HIPERTENSÃO E RCV- ONLINE - entrevistas - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/ht-rcv-entrevistas/ Notícias sobre saúde Fri, 01 Mar 2024 10:57:07 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png HIPERTENSÃO E RCV- ONLINE - entrevistas - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/ht-rcv-entrevistas/ 32 32 PANORAMA-AVC. “57% dos doentes com AVC não têm acesso a internamento em Unidade de AVC logo após o ictus” https://saudeonline.pt/panorama-avc-57-dos-doentes-com-avc-nao-tem-acesso-a-internamento-em-unidade-de-avc-logo-apos-o-ictus/ https://saudeonline.pt/panorama-avc-57-dos-doentes-com-avc-nao-tem-acesso-a-internamento-em-unidade-de-avc-logo-apos-o-ictus/#respond Thu, 29 Feb 2024 10:00:26 +0000 https://saudeonline.pt/?p=155578 Os resultados do projeto PANORAMA-AVC foram discutidos por Denis Gabriel, médico neurologista na Unidade Local de Saúde (ULS) de Santo António, que foi um dos oradores do 18º Congresso Português do AVC. Em entrevista, o também membro da Direção da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC) fala sobre o impacto do projeto a nível do presente e do futuro.

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Denis Gabriel

Em que consiste o projeto PANORAMA-AVC?

O PANORAMA-AVC consiste num desafio lançado ao grupo de trabalho J-SPAVC (“J” de jovem) de organizar um estudo que nos facultasse uma perspetiva sobre os cuidados aos doentes com AVC em Portugal. O estudo centrou-se na acessibilidade a unidades e tratamentos diferenciados e grau de diferenciação de cuidados, quer durante o internamento, quer após, com especial enfoque no acesso a consultas e a reabilitação. Adicionalmente, preocupamo-nos em ter uma métrica de “valor dos cuidados de saúde”, na medida em que questionamos os doentes relativamente à sua experiência em relação aos cuidados recebidos e resultados.

Com a crescente complexidade de tratamentos que vieram melhorar o prognóstico funcional e mortalidade dos doentes com AVC isquémico, a comunidade de profissionais de saúde tem vindo a demonstrar preocupação com a qualidade e alcance dos cuidados, também naqueles com AVC hemorrágico.

“A 30 de maio 2023 conseguimos realizar um estudo onde incluímos 738 doentes com AVC agudo ou subagudo, internados em 59 hospitais do SNS, e segui-los, prospetivamente, ao longo de 6 meses.”

 

Quais os primeiros resultados e o impacto deste projeto?

Os resultados preliminares, infelizmente, comprovam o que receávamos. Mais de metade (57%) dos doentes com AVC não têm acesso a internamento em Unidade de AVC logo após o ictus (o alvo será > 90% nos próximos anos). Por outro lado, 11% não tiveram orientação por médico de Medicina Física e de Reabilitação em internamento por incapacidade de resposta e mais de metade não tiveram acesso a consultas de reavaliação pós-AVC aos 3 meses. Aos 6 meses, esta proporção mantinha-se entre os 40 e os 50%.

Por outro lado, no que diz respeito ao alcance dos tratamentos de reperfusão do AVC isquémico (trombectomia mecânica e trombólise), observámos que a proporção dos tratamentos realizados está de acordo com os mínimos recomendados a nível europeu ou até acima, no caso da trombectomia. Em geral, os níveis de satisfação com os cuidados de reabilitação ou em consultas de seguimento, quando existentes, é elevada.

Estes resultados revelam que, apesar do grande esforço realizado na implementação e acessibilidade e tratamentos de reperfusão na fase hiperaguda, temos outros aspetos a melhorar, quer durante o internamento, quer durante o seguimento, com muito impacto no prognóstico funcional e mortalidade. Isto pode ser importante para melhorar a proporção de bom prognóstico funcional aos 3 meses (funcionalmente independente), que ficou por pouco mais de 1/3 (36%).

 

O que se prevê a nível futuro para o projeto?

Naturalmente, com a apresentação pública dos primeiros resultados recebemos muito feedback. Há várias propostas e comentários que teremos de analisar e que poderão influenciar, por exemplo, a decisão de estender o estudo por mais 6 meses. Compete agora a todos os investigadores e, em especial, à J-SPAVC, que se proceda à análise de toda a informação recolhida com o objetivo de percebermos onde estão as maiores dificuldades e as oportunidades de melhoria.

“Existem propostas de subanálise que vão ser realizadas brevemente, esperando que os resultados possam ser úteis para informar corretamente os decisores políticos e contribuir para uma mudança positiva nos cuidados aos doentes com AVC.”

 

CG

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Hipertensão. “Em equipa é possível mudar o panorama do risco cardiovascular” https://saudeonline.pt/hipertensao-em-equipa-e-possivel-mudar-o-panorama-do-risco-cardiovascular/ https://saudeonline.pt/hipertensao-em-equipa-e-possivel-mudar-o-panorama-do-risco-cardiovascular/#respond Thu, 08 Feb 2024 12:34:47 +0000 https://saudeonline.pt/?p=155043 Rosa de Pinho é a Presidente do 18.º Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global, da Sociedade Portuguesa de Hipertensão, que decorre entre amanhã e domingo, no Algarve. Em entrevista, fala sobre as novas guidelines europeias da ESH 2023 e sobre o papel de diferentes profissionais de saúde no controlo do risco cardiovascular.

