Ana Joaquim - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/ana-joaquim/ Notícias sobre saúde Thu, 21 Sep 2023 09:46:45 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Ana Joaquim - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/ana-joaquim/ 32 32 Cancro Cabeça Pescoço. “Todos os anos são diagnosticados 2.500 a 3 mil novos casos” https://saudeonline.pt/cancro-cabeca-pescoco-todos-os-anos-sao-diagnosticados-2-500-a-3-mil-novos-casos/ https://saudeonline.pt/cancro-cabeca-pescoco-todos-os-anos-sao-diagnosticados-2-500-a-3-mil-novos-casos/#respond Wed, 20 Sep 2023 10:09:10 +0000 https://saudeonline.pt/?p=148469 No âmbito da 11.ª Campanha de Sensibilização para o Cancro da Cabeça e Pescoço - Make Sense, que tem este ano como foco a prevenção primária, secundária e terciária, Ana Joaquim, médica oncologista dedicada à investigação na European Organization for Research and Treatment of Cancer (EORTC), em Bruxelas, e presidente do Grupo de Estudos de Cancro de Cabeça e Pescoço, fala da patologia, referindo que, todos os anos, são diagnosticados quase 3 mil novos casos no nosso país.

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Cancro cabeça pescoço

Qual a incidência do cancro cabeça e pescoço?
É importante definir a doença antes de explicar qual o número de pessoas que são diagnosticadas por ano, de forma a percebermos de que doença estamos a falar. O cancro de cabeça e pescoço afeta as vias aerodisgestivas (por onde circulam os alimentos e o ar) da cabeça e pescoço – boca, nariz, faringe e laringe. Todos os anos são diagnosticados em Portugal cerca de 2.500 a 3 mil novos casos.

 

Quais são as pessoas mais afetadas?
As pessoas mais afetadas são aquelas que têm um ou mais fatores de risco. Em mais de 70% dos casos, os fatores de risco são a exposição crónica ao fumo do tabaco e ao álcool. E, especificamente para o cancro da orofaringe, a infeção sexualmente transmissível ao vírus do papiloma humano (HPV) tem vindo a adquirir maior importância ao longo dos anos. Existem ainda outros fatores com alguma associação de risco, designadamente próteses dentárias mal-adaptadas (para cancro da cavidade oral), má higiene oral e imunossupressão [causada, por exemplo, pela infeção ao vírus de imunodeficiência humana (VIH)]. Por fim, a infeção ao vírus Epstein-Barr é fator de risco para o cancro da nasofaringe (mais frequente na população asiática).

 

“Em mais de 70% dos casos, os fatores de risco são a exposição crónica ao fumo do tabaco e ao álcool”

 

Mais de metade dos doentes são diagnosticados em fases avançadas da doença. Quais são os principais desafios associados ao diagnóstico tardio?
A doença avançada é tratada com várias modalidades terapêuticas. Significa que são necessários tratamentos combinados, por exemplo cirurgia (e na doença avançada falamos de cirurgias extensas, muitas vezes com necessidade de reconstrução) e radioterapia, associada ou não a quimioterapia, ou quimioterapia e radioterapia. As consequências são importantes sequelas terapêuticas que afetam importantes funções, como a fala, a respiração e a alimentação. Podem ser necessárias “ajudas”, como a traqueostomia, com a afeção lógica da fala, e as sondas de alimentação. Para contrabalançar estas e outras sequelas, e guiar os sobreviventes na reabilitação necessária, é fundamental a multidisciplinariedade das equipas.

Outro desafio diz respeito à probabilidade de recorrência. Quando a doença é diagnosticada em fase avançada, metade dos doentes tratados irão ter recorrência da doença, o que implica novos desafios em termos de tratamento e suporte. Novamente, a educação dos doentes para a identificação dos sintomas de alerta e a multidisciplinariedade são fundamentais.

 

“Especificamente para o cancro da orofaringe, a infeção sexualmente transmissível ao vírus do papiloma humano (HPV) tem vindo a adquirir maior importância ao longo dos ano”

 

Qual a razão deste diagnóstico tardio? A que sinais e sintomas é que as pessoas e, até, os médicos assistentes devem estar atentos?
Os sinais e os sintomas de alerta estão diretamente relacionados com as zonas envolvidas, nomeadamente aftas e lesões brancas ou vermelhas na boca, dor de garganta, rouquidão, dificuldade em engolir, escorrência nasal (principalmente se unilateral e com sangue) ou nódulos ou massas do pescoço. Por serem sinais e sintomas comuns aos de outras condições menos graves, muitas vezes passam despercebidos. Contudo, é preciso estar atento à sua duração e sempre que atingirem ou ultrapassarem as três semanas é conveniente procurar um médico.

