Entrevista - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/entrevista/ Notícias sobre saúde Tue, 18 May 2021 13:38:29 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Entrevista - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/entrevista/ 32 32 João Almeida Lopes: “Somos um parceiro para ajudar Portugal na retoma económica” https://saudeonline.pt/joao-alemida-lopes-somos-um-parceiro-para-ajudar-portugal-na-retoma-economica/ https://saudeonline.pt/joao-alemida-lopes-somos-um-parceiro-para-ajudar-portugal-na-retoma-economica/#respond Thu, 04 Jun 2020 10:32:41 +0000 https://saudeonline.pt/?p=91912 A área da saúde e o sector farmacêutico podem ser críticos para a reativação em pleno da economia portuguesa, diz o presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (APIFARMA), em entrevista.

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Para João Almeida Lopes, é hoje evidente que a indústria farmacêutica em Portugal desde cedo assumiu a sua vontade de ajudar a  debelar esta crise, através de envolvimento em projetos que marcaram a diferença e com doações que superaram os 3 milhões de euros. Da mesma forma, acredita que na fase pós-pandemia o setor não se afastará da sua missão primordial: fomentar a inovação e o desenvolvimento de vacinas, terapêuticas e meios de diagnóstico.

De que forma a APIFARMA analisa o impacto que a pandemia provocada pelo SARS-CoV-2 está a ter no sistema de saúde e na economia portuguesa?

 João Almeida Lopes – A redução das medidas de confinamento, em linha com as recomendações da Comissão Europeia, permite retomar alguma normalidade e iniciar a fase de recuperação, nomeadamente da saúde e da economia. Naturalmente, este caminho de normalização tem de ter presente a adequação de medidas preventivas que reduzam os riscos para a Saúde Pública e que permitam continuar a conter a propagação da doença COVID-19.

No que concerne à área da saúde, entendemos que é necessário assegurar a resposta a todos os portugueses que necessitam de cuidados de saúde, retomando para isso a resposta assistencial a todos os doentes que padecem de outras doenças que não a COVID-19.

No que diz respeito à economia, é tempo de avançar para uma recuperação da actividade e do quotidiano dos cidadãos. Na verdade, esta retoma é uma oportunidade para redirecionar o nosso futuro colectivo e reequacionar que investimentos queremos para o país. No contexto de pós-pandemia, podemos criar condições para revitalizar a economia apostando em sectores que, como a saúde, proporcionam empregos de qualidade e altamente qualificados, contribuem para a economia do país e permitem manter e equilibrar o bem-estar social de Portugal.

“Na fase pós-pandemia, a indústria farmacêutica não se afastará da sua missão primordial: fomentar a inovação e o desenvolvimento de vacinas, terapêuticas e meios de diagnóstico que respondam às necessidades de tratamento e prevenção”

As empresas farmacêuticas a operar em Portugal estão a reequacionar investimentos em larga escala?

No início desta pandemia a nossa prioridade foi assegurar que os medicamentos e os dispositivos médicos para diagnóstico in vitro continuam a chegar a todos os doentes que deles necessitam.

Em simultâneo, estamos a trabalhar para que os decisores percebam que a área da Saúde e o sector farmacêutico em particular podem ser uma chave para a reativação em pleno da nossa economia ao contribuir para a criação de emprego altamente qualificado, recebendo investimento externo e aumentando os projectos de investigação & desenvolvimento realizados em Portugal.

Todos os países ambicionam receber investimento da indústria farmacêutica e para isso é necessário criar um ambiente favorável, que permita convencer os centros de decisão das multinacionais que operam nas áreas da biomedicina e biofarmacêutica.

E do ponto de vista dos recursos humanos, existem associadas da APIFARMA obrigadas a dispensar colaboradores ou a interromper processos de recrutamento?

Não temos nenhuma indicação nesse sentido. Estamos a regressar à normalidade e, em breve, voltaremos todos à nossa actividade, esclarecendo profissionais de saúde, fazendo ensaios clínicos, investigando e disponibilizando medicamentos, vacinas e meios de diagnóstico, garantindo sempre o acesso dos portugueses aos cuidados de saúde de que necessitam.

Gostaríamos de salientar a importância das empresas de base industrial em Portugal e de todos os seus colaboradores que continuam a assegurar o fabrico e o fornecimento dos medicamentos e dispositivos médicos in vitro, contributo essencial para Portugal ultrapassar este período tão exigente das nossas vidas.

Acredita que a introdução de novas terapêuticas, importantes para a qualidade de vida de alguns doentes, poderá vir a ser atrasada devido a esta crise sem precedentes?

A introdução de novas terapêuticas, em tempo e equidade, é um dos pontos fundamentais de qualquer sistema de saúde. Naturalmente, essa importância é primordial para os doentes, mas também para a credibilização de Portugal como país amigo da inovação e da ciência, factor determinante para o relançamento da nossa economia.