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hipertensão

O que podemos esperar do Congresso de Hipertensão e Risco Cardiovascular?

Esperamos, à semelhança dos anos anteriores, que seja um momento de partilha sobre as novidades da área da hipertensão (HTA) e risco cardiovascular. Destaco o facto de ser o primeiro evento depois da publicação das novas guidelines da European Society of Hypertension (ESH) 2023. Queremos manter o rigor científico, mas também proporcionar aos colegas de diferentes áreas que esclareçam dúvidas e que partilhem experiências.

 

Relativamente às novas guidelines de 2023, quais as principais mudanças?

Não existem propriamente muitas novidades. O diagnóstico continua a basear-se no consultório, dando-se cada vez mais importância à responsabilização do doente, e fora do consultório mantém-se o recurso a  AMPA/MAPA. Os valores alvo cut-off continuam a ser os mesmos, dependo obviamente do local onde é feita a medição da pressão arterial. No que diz respeito aos fármacos, não há mudanças nas substâncias, a questão é mais no uso da single pill combination, reforçando que a monoterapia deve ser prescrita apenas em situações muito particulares. A população portuguesa, assim como outros europeus, têm um risco cardiovascular moderado, com mais que um fator de risco, o que exige, pelo menos, dois fármacos para controlar a pressão arterial. Nestas guidelines está bem vincado que se deve optar, na maioria dos doentes, pela terapêutica dupla. Como um dos grandes problemas é a não adesão, alerta-se para a relevância da single pill combination de longa ação.

Outro ponto fundamental, e que surge deste vez de forma mais aprofundada do que é habitual, é o follow-up do doente hipertenso, dando-se particular ênfase ao envolvimento de diferentes profissionais de saúde. Não basta envolver médicos, é preciso contar com enfermeiros e farmacêuticos, num trabalho de partilha. Quanto ao timing para se manter o doente controlado, ao fim de três meses de diagnóstico ou de alteração de terapêutica convém existir um bom controlo da patologia. E, obviamente, destaca-se o problema da não adesão, que é a principal causa para não controlo da HTA, abordando-se estratégias que podem ser aplicadas na prática clínica. Também se chama a atenção para a inércia clínica, para que os médicos comecem a medicar mais cedo e com as terapêuticas mais adequadas.

“Perante um doente com um valor no limite, por exemplo uma sistólica de 145 mmol/L, existe a tendência de se desculpar o doente, achando que esse valor se deve a uma comida mais salgada ou ao stress de ter ido a correr para a consulta”

Olhando para o panorama das doenças cardiovasculares em Portugal, o que mais destaca é a não adesão à terapêutica?

Existem três problemas. Primeiramente, a população geral ainda não percebeu a importância de se vigiar a pressão arterial, o que exige da nossa parte um investimento maior na literacia em saúde. A HTA é uma patologia que não dói, não dá sintomas na maioria das vezes e quando estes surgem já é grave. É preciso medir a pressão arterial com regularidade. Da parte dos profissionais de saúde, é fulcral combater a inércia médica. Perante um doente com um valor no limite, por exemplo uma sistólica de 145 mmol/L, existe a tendência de se desculpar o doente, achando que esse valor se deve a uma comida mais salgada ou ao stress de ter ido a correr para a consulta. Mas, muitas vezes, já é mesmo preciso fazer medicação. Outra questão é o utente que inicia medicação e, como não tem sintomas e se sente bem, deixa de fazer o tratamento. Temos de trabalhar nestes três pontos para se melhorar o panorama geral da saúde cardiovascular.

No Congresso vão realizar-se dois simpósios: o Luso-Brasileiro e o Luso-Húngaro. Qual a sua relevância?

Ambos surgem na sequência das relações internacionais da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPHTA) ao longo dos anos. Existe uma relação muito estreita com o Brasil, pela nossa História. No caso da Hungria, apesar de ser um país que não tem características semelhantes ao nosso em termos culturais, têm-nas no que diz respeito ao risco cardiovascular. É importante esta troca de experiências.

Mais uma vez vai ser um Congresso multidisciplinar. Essa é o mote para combater a HTA e o risco cardiovascular?

Sim, é verdade. Teremos sessões com farmacêuticos, porque um dos temas atuais é a prescrição partilhada entre médicos e farmacêuticos. E contamos com outros profissionais, como enfermeiros e nutricionistas. Em equipa é possível combater o problema da HTA e mudar o panorama do risco cardiovascular.

