Infectonline - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/infectonline/ Notícias sobre saúde Thu, 07 May 2026 08:30:23 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Infectonline - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/infectonline/ 32 32 Risco representado pelo hantavírus é fraco e não é comparável com covid-19, segundo a OMS https://saudeonline.pt/risco-representado-pelo-hantavirus-e-fraco-e-nao-e-comparavel-com-covid-19-segundo-a-oms/ https://saudeonline.pt/risco-representado-pelo-hantavirus-e-fraco-e-nao-e-comparavel-com-covid-19-segundo-a-oms/#respond Thu, 07 May 2026 08:30:23 +0000 https://saudeonline.pt/?p=186683 O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, estimou que a aparição do hantavírus não é semelhante ao da covid-19 na sua fase inicial. “Neste momento, o risco para o resto do mundo é fraco”, disse o responsável.

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O risco representado pelo hantavírus identificado num navio de cruzeiro ao largo de Cabo Verde é fraco e não é comparável com a covid-19, declarou à AFP o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Interrogado em Genebra pelos jornalistas da agência francesa sobre o nível de urgência deste foco de vírus a bordo do HV Hondius no Atlântico, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, estimou que a aparição do hantavírus não é semelhante ao da covid-19 na sua fase inicial. “Neste momento, o risco para o resto do mundo é fraco”, estimou o diretor da organização.

“Atualmente, temos oito casos suspeitos. Três pacientes foram retirados há apenas umas horas”, disse ainda Tedros Adhanom Ghebreyesus, referindo-se a dois membros da tripulação que adoeceram e a uma pessoa assintomática identificada como caso de contacto do vírus.

O navio de cruzeiro HV Hondius, que navegava com cerca de 150 pessoas a bordo entre Ushuaia, na Argentina, e as Canárias, parou em Cabo Verde e desembarcou hoje os três passageiros, que foram transportados em aviões medicalizados.

O navio esperava, após esta evacuação, rumar a Tenerife, no arquipélago das Canárias, onde deverá atracar “dentro de três dias”, segundo as autoridades espanholas. “A partir daí, é claro, os restantes passageiros regressarão aos seus respetivos países”, acrescentou Tedros, confirmando as declarações feitas pouco antes pela ministra da Saúde espanhola, Mónica García Gómez. “Já temos a bordo profissionais de saúde, incluindo pessoal da OMS. E continuaremos a monitorizar e a apoiar as pessoas a bordo. Acompanharemos também a situação no exterior”, acrescentou o diretor-geral da OMS.

Dois passageiros recentes do MV Hondius deram positivo em Joanesburgo e Zurique, onde se encontram hospitalizados.

SO/LUSA

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OMS alerta que hepatite viral continua a ser desafio global apesar de progressos https://saudeonline.pt/oms-alerta-que-hepatite-viral-continua-a-ser-desafio-global-apesar-de-progressos/ https://saudeonline.pt/oms-alerta-que-hepatite-viral-continua-a-ser-desafio-global-apesar-de-progressos/#respond Tue, 28 Apr 2026 13:04:18 +0000 https://saudeonline.pt/?p=186459 O relatório da OMS, apresentado durante a Cimeira Mundial da Hepatite, destaca “avanços significativos” desde 2015, nomeadamente uma redução de 32% nas novas infeções por hepatite B e uma diminuição de 12% nas mortes relacionadas com a hepatite C a nível global.

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A Organização Mundial da Saúde alertou, hoje, que a hepatite viral continua a representar um “desafio global” para a saúde pública, apesar de reconhecer avanços na redução de infeções e mortes em vários países. De acordo com os dados mais recentes, as hepatites B e C — responsáveis por cerca de 95% das mortes associadas à doença — provocaram 1,34 milhões de mortes em 2024. Ao mesmo tempo, a transmissão mantém-se elevada, com cerca de 4.900 novas infeções por dia, o equivalente a 1,8 milhões por ano.

O relatório, apresentado durante a Cimeira Mundial da Hepatite, destaca “avanços significativos” desde 2015, nomeadamente uma redução de 32% nas novas infeções por hepatite B e uma diminuição de 12% nas mortes relacionadas com a hepatite C a nível global. Entre os indicadores positivos, a prevalência da hepatite B em crianças com menos de cinco anos desceu para 0,6%, com 85 países a atingir ou superar a meta de 0,1% definida para 2030.

