Ana Matos Pires - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/ana-matos-pires/ Notícias sobre saúde Tue, 11 Oct 2022 10:13:48 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Ana Matos Pires - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/ana-matos-pires/ 32 32 Aumento de consumo de antidepressivos pode indicar diagnósticos mais precoces https://saudeonline.pt/aumento-de-consumo-de-antidepressivos-pode-indicar-diagnosticos-mais-precoces-segundo-psiquiatra/ https://saudeonline.pt/aumento-de-consumo-de-antidepressivos-pode-indicar-diagnosticos-mais-precoces-segundo-psiquiatra/#respond Mon, 10 Oct 2022 08:50:38 +0000 https://saudeonline.pt/?p=135958 O consumo aumentou 8,2% no primeiro semestre deste ano face ao mesmo período de 2021, o que pode indicar um diagnóstico e tratamento mais "atempado dos quadros depressivos graves”, diz a médica psiquiatra, que integra a Coordenação Nacional para as Políticas de Saúde Mental.

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A psiquiatra Ana Matos Pires defendeu que o aumento da prescrição de antidepressivos em Portugal pode ser “um indicador positivo” de diagnóstico e de tratamento mais precoce das perturbações depressivas graves. Ana Matos Pires, que integra a Coordenação Nacional para as Políticas de Saúde Mental, comentava desta forma à agência Lusa os dados do Infarmed que indicam que no primeiro semestre do ano foram vendidas 5.532.708 embalagens de antidepressivos, mais 8,2% face ao mesmo período de 2021, o que representou um encargo de cerca de 22,2 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Comparando a evolução de vendas desde o último ano antes da pandemia – 2019 -, verifica-se que o consumo de antidepressivos esteve sempre a crescer, segundo os dados da Autoridade Nacional do Medicamento, relativos a medicamentos prescritos e comparticipados, dispensados nas farmácias comunitárias. Em 2019, venderam-se 9.368.788 embalagens, número que subiu para 9.803.223 no ano seguinte e para 10.499.231 em 2021, com um encargo neste último ano de cerca de 41,7 milhões de euros para o Estado, precisam os dados, divulgados à Lusa a propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, assinalado a 10 de outubro.

Para a psiquiatra, estes dados podem “não ser um mau indicador”: “Podem querer dizer que nós estamos a diagnosticar e a tratar mais atempadamente os quadros depressivos graves”, salientou. Explicou ainda que os antidepressivos não são usados apenas para o tratamento da depressão, mas também para muitas outras doenças, como a perturbação obsessivo-compulsiva, alguma patologia ansiosa, perturbação de pânico, tratamento da dor.

Questionada se já se está a observar um aumento da procura dos serviços de saúde mental como reflexo da pandemia de covid-19, da guerra na Ucrânia e da crise económica, a psiquiatra afirmou que sim, principalmente “à custa das pessoas mais novas”, entre os 15 e os 25 anos.

Para fazer face à procura, Ana Matos Pires defendeu que são necessários contratar mais recursos humanos, o que não está previsto do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). “Os 88 milhões do PRR para a saúde mental não se destinam a recursos humanos”, mas para infraestruturas, nomeadamente a reconversão de serviços que estão precários neste momento.

Segundo Ana Matos Pires, a “única coisa” que o PRR ajuda “um bocadinho” em termos de recursos humanos é a formalização da constituição das Equipas Comunitárias de Saúde Mental, que implicam a contratação, no caso das equipas de adulto, de um psiquiatra, dois enfermeiros, um psicólogo, um assistente social, um terapeuta ocupacional e um assistente técnico. No caso das equipas da infância e de adolescência, implica a contratação de um pedopsiquiatra, um enfermeiro, dois psicólogos, um terapeuta ocupacional, um assistente social e um assistente técnico.

Portanto, salientou, “a única solução para resolver essa questão é, naturalmente, que o dinheiro destinado a recursos humanos esteja previsto no Orçamento Geral do Estado em cada ano, porque senão, não há milagres”.

A propósito do Dia Mundial da Saúde Mental, que este ano tem como lema “Saúde mental e bem-estar uma prioridade global”, a psiquiatra salientou que “a saúde mental não é só a ausência de doença, é a promoção da saúde, é a prevenção da doença, é diagnóstico e tratamento atempado”. “No fundo, não há saúde sem saúde mental, que tem que estar em todas as políticas, porque as consequências sociais e económicas são fatores desencadeantes de doença mental”, defendeu.