MJG

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“É preciso olhar para a trombose e a hemostase como uma área nobre da Medicina” https://saudeonline.pt/e-preciso-olhar-para-a-trombose-e-a-hemostase-como-uma-area-nobre-da-medicina/ https://saudeonline.pt/e-preciso-olhar-para-a-trombose-e-a-hemostase-como-uma-area-nobre-da-medicina/#respond Fri, 26 Jan 2024 15:23:55 +0000 https://saudeonline.pt/?p=154257 Luciana Ricca Gonçalves é imuno-hemoterapeuta e presidente da Associação Portuguesa de Trombose e Hemostase (APTH). Em entrevista, à margem da 1.ª Reunião Científica da APTH, que decorre amanhã, em Coimbra, apresenta os objetivos da APTH e realça a necessidade de se apostar cada vez mais na interdisciplinaridade para que se diminuam os eventos trombóticos.

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trombose e hemostase

Quando surgiu a ideia de criar a APTH?

Já há algum tempo que se percebia que havia uma necessidade fundamental de existir uma sociedade científica multidisciplinar dedicada à área da trombose e hemostase. Em Portugal não havia nenhuma sociedade que se dedicasse a esta problemática de forma transversal, ou seja, que englobasse várias especialidades médicas e outras valências da Saúde, como Bioquímica, Biologia, Farmácia, entre outras. É essencial haver um intercâmbio entre todos os profissionais que lidam com a trombose e hemostase. Não se pode esquecer que as alterações da hemostase, sejam associadas a hemorragia ou trombose, são desafios em múltiplas situações clínicas, em homens ou mulheres e em todas as faixas etárias. Este intercâmbio permite contribuir de forma mais eficiente para a evolução desta área e, por conseguinte, para uma otimização da prática clínica.

Nesta primeira reunião da APTH, o objetivo é essencialmente partilha de experiências?

Sim, sem dúvida. Será, antes de mais, a apresentação dos nossos objetivos, mas também haverá discussão de temas entre profissionais de diferentes áreas, nacionais e estrangeiros. Vamos ter médicos de Imuno-hemoterapia, Obstetrícia, Cardiologia, Neurologia, Medicina Intensiva, entre outros, para fomentar desde já uma maior interligação entre todos. São especialidades, nas quais a hemostase está presente quer na sua vertente trombótica quer hemorrágica.

Qual o impacto da trombose atualmente?

As doenças cardiovasculares e a patologia trombótica são a principal causa de morbilidade e mortalidade dos países desenvolvidos. Tudo o que possa minorar o seu impacto é sempre uma mais-valia. Há 15 anos, quando surgiram os anticoagulantes orais diretos – então, conhecidos como novos anticoagulantes orais -, toda a comunidade científica, assim como a própria indústria farmacêutica, sentiu necessidade de incentivar a organização de sessões científicas que alertassem para o risco trombótico e a forma de o reduzir. E, de facto, isso foi extremamente benéfico para a saúde em Portugal.

Na realidade, tínhamos (e ainda temos, apesar de algumas melhorias), múltiplos doentes com fibrilhação auricular, que sabemos estar associada a um aumento de risco de acidente vascular cerebral (AVC), que não estavam devidamente diagnosticados ou acompanhados. Contudo, a maioria tem indicação para anticoagulação. As sessões contribuíram para um maior alerta sobre o problema  e para que se tratasse estes doentes de forma mais adequada. Hoje assistimos a um aumento do diagnóstico da fibrilhação auricular e de instituição de anticoagulação oral, com todo o impacto positivo que estas medidas têm na saúde pública.

“Não nos podemos esquecer que, por exemplo no cancro, o tromboembolismo venoso (TEV) é a segunda causa de morte”

Regra geral, fala-se muito da importância dos estilos de vida saudável para prevenir eventos trombóticos. Mas que peso tem a existência de determinadas patologias?

Hábitos de vida saudável são essenciais. No entanto, não nos podemos esquecer que a patofisiologia da trombose é complexa e multifatorial com vários fatores adquiridos, transitórios ou permanentes, assim como fatores hereditários, a poderem contribuir para o evento trombótico. Quando nos referimos à trombose, estilos de vida menos saudáveis, como o sedentarismo, alimentação não saudável, obesidade associada, tabagismo, aumentam o seu risco. Mas há outros fatores de risco, como cirurgia, cancro e trombofilias hereditárias, que também estão implicados. Nestas situações, é fundamental transmitir-se a mensagem de que é preciso estar atento a todos os doentes que necessitam de profilaxia antitrombótica de forma a reduzir a incidência de trombose. Não nos podemos esquecer que, por exemplo no cancro, o tromboembolismo venoso (TEV) é a segunda causa de morte.

A trombose afeta homens e mulheres, mas no sexo feminino existem algumas especificidades como no caso do EAM, em que os sintomas passam por vezes mais despercebidos?

Há fatores de risco que são comuns a homens e mulheres, como a idade, cirurgias, imobilidade prolongada, cancro, trombofilia hereditária, entre outros. Todavia, na mulher existem oscilações nas suas características biológicas e hormonais que levam a que haja, nalgumas fases da vida, um aumento do risco trombótico. E porquê? Porque o aumento de estrogénios, sejam naturais ou terapêuticos, leva a uma alteração da hemostase, com aumento dos fatores pró-coagulantes, diminuição dos inibidores naturais da coagulação ou alteração de fibrinólise. Tudo isto contribui para um estado pró-trombótico. Obviamente outros fatores de risco podem coexistir e atuar de forma sinérgica para que ocorra um evento trombótico, como por exemplo uma trombofilia, quer seja hereditária quer seja adquirida (caso da síndrome antifosfolipídica), ou outros (obesidade, tabagismo, hipertensão, etc.)

