Cristina Gavina - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/cristina-gavina/ Notícias sobre saúde Mon, 02 Jun 2025 10:11:49 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Cristina Gavina - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/cristina-gavina/ 32 32 “Tudo o que se queira fazer na área da saúde cardiovascular vai depender da boa articulação entre Cardiologia e MGF” https://saudeonline.pt/tudo-o-que-se-queira-fazer-na-area-da-saude-cardiovascular-vai-depender-da-boa-articulacao-entre-cardiologia-e-mgf/ https://saudeonline.pt/tudo-o-que-se-queira-fazer-na-area-da-saude-cardiovascular-vai-depender-da-boa-articulacao-entre-cardiologia-e-mgf/#respond Mon, 02 Jun 2025 10:11:49 +0000 https://saudeonline.pt/?p=175872 Cristina Gavina é a primeira mulher a presidir à Sociedade Portuguesa de Cardiologia. Em entrevista, destaca a importância do trabalho em articulação com os médicos de família e das campanhas de promoção da saúde, desde a primeira infância.

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A IC é uma das principais preocupações no que diz respeito a doenças cardiovasculares?

Sim, é! Evoluímos muito em termos de tratamento do enfarte agudo do miocárdio (EAM) e do acidente vascular cerebral (AVC). Essas eram, no fundo, as principais problemáticas cardiovasculares. Continuam a sê-lo, obviamente, mas quando se melhora o tratamento do EAM, vamos fazer com que as pessoas sobrevivam mais tempo, mas com consequências, que podem, per si, levar a IC.

Por outro lado, temos uma população cada vez mais envelhecida, com mais diabetes, hipertensão e obesidade. Estes são fatores de risco que vão contribuir, por sua vez, para uma forma de IC que não era tão conhecida, que é a IC com ejeção de fração preservada e que tem um peso enorme após os 70 anos. No estudo PORTHOS verificou-se que 30% da população acima dos 70 anos tem IC, o que leva a internamentos sucessivos, perda de qualidade de vida, perda de autonomia, a sobrecarga familiar e do próprio sistema.

Na prática, estamos a ser vítimas do nosso sucesso por conseguirmos tratar a doença. Mas também é, por outro lado, o reflexo do nosso insucesso na prevenção. É crucial que se faça algo para se diagnosticar mais precocemente! Sessenta por cento dos doentes são diagnosticados nos serviços de urgência ou no primeiro internamento e isso não é o ideal. É preciso diagnosticar precocemente para se evitar esses (re) internamentos. Mas a  prevenção é essencial para que daqui a 20-30 anos não se tenha um pico de IC, que se torne um problema de saúde pública, para o qual não teremos capacidade de resposta.

 

Além da IC, que outras patologias são preocupantes para a SPC?

A doença valvular, porque a estenose aórtica é muito prevalente na população mais idosa e neste momento deparamo-nos com muitos desafios desde o acesso aos meios de diagnóstico, referenciação hospitalar e tratamento (intervenção cirúrgica ou percutânea). As dificuldades sentem-se muito no acesso ao tratamento, na medida que não é fácil ter-se capacidade para se responder atempadamente a estas pessoas. Há mesmo quem morra enquanto aguarda a intervenção de substituição valvular…

Outro problema é o das arritmias, nomeadamente a morte súbita. Temos conseguido melhorar na doença coronária, mas ainda há muitos casos de morte súbita, muito por causa da falta de resposta pré-hospitalar. É preciso analisar o que falta fazer para que as pessoas que tenham uma paragem cardiorrespiratória na rua possam ter apoio rapidamente. Para tal, é preciso informar e formar a população, para que consiga prestar os primeiros cuidados de Suporte Básico de Vida, mantendo a perfusão do cérebro até à chegada dos meios de socorro.

As campanhas massivas de formação para Suporte Básico de Vida deviam começar nas escolas. Estas vão ser essenciais para que se consiga alargar a capacidade de agir perante uma paragem cardiorrespiratória. Atualmente, já se faz um bom trabalho no tratamento das doenças que levam a morte súbita, mas falta esta componente de intervenção antes da chegada ao hospital.

“Os médicos de família são, indiscutivelmente, os gatekeepers da saúde cardiovascular, os que podem fazer mais pelas pessoas”

Qual a importância de outras especialidades, como a Medicina Geral e Familiar (MGF)?

O médico de família é absolutamente crucial! Tudo o que se queira fazer na área da saúde cardiovascular vai depender da boa articulação entre Cardiologia e MGF. Os médicos de família são, indiscutivelmente, os gatekeepers da saúde cardiovascular, os que podem fazer mais pelas pessoas. O diagnóstico precoce é dos cuidados de saúde primários! Na SPC sempre tivemos um cuidado particular de nos articularmos com a MGF, de apostarmos em formação específica para a MGF e de aprendermos quais são as dificuldades dos CSP, para melhorar esta cadeia.

Os médicos de família são os primeiros a atuar e aqueles que mais podem fazer para mudar este panorama. Quando se fala de prevenção primordial, referimo-nos às escolas, à população, para evitar os fatores de risco que levam à doença. Nos CSP controlam-se esses mesmos fatores, para se evitar a progressão para doença cardiovascular. Quando a patologia já está estabelecida e as pessoas são referenciadas para a consulta hospitalar, o cardiologista já está a correr contra o prejuízo.

O que queremos é sensibilizar a população e ajudar os CSP a terem acesso, nomeadamente, a ferramentas para diagnóstico precoce. Há neste momento um trabalho coordenado entre associações de doentes, da SPC e Direção-Geral da Saúde na área da IC. Exemplo disso, é a disponibilização do peptídeo natriurético tipo B ( BNP/NT‐proBNP) e do ecocardiograma com doppler nos CSP, algo que não tinha comparticipação e que não estava disponível para todos.