Temos a consciência de que o sistema de saúde e os seus profissionais estão neste momento mobilizados para enfrentar esta pandemia. No entanto, os demais cuidados de saúde têm de continuar a ser garantidos, sendo um dos pilares o acesso à inovação. Confiamos que os decisores estão conscientes da importância de evitar que a actual situação de pandemia comprometa o acesso dos doentes e dos cidadãos em geral a novos medicamentos.

A APIFARMA divulgou recentemente o compromisso da indústria farmacêutica portuguesa para combater a pandemia de COVID-19. Este é um sinal de que é importante não baixar os braços?

É sobretudo um reafirmar do compromisso que a indústria farmacêutica, em todo o mundo, tem com as pessoas, ou seja, contribuir para mais e melhor vida. Na fase pós-pandemia, a indústria farmacêutica não se afastará da sua missão primordial: fomentar a inovação e o desenvolvimento de vacinas, terapêuticas e meios de diagnóstico que respondam às necessidades de tratamento e prevenção de novas patologias, ao mesmo tempo que disponibilizamos soluções que constituam uma melhoria para a saúde e qualidade de vida de todos os cidadãos.

“À data, a APIFARMA e as empresas farmacêuticas suas associadas doaram mais de 3,2 milhões de euros”

Num momento particularmente difícil, o país tem demonstrado contudo algum grau de dinamismo e solidariedade para com os mais fragilizados, seja do ponto de vista da saúde e ou do ponto de vista económico. As companhias farmacêuticas também se têm envolvido nesse esforço solidário?

A indústria farmacêutica assumiu, desde a primeira hora, a responsabilidade de responder à situação de emergência que o mundo atravessa. E essa responsabilidade inclui criar parcerias e apoiar organizações que lutam contra esta doença no terreno. Este envolvimento é parte da nossa missão.

À data, a APIFARMA e as empresas farmacêuticas suas associadas doaram mais de 3,2 milhões de euros. Estes donativos destinaram-se a entidades do Serviço Nacional de Saúde, IPSS, forças de segurança, de socorro e de protecção civil, autarquias, instituições de ensino, prestadores de saúde particulares, organizações não governamentais, associações de doentes, entre outras. Por exemplo, permitiram apoiar o Fundo de Apoio Financeiro “Todos Por Quem Cuida” – iniciativa criada em conjunto com a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Farmacêuticos – com 1,1 milhões de euros, para aquisição de equipamento hospitalar, equipamento de protecção individual e outro material necessário a todos os profissionais que combatem a COVID-19. Apoiámos também a Associação para o Desenvolvimento do Ensino e Investigação em Microbiologia (ADEIM), da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, com 40 mil euros para aquisição de material de diagnóstico, possibilitando a realização de 3.000 análises e ensaios de diagnóstico do vírus SARS-CoV-2. Contribuímos ainda com uma verba de 500 mil euros para a Resposta Global à COVID-19, uma iniciativa da Comissão Europeia e do Governo português, para acelerar o desenvolvimento, a produção e o acesso a vacinas, diagnósticos e tratamentos para a COVID-19. Os donativos em espécie já superam um valor de 566 mil euros, onde se incluem vídeolaringoscópios, oxímetros, monitores, máscaras FFP2, batas de protecção, máscaras cirúrgicas, luvas, antissépticos, entre outros.

A par, apoiámos projetos especificamente criados para permitir a entrega de medicamentos, habitualmente de dispensa hospitalar, em casa de doentes. Para isso associámo-nos ao Projeto “Operação Luz Verde”, uma resposta articulada entre profissionais da saúde e os agentes do sector do medicamento, com o apoio da Ordem dos Farmacêuticos e da Ordem dos Médicos, e doámos 30 mil euros à Associação Dignitude para o “Fundo de Emergência :abem COVID-19”.

Que papel pode desempenhar o sector do medicamento, em particular, na fase de recuperação pós-pandemia?

O contributo da indústria farmacêutica começou mesmo antes de entrarmos na fase de recuperação pós-pandemia, quando activámos os planos de contingência necessários para ultrapassar com êxito o choque inicial provocado pela paralisação das unidades produtivas, garantindo o funcionamento do circuito do medicamento e o abastecimento regular às populações.

Sentimos que, com esta crise, a indústria farmacêutica passou a ser olhada, definitivamente, como uma da parte da solução. Somos um parceiro para ajudar Portugal na retoma económica, melhorar o emprego, reequilibrar as componentes social e económica. E a saúde, onde se incluem as empresas farmacêuticas, serão fundamentais neste processo. Se, no pós-pandemia, alguém insistir em ver a saúde e os seus operadores económicos como um problema, é porque está a fazer um diagnóstico errado da situação.

Quais serão, na sua perspectiva, os maiores desafios e as maiores oportunidades que nascerão após o final deste período de instabilidade?

A pandemia provocada pela COVID-19 alterará, para sempre, a forma como priorizamos a saúde. Hoje, todos concordamos que a saúde é o bem mais precioso que a sociedade tem. E sem ela não podemos avançar e progredir. Sem saúde, somos confinados, somos obrigados a travar. Hoje sabemos que é prioritário considerar a saúde uma prioridade. Por isso, esperamos que se assuma a saúde como a prioridade do investimento em Portugal.