Já é comum apostar-se na profilaxia antitrombótica ou ainda é preciso melhorar essa orientação nalgumas áreas?

Tem havido um aumento da instituição da profilaxia. Existem várias recomendações e protocolos para estratificação do risco e administração de profilaxia antitrombótica em vários cenários clínicos, nomeadamente nos doentes oncológicos e doentes hospitalizados médicos ou cirúrgicos. O mesmo se passa com a prevenção da trombose na gravidez, existindo guidelines de várias sociedades científicas. É um período da vida da mulher em que, além do impacto do aumento de estrogénios, ocorre a compressão dos vasos pelo útero gravídico, e a lesão vascular durante o parto. E, note-se, é um risco muito mais elevado do que o que está associado a contracetivos orais. Frequentemente, imuno-hemoterapeutas e ginecologistas debatem esta questão do risco associado à contraceção hormonal. Na prática, devemos ser cautelosos, optando pelo método contracetivo que melhor se adequa a cada mulher, evitando a gravidez que apresenta um risco muito superior. Aliás, atualmente, já existem contracetivos orais com risco bastante baixo de TEV.

“A APTH tem como objetivo principal entusiasmar os mais jovens a compreenderem melhor a hemostase nas suas diferentes vertentes”

Outra situação clínica que vai ser abordada no evento é o do doente em ECMO? Quais são os desafios?

Um doente em técnica de ECMO está numa situação clínica grave, em que há a necessidade de substituição parcial ou total da função respiratória e/ou circulatória. No entanto, embora fundamental em cenários concretos, não é isenta de complicações, sendo os eventos trombóticos e os eventos hemorrágicos, quer associados à anticoagulação instituída, quer à técnica em si, umas das complicações mais frequentes. São doentes que podem apresentar alterações que também contribuem para a coagulopatia, como por exemplo, trombocitopenia, infeções graves / sepsis ou que podem ter sido sujeitos a intervenções cirúrgicas complexas com elevado risco hemorrágico. É preciso que haja um equilíbrio da hemostase apertado para se prevenir quer tromboses quer hemorragias. Mas nem sempre é fácil atingir este objetivo, sendo muito importante uma abordagem multidisciplinar nestes doentes.

Relativamente ao futuro da APTH, o que se pode esperar?

A APTH tem como objetivo principal entusiasmar os mais jovens a compreenderem melhor a hemostase nas suas diferentes vertentes. Queremos ajudá-los com formações e vamos também criar grupos de trabalho que se destinam a diferentes áreas médicas e outros profissionais ligados ao estudo da hemostase. Também iremos organizar cursos e reuniões de formação. O lema é contribuir para a evolução do conhecimento, incentivando todos aqueles que consideram esta área fundamental para a sua atividade, seja clínica ou laboratorial.

Que mensagem gostaria de deixar a quem queira integrar a Associação?

É preciso olhar para a trombose e a hemostase como uma área nobre da Medicina, por ser detentora de um riquíssimo terreno clínico, básico e de investigação. O exemplo maior é a Sociedade Internacional de Trombose e Hemostase que tem inúmeros membros de diferentes áreas e tem tido um papel crucial na evolução científica e divulgação de conhecimento. Também diversas sociedades de países europeus, como a SETH, na nossa vizinha Espanha, têm tido um grande impacto na trombose e hemostase. A APTH pretende ter a mesma função e permitir que, a nível nacional, haja uma cooperação entre diferentes profissionais, a fim de aumentar o conhecimento e a investigação. A interdisciplinaridade é fundamental! Ao longo da minha carreira profissional aprendi sempre imenso com outras especialidades.

Maria João Garcia

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“Quando se constituem CRI de obesidade robustecemos a capacidade de resposta” https://saudeonline.pt/quando-se-constituem-cri-de-obesidade-robustecemos-a-capacidade-de-resposta/ https://saudeonline.pt/quando-se-constituem-cri-de-obesidade-robustecemos-a-capacidade-de-resposta/#respond Thu, 25 Jan 2024 10:30:43 +0000 https://saudeonline.pt/?p=154117 Nos dias 11 e 12 de janeiro decorreu a 1.ª edição do "Experts Meeting - CRI Obesidade CHUSJ". Eduardo Lima Costa, responsável pelo CRIO, falou sobre a obesidade em Portugal.

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Qual a prevalência atual da obesidade em Portugal? Os números são preocupantes?

