med-interna-investigação - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/med-interna/med-interna-investigacao/ Notícias sobre saúde Thu, 07 May 2026 10:24:43 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png med-interna-investigação - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/med-interna/med-interna-investigacao/ 32 32 Doença crónica cresce em Portugal e afeta mais os grupos desfavorecidos https://saudeonline.pt/doenca-cronica-cresce-em-portugal-e-afeta-mais-os-grupos-desfavorecidos/ https://saudeonline.pt/doenca-cronica-cresce-em-portugal-e-afeta-mais-os-grupos-desfavorecidos/#respond Tue, 05 May 2026 10:15:44 +0000 https://saudeonline.pt/?p=186596 A prevalência da doença crónica continua a ser mais elevada entre os mais idosos - com um aumento de 14 pontos percentuais no grupo dos 65 aos 79 anos -, mas registam-se também subidas significativas entre os mais jovens.

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A doença crónica está a aumentar em Portugal e o seu crescimento resulta sobretudo de um agravamento da carga de doença dentro dos próprios grupos etários, e não apenas do envelhecimento da população. A conclusão é de uma análise realizada no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação la Caixa, o Banco BPI e a Nova School of Business and Economics (Nova SBE).

O estudo baseia-se em dados de um inquérito a mais de 8.600 pessoas, realizado entre 2017 e 2025, e intitula-se “Doença crónica: inevitabilidade demográfica ou mudança estrutural? Uma decomposição da evolução da prevalência de doenças em Portugal (2017–2025)”. Entre as principais conclusões, destaca-se um “impacto particularmente desproporcional” da doença crónica nos grupos mais desfavorecidos.

Entre 2017 e 2025, a prevalência de doença crónica aumentou de 28% para 36%, enquanto a multimorbilidade atingiu os 19%, após um crescimento de 10 pontos percentuais. “Os resultados apontam para uma expansão da morbilidade ao longo de todo o ciclo de vida adulto, verificando-se que cerca de 71% do aumento da doença crónica resulta de um agravamento dentro dos próprios grupos etários (e não apenas do envelhecimento)”, refere o comunicado.

A prevalência continua a ser mais elevada entre os mais idosos — com um aumento de 14 pontos percentuais no grupo dos 65 aos 79 anos —, mas registam-se também subidas significativas entre os mais jovens, com crescimentos de cerca de 8 pontos percentuais nos grupos dos 15 aos 29 anos e dos 45 aos 64 anos. A alteração da estrutura demográfica explica apenas 29% do aumento global.

No caso da multimorbilidade, o padrão é semelhante: 87% do aumento deve-se ao agravamento dentro dos grupos etários, enquanto apenas 13% resulta de mudanças demográficas. Entre os homens, a percentagem com multimorbilidade aumentou 23,5 pontos percentuais nos indivíduos com 80 ou mais anos, 16,7 pontos percentuais entre os 65 e os 79 anos e 3,7 pontos percentuais no grupo dos 45 aos 64 anos. “Esta evolução indicia que a doença crónica não só surge cada vez mais cedo, como também evolui para formas mais complexas, acumulando-se ao longo da vida e exigindo respostas mais integradas e continuadas por parte do sistema de saúde”, sublinham os investigadores.

A análise evidencia ainda um agravamento das desigualdades sociais em saúde. A probabilidade de uma pessoa com maiores dificuldades económicas ter doença crónica quase duplicou, passando de 26% em 2017 para 49% em 2025. Em comparação com os grupos socioeconómicos mais favorecidos, os indivíduos mais desfavorecidos apresentavam, em 2025, uma probabilidade 23,5 pontos percentuais superior de sofrer de doença crónica. No caso da multimorbilidade, a diferença entre grupos aumentou de 4 para 27 pontos percentuais no mesmo período. Os dados apontam para um risco crescente de desigualdade cumulativa, em que os grupos com maior carga de doença são também os que enfrentam mais dificuldades no acesso aos cuidados de saúde.

O aumento da prevalência de doença crónica ao longo do ciclo de vida adulto, associado ao crescimento da multimorbilidade, traduz-se em perfis clínicos cada vez mais complexos, com maior acumulação de condições e necessidade de acompanhamento contínuo, integrado e centrado no doente.

Perante este cenário, os investigadores defendem o reforço de políticas públicas que respondam não só ao envelhecimento da população, mas também ao agravamento das desigualdades. Entre as recomendações estão o investimento na prevenção — com especial enfoque nas populações mais vulneráveis —, o desenvolvimento de modelos integrados de gestão da doença e a redução de barreiras no acesso a cuidados, nomeadamente ao nível da medicação e dos cuidados de saúde primários.