Ainda assim, a OMS considera que o ritmo de progresso é insuficiente. “Os países estão a mostrar que eliminar a hepatite não é um sonho impossível”, afirmou o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus, sublinhando, contudo, que a evolução é “lenta e desigual”. Segundo o responsável, milhões de pessoas continuam sem diagnóstico ou tratamento devido ao estigma, à fragilidade dos sistemas de saúde e ao acesso desigual aos cuidados.

As estimativas apontam para 287 milhões de pessoas a viver com infeção crónica por hepatite B ou C em 2024. Nesse ano, registaram-se 900 mil novas infeções por hepatite B, sendo que a Região Africana concentrou 68% desses casos, apesar de apenas 17% dos recém-nascidos receberem vacinação à nascença. No caso da hepatite C, foram registadas igualmente 900 mil novas infeções, com 44% associadas ao consumo de drogas injetáveis, o que evidencia a necessidade de reforçar medidas de redução de danos e práticas seguras.

Os dados mostram ainda lacunas significativas no tratamento: menos de 5% das 240 milhões de pessoas com hepatite B crónica estavam a receber terapêutica em 2024, enquanto apenas 20% dos doentes com hepatite C foram tratados desde 2015, apesar da existência de um regime terapêutico de 12 semanas com taxa de cura de cerca de 95%. Devido a estas limitações, estima-se que 1,1 milhões de pessoas tenham morrido de hepatite B e 240 mil de hepatite C em 2024, sendo a cirrose hepática e o carcinoma hepatocelular as principais causas de morte.

A OMS destaca ainda que a maioria das mortes por hepatite B ocorre em regiões como África e Pacífico Ocidental, enquanto as mortes por hepatite C estão mais distribuídas geograficamente. Apesar do cenário, a organização sublinha que países como Egito, Geórgia, Ruanda e Reino Unido demonstram que a eliminação da hepatite como problema de saúde pública é possível com investimento contínuo e compromisso político.

O relatório identifica como prioridades o reforço do acesso ao tratamento da hepatite B, sobretudo em África e no Pacífico Ocidental, e a expansão dos cuidados para hepatite C, especialmente na região do Mediterrâneo Oriental.

SO/LUSA

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OMS alerta para urgência no combate à hepatite viral, responsável por 1,3 milhões de mortes anuais

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Transplante com mutação genética coloca décimo doente com VIH em remissão https://saudeonline.pt/transplante-com-mutacao-genetica-coloca-decimo-doente-com-vih-em-remissao/ https://saudeonline.pt/transplante-com-mutacao-genetica-coloca-decimo-doente-com-vih-em-remissao/#respond Tue, 14 Apr 2026 09:22:42 +0000 https://saudeonline.pt/?p=185728 Um homem de 63 anos tornou-se o décimo doente com VIH a entrar em remissão após um transplante de células estaminais com a mutação CCR5-delta 32. O caso, descrito na Nature Microbiology, reforça pistas para futuras estratégias de cura aplicáveis a mais doentes.

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Transplante com mutação genética coloca décimo doente com VIH em remissão

Um transplante de células estaminais com a mutação genética CCR5-delta 32 permitiu colocar em remissão um homem com VIH, elevando para dez o número de casos conhecidos desde o chamado “paciente de Berlim”, em 2009.

O caso, agora designado “paciente de Oslo”, foi descrito num estudo publicado na revista Nature Microbiology, liderado pelo Hospital Universitário de Oslo, com participação do Instituto de Investigação da Sida IrsiCaixa, em Barcelona.

Segundo a investigadora María Salgado, do IrsiCaixa e uma das autoras do trabalho, estes dez casos têm permitido recolher informação mais sólida sobre os mecanismos de cura e abrir caminho a novas estratégias de erradicação da infeção.

O doente, atualmente com 63 anos, recebeu o diagnóstico de VIH aos 44. Em 2020, foi submetido a um transplante de células estaminais para tratar uma síndrome mielodisplásica, um tipo de cancro do sangue. Para o procedimento, foi selecionado um dador portador da mutação CCR5-delta 32, uma alteração genética natural que impede a entrada do vírus nas células-alvo.

Sob orientação e vigilância médica, o homem interrompeu a terapêutica antirretroviral e, quatro anos depois, continua sem qualquer vestígio detetável do vírus da imunodeficiência humana.