Como referimos anteriormente, há que trabalhar no relançamento de uma nova economia para Portugal, assente no conhecimento, na inovação, na biomedicina, na ciência e investigação. Uma aposta nesta área cria condições para o país crescer, de forma sólida e estruturada, com impactos consistentes e significativos ao nível do emprego, das exportações e do investimento.

TC/SO

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Colonoscopia aos 30 anos para doentes com Síndrome do cancro do cólon hereditário https://saudeonline.pt/colonoscopia-aos-30-anos-para-doentes-com-sindrome-do-cancro-do-colon-hereditario/ https://saudeonline.pt/colonoscopia-aos-30-anos-para-doentes-com-sindrome-do-cancro-do-colon-hereditario/#respond Tue, 03 Dec 2019 09:37:12 +0000 https://saudeonline.pt/?p=81126 Mesmo sem queixas, o exame deve ser feito de 3 em 3 anos nestes casos, diz o médico Carlos Sottomayor, diretor do Serviço de Oncologia do Hospital Pedro Hispano.

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Quais os grandes mitos que ainda subsistem em torno da colonoscopia?

O mais relevante é a ideia de que é muito difícil fazer a limpeza prévia do intestino com a ingestão de uma grande quantidade de liquido – se se seguir as instruções do produto não custa nada e é uma oportunidade de fazer uma boa limpeza aos intestinos. A própria colonoscopia também não dói. Pode provocar algum incómodo, mas hoje em dia, com a sedação o doente não sofre e os riscos de complicações são muito baixos.

Qual a importância deste exame na prevenção do cancro colorretal?

Não só pode detetar neoplasias malignas no seu início e na fase curável com necessidade só de cirurgia sem mais tratamentos, como deteta lesões pré-malignas (os pólipos intestinais), evitando o aparecimento de cancro. Portanto, é não só um meio de rastreio mas também de profilaxia do cancro do cólon. Se for realizado este rastreio de forma generalizada pode conseguir-se extinguir ou reduzir substancialmente este cancro.

Dr. Carlos Sottomayor

Em que faixa etária está recomendada a realização deste exame?

Deve ser realizada uma primeira aos 50 anos e, depois se for detetado sangue nas fezes, na análise anual. Só será preciso repetir se forem detetados pólipos ou neoplasia nessa primeira endoscopia de vigilância. A partir dos 75 anos, mantém-se vigilância clínica e só faz [o exame] se houver queixas.

Este exame deve ser feito mais cedo se houver histórico familiar ou queixas?

Sim. Nos casos de pólipos e cólica familiar ou síndrome de Lynch (síndrome do cancro do cólon hereditário) este exame deve ser realizado mais cedo, por volta dos 30 ou 40 anos conforme os estudos apontam, mas esta situação é extremamente rara e deve ser confirmada por análises. Nestes doentes, a colonoscopia deve ser repetida de 3 em 3 anos, mesmo que não existam queixas. É neste grupo de risco onde se mostra mais evidente o benefício da colonoscopia como método de rastreio e diagnóstico precoce da cancro do cólon.

Em caso de queixas sugestivas, como hemorragia ou fezes com sangue, dores abdominais fixas [constantes], massa abdominal palpável ou alteração dos hábitos intestinais também se deve fazer a colonoscopia de imediato.

No entanto, uma nova norma de orientação clínica, publicada há pouco tempo, recomenda que a colonoscopia não deve ser realizada de forma rotineira por doentes de baixo risco com mais de 50 anos. Como olha para esta NOC, publicado pelo BMJ?

Estes novos dados terão que ser incorporados nos guidelines internacionais e consensualizados. Terão de se definir muito bem os grupos de risco a quem se continuará a propor este rastreio – síndromes hereditários, doença inflamatória intestinal, antecedentes familiares de cancro do cólon e factores de risco associados, como obesidade, obstipação crónica, diabetes, entre outros. Esta alteração tem a ver principalmente com estudos de saúde pública e de uma avaliação de custo-beneficio na implementação destes programas de rastreio para a generalidade da população.

Há o risco de estarmos a fazer colonoscopias em excesso?

No contexto atual de Portugal, penso que ainda estamos no inverso dessa situação – fazemos colonoscopias a menos. O principal obstáculo é a falta de literacia médica da população, os mitos que existem e a resistência de fazer exames e análises quando não há queixas. A medicina ainda é encarada muito por todos – utentes e médicos – como uma actividade curativa que só é necessária quando há queixas ou doenças diagnosticadas e não uma actividade preventiva que tem como objectivo manter o estado de saúde e melhorá-lo evitando a doença.

Um estudo publicado este ano alerta para a aumento dos casos de cancro colorretal em adultos jovens. Estamos a assistir a uma mudança de paradigma, com este tipo de cancro a surgir em pessoas cada vez mais jovens?

