Ana Raquel Marques - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/ana-raquel-marques/ Notícias sobre saúde Tue, 30 Jun 2026 14:51:30 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Ana Raquel Marques - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/ana-raquel-marques/ 32 32 Cessação tabágica: estratégia fundamental no rastreio e no diagnóstico do cancro do pulmão https://saudeonline.pt/cessacao-tabagica-estrategia-fundamental-no-rastreio-e-no-diagnostico-do-cancro-do-pulmao/ https://saudeonline.pt/cessacao-tabagica-estrategia-fundamental-no-rastreio-e-no-diagnostico-do-cancro-do-pulmao/#respond Wed, 01 Jul 2026 08:51:07 +0000 https://saudeonline.pt/?p=188015 Responsável pela Consulta Intensiva de Cessação Tabágica no ACES da ULS de Matosinhos

O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Cessação tabágica: estratégia fundamental no rastreio e no diagnóstico do cancro do pulmão aparece primeiro em Saúde Online.

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Quando falamos de rastreio do cancro do pulmão, pensamos na TC de baixa dose, nos critérios de elegibilidade e na deteção precoce. No entanto, o rastreio não deve ser apenas um ato imagiológico. Deve ser uma oportunidade clínica para intervir no principal fator de risco modificável: o tabaco. Esta é, para mim, a mensagem central: no rastreio, no diagnóstico e no tratamento, deixar de fumar não é uma recomendação acessória. É uma intervenção clínica com impacto prognóstico.

Um programa de rastreio que identifica risco, mas não intervém sobre o principal fator modificável, fica incompleto. A cessação tabágica deve estar presente desde o convite ao rastreio, na comunicação do resultado e, naturalmente, no percurso do doente já diagnosticado.

O momento do rastreio pode funcionar como uma janela de oportunidade. A pessoa é chamada porque pertence a um grupo de risco, há uma maior consciência da exposição e das suas consequências. A forma como comunicamos é decisiva: não se trata de assustar ou culpabilizar, mas de ajudar o fumador a perceber que este é um momento concreto para reduzir risco e ganhar controlo.

Perante um rastreio negativo, há uma boa notícia, mas também um risco comunicacional. O utente pode interpretar o resultado como confirmação de que “está tudo bem” ou como autorização implícita para continuar a fumar. É essencial explicar que a TC é uma fotografia daquele momento: não mostra sinais suspeitos agora, mas não elimina a exposição acumulada nem o risco futuro. A mensagem deve ser clara: manter vigilância adequada e deixar de fumar.

Quando o resultado é positivo ou suspeito, a abordagem deve ser igualmente cuidadosa. O medo, a ansiedade e a culpa aparecem facilmente. Nessa fase, o nosso papel é orientar com rapidez, reduzir a incerteza e separar risco de culpa. A cessação tabágica deve ser apresentada como apoio clínico e não como censura. A pergunta não deve ser “porque é que continuou a fumar?”, mas sim “o que podemos fazer agora para o ajudar?”.

A abordagem deve ser breve e empática. Frases como “tem de parar” ou “sabe que isso faz mal” raramente acrescentam valor. É preferível perguntar: “em que ponto está relativamente à possibilidade de deixar de fumar?”, “o que já tentou?” ou “o que acha que poderia ajudar desta vez?”. A conversa deixa de ser moralizante e passa a ser uma decisão clínica partilhada.

Integrar cessação tabágica no rastreio implica mais do que aconselhar. Implica criar circuito: identificar consumo e carga tabágica, avaliar motivação, realizar intervenção breve, referenciar para apoio intensivo quando necessário, acompanhar recaídas, considerar farmacoterapia e medir resultados. Não basta saber quantas TC foram realizadas. É importante saber quantos fumadores receberam intervenção breve, quantos foram referenciados e quantos mantiveram abstinência.

No doente já diagnosticado, é fundamental combater uma ideia muito frequente: “agora já não vale a pena”. Vale a pena. A cessação tabágica deve ser entendida como intervenção terapêutica coadjuvante. Pode melhorar tolerância aos tratamentos, reduzir complicações, favorecer recuperação e ter impacto na sobrevivência e na qualidade de vida.

Assim, no rastreio e no diagnóstico do cancro do pulmão, a cessação tabágica não é um complemento. É prevenção primária, gestão de risco, apoio à comunicação clínica e intervenção terapêutica. Integrá-la de forma sistemática é transformar o rastreio num verdadeiro momento de cuidado.

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Cessação Tabágica – O que saber e o que fazer?