Os investigadores sublinham, contudo, que o transplante de células estaminais é um procedimento altamente agressivo, reservado a doentes com cancros hematológicos, não sendo aplicável à generalidade das pessoas que vivem com VIH, cuja esperança e qualidade de vida são hoje muito semelhantes às da população sem infeção.

Ainda assim, Javier Martínez-Picado, também do IrsiCaixa e coautor do estudo, destaca que estes casos são fundamentais para compreender os mecanismos de cura e desenvolver abordagens que possam beneficiar todas as pessoas com VIH.

“O facto de existirem hoje dez doentes em remissão não é uma coincidência. É o resultado de mais de uma década de investigação internacional”, afirmou o cientista em comunicado.

Martínez-Picado coordena o consórcio internacional IciStem 2.0, dedicado ao estudo da cura do VIH através de transplantes de células estaminais, responsável pela documentação de quatro destes casos a nível mundial.

Nos doentes com cancro hematológico, os investigadores procuram dadores com a mutação CCR5-delta 32, que bloqueia a infeção dos linfócitos T CD4 pelo vírus.

Neste caso, não foi encontrado um dador compatível nos registos internacionais e, pela primeira vez, foi escolhido o irmão do doente, que inesperadamente também era portador da mutação genética.

Aos 63 anos, o “paciente de Oslo” é, a par de um doente dos Estados Unidos, um dos mais velhos a alcançar este resultado, o que, segundo María Salgado, sugere que a possibilidade de cura poderá não estar limitada a determinadas faixas etárias ou condições clínicas.

Com dez casos documentados, os investigadores começam agora a identificar padrões comuns e a explorar outras abordagens terapêuticas.

Entre elas está a terapia com células CAR-T, já em investigação no IrsiCaixa, que consiste em modificar células imunitárias do próprio doente para reconhecer e destruir células infetadas pelo VIH, uma estratégia que já tem mostrado bons resultados em alguns cancros do sangue.

Outras equipas estudam também terapias genéticas capazes de modificar o gene CCR5 e induzir artificialmente a mutação CCR5-delta 32, bloqueando a entrada do vírus nas células.

LUSA/SO

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Gilead reforça aposta nas doenças hepáticas com foco no diagnóstico precoce e na abordagem multidisciplinar https://saudeonline.pt/gilead-reforca-aposta-nas-doencas-hepaticas-com-foco-no-diagnostico-precoce-e-na-abordagem-multidisciplinar/ https://saudeonline.pt/gilead-reforca-aposta-nas-doencas-hepaticas-com-foco-no-diagnostico-precoce-e-na-abordagem-multidisciplinar/#respond Thu, 09 Apr 2026 14:20:19 +0000 https://saudeonline.pt/?p=185597 A Gilead Sciences marcou presença no Congresso Português de Hepatologia 2026 com dois simpósios dedicados às hepatites víricas e à colangite biliar primária. A farmacêutica destacou a urgência do diagnóstico precoce, do tratamento atempado e do trabalho multidisciplinar.

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A Gilead Sciences reforçou o seu compromisso com as doenças hepáticas ao marcar presença no Congresso Português de Hepatologia 2026, promovido pela Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF), em Lisboa. No âmbito da sua participação, a companhia organizou dois simpósios científicos centrados em áreas críticas da hepatologia: as hepatites víricas, com especial destaque para a hepatite C e hepatite Delta, e a Colangite Biliar Primária (CBP).

Sob o lema “Conte connosco. Estamos e estaremos, juntos, no combate às doenças hepáticas”, a Gilead voltou a sublinhar a importância de uma abordagem integrada, assente no diagnóstico e tratamento precoces, em particular nos doentes com hepatite Delta, uma doença rara que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou recentemente como carcinogénica.

Foi igualmente destacada a necessidade de reforçar estratégias de rastreio e deteção precoce na hepatite C, bem como os desafios associados à abordagem da CBP.

Novas perspetivas na CBP

O simpósio “Colangite Biliar Primária: Novas Perspetivas” contou com a moderação de Guilherme Macedo, do Hospital Universitário de São João, e com a participação de Luís Maia, do Hospital de Santo António, João Madaleno, do Hospital Universitário de Coimbra, e Beatriz Mateos, do Hospital Universitário Ramón y Cajal, em Madrid.