A análise foi conduzida pelos investigadores Carolina Santos e Pedro Pita Barros, este último responsável pela Cátedra BPI | Fundação “la Caixa” em Economia da Saúde, no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social.

Maria João Garcia

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Investigadores identificam estratégia promissora contra fibrose pulmonar idiopática https://saudeonline.pt/investigadores-identificam-estrategia-promissora-contra-fibrose-pulmonar-idiopatica/ Thu, 30 Apr 2026 09:31:29 +0000 https://saudeonline.pt/?p=186514 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Investigadores identificam estratégia promissora contra fibrose pulmonar idiopática aparece primeiro em Saúde Online.

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Análise à microbiota intestinal poderá antecipar risco de doença de Parkinson https://saudeonline.pt/analise-a-microbiota-intestinal-podera-antecipar-risco-de-doenca-de-parkinson/ Tue, 21 Apr 2026 08:07:01 +0000 https://saudeonline.pt/?p=186209 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Análise à microbiota intestinal poderá antecipar risco de doença de Parkinson aparece primeiro em Saúde Online.

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Transplante com mutação genética coloca décimo doente com VIH em remissão https://saudeonline.pt/transplante-com-mutacao-genetica-coloca-decimo-doente-com-vih-em-remissao/ https://saudeonline.pt/transplante-com-mutacao-genetica-coloca-decimo-doente-com-vih-em-remissao/#respond Tue, 14 Apr 2026 09:22:42 +0000 https://saudeonline.pt/?p=185728 Um homem de 63 anos tornou-se o décimo doente com VIH a entrar em remissão após um transplante de células estaminais com a mutação CCR5-delta 32. O caso, descrito na Nature Microbiology, reforça pistas para futuras estratégias de cura aplicáveis a mais doentes.

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Transplante com mutação genética coloca décimo doente com VIH em remissão

Um transplante de células estaminais com a mutação genética CCR5-delta 32 permitiu colocar em remissão um homem com VIH, elevando para dez o número de casos conhecidos desde o chamado “paciente de Berlim”, em 2009.

O caso, agora designado “paciente de Oslo”, foi descrito num estudo publicado na revista Nature Microbiology, liderado pelo Hospital Universitário de Oslo, com participação do Instituto de Investigação da Sida IrsiCaixa, em Barcelona.

Segundo a investigadora María Salgado, do IrsiCaixa e uma das autoras do trabalho, estes dez casos têm permitido recolher informação mais sólida sobre os mecanismos de cura e abrir caminho a novas estratégias de erradicação da infeção.

O doente, atualmente com 63 anos, recebeu o diagnóstico de VIH aos 44. Em 2020, foi submetido a um transplante de células estaminais para tratar uma síndrome mielodisplásica, um tipo de cancro do sangue. Para o procedimento, foi selecionado um dador portador da mutação CCR5-delta 32, uma alteração genética natural que impede a entrada do vírus nas células-alvo.

Sob orientação e vigilância médica, o homem interrompeu a terapêutica antirretroviral e, quatro anos depois, continua sem qualquer vestígio detetável do vírus da imunodeficiência humana.

Os investigadores sublinham, contudo, que o transplante de células estaminais é um procedimento altamente agressivo, reservado a doentes com cancros hematológicos, não sendo aplicável à generalidade das pessoas que vivem com VIH, cuja esperança e qualidade de vida são hoje muito semelhantes às da população sem infeção.

Ainda assim, Javier Martínez-Picado, também do IrsiCaixa e coautor do estudo, destaca que estes casos são fundamentais para compreender os mecanismos de cura e desenvolver abordagens que possam beneficiar todas as pessoas com VIH.

“O facto de existirem hoje dez doentes em remissão não é uma coincidência. É o resultado de mais de uma década de investigação internacional”, afirmou o cientista em comunicado.

Martínez-Picado coordena o consórcio internacional IciStem 2.0, dedicado ao estudo da cura do VIH através de transplantes de células estaminais, responsável pela documentação de quatro destes casos a nível mundial.

Nos doentes com cancro hematológico, os investigadores procuram dadores com a mutação CCR5-delta 32, que bloqueia a infeção dos linfócitos T CD4 pelo vírus.

Neste caso, não foi encontrado um dador compatível nos registos internacionais e, pela primeira vez, foi escolhido o irmão do doente, que inesperadamente também era portador da mutação genética.