É possível. E sabemos que esses casos escapam ao rastreio e, portanto, são em geral diagnosticados numa fase mais avançada e não são curáveis ou são muito dificilmente curáveis, com grandes custos para o doente e para a sociedade. Se o rastreio se iniciasse aos 40 anos já poderíamos conseguir diagnosticar precocemente alguns destes casos, visto que mais de 15% dos casos aparecem antes dos 50 anos.

Que desafios e inovações se esperam nos próximos tempo no que diz respeito ao tratamento do cancro colorretal?

O maior desafio é conseguir de facto implementar um programa de rastreio eficaz e de base populacional, e conseguir uma adesão plena da população, de forma a conseguir detetar os casos mais precocemente, sem necessidade de fazer quimioterapia ou radioterapia, poupando grandes aborrecimentos e encargos aos doentes e à sociedade, e fazendo em simultâneo a própria profilaxia deste tipo de cancro.

Por outro lado, tentar melhorar o tratamento dos casos avançados tentando controlar a doença com fármacos mais eficazes e menos tóxicos e conseguindo generalizar a todo este tipo de doentes o acesso a tratamentos locais nomeadamente das metástases hepáticas para as quais já existem muitos tratamentos eficazes. Nesta área da oncologia têm surgido poucos ensaios clínicos inovadores e poucos ou nenhuns medicamentos que alterem significativamente o curso da doença.

TC/SO

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Há tendência de globalização de doenças antes restritas ao trópicos https://saudeonline.pt/ha-tendencia-de-globalizacao-de-doencas-antes-restritas-ao-tropicos/ https://saudeonline.pt/ha-tendencia-de-globalizacao-de-doencas-antes-restritas-ao-tropicos/#respond Mon, 01 Apr 2019 08:58:46 +0000 https://saudeonline.pt/?p=70447 O diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), Paulo Ferrinho, alerta, em entrevista à agência Lusa, para a tendência de globalização das doenças tropicais, admitindo a possibilidade de "surtos esporádicos" de malária na Europa

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“A tendência atual das doenças tropicais é de uma convergência cada vez maior entre o tropical e o global. É cada vez mais difícil separar o tropical do global por causa das alterações de contexto, desde as alterações climáticas, à mobilidade das populações, das mercadorias e dos vetores (mosquitos), o que leva à globalização de doenças que antes estavam restritas aos trópicos”, disse Paulo Ferrinho.

O diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) falava, em entrevista à Lusa, antecipando o 5.º Congresso Nacional de Medicina Tropical, que vai reunir, em Lisboa, de 10 a 12 de abril, especialistas lusófonos, europeus e de outros países para debater as políticas e serviços de saúde.

O especialista em saúde pública e medicina tropical assinalou que o agente vetor (aedes albopictus) de várias destas doenças “é um invasor destemido, que avança mundo fora” e já está “a penetrar na Europa”.

“Ao entrar na Europa, criou alguns surtos de doenças transmitidas por vetores, como a chikungunya, em alguns países europeus. Já temos o aedes albopictus em Portugal e temos de estar atentos para o controlar e para que não se instalem em Portugal doenças que até há pouco tempo eram tropicais”, acrescentou.

Paulo Ferrinho lembrou que o vírus da sida, que surgiu na República Democrática do Congo, levou 80 anos a globalizar-se, mas alertou que a disseminação de doenças pode ser hoje muito mais rápida.

“Há risco de termos surtos esporádicos de malária na Europa. Aliás, já tivemos, por exemplo, na Grécia e em Itália. O vetor existe e é preciso estar atento e aconselhar os viajantes sobre como se comportar quando se deslocam a países de risco, mas também estar atentos aos migrantes desses países”, afirmou.

Cerca de mil milhões de pessoas ficarão expostas a doenças como a febre dengue se o aquecimento global continuar, segundo um estudo científico publicado, na quarta-feira, no boletim científico PLOS, que se baseou no registo mensal das temperaturas mundiais.

Os cientistas concluíram que as doenças de climas tropicais estão em expansão e atingirão zonas do globo com climas atualmente menos favoráveis aos mosquitos, porque os vírus que estes propagam provocam epidemias explosivas quando se verificam as condições certas.

Fundado em 1902, o Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) dedica-se ao ensino e à investigação da saúde pública, medicina tropical, ciências biomédicas e epidemiologia, com especial incidência na ligação com os países de língua oficial portuguesa.

No âmbito da sua estratégia para a investigação, foi criado o centro Globalhealth and Tropical Medicine, que conta com 50 a 60 investigadores a tempo inteiro distribuídos por quatro grupos de investigação: saúde de viajantes e migrantes; doenças emergentes e mudanças ambientais; saúde das populações, políticas e serviços e tuberculose, Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) e doenças oportunistas.

O instituto tem também um programa de mestrados, doutoramentos e pós-graduações com cerca de 500 alunos, mais de metade dos quais frequentam as aulas à distância e com recurso às tecnologias de informação e comunicação.