Durante a sessão, foram abordados temas como o impacto da CBP, os objetivos terapêuticos — nomeadamente o controlo da progressão da doença e da sintomatologia — e a relevância de uma abordagem individualizada para cada doente.

O simpósio incluiu ainda a apresentação de dados de ensaios clínicos de uma nova opção de tratamento de segunda linha, bem como dados de prática clínica, através da partilha da experiência de um hospital espanhol.

Segundo Guilherme Macedo, é hoje fundamental sensibilizar os clínicos para a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre as doenças hepáticas imunomediadas, em que a CBP surge como “um exemplo paradigmático”, sobretudo numa fase em que se observa um aumento progressivo da doença hepática autoimune.

Acelerar o combate às hepatites C e Delta

No simpósio “A trabalhar em conjunto no combate à hepatite C e à hepatite Delta”, foi reforçada a necessidade de acelerar os esforços para cumprir o objetivo da OMS de eliminar as hepatites víricas como ameaça de saúde pública até 2030.

De acordo com Filipe Calinas, apesar dos avanços alcançados, “não estamos a avançar ao ritmo necessário”, persistindo lacunas importantes ao nível do diagnóstico e da ligação dos doentes aos cuidados de saúde. O especialista defendeu a implementação de novas estratégias que permitam identificar precocemente os doentes e assegurar o seu acompanhamento.

As apresentações de Mariana Cardoso e Maria Buti destacaram ainda o impacto significativo da infeção pelo vírus da hepatite Delta (VHD) no aumento do risco de carcinoma hepatocelular e outros eventos hepáticos graves.

Em Portugal, foi salientado que mais de 53% dos doentes com VHD são migrantes provenientes de países com elevada prevalência e que cerca de um terço é diagnosticado já em fase de cirrose. Neste contexto, foi reforçada a importância do diagnóstico precoce e do início atempado do tratamento.

As recomendações atuais incluem o rastreio sistemático em doentes com hepatite B, bem como a repetição da quantificação da viremia para excluir infeção ativa. Estratégias custo-efetivas, como o duplo teste reflexo, foram apontadas como fundamentais para melhorar a identificação de doentes.

Segundo os especialistas, o tratamento precoce permite reduzir a progressão da doença, o risco de descompensação hepática e a ocorrência de eventos clínicos, contribuindo para uma melhor qualidade de vida.

COMUNICADO 

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Portugal regista mínimo histórico de casos de tuberculose, mas persistem desafios https://saudeonline.pt/portugal-regista-minimo-historico-de-casos-de-tuberculose-mas-persistem-desafios/ https://saudeonline.pt/portugal-regista-minimo-historico-de-casos-de-tuberculose-mas-persistem-desafios/#respond Tue, 24 Mar 2026 10:32:18 +0000 https://saudeonline.pt/?p=184976 Em 2024, foram ainda notificados 36 casos de tuberculose multirresistente, mais 63,6% do que em 2023, concentrados sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo.

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Portugal registou 1.536 casos de tuberculose em 2024, o número mais baixo de sempre, confirmando a tendência de descida da doença no país, segundo o Relatório de Vigilância e Monitorização divulgado pela Direção-Geral da Saúde no âmbito do Dia Mundial da Tuberculose. De acordo com o documento, a taxa de notificação fixou-se nos 14,3 casos por 100 mil habitantes, representando uma redução de 31,8% face a 2015. Ainda assim, Portugal continua aquém das metas definidas pela Organização Mundial da Saúde, que apontam para uma diminuição de 90% da incidência até 2035. A evolução foi também positiva ao nível da mortalidade, com 50 mortes registadas em 2024, menos cerca de 70% em comparação com 2015, aproximando o país dos objetivos internacionais.

As regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte continuam a concentrar a maior incidência da doença, com 17,1 e 16,4 casos por 100 mil habitantes, respetivamente. Esta realidade é explicada pela maior densidade populacional, pela presença de grupos vulneráveis e por fatores urbanos como a sobrelotação. Do total de casos registados, 1.418 correspondem a novos diagnósticos e 118 a retratamentos. Os homens continuam a ser os mais afetados, representando 64,4% dos casos, enquanto as crianças e jovens até aos 15 anos correspondem a 2,4%.

