Filipe Froes - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/filipe-froes/ Notícias sobre saúde Wed, 26 Nov 2025 11:36:08 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Filipe Froes - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/filipe-froes/ 32 32 Proteção Superior contra a Gripe da Vacina de Dose Elevada: O que nos dizem os novos dados? https://saudeonline.pt/protecao-superior-contra-a-gripe-da-vacina-de-dose-elevada-o-que-nos-dizem-os-novos-dados/ Wed, 26 Nov 2025 11:36:08 +0000 https://saudeonline.pt/?p=180685 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Proteção Superior contra a Gripe da Vacina de Dose Elevada: O que nos dizem os novos dados? aparece primeiro em Saúde Online.

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A condição pós-Covid – o que saber https://saudeonline.pt/a-condicao-pos-covid-o-que-saber/ Tue, 11 Feb 2025 11:40:37 +0000 https://saudeonline.pt/?p=170971 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> A condição pós-Covid – o que saber aparece primeiro em Saúde Online.

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Vírus Sincicial Respiratório. “Os adultos com 60 ou mais anos com determinadas comorbilidades correm risco de complicações graves” https://saudeonline.pt/virus-sincicial-respiratorio-os-adultos-com-60-ou-mais-anos-com-determinadas-comorbilidades-correm-risco-de-complicacoes-graves/ https://saudeonline.pt/virus-sincicial-respiratorio-os-adultos-com-60-ou-mais-anos-com-determinadas-comorbilidades-correm-risco-de-complicacoes-graves/#respond Wed, 08 Nov 2023 10:32:34 +0000 https://saudeonline.pt/?p=150827 Na passada terça-feira, dia 7 de novembro, decorreu, na sede da farmacêutica GSK, o workshop "Vírus Sincicial Respiratório (VSR) – A importância de proteger os mais velhos", conduzido por Filipe Froes, médico Pneumologista Intensivista, doutorado em Saúde Pública e coordenador da unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Polido Valente. Também conhecido por “Tripla Epidemia”, o VSR resulta da conjugação dos vírus SARS-CoV-2, Influenza e Sincicial respiratório.

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Apesar de ainda ser necessário percorrer um “caminho” até à comparticipação e generalização da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), nomeadamente através de uma “maior sensibilização”, tanto a nível das sociedades científicas, como dos profissionais de saúde, Filipe Froes realça que já existem dados que comprovam a importância da prevenção do VSR através da vacina.

O Pneumologista Intensivista começa por explicar que o VSR é um vírus com cerca de 150 nanómetros, que tem por objetivo replicar-se, mas ao infetar as células do hospedeiro provoca a morte das mesmas, o que por sua vez implica a morte de tecidos, falência de órgãos e, nos casos mais graves, até mesmo o falecimento do hospedeiro.

É transmitido através da inalação de gotículas provenientes da tosse ou de espirros de uma pessoa infetada ou pelo contacto direto com secreções nasais. No que diz respeito ao período de incubação do vírus, o clínico explica que pode ir até aos 8 dias, mas que “habitualmente estabelece-se entre 2 a 8 dias, com um período médio de 4 a 6 dias”. E reforça: “Existe outro dado muito importante que é o período de transmissão. O R0 deste vírus é 3, um valor relativamente alto, e as pessoas infetadas podem transmitir partículas viáveis até 11 dias após a infeção”.

Quanto ao período de circulação do VSR, Filipe Froes indica que este tem uma característica sazonal, associada à diminuição de temperaturas e dos raios solares e por isso com maior atividade na altura do outono/inverno e com um pico médio entre os meses de janeiro e fevereiro.

Contudo, o pneumologista afirma que existem diferenças que levam à necessidade de cuidados distintos relativamente a outros vírus respiratórios. “No caso do VSR, apesar de existir a ideia de que é um vírus perigoso para crianças e bebés, na verdade os adultos com 60 anos ou mais que apresentam determinadas comorbilidades, como asma, insuficiência cardíaca, ou DPOC, correm risco de complicações graves devido a este vírus. O VSR começa por circular nas crianças e só depois passa para os adultos”, afirma.

