, embora não sejam comuns nos estádios iniciais da doença.

Tendo em conta que a mulher se encontra na menopausa, de que forma esta fase da vida pode contribuir e ou complicar o diagnóstico e o tratamento deste tipo de cancro?

A menopausa desempenha um papel importante tanto no diagnóstico como no tratamento do cancro do endométrio e pode tanto contribuir para a deteção precoce como criar algumas complicações. Por um lado, sendo que um dos principais sintomas de alerta do cancro do endométrio é um sangramento vaginal anormal, que é muito menos comum após a menopausa, isto leva geralmente a uma investigação mais precoce. Por outro lado, com a menopausa, o aumento da exposição a estrogénios, sobretudo se associada a fatores como a obesidade, diabetes, hipertensão e uso de terapêutica hormonal de substituição, aumenta o risco de desenvolvimento do cancro do endométrio. Estes fatores de risco podem aumentar a complexidade da gestão da doente.

“Embora não haja uma forma de garantir completamente a prevenção deste tipo de cancro, é possível adotar estratégias que diminuem os fatores de risco conhecidos”

Quais os tratamentos e qual o prognóstico?

Relativamente ao tratamento, este passa principalmente pela cirurgia de remoção do útero – histerectomia total. Nas mulheres pós-menopáusicas, a cirurgia pode ser mais complexa se houver outras comorbilidades associadas, como doenças cardíacas ou pulmonares, que tornam a anestesia ou a recuperação mais difícil.

O tratamento do cancro do endométrio depende do estádio da doença ao diagnóstico, do subtipo do tumor e da condição clínica da doente.  Sendo que cerca de 80% dos cancros do endométrio são diagnosticados em estádios precoces e localizados, a cirurgia é o principal tratamento e as taxas de sobrevivência são superiores a 90% aos 5 anos. Contudo, em estádios mais avançados, quando a doença atinge os gânglios linfáticos ou outros órgãos à distância, ou em subtipos mais agressivos, o tratamento pode envolver a quimioterapia e/ou a radioterapia e o prognóstico já é pior. A deteção precoce e a abordagem terapêutica personalizada são fundamentais para melhorar as taxas de sobrevivência e a qualidade de vida.

Existe uma forma de prevenir este tipo de cancro?

Embora não haja uma forma de garantir completamente a prevenção deste tipo de cancro, é possível adotar estratégias que diminuem os fatores de risco conhecidos, como a prática de hábitos de vida saudáveis, o controlo e manutenção dum peso adequado, uma alimentação saudável e diversificada, a prática regular de exercício físico e o tratamento ou monitorização das condições de risco, nomeadamente a hipertensão arterial, diabetes mellitus e síndrome dos ovários poliquísticos.

Atualmente, não há evidência para o rastreio do carcinoma do endométrio na população em geral. O rastreio está recomendado apenas nas mulheres assintomáticas portadoras de mutações associadas a síndrome de Lynch, através de exame ginecológico, ecografia ginecológica suprapúbica e transvaginal e biópsia endometrial anual a partir dos 35 anos e até serem submetidas a histerectomia e anexectomia bilateral.

MJG

Notícia relacionada

Cancro do endométrio pode ser detetado numa amostra de urina

O conteúdo Cancro do endométrio. “A hemorragia uterina anómala está associada a mais de 75% dos casos” aparece primeiro em Saúde Online.

]]>
https://saudeonline.pt/cancro-do-endometrio-a-hemorragia-uterina-anomala-esta-associada-a-mais-de-75-dos-casos/feed/ 0