LUSA

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Suicídio é um comportamento raro que deve ser abordado com “muita cautela” https://saudeonline.pt/suicidio-e-um-comportamento-raro-que-deve-ser-abordado-com-muita-cautela/ https://saudeonline.pt/suicidio-e-um-comportamento-raro-que-deve-ser-abordado-com-muita-cautela/#respond Wed, 23 Feb 2022 09:56:33 +0000 https://saudeonline.pt/?p=128665 A psiquiatra do Hospital de Beja alerta para impacto enorme que este “ato sem retorno” tem nos sobreviventes, isto é, na família, amigos, colegas de trabalho.

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suicídio

A psiquiatra Ana Matos Pires defendeu que o suicídio é um comportamento raro que deve ser falado com “muita cautela”, alertando para o impacto enorme que este “ato sem retorno” tem nos sobreviventes.

“As temáticas do suicídio podem e devem ser faladas, a questão é a maneira como falamos delas”, disse em entrevista à agência Lusa Ana Matos Pires, membro da Coordenação Nacional das Políticas para a Saúde Mental, em particular da área do suicídio.

Para a especialista, falar de aumentos ou diminuições de taxas de suicídio deve ser feito com “muita cautela”, porque “felizmente é um fenómeno raro”.

“Sendo um fenómeno raro, basta que haja uma ou duas mortes a menos ou uma ou duas mortes a mais para haver implicações nessas taxas” que podem não ter significado em termos de saúde pública, afirmou a psiquiatra quando questionada pela Lusa se a pandemia teve impacto no número de suicídios em Portugal.

Por outro lado, é um problema de saúde pública, porque é “um ato sem retorno”, com “implicações enormes” nos sobreviventes (família, amigos, colegas de trabalho).

“Há um círculo de pessoas que são afetadas quando alguém se suicida”, sustentou a também diretora da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo e coordenadora regional da Saúde Mental do Alentejo.

Apesar de “uma percentagem enormíssima” dos suicídios acontecer no contexto de uma perturbação mental e, em particular, de uma perturbação depressiva, a psiquiatra esclareceu que o suicídio não é uma doença, mas sim um comportamento.

Por isso, explicou, é que as alterações das taxas de suicídio devem ser avaliadas em períodos entre três e cinco anos para se poder tirar ilações.

Não se deve comparar os suicídios em 2020 ou 2021 com 2022. Isto é uma verdade epidemiológica para todos os fenómenos raros”, sublinhou.

Neste momento, não há dados em Portugal sobre um eventual efeito da pandemia na taxa de suicídio, mas Ana Matos Pires disse “ser expectável que tenha havido um aumento dos comportamentos suicidários, muito em reação do aumento da sintomatologia da patologia depressiva”.

Para responder às temáticas do suicídio, Portugal tem o Plano Nacional de Prevenção do Suicídio: “É um excelente plano que esteve muito tempo na gaveta e que o então programa para a saúde mental se comprometeu em 2019 a reativar”, o que aconteceu.

Apesar da pandemia ter desacelerado a sua implementação, o plano “não ficou parado”, tendo sido desenvolvida a “Campanha Nacional de Prevenção do Suicídio” e criado o ‘site’ prevenirsuicidio.pt.

Em Portugal, cerca de três pessoas morrem por suicídio a cada dia, e muitas mais tentam fazê-lo. Este fenómeno não escolhe classes, género, idade ou região geográfica.

A Campanha Nacional de Prevenção do Suicídio pretende mudar atitudes em relação ao suicídio e à doença mental, aumentar a literacia em saúde mental e lutar contra o estigma e incentivar ao pedido de ajuda às pessoas em risco para reduzir o número de suicídios em Portugal.

“A melhor estratégia de combate ao suicídio é a sua prevenção”, defendeu Ana Matos Pires, frisando que, “como comportamento humano que é, o suicídio nunca será igual a zero”, devendo apostar-se no diagnóstico e no tratamento atempado e eficaz da perturbação depressiva para diminuir este fenómeno.

Deve também ter-se em atenção alguns grupos, como as forças de segurança e a população LGBTI, que estão mundialmente identificados como grupos de risco para os comportamentos suicidas e para o risco de suicídio acrescido.

Para a psiquiatra, a prevenção do suicídio não é só uma obrigação da saúde: “A saúde é muito importante no aumento da literacia e no tratamento de eventuais doenças psiquiátricas que estejam por trás da ideação suicida, mas a prevenção é um assunto que diz respeito a nós todos enquanto sociedade”.

LUSA

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