“Em determinados países, como Moçambique, devido à escassez dos profissionais de saúde é impossível obter autorização para se deslocarem para fora do país para estudar. Assim, estes alunos, muitos deles ministros, ex-ministros, diretores nacionais, presidentes de institutos de saúde e outros profissionais que trabalham em hospitais e outros programas de saúde pública, conseguem, sem abandonar os seus locais de trabalho, participar no nosso ensino”, adiantou Paulo Ferrinho.

A maior parte dos alunos são brasileiros, moçambicanos e angolanos, mas o IHMT tem atualmente estudantes de mais de 20 nacionalidades.

O organismo fornece ainda consultas de medicina tropical e das viagens, tendo, em 2017, feito 11.262 consultas do viajante, 369 consultas de medicina tropical e administrado 21.658 vacinas.

LUSA/SO

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Metodologia EKUI está em expansão https://saudeonline.pt/metodologia-ekui-esta-em-expansao/ https://saudeonline.pt/metodologia-ekui-esta-em-expansao/#respond Fri, 29 Mar 2019 10:32:35 +0000 https://saudeonline.pt/?p=70354 Já está disponível uma aplicação gratuita para IOS e Android. Responsáveis querem internacionalizar o projeto e vêm aí mais linhas EKUI. Prémio Maria José Nogueira Pinto de 2018 deu uma ajuda.

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A metodologia EKUI veio para ficar. Projeto já não se resume apenas ao baralho de cartas que o tornou conhecido (e reconhecido) por muitos. O Saúde Online falou com Celmira Macedo, presidente da associação LEQUE e principal responsável pelo projeto.

De que forma o Prémio Maria José Nogueira Pinto contribuiu para o crescimento do projeto EKUI?

O Prémio Maria José Nogueira Pinto promoveu um marketing muito positivo do projeto EKUI, dando-lhe visibilidade a nível nacional, tornando-o conhecido a entidades, investidores sociais e à sociedade civil.

De forma foi utilizado o valor do prémio?

A verba atribuída pelo prémio permitiu-nos investir na componente digital, o que possibilitou que a metodologia EKUI chegasse a mais famílias e a escolas a custo zero. As aplicações para iOS e Android estão disponíveis para download gratuito através do site da EKUI.

Paralelamente, estão a ser desenvolvidos um conjunto de tutoriais EKUI para YouTube, com dicas de utilização sobre a metodologia EKUI para pais, técnicos e professores.

Como têm evoluído as vendas do baralho de cartas EKUI (metodologia EKUI)? Que balanço faz?

A EKUI não é um simples baralho de cartas, mas sim e graças à investigação e rigor científico com que é acompanhada, é neste momento, uma metodologia de aprendizagem com desenho universal, e por isso, inclusiva.

Provas no terreno garantem que a metodologia EKUI é mais eficiente que as metodologias tradicionais e ensino, porque, por um lado, não exclui ninguém do processo de aprendizagem, independentemente de ter ou não alguma deficiência ou incapacidade e, por outro, preconiza uma educação e reabilitação inclusiva acessível a todos.

A EKUI é um projeto social, sem fins lucrativos, logo, valorizamos mais o impacto social do que o financeiro. O modelo de negócio social da EKUI é inspirado no modelo TOMS, o que significa que, por cada caixa vendida, é oferecida outra numa escola. A EKUI é neste momento uma associação autónoma (Verd´EKUI) que continua a acreditar na autossustentabilidade dentro do setor da economia social.

Quantas salas de aula, de quantas escolas, já têm um baralho EKIU (metodologia EKUI)? Têm esses dados?

A EKUI já chegou desde setembro de 2015 a 229 turmas da pré e 1º Ciclo em 40 concelhos de norte a sul do país. O projeto chegou a 3555 crianças de forma direta, com resultados muito positivos a vários níveis, sobretudo na promoção do sucesso escolar e terapêutico, tornando a intervenção de professores e terapeutas da fala mais eficiente.

Estamos a falar de uma metodologia que, além de criar valor social, pode poupar milhões de euros às famílias e ao estado social, visto que o custo de intervenção por criança com esta metodologia estima-se abaixo de 1 €, um valor manifestamente inferior à média nacional.

Quais são os próximos passos do projeto? Ou este já chegou, neste momento, a uma fase de consolidação?

Os próximos passos passam por lançar mais linhas EKUI e internacionalizar o projeto.

Tiago Caeiro

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Entrevista a João Araújo Correia: “As pessoas pensam que ir à urgência é como ir ao shopping” https://saudeonline.pt/entrevista-a-joao-araujo-correia-as-pessoas-pensam-que-ir-a-urgencia-e-como-ir-ao-shopping/ https://saudeonline.pt/entrevista-a-joao-araujo-correia-as-pessoas-pensam-que-ir-a-urgencia-e-como-ir-ao-shopping/#respond Wed, 09 Jan 2019 10:10:10 +0000 https://saudeonline.pt/?p=65331 Em tom assertivo, o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna defende, em entrevista ao Saúde Online, que deveria haver um circuito em que os utentes tivessem de passar, primeiro, pelos centros de saúde antes de irem às urgências, que vão, diz, "de mal a pior".