 

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Tabagismo em Portugal: A urgência de uma abordagem médica mais ativa https://saudeonline.pt/tabagismo-em-portugal-a-urgencia-de-uma-abordagem-medica-mais-ativa/ https://saudeonline.pt/tabagismo-em-portugal-a-urgencia-de-uma-abordagem-medica-mais-ativa/#respond Wed, 11 Dec 2024 07:57:55 +0000 https://saudeonline.pt/?p=165613 Médica Especialista em Medicina Geral e Familiar, ULS de Matosinhos – CDP Matosinhos; Responsável pela Consulta de Cessação Tabágica Intensiva; Coordenadora do Curso de Intervenção na Cessação Tabágica da Academia Update em Medicina

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tabagismo

O tabagismo continua a ser uma das principais causas evitáveis de morte e doença em Portugal, representando um problema de saúde pública com implicações sociais, económicas e clínicas profundas. Apesar dos avanços legislativos, o combate ao consumo de tabaco exige uma abordagem mais integrada e proativa, organizada a nível da comunidade e individualmente, com o médico de Medicina Geral e Familiar a desempenhar um papel essencial.

Neste contexto, é fundamental apostar na educação e informação para a saúde sobre os malefícios do tabaco e, principalmente, dos novos produtos do tabaco. Segundo o relatório mais recente de 2019 do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo, cerca de 16,8% da população portuguesa fuma diariamente. Apesar de se ter registado uma redução de 20% desde 2004, esta prevalência é preocupante, especialmente quando consideramos o impacto do tabagismo em doenças respiratórias, cardiovasculares e oncológicas.

Além disso, a crescente adoção de alternativas, como os cigarros eletrónicos e os produtos de tabaco aquecido, torna previsível um aumento da prevalência de fumadores no futuro, como aponta um estudo europeu de 2022. Não se trata apenas de desincentivar o uso do tabaco tradicional, mas de prevenir o surgimento de novas dependências.

A formação médica como pilar estratégico

Os médicos de MGF estão na linha da frente no contacto direto com os fumadores. Com mais de 60% dos fumadores a visitarem os centros de saúde pelo menos uma vez por ano, as consultas de cuidados de saúde primários representam uma oportunidade única para intervenções precoces e personalizadas, sendo um dos principais desafios atuais garantir que os médicos disponham de formação prática e atualizada para abordar eficazmente a cessação tabágica.

Foi precisamente neste contexto que surgiu o Curso Certificado de Intervenção na Cessação Tabágica da Academia Update em Medicina. Este Curso certificado pela DGERT já capacitou mais de 200 médicos na abordagem da dependência do tabaco. Este Curso é um exemplo de como a formação pode transformar a prática clínica, ao oferecer ferramentas baseadas na melhor evidência científica e adaptadas à realidade portuguesa.

Entre as competências abordadas, destacam-se a aplicação de técnicas de entrevista motivacional, a personalização de estratégias terapêuticas – desde a farmacologia até ao apoio psicológico – e o seguimento dos utentes ao longo do processo de cessação. Este tipo de formação prepara os médicos para intervir de forma intensiva e organizada junto dos fumadores, facilitando o processo de deixar de fumar com o máximo sucesso.

Medidas em curso: Promessas e desafios

Nos últimos anos, Portugal adotou várias medidas para reforçar a luta contra o tabagismo. A legislação mais restritiva, incluindo a proibição de fumar em espaços públicos fechados, é um passo importante. Contudo, estas medidas precisam de ser acompanhadas por intervenções mais próximas dos indivíduos.

O investimento em programas de cessação tabágica e o reforço da sensibilização são cruciais. O investimento do Serviço Nacional de Saúde SNS) no acesso a consultas especializadas tem de ser feito, criando condições para que os médicos de família se dediquem a esta consulta. O investimento na formação médica deve ser uma prioridade do SNS.

Além disso, a educação da população em geral sobre os riscos do tabagismo e a disponibilidade de apoio para quem deseja deixar de fumar são áreas que exigem atenção contínua.

O caminho a seguir: Um esforço colaborativo

O panorama atual do tabagismo em Portugal mostra que há razões para otimismo, mas também um longo caminho a percorrer. Cursos como o da Academia Update em Medicina são essenciais, pois reconhecem que a formação médica contínua é uma arma poderosa na prevenção e no tratamento do tabagismo.

No entanto, o sucesso depende de um esforço colaborativo. É fundamental que haja um alinhamento entre políticas públicas, formação de profissionais e acessibilidade aos serviços de cessação tabágica. Além disso, é imperativo envolver a sociedade civil, os educadores e os próprios fumadores na construção de uma cultura mais saudável.

Em última análise, a luta contra o tabagismo é uma missão que deve transcender as paredes do consultório. É uma causa que exige médicos bem formados, políticas públicas eficazes e uma sociedade informada. E, acima de tudo, exige que nunca percamos de vista a nossa responsabilidade coletiva em proteger a saúde das gerações presentes e futuras.

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