Aos 63 anos, o “paciente de Oslo” é, a par de um doente dos Estados Unidos, um dos mais velhos a alcançar este resultado, o que, segundo María Salgado, sugere que a possibilidade de cura poderá não estar limitada a determinadas faixas etárias ou condições clínicas.

Com dez casos documentados, os investigadores começam agora a identificar padrões comuns e a explorar outras abordagens terapêuticas.

Entre elas está a terapia com células CAR-T, já em investigação no IrsiCaixa, que consiste em modificar células imunitárias do próprio doente para reconhecer e destruir células infetadas pelo VIH, uma estratégia que já tem mostrado bons resultados em alguns cancros do sangue.

Outras equipas estudam também terapias genéticas capazes de modificar o gene CCR5 e induzir artificialmente a mutação CCR5-delta 32, bloqueando a entrada do vírus nas células.

LUSA/SO

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Um em cada três doentes omite falhas na medicação ao médico, alertam especialistas https://saudeonline.pt/um-em-cada-tres-doentes-omite-falhas-na-medicacao-ao-medico-alertam-especialistas/ https://saudeonline.pt/um-em-cada-tres-doentes-omite-falhas-na-medicacao-ao-medico-alertam-especialistas/#respond Wed, 25 Mar 2026 09:50:31 +0000 https://saudeonline.pt/?p=185057 Segundo os dados do estudo, a principal razão apontada para o incumprimento da medicação é a ausência de sintomas (33,2%), seguida da perceção de baixa gravidade da doença (17,2%) e da complexidade da posologia (15,8%).

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Várias sociedades científicas alertaram para o aumento de doentes que não cumprem a medicação prescrita e que omitem essa informação aos médicos, sobretudo entre os mais jovens, defendendo um reforço da literacia em saúde. De acordo com o estudo “Adesão à Terapêutica na Doença Crónica – A Visão dos Doentes”, realizado em parceria com a Sociedade Portuguesa de Hipertensão, a Sociedade Portuguesa de Aterosclerose e a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, um em cada três doentes que falha a toma da medicação não informa o médico, sendo que 57% consideram essa informação pouco relevante.

Em declarações à Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, Francisco Araújo, explicou que a omissão não se deve apenas ao receio de repreensão. “São doenças que habitualmente não trazem sintomas e são tão prevalentes que é quase como se fosse um quadro de normalidade”, afirmou. O especialista alertou para esta “falsa normalidade”, sublinhando que patologias como a aterosclerose e a hipertensão são fatores de risco importantes para a doença cardiovascular. Por se tratarem de processos que evoluem ao longo de muitos anos, os doentes mais jovens tendem a subestimar o risco real.

Segundo os dados do estudo, a principal razão apontada para o incumprimento da medicação é a ausência de sintomas (33,2%), seguida da perceção de baixa gravidade da doença (17,2%) e da complexidade da posologia (15,8%). O inquérito revela ainda que 46,4% dos doentes não possuem conhecimentos nem competências suficientes para gerir a sua doença no dia-a-dia. Além disso, mais de 20% consideram que a informação sobre saúde divulgada nos meios de comunicação social é difícil ou muito difícil de compreender.

Francisco Araújo destacou a importância da literacia em saúde, comparando-a a um sistema assente em vários pilares: o médico, a medicação e o doente. “Quando um deles falha, vai tudo ao chão”, afirmou, defendendo uma aposta na educação desde a infância para moldar comportamentos e prevenir doenças crónicas a longo prazo.

O estudo indica que, apesar de a adesão à terapêutica ser valorizada — com 59,7% dos doentes a demonstrarem elevada consciência da sua importância —, cerca de 40% não segue corretamente as indicações médicas. Entre os doentes com hipertensão e aterosclerose — as doenças cardiovasculares mais prevalentes —, a maioria está medicada (91,2% e 73,1%, respetivamente). Ainda assim, entre os que não cumprem a terapêutica, cerca de sete em cada dez afirmam não recear o agravamento da doença.

Os dados mostram também um agravamento face ao ano anterior, com aumento da percentagem de doentes que deixam de tomar medicação por se sentirem bem (32,9%, face a 21,9%) e dos que não têm acompanhamento médico regular (20,5%, face a 14,1%). O estudo ouviu 600 doentes com idades entre os 35 e os 75 ou mais anos, de várias regiões do país. Em Portugal, o Dia da Adesão à Terapêutica assinala-se a 27 de março, contando com o apoio de várias entidades do setor da saúde.

SO/LUSA

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