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Dr. Joao Araujo Correia SPMI Medicina Interna

Como vê atualmente a Medicina Interna (MI) e quais os grandes desafios que antecipa?

Cada vez se torna mais claro para todos, que a MI se está tornar a base do Sistema Nacional de Saúde (SNS), pelo menos a nível hospitalar. Há 2600 médicos internistas registados na Ordem dos Médicos e 1100 internos em formação específica. Neste momento já é a maior especialidade hospitalar em Portugal.

A primeira coisa que temos de fazer é mostrar às pessoas a atividade real da MI. Como não é uma especialidade de órgão, as pessoas muitas vezes ainda fazem confusão. A MI permite uma visão global de doente, de todos os órgãos em conjunto. Hoje em dia, 90% das pneumonias são tratadas pelos internistas, bem como 80% dos AVC e das insuficiências cardíacas.

Mas isso acontece porque não existem especialistas em número suficiente para tratar esses doentes?

Não. Acontece porque os internistas são os profissionais indicados para tratar estes casos. São aquilo a que nos Estados Unidos se chamam os hospitalistas; médicos competentes para tratarem doentes complexos, com multipatologia que de outra forma teriam de recorrer a 10 ou mais especialidades diferentes ao mesmo tempo. Nos Estados Unidos, desde os anos 80 que se formam hospitalistas. Em Portugal, os hospitais privados também já perceberam que é muito mais eficiente terem internistas do que terem uma panóplia de especialistas de órgão. Portanto, quando se fala de insuficiência cardíaca é bom que se fale com internistas, porque são estes especialistas que tratam a maioria dos doentes com esta patologia.

“Grande parte do quadro dos hospitais privados está preenchido por internistas”

 

E isso não afeta a qualidade dos cuidados que são prestados ao doente?

É muito melhor que um doente com 70 ou mais anos de idade e várias doenças (umas mais graves que outras) seja tratado por um médico que consegue vê-lo de uma forma global. Até porque a experiência permite-lhe ter uma noção mais exata sobre se as drogas que lhe pode dar para determinada patologia podem afetar outra. No entanto, as pessoas já vão percebendo a importância dos internistas, também devido à série televisiva “Dr. House”.

Neste momento, grande parte do quadro dos hospitais privados está preenchido por internistas, que fazem o pré e o pós cirúrgico. Depois, os outros especialistas acabam por fazer as intervenções específicas.

O segundo desafio que eu considero importante é o desenvolvimento de outras áreas, que são muito importantes para a MI. Por exemplo a hospitalização domiciliária, em que temos um doente menos grave mas suficientemente grave para ter um acompanhamento hospitalar. O doente fica em sua casa e uma equipa de internistas deslocam-se, com enfermeiros, à sua habitação. Isto tem uma vantagem imediata: no período de inverno, não há camas suficientes nos hospitais, pelo que é muito importante que possamos ter uma “enfermaria extra” de 20 ou 30 doentes.

De acordo com a tutela, este ano, metade dos hospitais do SNS já terão hospitalização domiciliária.

Sim, o projeto no Garcia da Orta já tem três anos. No hospital de Gaia começou a meio do ano passado, tal como no hospital de Guimarães. Todos estes projetos passam pelos internistas.

Os privados perceberam a importância dos internistas na cogestão (isto é, o tratamento do doente na fase pré e pós cirúrgica), que acaba por evitar muitas complicações e, portanto, economicamente é muito melhor para o erário público mas também para o doente (que acaba por ter alta muito mais cedo).

Existe aliás um estudo da Universidade de Lisboa que indica que um aumento do número de internistas representaria uma poupança para o SNS.

Exatamente. A eficiência dos internistas deve-se, em grande parte, à questão da visão global do doente. Nos anos 80 chegou a pensar-se que a melhor maneira de tratar um doente era fazê-lo passar por várias entrevistas de órgão. E os americanos concluíram que isso não resultava num melhor tratamento e que eram muito mais caros, porque cada especialidade tem tendência a fazer os seus próprios exames de diagnóstico, levando muitas vezes à duplicação de exames. Um internista olha para um doente e escolhe o exame mais adequado (e não duplica exames).

A minha grande dificuldade neste momento é segurar os internos no SNS quando acabam a especialidade, porque os hospitais privados vêm imediatamente buscá-los.

“A grande dificuldade é segurar os internos no SNS. O privado vem com propostas milionárias”

Sendo que há, como disse há pouco, 1100 médicos em formação, isso significa que a MI já não é vista como uma segunda opção?

A MI sempre teve os dois lados da questão: teve as melhores notas e os que não tiveram oportunidade de ir para outra especialidade. Agora, quem vier para MI como segunda opção vai ser muito infeliz porque é uma especialidade muito trabalhosa. Realmente aquilo que é mais rentável [para um médico] é ter uma especialidade. Na prática, nós internistas não sabemos tudo de tudo mas também não há nada de que não saibamos alguma coisa.

Mas sente que muitas vezes o internista é o profissional a quem não é reconhecido o esforço e que isso pode levar a um maior desgaste?

