Carlos Palos - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/carlos-palos/ Notícias sobre saúde Thu, 09 Dec 2021 13:54:22 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Carlos Palos - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/carlos-palos/ 32 32 Antibióticos. “Doentes não se devem automedicar nem alterar doses” https://saudeonline.pt/antibioticos-e-necessaria-a-consciencia-de-que-os-doentes-nao-se-devem-automedicar-nem-alterar-doses/ https://saudeonline.pt/antibioticos-e-necessaria-a-consciencia-de-que-os-doentes-nao-se-devem-automedicar-nem-alterar-doses/#respond Tue, 30 Nov 2021 12:40:46 +0000 https://saudeonline.pt/?p=124704 "A otimização terapêutica pode ser efetuada mediante a consciencialização [...], nomeadamente não utilizando os antibióticos em infeções não bacterianas, como gripes ou constipações", aconselha o especialista.

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antibióticos

Na sequência da Semana Mundial de Conscientização Antimicrobiana, este ano assinalada de 13 a 19 de novembro, o Coordenador do Grupo de Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos do grupo Luz Saúde e do Hospital Beatriz Ângelo, Carlos Palos, reforça a importância de um adequado uso dos antibióticos. Segundo o especialista em Medicina Intensiva e Medicina Interna, a consciencialização sobre uma adequada utilização dos antibióticos é a mensagem-chave a ser transmitida, de modo a conseguir prevenir a resistência antimicrobiana (RAM).

 

 Existe uma consciencialização adequada sobre RAM entre os profissionais de saúde, decisores políticos de saúde e doentes?

A RAM tem sido gradualmente reconhecida como um problema de Saúde Pública internacional. A Organização Mundial de Saúde (OMS), o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e os diversos governos têm colocado o tema na sua agenda, embora, tal como para outros assuntos, a sua concretização tenha diferentes importâncias.

Em relação aos profissionais de saúde, essa consciencialização tem vindo a ser crescente, começando na formação pré-graduada de todos os envolvidos no circuito do antibiótico. Os prescritores têm ainda um caminho importante a percorrer, apesar das melhorias observadas nos últimos anos. As campanhas de sensibilização dos cidadãos têm contribuído para a melhoria da situação, embora, tal como anteriormente referido, exista um espaço amplo de melhoria. Prescritores e utilizadores tendem a considerar a existência do problema como sendo dos outros e não de si mesmos.

Qual é o impacto económico provocado pela RAM?

As infeções causadas por bactérias resistentes aos antibióticos obrigam ao prolongamento de internamentos, utilização de recursos mais diferenciados a nível farmacológico, de recursos humanos e de unidades de saúde, o que, de forma conjugada, contribui para o aumento dos custos de saúde.

Segundo estimativas publicadas pelo ECDC e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a cada ano ocorrem um total de 671.689 infeções no espaço EU/EEA, causando 33.110 mortes, com um custo de cerca de 1,1 mil milhões de Euros. Neste âmbito, Portugal poderá anualmente vir a ser um dos países mais afetados da OCDE entre 2015-2050, com 1.167 mortes, com um custo de 50 milhões de dólares, por paridade de poder de compra.

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Considera que o arsenal terapêutico disponível é suficiente para os profissionais de saúde?

Salvo situações de algumas infeções, ainda pouco prevalentes, de bactérias com resistência à maioria dos antibióticos, o que acontece nas bactérias Gram negativas, como a Klebsiella com resistência aos carbapenemos, continuamos a ter terapêuticas eficazes. Nos últimos anos, a indústria farmacêutica tem introduzido novos fármacos neste âmbito.

Como pode ser otimizado o tratamento antimicrobiano dos doentes?

A otimização terapêutica pode ser efetuada mediante a consciencialização e conhecimento sobre a adequada utilização de antibióticos, nomeadamente não os utilizando em infeções não bacterianas, como gripes ou constipações. Por outro lado, os doentes devem ter a consciência de que não se devem automedicar nem alterar a dose ou a duração da toma dos antibióticos. Da parte dos prescritores, a melhoria das práticas de prescrição passa igualmente pela sensibilização e educação e pela disponibilização de métodos de diagnóstico que permitam complementar a avaliação clínica, no caso dos cuidados ambulatórios.

Que papel deve desempenhar o diagnóstico etiológico na luta contra a resistência antimicrobiana? Qual é a importância do diagnóstico rápido?