Considera que deveria haver um rastreio nacional organizado para este cancro?
É importante diferenciar os termos rastreio e diagnóstico precoce. Rastreio é a procura de doença na ausência de sintomas. É o que está estabelecido para o cancro da mama, do cancro colorretal e do cancro do colo do útero. Existem critérios muito bem definidos para seleção das doenças e métodos diagnóstico para a realização de rastreios em populações saudáveis. Definitivamente o cancro da cabeça e pescoço não cumpre estes critérios.

O diagnóstico precoce é a tentativa de diagnosticar doenças aquando da identificação dos primeiros sintomas. É possível em doenças que se manifestam precocemente, como é o caso do cancro de cabeça e pescoço, principalmente porque ocorre em áreas de muito fácil acesso e que desempenham funções vitais. E é útil quando tem impacto prognóstico, como é o caso do cancro de cabeça e pescoço.

Por isso, considero que deveria haver um esforço nacional para procurar sintomas suspeitos nas populações de risco, particularmente em fumadores e consumidores crónicos de bebidas alcoólicas.

Quem deveria fazer este rastreio e com que frequência?
A identificação dos casos suspeitos pode ser feita pelo próprio, nos cuidados de saúde primários e, no caso da cavidade oral, pela Medicina Dentária. A chave, depois, é a referenciação precoce para as equipas hospitalares que fazem o diagnóstico. Habitualmente são equipas cirúrgicas compostas por otorrinolaringologistas e/ou cirurgiões de cabeça e pescoço e/ou estomatologistas (no caso do cancro oral).

É possível prevenir a doença?
A melhor forma de prevenir este cancro, que é essencialmente causado por hábitos e comportamentos de risco, é evitar, reduzir ou anular os hábitos e comportamentos de risco. Ou seja, não iniciar ou reduzir/anular o consumo de tabaco e de álcool. No que diz respeito ao HPV, evitar relações sexuais desprotegidas com múltiplos parceiros e cumprir o plano nacional de vacinação, que inclui a vacina anti-HPV a crianças e adolescentes do género feminino e, mais recentemente, masculino.

Qual a importância da vacinação contra o HPV?
Como já referido, a infeção por HPV é um fator de risco para cancro da orofaringe. A vacinação reduz as taxas da infeção e, consequentemente, os casos de cancro da orofaringe associados a infeção. Para tal, foi muito importante alargar a vacinação aos rapazes.

Quais os principais desafios no tratamento e seguimento destes doentes?
É uma doença que frequentemente afeta pessoas com fatores de risco muito enraizados, particularmente o consumo de tabaco e álcool. A evicção destes hábitos é fundamental para o processo de cura e muitas vezes não é fácil.

O facto de ser diagnosticada em fase avançada em mais de metade dos casos torna o tratamento muito mais complexo e aumenta a probabilidade de complicações. Novamente, falamos de complicações que muitas vezes afetam funções vitais como respirar e alimentar-se, e também a função muito importante da fala, como elemento principal da comunicação.

Todos estes desafios obrigam as equipas a organizar-se e trabalhar de forma interligada, como uma cadeia em que todos os elos são importante e contam, desde as especialidades diagnósticas e terapêuticas às especialidades e valências de suporte e reabilitação, sendo que o elo mais importante é o doente, os seus próximos e o seu ambiente.

 

A 11.ª Campanha de Sensibilização para o Cancro da Cabeça e Pescoço – Make Sense tem como foco a prevenção primária, secundária e terciária. Pode explicar em que consiste cada uma delas e a sua importância?

A prevenção primária diz respeito à prevenção da doença e promoção da saúde. É o que o GECCP planeia fazer com as ações educativas em escolas de todo o país – explicar aos adolescentes quais são os fatores de risco e a importância de os evitar.

A prevenção secundária diz respeito à deteção precoce dos problemas de forma a reverter o processo de doença e diminuir as recorrências. Neste caso, vamos atuar nas sessões de diagnóstico precoce (apelidadas de rastreio a nível europeu, por motivos comunicacionais, mas que já vimos que são de diagnóstico precoce) em Lisboa e no Porto. Vamos também promover sessões formativas para os Cuidados de Saúde Primários a nível nacional, de forma a aumentar o conhecimento sobre o diagnóstico precoce e quando referenciar.