Portugal acompanha a tendência do Ocidente no que respeita ao peso, sendo que mais de metade da sua população apresenta excesso de peso e cerca de 1/3 já conta com critérios de obesidade. Só recentemente a perceção deste problema tem sido alvo da devida atenção por parte de todos os responsáveis (clínicos, políticos e população geral), sendo o momento atual comparável à tentativa de travagem de um comboio em movimento: os esforços só começarão a dar frutos num futuro que desejamos o mais próximo possível. Não cessam de aumentar as evidências sobre o impacto real desta doença crónica e progressiva, com múltiplas causas genéticas, comportamentais e sociais, com mais de 200 doenças que lhe estão direta ou indiretamente associadas. Há muito tempo que conhecíamos os efeitos metabólicos do excesso de peso e as consequências no risco cardiovascular e de diabetes porém, só recentemente passámos a conhecer o impacto que também existe no risco oncológico e de morte por cancro.

“A prevenção e o combate precoce deste problema passou a ser uma das prioridades mais relevantes de todos os organismos de cuidados de saúde.”

 

Qual é a importância de os hospitais incluírem um Centro de Responsabilidade Integrado (CRI) específico para a obesidade?

Os CRI surgem quando os conselhos de administração (CA) veem uma determinada área com défice de resposta. A ponderação de CRI vocacionados para o tratamento de obesidade evidencia uma adequada perceção deste problema por parte dos CA, bem como um notável reforço dos meios para aumentar a capacidade de resposta a doentes para os quais todas as medidas conservadoras de tratamento da obesidade são comprovadamente insuficientes para um tratamento eficaz e sustentado no tempo. Quando se constituem CRI de obesidade robustecemos a capacidade de resposta ao alocarmos recursos, organização e incentivos à produtividade numa área de tratamento deficitária e capaz de exercer um grande impacto na saúde dos nossos doentes. Podemos falar numa lufada de ar fresco na organização do SNS e num sinal claro de aposta num tipo de solução terapêutica que aumenta a qualidade de vida e o tempo de vida dos doentes de uma forma segura e unanimemente aceite como muito significativa.

 

O que distingue o CHUSJ em relação a outros centros hospitalares no que diz respeito ao tratamento da obesidade?

O CRI de obesidade da ULS São João distingue-se dos demais pelo volume de cirurgias (o maior do país) e pela capacidade multidisciplinar de intervenção com soluções farmacológicas, endoscópicas, cirúrgicas e de intervenção nutricional e comportamental que seguem os mais elevados parâmetros de qualidade internacionais. Temos um programa multidisciplinar de investigação clínica e de formação e apoio a outros centros nacionais que é reconhecido pelos nossos pares e que iremos internacionalizar durante o ano de 2024.

No entanto, o tratamento da obesidade no nosso país encontra-se razoavelmente bem organizado e desenvolvido com vários grupos muito bem posicionados, também a nível internacional, posicionando Portugal numa posição globalmente forte nesta área clínica.

Com uma contratualização anual participada por todos os profissionais envolvidos, que recebem incentivos de acordo com o volume e qualidade do seu trabalho, triplicámos o número de cirurgias e consultas ao longo dos últimos 5 anos, algo que nos deixa particularmente orgulhosos.

 

Atualmente existem inovações no campo dos tratamentos e das cirurgias que visam combater a obesidade?

O tratamento da obesidade tem sofrido uma grande evolução à medida que os conhecimentos científicos nesta área se vão multiplicando. Atualmente, temos múltiplas e ambiciosas soluções cirúrgicas, seguras e confortáveis para o doente, capazes de resultados ambiciosos e sustentados. A par destas soluções, tem surgido um grande desenvolvimento nas opções farmacológicas e endoscópicas que nos proporcionam formas de tratamento integrado, particularmente eficazes e customizadas às características específicas de cada doente.

“Atribuímos prioridade à gestão do peso do doente ao longo da sua vida, estabelecendo estratégias de tratamento orientadas para a realidade de uma doença crónica e progressiva.”

 

Cláudia Gomes

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“As Jornadas são um reconhecimento de que a MGF tem um papel fundamental no SNS” https://saudeonline.pt/as-jornadas-sao-um-reconhecimento-de-que-a-mgf-tem-um-papel-fundamental-no-sns/ https://saudeonline.pt/as-jornadas-sao-um-reconhecimento-de-que-a-mgf-tem-um-papel-fundamental-no-sns/#respond Thu, 11 Jan 2024 09:44:08 +0000 https://saudeonline.pt/?p=153604 Em entrevista, Manuel Carrageta lembra o papel pioneiro de umas jornadas que marcaram desde logo a diferença pela interligação entre a Cardiologia e a MGF. O cardiologista faz ainda um balanço da evolução terapêutica na área da hipertensão e diabetes e realça a importância dos estilos de vida saudável.

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solidão

Estas são as Jornadas mais antigas que juntam a Cardiologia e Medicina Geral e Familiar (MGF). Ao fim de quase 40 anos, que avaliação faz da articulação entre ambas as especialidades?

As pioneiras Jornadas de Cardiologia, HTA e Diabetes de Almada conhecem este ano, entre os dias 11 e 13 de janeiro, a sua 38.ª edição. Trata-se da primeira iniciativa organizada, em Portugal, entre a Cardiologia e a Medicina Geral e Familiar e tiveram logo, desde início, grande aceitação. Sublinho que não se trata de uma iniciativa organizada para médicos de família, mas sim em conjunto por ambas as especialidades. Recordo que, na altura, se tratou de uma decisão local, com o intuito de melhorar as relações de trabalho e de comunicação entre os médicos da Clínica Geral e os da área hospitalar. Com o seu sucesso, acabou por se transformar numa reunião de dimensão nacional.