O médico destaca que o vírus tem “uma particularidade”, uma vez que “não tem uma grande variabilidade antigénica como é o caso do vírus da gripe, mas também não tem capacidade de provocar no hospedeiro uma imunidade total e permanente, o que faz com que o mesmo vírus seja capaz de provocar várias reinfeções ao longo da vida do hospedeiro”.

Além disso, “o que caracteriza o estado clínico deste vírus é a idade do hospedeiro, as doenças crónicas e o facto de ser a primeira ou infeções secundárias”. “Geralmente a primeira infeção é sempre mais grave, motivo porque associamos mais a doença provocada por este vírus às crianças, porque a primeira infeção ocorre nos primeiros meses de vida”, refere.

“Até podemos dizer que todas as crianças vão ter infeção pelo VSR até aos dois anos de idade, e que o VSR nas crianças é a primeira causa de infeção respiratória inferior em todas as crianças até ao primeiro ano, e daqui a importância deste vírus neste grupo etário. Também cerca de 2% de todas as crianças saudáveis nascidas de termo irão ser internadas no primeiro ano de vida por uma infeção de VSR”, salienta.

“Este impacto enorme nas crianças justifica a atenção cada vez maior que se está a dar nas idades pediátricas, e a partir daqui percebeu-se que este vírus tinha de ter necessariamente uma face oculta nos adultos que não conhecíamos porque não utilizávamos as ferramentas de diagnóstico corretas”. Deste modo, o pneumologista afirma que “o impacto da doença começou com as crianças e à medida que fomos estudando crianças e adultos fomos descobrindo a doença”.

“O motivo de atraso prendia-se com o método de diagnóstico que era usado para diagnosticar a doença nas crianças: os testes rápidos de antigénio. Sabemos agora que esses testes que eram utilizados para caracterizar a carga da doença na criança não são os mais adequados nem os mais sensíveis para os adultos”. Conforme refere, foi então através da generalização da PCR que se passou a ter consciência do impacto do VSR.

“Quanto à população com mais de 60 anos, estima-se que, na União Europeia, existam pelo menos 3 milhões de infeções, associadas a cerca de 270 mil hospitalizações e que, dessas, em média 8% resultem em óbito, ou seja, cerca de 20 mil pessoas”.

Porém, com a introdução de alguns mecanismos de limitação de transmissão do vírus, como é o caso dos confinamentos, da utilização de máscara, do distanciamento social, o médico adianta que poderá haver uma interrupção da atividade. Prova disso foi que “em 2020 não registámos atividade deste vírus ou do vírus da Influenza, precisamente pelo impacto das medidas de intervenção não farmacológica”. “À medida que fomos libertando as pessoas destas medidas, começou a surgir atividade viral, e desta vez, fora dos períodos normais”.

“A pandemia foi um grande acelerador de mudança. No fundo, não provocou nada, o que fez foi acelerar muito o que já existia, e em relação ao VSR, o que a pandemia veio demonstrar é que existia um vírus do qual não tínhamos uma verdadeira noção do seu impacto”, explica.

“Isto significa que não temos os dados todos como temos por exemplo em relação ao SARS-CoV-2 e o vírus da Influenza sobre a carga da doença. Vamos ter mais, mas aquilo que já sabemos até agora justifica amplamente toda a atenção que possamos dar, e permite-nos fundamentar a importância da prevenção”.

Entre as doenças que podem condicionar uma maior gravidade por infeção de VSR, Filipe Frois destaca as patologias respiratórias, como a asma, a DPOC e as doenças difusas do interstício pulmonar. “Estas infeções virais vão exacerbar mecanismos inflamatórios e, por sua vez, condicionar todo um amplo conjunto de complicações cardiovasculares e metabólicas pelo excesso de inflamação que vão causar ao hospedeiro”.

Tal como acontece com outras comorbilidades, as pessoas consideradas de risco elevado caracterizam-se por ser indivíduos “que se encontram a fazer terapêutica imunossupressora, submetidos a quimioterapia ou radioterapia, terapêuticas biológicas ou transplantados”.