O conhecimento do microrganismo causador da infeção é um passo importante para a melhoria da qualidade de prescrição, que é um processo resultante de uma análise probabilística do contexto, com base em elementos clínico-epidemiológicos. Deste modo, a utilização racional de meios de diagnóstico mais rápidos e precisos, no âmbito do conceito de diagnostic stewardship, permite uma melhoria em termos de qualidade e segurança, com diminuição de prescrições inapropriadas de antibióticos.

Qual é a relação entre microbiologistas e medicina intensiva na luta contra estas resistências?

O papel da microbiologia é essencial e central na adequação das terapêuticas e, deste modo, na luta contra as resistências. Os doentes com infeções graves, nomeadamente sepsis ou choque séptico, são doentes em que tendencialmente se utiliza um leque mais alargado de antibióticos e até de antifúngicos. O conhecimento da microbiologia e a intervenção dos microbiologistas, como clínicos presentes nas unidades e serviços de medicina intensiva, constitui uma mais-valia para que se possam fazer as adaptações microbiológicas, descalando alguns dos antibióticos empiricamente iniciados, logo que se conheçam os resultados microbiológicos e feito o devido enquadramento clínico.

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“Portugal mantém uma elevada prevalência de infeções associadas aos cuidados de saúde” https://saudeonline.pt/portugal-mantem-uma-elevada-prevalencia-de-infecoes-associadas-aos-cuidados-de-saude/ https://saudeonline.pt/portugal-mantem-uma-elevada-prevalencia-de-infecoes-associadas-aos-cuidados-de-saude/#respond Mon, 21 Dec 2020 15:40:06 +0000 https://saudeonline.pt/?p=103730 A propósito da Semana Mundial de Uso Consciente de Antibióticos, falámos com especialistas na área da microbiologia sobre a importância da prevenção da resistência antimicrobiana. O especialista em medicina interna abre este conjunto de entrevistas a falar da prevalência e dos custos da resistência aos antibióticos a nível nacional.

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Quando estamos a falar de bactérias resistentes ao tratamento com antibióticos estamos a falar essencialmente de que bactérias?

Quando estamos a falar em bactérias resistentes, falamos essencialmente do grupo ESCAPE, nomeadamente o enterococcus faecalis e o enterococcus faecium, o staphylococcus aureus, o género de bactérias klebsiella pneumoniae e acinetobacter baumannii e as pseudomonas aeruginosa.

Quais são os dados de Portugal relativamente às infeções associadas aos cuidados de saúde?

Segundo os dados do estudo PPS [Point prevalence survey of healthcare-associated infections and antimicrobial use in European acute care hospitals] de 2016/2017, Portugal mantém uma elevada prevalência de infeções associadas aos cuidados de saúde – 9,1% versus uma média europeia de 6,5%, com uma incidência estimada de 5,9% versus 4,1% de média europeia.

Dessas infeções associadas aos cuidados de saúde, mais de 30% são causadas por bactérias resistentes. Em 2015, estas infeções associadas aos cuidados de saúde por bactérias multirresistentes atingiram, em média, 66 pessoas e causaram três mortes diariamente.

 

Quais são as previsões para o período de 2015-2050 para Portugal relativamente às infeções associadas aos cuidados de saúde?

Segundo um relatório da OCDE, se não existirem medidas adequadamente implementadas, são esperados 16 mil óbitos por ano, 800 dias extra de hospitalização por 100 mil habitantes por ano e um gasto anual de 500 mil dólares por 100 mil habitantes relacionado unicamente com o tratamento das infeções associadas aos cuidados de saúde causadas por bactérias multirresistentes.

E como podemos combater o atual cenário das infeções associadas aos cuidados de saúde em Portugal?

Portugal é dos países que mais beneficia de uma política de investimento nesta área, sendo as medidas baseadas nas medidas de higienização das mãos, da higienização hospitalar e a efetiva implementação de programas de antimicrobial stewardship hospitalar as que apresentam os maiores benefícios.

 

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A importância de programas de antimicrobial stewardship

Os programas de antimicrobial stewardship são implementados a nível hospitalar e têm como principal objetivo a normalização de esforços e a gestão de recursos humanos, técnicos e farmacológicos para prestar os melhores cuidados de saúde, tendo em conta a otimização do uso de antibióticos tendo em vista a redução da taxa de infeções por microrganismos multiresistentes e prevenção do surgimento de resistência antibiótica.

A ideia passa por implementar estratégias que permitam minimizar o consumo de antibióticos e que produzam documentação precisa de resultados de modo a evidenciar o sucesso das intervenções e o cumprimento efetivo dos objetivos propostos. 

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