Havia uma grande separação e, até, um certo desconhecimento entre estas duas áreas da Medicina, particularmente da parte dos médicos hospitalares. As Jornadas foram um reconhecimento, da nossa parte, de que a MGF tem um papel fundamental e é, no fundo, o grande pilar em que assenta o Serviço Nacional de Saúde, sendo imprescindível que haja uma boa comunicação entre os médicos de ambas as especialidades. Estes profissionais são a espinha dorsal da assistência médica e sem eles nada de válido se conseguirá fazer. Só com o seu apoio será possível fazer uma boa Medicina e prestarmos um bom serviço aos nossos doentes.

Os atuais objetivos destas Jornadas continuam a ser exatamente os mesmos pelos quais toda a sua comissão organizadora, em que os médicos de família têm um papel fundamental, se pautaram há 38 anos para organizar a primeira edição: rever todas as inovações científicas ocorridas no ano anterior.

Destaco que nestas jornadas contamos com a presença de colegas e amigos que nos acompanham há muito tempo. Exemplo disso é o Dr. João  Sequeira Carlos, que começou por vir ao evento com a sua mãe (Regina Sequeira Carlos), ainda como aluno de Medicina! Desde então, além de especialista, já foi inclusive presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF). Um dos fundadores destas jornadas, o Dr. Mário Moura,  um visionário da Medicina, teve um papel fundamental na criação da especialidade de MGF, foi presidente da APMGF, sendo atualmente presidente de Honra. Merece toda a nossa admiração e respeito e é um orgulho saber que estas jornadas foram criadas, desde o primeiro dia, com o seu contributo.  Aliás, em sua homenagem, temos todos os anos o Prémio Mário Moura, atribuído à melhor comunicação oral e/ou melhor poster. Esta ligação ao passado é essencial.

 

A atual crise do SNS, com escassez de recursos humanos e as incertezas quanto à generalização do modelo Unidade Local de Saúde poderá pôr em causa essa mesma articulação?

Este novo modelo tenta aperfeiçoar de forma integrada a articulação entre os hospitais e a medicina de ambulatório, tendo também subjacente o objetivo de melhorar o controlo dos custos financeiros. Paralelamente, o SNS tem um problema básico na qualidade da sua gestão, que precisa de ser modernizada. Necessita também de um maior contributo dos médicos, que se tem perdido nos últimos anos, para assegurar que, para bem dos doentes, as regras da Medicina sejam respeitadas e não subvertidas pelas regras da gestão.

“A hipertensão arterial é a mais importante causa evitável de morte. Afeta cerca de 30% da população mundial e contribui para quase 11 milhões de mortes anualmente”

Relativamente às Jornadas, a hipertensão e a diabetes continuam a ser fatores de risco relevantes para doença cardiovascular. Ao longo destes 38 anos, que desenvolvimentos gostaria de destacar no que diz respeito ao diagnóstico e tratamento de ambas as patologias?

A hipertensão arterial é a mais importante causa evitável de morte. Afeta cerca de 30% da população mundial e contribui para quase 11 milhões de mortes anualmente, o que equivale a 30 mil mortes por dia (em consequência da hipertensão arterial). Hoje dispomos para tratar de três pilares. Em primeiro lugar, as mudanças de estilo de vida, em segundo lugar a terapêutica farmacológica e em terceiro lugar a desnervação renal. Nos últimos anos, surgiram novos recursos terapêuticos, como os iSGLT2 e os mineralocorticoides não esteroides. (finenerona) que podem contribuir para melhorar o controlo e prognóstico de alguns destes doentes.

A diabetes é reconhecida há muitos anos como um importante fator de risco cardiovascular. Até recentemente o modelo utilizado era essencialmente glucocêntrico, com resultados muito limitados na redução dos eventos macrovasculares. Diversos ensaios clínicos demonstraram recentemente que os inibidores da SGLT- 2 e os agonistas GLP-1  têm um efeito muito positivo, quer na redução dos eventos cardiovasculares quer das complicações renais, as duas principais causas de morte destes doentes. Hoje há um consenso Europeu- Americano que diferencia estes dois grupos de fármacos. Os inibidores SGLT-2 devem ser usados, preferencialmente, na insuficiência cardíaca (sem ou com diabetes) e na insuficiência renal, enquanto os GLP-1 devem ser empregues quando predomina a doença aterosclerótica, independentemente dos níveis glicémicos.

“Não basta tomar os comprimidos. Não existe uma terapêutica que seja melhor que a adoção de um estilo de vida saudável”

As terapêuticas são cada vez mais simples e individualizadas. Isso tem sido decisivo para doentes mais resistentes em seguir o tratamento?