Isso é verdade. Agora estamos na época de Inverno e os hospitais enchem, normalmente, com mais 30% de camas do que tinham no início. Isto é, os mesmos internistas têm de ver mais 30% de doentes. Está a ver o desgaste que isto acarreta.

Se entrar numa especialidade cirúrgica, existe o SIGIC, em que existe uma lista de espera. Um médico que faça mais cirurgias, ganha pelas cirurgias que faz a mais. Na MI isso não acontece. Vêm os doentes e nós temos de os ver. Sob o ponto de vista do reconhecimento, acho que está a melhorar, embora se note mais nos hospitais privados – que acabam por remunerar este trabalho pela vantagem económica que traz. E depois vêm buscar os internos oferecendo-lhes contratos que não têm nada a ver com os públicos. Acenam com “propostas milionárias”.

Quando fala em proposta milionária, está a falar do triplo do valor?

É o dobro ou o triplo. Pelo menos o dobro é. Não há capacidade de os segurar.

Mas há pouco estava a criticar uma certa desigualdade no SNS entre os internistas e os restantes especialistas.

Há uma desigualdade. Se um internista tem a seu cargo “x” doentes e em determinado época passa a ter “y” doentes isso poderia ser pago extraordinariamente. Era fácil fazer as contas. Por outro lado, continua a haver um grande desinvestimento no SNS. Ainda agora, no último concurso [de colocação de médicos], tinham-me sido prometidas, para o meu hospital, quatro vagas e dessas quatro apenas foi autorizada uma – e já estou num défice terrível, já que tive de abrir uma nova unidade de internamento. É muito difícil gerir assim. Uma forma de reconhecimento seria darem-nos as pessoas de que precisamos.

O terceiro desafio é absolutamente crucial para Portugal e aí estamos a anos-luz dos países da Europa: nós não temos praticamente ligação nenhuma com a Medicina Geral e Familiar. Em qualquer parte do mundo já se percebeu que tem de haver uma articulação entre o generalista de ambulatório e o generalista hospitalar. O doente crónico complexo, que é internado, tem depois de ser acompanhado. Senão, o doente passa do paraíso para o inferno. Isto está completamente desarticulado.

 

“As urgências vão de mal a pior”

 

A doença aguda pode ser grave ou não grave: a doença não grave deve ser vista pelo médico de família. Em Portugal passa tudo para a urgência. Ainda por cima, vem aquela coisa, que eu acho um embuste, de ligar para a Saúde 24 para ver o que vão fazer. E a Saúde 24 encaminha para o serviço de urgência.

Portanto, a Saúde 24 não encaminha doentes para os Cuidados de Saúde Primários?

Nunca houve um estudo sobre isso. Os estudos que eu conheço mostram a quantidade de chamadas que atenderam. Nunca vi nenhum que mostrasse, de entre as chamadas atendidas, quais foram aquelas que evitaram a ida à urgência. O que eu digo, como chefe de equipa de urgência, é que as urgências vão de mal a pior.

Aquilo já está inculcado nas pessoas… É já uma coisa cultural, que as faz dirigiram-se logo à urgência. Isso é completamente errado.

E como é que podemos mudar esse paradigma?

É preciso dar condições aos centros de saúde para receberam os doentes. É preciso dar informação e depois deve haver um circuito obrigatório. Em Inglaterra, as pessoas não se dirigem à urgência. Se o doente for a uma urgência hospitalar e não tiver uma doença aguda paga uma ‘taxa de utilização errada’ que chega às 100 libras. Por isso é que, num hospital central em Londres, o número de urgências diárias anda pelas 60, 70 – que são os doentes graves. Nós aqui temos 400 ou 500. Aqui estão misturados doentes graves, que deviam ter a nossa atenção imediata, com outros que não são graves.

Já há um modelo instituído em alguns hospitais da região Norte que encaminha doentes com pulseiras azuis e verdes para os centros de saúde.

É preciso que os centros de saúde tenham horários [alargados] de atendimento e que tenham capacidade para receber os doentes. Devia estar instituído nos centros de saúde um período em que os doentes agudos não-graves pudessem ser atendidos – e não só no Inverno. Feito isso, os doentes seriam encaminhados para os centros de saúde pelos hospitais.

É uma tentação ir a um hospital central. Às vezes pergunto-me porque é que uma pessoa se dispõe a ficar, em situações pouco graves, 5 ou 6 horas à espera… E estão… porque “ir à urgência” é como “ir ao shopping”: se eu precisar de uma TAC tenho, se precisar de uma ecografia também. Então, as pessoas “vão fazer as suas compras”.

“Os hospitais vão aumentando o tamanho dos serviços de urgência e estes passam a ser ingeríveis”

Esses meios de diagnóstico deveriam estar disponíveis, também, nos centros de saúde?

Por definição, cerca de 90% das doenças agudas não precisam de exame nenhum. O doente é que não sabe se a dor de cabeça dele é uma coisa que o vai matar ou se é algo que passa com um Ben-u-ron. Agora, o doente precisa é de um médico que o atenda. Claro que é bom que os centros de saúde tenham algum equipamento – um raio-x e um laboratório mínimo.