A prevenção terciária diz respeito à mitigação dos efeitos da doença e tratamentos e ajudar os doentes a viver com a doença e sequelas terapêuticas. A este nível, estamos há vários anos, a comunicar com as entidades reguladoras de forma a finalmente ver implementado o Despacho n.º 15135/2016 de apoio à reabilitação oral e contamos que esteja para breve. Novamente a ação formativa de alcance nacional para os cuidados de saúde primários e o documento de ‘Recomendações GECCP dos cuidados aos sobreviventes de cancro da cabeça e pescoço’, lançado e distribuído no ano passado por todos os ACES têm, ambas, o objetivo de auxiliar as equipas na promoção da melhor reabilitação, integrada nos cuidados de saúde destes doentes.

 

SM 

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Aumentaram 80% os novos casos de cancro abaixo dos 50 anos desde 1990

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Cancro da cabeça e pescoço

A vice-presidente da Associação de Investigação de Cuidados de Suporte em Oncologia, Ana Joaquim, alertou para a necessidade de maior flexibilidade das empresas para ajudar a integrar o doente com cancro de mama metastático, muitas vezes tratado como doença crónica.

“Um mercado de trabalho que queira acolher estas pessoas, que são totalmente válidas, tem de ser permissivo o suficiente, maleável e flexível o suficiente para que as pessoas tenham autorização, sem penalização ou represália, para poder continuar com os seus cuidados de saúde”, defendeu.

A oncologista lembrou que, em muitos casos, com os avanços nos tratamentos, os doentes conseguem fazer uma vida normal, precisando, contudo, de alguma flexibilidade das empresas para poderem continuar os seus cuidados de saúde.

“Estes tratamentos têm sempre alguns efeitos secundários, tal como os tratamentos da diabetes têm efeitos secundários (…). Os doentes têm de ser controlados e ir ao hospital regularmente. Mas estamos a falar de pessoas perfeitamente autónomas, muitas vezes jovens”, disse.

A especialista recordou que, nalgumas fases da doença, “a pessoa pode ter que fazer um curso de quimioterapia e isso significa estar quatro ou seis meses, às vezes, a fazer tratamentos (…) que baixam as defesas e, provavelmente, vão impedi-la de ir trabalhar, pelo menos presencialmente, por causa do risco de infeção”.

Nestas circunstâncias, disse que é preciso uma mudança de mentalidades e recordou que, depois da pandemia, há hoje mais instrumentos que permitem, quando necessário, o trabalho à distância.

“É preciso ter esta flexibilidade com esta doença, como se tem com outras”, afirmou a responsável, insistindo: “Isto vai permitir que muitas mulheres e alguns homens que vivem com cancro da mama metastático se sintam mais integrados e sintam que estão a contribuir, ao mesmo tempo que quem os emprega também sente o mesmo”.

Médica oncologista no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e coordenadora do programa ONCOMOVE, que procura “dar resposta à necessidade de um serviço de saúde mais completo e abrangente na área da Oncologia”, Ana Joaquim afirmou que “nem todos os cancros de mama são iguais”, sendo a maior parte diagnosticada “em fase precoce”, quando a doença “ainda não foi para outros órgãos”.

“Infelizmente, nalguns casos em que se tratou a doença, inicialmente com tratamento curativo, com cirurgia, radioterapia e quimioterapia, quando necessário, ou tratamento hormonal, há situações em que a doença não está extinta e em que aparecem lesões (…) noutros órgãos. O mais frequente é o osso, mas também aparece no fígado, ou no pulmão, cérebro ou na pele”, explicou.

Ana Joaquim referiu que também há casos em que o cancro da mama é diagnosticado já numa fase metastizado. Contudo, explicou, “os que têm apenas metastização óssea são aqueles em que as sobrevivências são maiores e em que se consegue, cada vez mais, falar em doença crónica”. “Falamos muitas vezes de muitos anos a viver com a doença e a fazer tratamentos que, felizmente, cada vez mais são menos agressivos”, acrescentou.