Daí que seja fundamental esta interligação entre Cardiologia e MGF, porque, hoje em dia, são os médicos de família que controlam a maioria dos casos de hipertensão e diabetes, tendo a competência para o fazer. São patologias frequentes que acabam por ter de ser tratadas na proximidade, ficando somente uma pequena percentagem de casos mais complexos para os cuidados dos especialistas hospitalares. Os especialistas de MGF dominam perfeitamente os problemas de hipertensão e diabetes, tendo ainda um papel fundamental na prevenção, por estarem mais próximos da população e por terem uma visão mais global da sua saúde. Por isso mesmo debatemos todos os anos casos clínicos, onde domina a visão do MGF. Saliento, os médicos de família têm um papel fundamental na prevenção e tratamento dos fatores de risco de doença cardiovascular. Nestas Jornadas participam tal como os especialistas hospitalares na organização e nas conferências, promovendo-se assim a atualização de conhecimentos e partilha de experiências. O mais beneficiado é, sem dúvida, o doente.

 

Mesmo assim, com novas terapêuticas, qual o papel dos hábitos de vida saudável?

Não basta tomar os comprimidos. Não existe uma terapêutica que seja melhor que a adoção de um estilo de vida saudável. O que é determinante na esperança média de vida é ter-se uma vida equilibrada, com exercício e atividade física regular, alimentação mediterrânica, pobre em açúcar e sal, dormir as horas necessárias, não fumar…Nestes quase 40 anos temos assistido a grandes avanços terapêuticos – e ainda bem, porque permitem evitar muitas mortes -, mas o objetivo médico é curar e/ou controlar a doença, associando sempre a terapêutica a uma vida com hábitos saudáveis.

 

Os idosos continuam a ser a população mais vulnerável ao risco cardiovascular, não apenas pela idade mas também pela elevada prevalência de hipertensão e diabetes. Acredita que as novas gerações vão ser diferentes?

É reconhecido que uma das grandes conquistas do século XX foi o aumento da esperança de vida que, em Portugal, nos últimos 80 anos, cresceu cerca de dois a três anos  por cada década. Hoje é expectável que um homem ou mulher de 70 anos viva, em média, cerca de mais duas décadas, que devem ser disfrutadas com vitalidade e dignidade. Estamos perante uma conquista incrível, em que nem tudo é positivo. Do nosso sucesso resultou também uma epidemia de doenças crónicas associadas ao envelhecimento. Esta população com idade mais avançada traz novos desafios, resultantes da elevada prevalência de doenças geriátricas, embora muitas delas sejam em grande parte evitáveis e controláveis. No que respeita à esperança de vida com boa saúde, a comparação de Portugal com os restantes países da União Europeia é dececionante, o que significa que pode e deve ser melhorada. Viver mais tempo em boa saúde é hoje possível, atrasando o ritmo da perda das capacidades funcionais e de desenvolvimento de muitas doenças. Ter saúde e sentir-se jovem e com energia depende mais do estilo de vida que dos cuidados médicos, por melhores e mais especializados que estes sejam. No entanto, lembro que é errado, mesmo não ético, recusar a uma pessoa idosa um tratamento por motivos de custos elevados, desde que estejam comprovados os seus benefícios e segurança. Prescrição racional não é o mesmo que prescrição racionada.

“O prognóstico da insuficiência cardíaca é sombrio, na medida em que somente cerca de metade dos doentes estão vivos em cinco anos após o diagnóstico. Felizmente, o prognóstico tem melhorado muito, nos últimos anos”

Vai decorrer no sábado um minicurso sobre Insuficiência Cardíaca. Este é e será um dos grandes flagelos dos próximos anos face ao aumento da esperança de vida?

A insuficiência cardíaca afeta um elevado número de portugueses e é uma patologia cardíaca em franco aumento. Já é hoje a principal causa de internamento hospitalar dos indivíduos com mais de 65 anos. Os principais motivos que estão a levar a este aumento são o envelhecimento da população, com as suas doenças associadas, como a hipertensão arterial e a epidemia de obesidade, que afeta negativamente todos os outros fatores de risco cardiovascular. O prognóstico da insuficiência cardíaca é sombrio, na medida em que somente cerca de metade dos doentes estão vivos em cinco anos após o diagnóstico. Felizmente, o prognóstico tem melhorado muito, nos últimos anos, graças aos recentes e  enormes progressos no tratamento farmacológico e ao desenvolvimento de novos dispositivos médicos.

 

Para terminar, que dicas gostaria de deixar aos colegas médicos para que também eles, no meio da azáfama da prática clínica, pensem na sua saúde cardiovascular?

Perguntar-se-á o que podemos fazer hoje, para além de procurar apoio médico regular, numa perspetiva de medicina preventiva, para conseguir ter uma maior longevidade e um envelhecimento saudável? Sabemos que, para isso, é particularmente importante ter uma alimentação saudável e praticar atividade física com regularidade. A vida sedentária acelera o envelhecimento biológico, enquanto um estilo de vida fisicamente ativo tem um efeito marcadamente benéfico. No que respeita à alimentação, destaco que a dieta mediterrânica é a dieta mais estudada e a que tem a melhor evidência de vantagens para a saúde. Esta dieta é rica em vegetais e fruta, pão de trigo ou outros cereais pouco refinados, azeite e peixe, sendo pobre em gorduras saturadas e rica em gordura monoinsaturada (azeite), ácidos gordos ómega-3 (peixe) e fibra alimentar. Diversos estudos recentes demonstraram os seus benefícios, nomeadamente na promoção do envelhecimento saudável. A adoção de um estilo de vida saudável é, pois, fundamental para assegurar com sucesso um envelhecimento ativo.