Portanto, não há um circuito e continuamos a pensar que é possível resolver esta avalanche [de afluência às urgências], fazendo com que os hospitais vão aumentando o tamanho dos serviços de urgência – que, depois, passam a ser ingeríveis. E é preciso arranjar empresas de médicos para alimentar as mega urgências…

Depois há também um problema a nível do financiamento. Um hospital vai receber tanto por atender um doente com pulseira azul quanto o que recebe por um doente com pulseira vermelha. O que o Estado paga é o mesmo. Ora um gestor, por um lado, não quer ter muita gente à espera na urgência, mas, por outro, quer ter muitos ‘azuis’, porque estes não precisam de exame nenhum.

Outro desafio era fazer com a que a nossa missão como médicos fosse facilitada por uma segurança social com capacidade de resolver os problemas depois de nós tratarmos os doentes. Nós temos uma imensa quantidade de doentes com alta clínica internados nos hospitais. Num estudo feito no início deste ano, em 64% dos hospitais do SNS, havia 960 camas com internamentos sociais. Destas, 50% são nos serviços de MI.

A Rede Nacional de Cuidados Continuados não funciona, demora cerca de dois meses a colocar um doente. Atualmente um lar na Segurança Social demora seis meses a ter vaga. E isto é uma realidade que se tende a agravar. Há muita miséria social. Há muitas famílias que dependem da reforma dos idosos e o único sítio grátis para o ‘velhinho’ estar é o hospital. Há algumas coisas que podem ser feitas para resolver isto: depois de o doente ter alta clínica, a reforma poderia ser cativada, tal como acontece num lar; o tempo máximo para um lar responder não pode ser superior a um mês. Agora, o problema é que ninguém quer fazer nada, vivemos numa hipocrisia completa.

Ainda em relação à urgência, continua a colocar de lado a hipótese de ser criada uma especialidade dedicada apenas à urgência?

Continuo. A especialidade de urgência é um erro enorme. As pessoas podem pensar que é uma solução mas na verdade não ataca a raiz do problema. Continuamos a querer urgências com centenas de doentes e não colocamos os médicos onde eles devem estar, isto é, nos centros de saúde.

A maior parte dos países tem [médicos] generalistas nos centros de saúde a verem os doentes e, por isso, só uma pequena parte desses doentes acaba por ir à urgência. Aí então, nesse serviço de urgência que é muito mais dedicado à emergência e ao doente grave, muitos médicos só fazem urgência (acontece nos Estados Unidos e, por exemplo, em algumas regiões espanholas como Barcelona).

Nós aqui recebemos centenas de doentes sem qualquer triagem. A situação é completamente diferente. Em Portugal trocar internistas por especialistas em urgência seria o pior erro.

Saúde Online

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Entrevista a Óscar Gaspar: “PPP da saúde têm de ser protegidas contra extremismos ideológicos” [vídeo] https://saudeonline.pt/entrevista-a-oscar-gaspar-ppp-da-saude-tem-de-ser-protegidas-contra-extremismos-ideologicos-video/ https://saudeonline.pt/entrevista-a-oscar-gaspar-ppp-da-saude-tem-de-ser-protegidas-contra-extremismos-ideologicos-video/#respond Fri, 24 Aug 2018 12:22:31 +0000 https://saudeonline.pt/?p=58941 O presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), Óscar Gaspar, foi o convidado do programa 'Decisores', com a apresentação de Alexandra Almeida Ferreira e Miguel Mauritti, jornalista do SaúdeOnline.

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Em discussão estiveram temas como a sustentabilidade e o financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou as margens dos operadores privados para manter a atividade com qualidade e segurança com cortes administrativos, no que concerne à ADSE.

O presidente da APHP considera que as parcerias público-privadas (PPP) têm de ser “protegidas dos extremismos ideológicos”, porque são uma parte importante do sistema de saúde e benéficas para o Estado.

“As PPP dão lucro e isso é uma evidência que não dá margem para contestação; é matéria de facto. É evidente que se pode discutir a opção ideológica subjacente, mas não os resultados”, defende o economista, que foi secretário de Estado da Saúde e é também vice-presidente do Conselho Estratégico Nacional da Saúde da CIP – Confederação Empresarial de Portugal.

“Todos os estudos disponíveis, de universidades, Tribunal de Contas, ou do Ministério das Finanças, mostram que os contratos em PPP cumpriram com os objetivos, permitindo ao Estado poupar cerca de 20%, face às demais instituições do serviço público”, afirma. “Esta informação está disponível no site da ACSS [Administração Central do Sistema de Saúde] e permite comparar os custos-padrão por doente nos diversos hospitais, que são inferiores nos hospitais em PPP”.

Por isso, diz, as PPP são “um bom negócio para o Estado, cumprindo escrupulosamente os serviços previstos nos contratos”.

Saúde Online

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