Resumidamente, “este tipo de vírus trabalha em sinergia, em que o todo é maior que a soma das partes. Infeções de vírus diferentes no mesmo aparelho respiratório vão enfraquecendo os mecanismos de defesa e vão favorecendo a que as últimas infeções sejam progressivamente mais graves, daí falar-se da ‘tripla epidemia’”, transmite.

“Estamos a assistir ao nascimento de um novo medicamento”

Quando questionado relativamente à brevidade da aplicação da vacina contra o VSR ser aplicado no Programa Nacional de Vacinação (PNV), bem como o que se pode esperar em termos de recomendações das sociedades, Filipe Froes afirma que “o caminho faz-se caminhando”. “A vacinação contra o VSR ainda não se encontra no PNV, apesar de já ter uma norma vacinal. Temos uma sensibilização muito grande para a problemática do VSR e é previsível que na sequência das autorizações das entidades do medicamento, quer europeias, quer norte-americanas, que ditam o que acontece a nível mundial, rapidamente as sociedades científicas vão progressivamente passar a elaborar recomendações, caminhando na mesma direção”.

À semelhança das restantes vacinas contra infeções respiratórias, o pneumologista refere que a melhor altura para se ser vacinado corresponde a 2 semanas antes do início da atividade sazonal, no sentido em esta época corresponde a um acréscimo de risco, provocado pela estação do ano.

Afirma ainda que “em teoria, não existe qualquer défice de resposta imunitária que condicione a administração de vacinas na mesma altura, pelo que a vacina do VSR pode ser administrada sem intervalo relativamente às vacinas de outras infeções respiratórias”, acrescentando que, até ao presente, “não existe registo de efeitos adversos”.

De modo a maximizar a vacinação contra o VSR, Filipe Froes argumenta que é necessário “aumentar a taxa de cobertura vacinal encontrando momentos que nos permitam fazê-lo”. “Um dos momentos em que isso acontece é quando o doente está a ter alta hospitalar, em situação que o permite fazer a vacina, com os profissionais de saúde a acompanhar”.

Fazendo referência à perspetiva da equidade, o pneumologista explica as necessidades da vacinação do VSR: “dar mais a quem precisa mais”. “Os imunodeprimidos são necessariamente um grupo que precisa de melhor apoio, porque estão muito mais fragilizados para apanhar a doença e para as suas consequências, nomeadamente hospitalização e morte, e no caso dos transplantados, o risco de perder o órgão transplantado. Até numa perspetiva socioeconómica, existe o dever da comunidade de proteger estas pessoas”, reforça.

Porém, para avançar com a vacinação do VSR, o médico reforça que é necessária “uma melhor caracterização do impacto internacional da doença”, para além de uma “maior sensibilização junto da comunidade dos profissionais de saúde e das sociedades científicas médicas”, bem como “os profissionais de saúde darem o exemplo, intervindo de maneira a combater a desinformação”.

 

CG

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Vacina da GSK para prevenção do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) já está disponível em Portugal

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Vacinação diminui “de forma significativa” prevalência da doença invasiva pneumocócica https://www.profissionaisdesaude.pt/patologias/doenca-pneumococica/lancamento-vaxneuvance.xhtml?utm_content=&utm_medium=banner&utm_source=others3rdparties&utm_campaign=PT_PVC_00050_RelaunchWebinarVaxneuvance__BannerSaudeOnline_BR_PC+Vaccines+HCP&utm_term=0_VAC_PNEUM_AD_SIMP_EO_PRST_PREV_GI_NA_BRAND_PNMALL_ID_PRES_NA_LAO_RT_ST_RT Thu, 15 Dec 2022 10:41:12 +0000 https://saudeonline.pt/?p=138700 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Vacinação diminui “de forma significativa” prevalência da doença invasiva pneumocócica aparece primeiro em Saúde Online.