Hoje a prestação de cuidados médicos está organizada em termos de órgãos, assim, por exemplo, para um problema cardíaco vai-se ao cardiologista e ele consegue evitar o enfarte do miocárdio pelo controlo dos fatores de risco, como a pressão arterial e o colesterol. As doenças cardiovasculares estão a cair. Missão que está a ser cumprida pela Cardiologia, e isso é ótimo. Mas o problema é que o doente continua em risco de outras doenças, como o cancro, a demência, a hipertrofia benigna da próstata, a insuficiência cardíaca, etc.

No futuro vamos conseguir atuar com maior eficácia no envelhecimento, que é o maior fator de risco para todas as doenças. Nós iremos não só atacar o colesterol, a pressão arterial ou a diabetes, mas também os mecanismos de envelhecimento, o que irá ter um impacto profundo sobre todas as doenças. Será preciso uma abordagem mais holística em que os médicos de família, internistas e geriatras terão um papel fundamental, numa medicina que será holística, mais preventiva que curativa.

Maria João Garcia

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“A vacina da gripe é a principal medida de prevenção, sobretudo nos grupos de risco” https://saudeonline.pt/a-vacina-da-gripe-e-a-principal-medida-de-prevencao-sobretudo-nos-grupos-de-risco/ https://saudeonline.pt/a-vacina-da-gripe-e-a-principal-medida-de-prevencao-sobretudo-nos-grupos-de-risco/#respond Thu, 19 Oct 2023 09:27:35 +0000 https://saudeonline.pt/?p=149957 O pneumologista Luís Rodrigues, do Hospital Distrital de Santarém, fala sobre as complicações associadas à gripe e que afetam, sobretudo, grupos de risco. Mais que remediar, o médico defende a aposta na vacinação todos os anos.

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vacina da gripe

“Os dados que temos a nível mundial apontam para entre 290 mil a 650 mil mortes por ano causadas por gripe, portanto não são números menosprezáveis”, alerta Luís Rodrigues do Hospital Distrital de Santarém. E, apesar de a maioria da população recuperar facilmente desta infeção respiratória, podem surgir complicações que podem atingir vários órgãos e sistemas.

Exemplo disso são os quadros mistos, em que o doente começa por ter uma pneumonia viral, e depois desenvolve uma bacteriana. “Muitas vezes o doente já está a recuperar, mas acaba por piorar, sendo diagnosticada uma pneumonia bacteriana que está associada a elevada mortalidade.”

O surgimento de complicações num quadro gripal aumenta em grupos de risco, nomeadamente idosos e quem sofre de doenças crónicas, por a infeção contribuir para a descompensação das mesmas. É o cado da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), de patologia intersticial, da asma, entre outras do foro respiratório.

“Também é comum verificar-se um agravamento das doenças cardiovasculares – cardiopatia isquémica, insuficiência cardíaca – por causa do processo inflamatória desencadeado pelo vírus influenza”, acrescenta o médico.

Ainda no âmbito da Cardiologia, o pneumologista realça que existem estudos que apontam para um aumento de casos de enfarte agudo do miocárdio (EAM) em doentes com gripe. “Estamos a falar de uma incidência seis vezes superior ao normal, além disso, podem também surgir outras consequências como convulsões, encefalopatias e acidente vascular cerebral.”

Além dos idosos e de quem sofre de doenças crónicas, nomeadamente autoimunes, as grávidas são um grupo de risco. A vacinação é assim “essencial”, como faz questão de salientar. “A vacina da gripe é a principal medida de prevenção, sobretudo nos grupos de risco”, enfatiza. Acrescem cuidados que se tornaram comuns com a pandemia da covid-19, como a etiqueta respiratória e a higienização das mãos.

Além da população, Luís Rodrigues chama a atenção para os profissionais de saúde e todos aqueles que lidam diretamente com pessoas que estão em maior risco de vir  a ter complicações com a gripe. “As vacinas são seguras e eficazes. A diminuição de casos graves vai ter repercussões nas urgências, no internamento, nos Cuidados Intensivos, até na taxa de mortalidade.”

No caso específico dos idosos, devido ao processo de imunosenescência, as vacinas tendem a ter uma eficácia menor. Contudo, “a vacina continua a ser a medida mais importante”. Questionado sobre a vacina de dose elevada administrada no ano passado aos idosos institucionalizados, considera que faz a diferença por ter uma carga antigénica maior. “Haveria benefício em ser administrada em todos os idosos com mais de 65 anos, há quem defenda que deve ser a partir dos 60.”

Mas, reforça,  “o mais importante é mesmo a vacinação seja qual for a vacina”.

MJG

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