LUSA

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Cancro da cabeça e pescoço

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O impacto do cancro da cabeça e pescoço na vida de quem tem de enfrentar este diagnóstico é enorme. A doença deixa marcas, que se fazem sentir a vários níveis: pessoal, profissional e emocional. É para elas que se alerta na 9ª Semana de Sensibilização para o Cancro da Cabeça e Pescoço – Make Sense Campaign, uma iniciativa internacional, liderada em Portugal pelo Grupo de Estudos do Cancro da Cabeça e Pescoço (GECCP), e que este ano quis quantificar o impacto do diagnóstico e tratamento no bem-estar dos sobreviventes de 12 países, Portugal incluído. Por cá, 56% não têm dúvidas: o diagnóstico teve um impacto fortemente negativo no seu bem-estar emocional pós-tratamento.

Um impacto que se faz sentir também ao nível profissional e financeiro, de acordo com uma quase maioria (41%) dos portugueses que responderam. Mas as dificuldades que enfrentam os sobreviventes desta doença, que é o 6º tipo de cancro mais comum na Europa. Quase sete em cada dez sobreviventes (68%) não têm acesso fácil a enfermeiros e assistentes sociais especializados para apoio ao seu bem-estar emocional no pós-tratamento, ainda que 96% o considerassem útil. Adicionalmente, de acordo com 56% dos inquiridos portugueses, a pandemia COVID-19 teve um impacto fortemente negativo na capacidade de aceder a serviços de apoio emocional pós-tratamento.

A nível global, o inquérito revela que os sobreviventes da Bélgica, Chipre, França, Grécia, Irlanda, Itália, Israel, Holanda, Polónia, Portugal, Turquia e Reino Unido sentiram medo de recorrências (51%), ansiedade (49%), depressão (28%), raiva (27%) e solidão (29%). E que os sintomas físicos foram relatados como tendo o maior impacto no bem-estar, com os inquiridos a referir que o seu diagnóstico impactou negativamente a fala (48%), a aparência física (43%), o comer/beber (41%) e os níveis de energia (40%).

Os dados confirmam ainda a necessidade de melhorar o acesso a um conjunto de serviços de suporte para sobreviventes em toda a Europa, tendo em conta a falta ou dificuldade no acesso a recursos que estes consideram úteis (como materiais de leitura, ferramentas digitais e suporte de grupo).

Apesar da gravidade do cancro da cabeça e pescoço e da crescente prevalência na sociedade, há pouca sensibilização para a doença e, de acordo com os dados disponíveis, 60% das pessoas apresentam doença localmente avançada no momento do diagnóstico. Isto apesar de para quem tem um diagnóstico precoce a taxa de sobrevivência chegar aos 80 a 90%.

“É de salientar que os sobreviventes portugueses aderiram fortemente à campanha, pelo grande número de respostas ao inquérito, as quais permitiram que víssemos que as necessidades são semelhantes às  dos sobreviventes dos outros países, e que são muitas.”

“É preciso sensibilizar a população e os profissionais de saúde para esta realidade, porque é um facto que a maioria dos casos de cancro da cabeça e pescoço ainda são diagnosticados em fase avançada. E é por isso que se realiza, todos os anos, a campanha Make Sense”, confirma Ana Joaquim, médica e presidente do GECCP.

Não só o diagnóstico precoce salva vidas, como proporciona “menos consequências danosas da doença e do tratamento para os sobreviventes e ainda uma redução franca da probabilidade de recorrência da doença nos anos seguintes”, refere a especialista.

A 9ª Semana de Sensibilização para o Cancro da Cabeça e Pescoço – Make Sense Campaign conta com várias iniciativas, entre as quais a Make Sense, um desfile de moda com sobreviventes que terá como palco o programa da TVI ‘Dois às Dez’, vestidos com as criações de Beatriz Pedroso e com um lenço criado em exclusivo pela estilista para esta ação.

E porque é de informação e formação que também aqui se fala, a Make Sense vai às escolas realizar um seminário misto (presencial e virtual), em parceria com o GECCP e o ONCOMOVE, um programa de Associação de Investigação de Cuidados de Suporte em Oncologia, destinado aos docentes, investigadores e alunos do Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano (CIDESD), que terá como tema a integração do exercício físico na reabilitação dos sobreviventes do cancro da cabeça e pescoço.

Este ano, a campanha Make Sense tem como patrocinador principal a Merck S.A. Por sua vez, a Merck Sharp and Dohme, Bristol Myers Squibb e a Roche são outras entidades que apoiam a iniciativa.

SO/COMUNICADO

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