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Condição Pós-Covid-19 ou Long Covid https://saudeonline.pt/condicao-pos-covid-19-ou-long-covid/ https://saudeonline.pt/condicao-pos-covid-19-ou-long-covid/#respond Tue, 22 Nov 2022 16:14:24 +0000 https://saudeonline.pt/?p=137978 Assistente Graduado de Pneumologia e Especialista em Medicina Intensiva
Coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pulido Valente – CHULN
Ex-Coordenador do Gabinete de Crise para a Covid-19 da Ordem dos Médicos
Membro do Conselho Nacional de Saúde Pública

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gripe

O termo “Long Covid” em inglês (Covid Longo em português) foi usado pela primeira vez pela arqueóloga Elisa Perego, do University College London, a 20 de maio de 2020, como um #hashtag do Twitter. Sem ter consciência das implicações futuras da etiqueta que acabara de criar, Elisa Perego apenas pretendia retratar e alertar para queixas que inexplicável e inesperadamente persistiam por várias semanas ou meses após a infeção inicial por SARS-CoV-­2. De referir, também, que é a primeira vez que uma etiqueta das redes sociais é utilizada para denominar uma nova condição ou doença.

Esta nova realidade clínica e o número significativo de doentes que partilhavam queixas muito duradoiras com consequente impacto na utilização de recursos dos sistemas de saúde levou à progressiva consciencialização desta entidade, de que resultou a publicação de vários artigos nas revistas médicas ainda no decurso de 2020 e, finalmente, com a publicação a 6 de outubro de 2021 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) do documento “A clinical case definition of post COVID-19 condition by a Delphi consensus”.

Segundo a OMS, a condição pós-Covid-19 ocorre em indivíduos com uma história provável ou confirmada de infeção por SARS-CoV-2, geralmente 3 meses após o início da Covid-19 com sintomas que persistem durante pelo menos 2 meses e não podem ser explicados por um diagnóstico alternativo. Este documento realizado através de um consenso pela metodologia Delphi contou com a colaboração de várias dezenas de especialistas de todas as regiões e continentes, com destaque para a Europa, América do Norte e Austrália, veio estabelecer uma uniformização de conceitos (linguagem comum) de modo a promover a investigação e a imprescindível comparação dos diferentes estudos e resultados.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou a norma 002/2022, de 17/03/2022, intitulada “Covid-19: Condição pós-CovidD-19” com o objetivo de melhorar a identificação destes doentes, estabelecer critérios de referenciação, reabilitação e continuidade de cuidados. Segundo informação disponível no site da DGS, esta norma encontra-se presentemente em atualização.

Ainda não há dados definitivos sobre a incidência da Long Covid em função de diferentes variáveis, tais como o impacto das variantes e, em particular, da Ómicron, bem como da vacinação e das diferentes modalidades terapêuticas, onde se incluem os antivíricos (e.g., nirmatrelvir/ritonavir, remdesivir e molnupiravir) e os anticorpos monoclonais (e.g., sotrovimab, tixagevimab+cilgavimab e bebtelovimab).

Estudos recentes publicados em maio deste ano pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention) apontam para que um em cinco (20%) sobreviventes da CovidD-19 com idade entre os 18 e os 64 anos e um em quatro (25%) sobreviventes com idade igual ou superior a 65 anos mantém, pelo menos, uma manifestação que pode ser atribuído à infeção prévia por SARS-CoV-2.

E, posteriormente, em agosto, um estudo publicado no The Lancet por uma equipa dos Países Baixos, calculou que a Long Covid possa ocorrer em cerca de 13% dos doentes. Se atendermos ao número de doentes infetados, à ausência de biomarcadores específicos, ao desconhecimento dos mecanismos fisiopatológicos e à inexistência de intervenções terapêuticas dirigidas podemos estar perante uma nova e decisiva sobrecarga dos serviços de saúde. Aquilo a que alguns autores já chamam de pandemónio Long Covid!

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Gripe. Internamentos e óbitos estão subnotificados, indica estudo https://saudeonline.pt/gripe-internamentos-e-obitos-estao-subnotificados-indica-estudo/ https://saudeonline.pt/gripe-internamentos-e-obitos-estao-subnotificados-indica-estudo/#respond Thu, 06 Oct 2022 08:15:19 +0000 https://saudeonline.pt/?p=135790 O coordenador do estudo, o pneumologista Filipe Froes, explicou que a investigação analisou as épocas gripais até 2018/19, para evitar modificações nos resultados decorrentes da pandemia de covid-19.