Há muitas coisas que podem ser feitas nos CSP em articulação com os hospitais, como a internalização e validação de MCDT, realizados nos centros de saúde, e a consultoria remota que podem facilitar o acesso a cuidados especializados de Cardiologia. Esperamos que as unidades locais de saúde (ULS) permitam essa articulação.

 

Em suma, o objetivo da SPC é envolver todos aqueles que podem melhorar a saúde cardiovascular?

Na SPC queremos pluralidade, envolvendo todas as sociedades científicas e a comunidade, conseguindo fazer um trabalho determinante para mudar a saúde cardiovascular. Sozinhos não é possível! Queremos contar com todos para chegarmos mais longe.

Maria João Garcia

 

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Estudo LATINO. Quase 40% dos adultos têm risco cardiovascular alto ou muito alto https://saudeonline.pt/estudo-latino-quase-40-dos-adultos-tem-risco-cardiovascular-alto-ou-muito-alto/ Fri, 07 Oct 2022 09:36:28 +0000 https://saudeonline.pt/?p=135858 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Estudo LATINO. Quase 40% dos adultos têm risco cardiovascular alto ou muito alto aparece primeiro em Saúde Online.

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“Ao contrário do que muitos pensam, as doenças cardíacas matam mais mulheres que homens” https://saudeonline.pt/ao-contrario-do-que-muitos-pensam-as-doencas-cardiacas-matam-mais-mulheres-que-homens-2/ https://saudeonline.pt/ao-contrario-do-que-muitos-pensam-as-doencas-cardiacas-matam-mais-mulheres-que-homens-2/#respond Thu, 05 Aug 2021 10:43:15 +0000 https://saudeonline.pt/?p=119540 Em entrevista, a Diretora do Serviço de Cardiologia da Unidade Local de Saúde de Matosinhos salienta o crescente peso que as doenças cardiovasculares têm nas mulheres, à boleia do aumento dos fatores de risco nesta população.

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cristina gavina - doenças cardíacas em mulheres

Qual é a prevalência de doenças cardiovasculares a nível nacional e mundial?

As doenças cardiovasculares (DCV) constituem a principal causa de morte no mundo e, em particular, na Europa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que em 2019 tenham morrido 17,9 milhões de pessoas devido a DCV, correspondendo a 32% de todas as mortes. Isto apesar dos avanços médicos mais recentes, que contribuíram para uma ligeira diminuição da mortalidade cardiovascular nos últimos anos.

Em Portugal, no ano de 2017, a mortalidade relacionada com a DCV representou quase um terço da mortalidade total. De forma preocupante, tem-se verificado um agravamento da mortalidade prematura, isto é, abaixo dos 70 anos, tornando a prevenção destas doenças uma prioridade.

Este tipo de patologias apresenta maior incidência em alguma faixa etária ou sexo?

A prevalência das DCV aumenta com a idade e é mais frequente nos homens em idades mais jovens e nas mulheres em idades mais avançadas, geralmente após a menopausa.

Ao contrário daquilo que muitos pensam, as doenças cardíacas matam mais mulheres que homens e são mais fatais que todas as causas de cancro combinadas. No entanto, o número de anos de vida perdidos (relativamente à esperança média de vida) é substancialmente maior nos homens.

Qual tem sido a evolução do risco cardiovascular especificamente nas mulheres?

Tal como nos homens, as DCV são a principal causa de morte nas mulheres. Nas sociedades ocidentais, a mortalidade por doença coronária ultrapassa aquela associada ao cancro da mama, cancro uterino e a mortalidade periparto. Só na Europa, 23% da mortalidade no sexo feminino deve-se a doença coronária.

O risco de DCV na mulher tende a crescer com o aumento dos fatores de risco. As mulheres têm apresentado maiores índices de excesso de peso e obesidade e, consequentemente, maior frequência de hipertensão arterial e de DM tipo 2. Da mesma forma, nos últimos anos, tem-se verificado maior crescimento nos hábitos tabágicos, em contraciclo com a tendência observada no sexo masculino. Estes dados são preocupantes e levam-nos a refletir sobre a necessidade de atuar cedo na consciencialização e prevenção.

Por outro lado, há indicadores de maior risco que importa conhecer. Por exemplo, ter diabetes ou hipertensão na gravidez aumentam o risco cardiovascular, mesmo após normalização após o parto. Estas mulheres necessitam um seguimento mais apertado nas consultas de vigilância, seja no seu médico, seja no seu ginecologista.

Finalmente, há fatores de risco cardiovascular ou de doença cardíaca que são específicos do sexo feminino. São exemplo as doenças ginecológicas como a síndrome do ovário poliquístico ou a endometriose, e doenças inflamatórias mais frequentes nas mulheres, como o lupus ou a artrite reumatoide.

Qual é o papel dos profissionais de saúde na promoção da manutenção da saúde cardiovascular?

De uma forma geral, as pessoas conhecem a maioria destes fatores de risco e as indicações para uma vida saudável. O problema é que estamos a falar de alterações de “estilos” de vida e não de fatores pontuais. Esta mudança tem grandes implicações familiares e até profissionais, sendo que envolve as famílias e não apenas o indivíduo se queremos ter resultados sustentados.

Os profissionais de saúde devem ser o veículo de divulgação desta informação e facilitadores da sua implementação, mas nada se conseguirá se a população não interiorizar as vantagens a longo prazo destas medidas. E agora, mais que nunca, é importante não nos esquecermos que, apesar da covid-19, continua a morrer-se mais de DCV.

SO

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