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Os casos de internamentos por gripe em Portugal estão subnotificados, assim como as mortes causadas pela doença, segundo um estudo que analisou durante uma década o peso das hospitalizações e da mortalidade provocada pela gripe. Os resultados do estudo, que abrangeu as épocas gripais entre 2008/09 e 2018/19 – excluindo a época 2009/10 por causa da pandemia de H1N1 -, sugerem que existe uma subdeteção da gripe na população portuguesa.

No estudo BARI – Burden of Acute Respiratory Infections “verificámos uma subnotificação grande em termos de códigos de gripe [o código internacional de registo da doença] e um excesso de mortalidade. Atribuímos todos os anos um excesso mortalidade, quer à gripe quer ao frio, mas depois não temos essa tradução nos certificados de óbito”, afirmou.

“Confirmamos que neste período temos em média de excesso mortalidade anual que rondará os 3.000/3.600 óbitos, (…) que são atribuídos ao frio e à gripe, mas isso apenas se traduz em cerca de 100 a 200 códigos de gripe nos certificados de óbito”, explicou o pneumologista, consultor da Direção Geral da Saúde, apontando o porquê desta situação: “a pessoa que passa o certificado de óbito não vai pedir um teste para confirmar a gripe, e escreve infeção respiratória”. Esta subnotificação, sublinhou, “dificulta a avaliação do verdadeiro impacto da gripe”.

Filipe Froes diz que depois da pandemia de covid-19, com o impulso dos métodos de biologia molecular, vai haver “mais ferramentas para diagnosticar, quer a gripe, quer outras infeções virais”, aumentando a consciencialização do impacto da doença. “Em termos de causas de morte, há uma subnotificação e, em termos de internamento, há um subdiagnóstico”, afirmou o especialista, insistindo: “Temos uma doença que é a primeira doença infecciosa em termos de carga de doença e, em termos de impacto e internamentos hospitalares, temos um subdiagnóstico que faz com que, em média, o número de internamentos que são codificados como associados à gripe raramente ultrapasse os 2.000 2.500”.

A investigação indica ainda que o número médio de internamentos codificadas como gripe por época foi de 1.207, resultando em 11,6 casos por 100.000 pessoas. O custo anual direto médio desses internamentos foi de 3,9 milhões de euros, dos quais 78,6% foram gerados por pacientes com comorbidades. O estudo identificou ainda uma relação entre o pico da atividade gripal e os internamentos por pneumonia: “as pessoas quando têm gripe, muitas vezes, acabam por ser internadas pelas complicações da gripe, e não necessariamente pela gripe em si, o que também ajuda à desvalorização”, explicou Filipe Froes.

O especialista, que é também membro do Conselho Nacional de Saúde Pública, lembrou ainda que a gripe “favorece a pneumonia bacteriana secundária ou a descompensação de outras comorbilidades”, como é o caso, por exemplo, das doenças cardiovasculares.

A investigação concluiu que a média anual de hospitalizações por doenças respiratórias ou cardiovasculares associadas à gripe foi estimada em 5.356, correspondendo a 51,5 casos por 100.000 para todas as faixas etárias e a 199,6 para a população com idade igual ou superior a 65 anos.

O custo anual direto médio dos internamentos em excesso por problemas respiratórios ou cardiovasculares foi estimado em 15,2 milhões de euros para todas as faixas etárias e 12,8 milhões para a população com idade igual ou superior a 65 anos. Face à real dimensão dos efeitos da gripe sobre os serviços de saúde, nomeadamente pelos recursos que consome, Filipe Froes considera que, mesmo para quem paga a vacina da gripe (nestes casos comparticipada a 37% pelo SNS) “é um dos investimentos mais rentáveis que faz todos os anos”.

“Não há nenhum investimento económico que dê tanta rentabilidade, porque se estiver doente, o que se gasta em medicação compensa o investimento feito”, acrescenta.

Este foi o primeiro estudo nacional a estimar a carga de morbidade e mortalidade epidemiológica e económica da gripe. Os dados de mortalidade são representativos do país, pois foram utilizados todos os óbitos registados em Portugal. Quanto aos dados de internamentos, representam todas as hospitalizações no Serviço Nacional de Saúde, não incluindo o setor privado.

LUSA

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