O relatório destaca ainda a maior vulnerabilidade da população migrante, cuja taxa de notificação é 2,7 vezes superior à média nacional. Em 2024, este grupo representou 39,1% dos casos, um aumento face aos 35,7% registados no ano anterior.

Apesar dos progressos, persistem desafios significativos. O tempo médio entre o início dos sintomas e o tratamento manteve-se nos 81 dias, um intervalo considerado elevado pelas autoridades de saúde. A demora na procura de cuidados continua a ser um dos principais obstáculos, o que reforça a necessidade de melhorar a literacia em saúde e a proximidade dos serviços. Em 2024, foram ainda notificados 36 casos de tuberculose multirresistente, mais 63,6% do que em 2023, concentrados sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo. A maioria dos casos ocorreu em homens e em pessoas migrantes, principalmente oriundas de Angola, Brasil e Guiné-Bissau.

A taxa de sucesso do tratamento atingiu 82,1%, o valor mais elevado dos últimos anos, refletindo a qualidade do acompanhamento clínico em Portugal, embora ainda abaixo das metas internacionais. O relatório sublinha também o aumento do rastreio, com 4.315 casos de infeção latente tratados em 2024, o valor mais alto de sempre.

Apesar da evolução global positiva, a Direção-Geral da Saúde alerta para uma desaceleração no ritmo de redução da incidência entre 2020 e 2024, associada ao aumento da tuberculose multirresistente e à concentração da doença em grupos vulneráveis.

As autoridades recordam que a tuberculose é uma doença prevenível e com cura, apelando à sensibilização para sintomas como tosse persistente e perda de peso, bem como ao combate ao estigma, considerado essencial para promover o diagnóstico precoce e o acesso atempado a cuidados de saúde.

SO/LUSA

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OMS alerta para ameaça aos programas de vacinação devido à desinformação e falta de financiamento https://saudeonline.pt/oms-alerta-para-ameaca-aos-programas-de-vacinacao-devido-a-desinformacao-e-falta-de-financiamento/ https://saudeonline.pt/oms-alerta-para-ameaca-aos-programas-de-vacinacao-devido-a-desinformacao-e-falta-de-financiamento/#respond Thu, 19 Mar 2026 09:34:24 +0000 https://saudeonline.pt/?p=184679 A OMS alertou que a quebra de confiança pode levar a retrocessos significativos, incluindo a possibilidade de alguns países deixarem de conseguir suportar os programas de vacinação previstos.

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Os programas de vacinação a nível global estão sob crescente ameaça devido à disseminação de desinformação e às incertezas no financiamento da investigação, alertaram especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS). Num comunicado divulgado pelo Grupo Estratégico Consultivo de Peritos em Imunização (SAGE), os especialistas sublinham que “a desinformação e a informação distorcida estão a corroer a confiança pública nas vacinas”, a par das dúvidas quanto ao financiamento para investigação e desenvolvimento nesta área. De acordo com o grupo, proteger a confiança da população e combater a desinformação são prioridades centrais para 2026.

A posição foi reforçada após a mais recente reunião bianual do SAGE, realizada na semana passada, que analisou várias vacinas, incluindo as contra a covid-19 e a febre tifoide. “Estamos a viver um período de profunda turbulência, tanto em termos de doenças infeciosas como de programas de vacinação”, afirmou Kate O’Brien, diretora do Departamento de Imunização e Vacinas da OMS, apontando fatores como conflitos, dificuldades económicas e restrições orçamentais na saúde.

A responsável alertou que a quebra de confiança pode levar a retrocessos significativos, incluindo a possibilidade de alguns países deixarem de conseguir suportar os programas de vacinação previstos.

As declarações surgem também após posições polémicas do secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., que tem associado vacinas ao autismo. Em resposta, uma análise da OMS, publicada em dezembro, reafirmou não existir qualquer ligação entre vacinação e autismo. “As vacinas não causam autismo e nunca causaram”, reiterou Kate O’Brien, acrescentando que estes programas terão salvado cerca de 154 milhões de vidas nos últimos 50 anos.

O SAGE manifestou ainda preocupação com a persistência da transmissão do vírus da poliomielite em países como Paquistão e Afeganistão, bem como em várias nações africanas. Segundo Anthony Scott, o conflito no Médio Oriente poderá agravar a situação, potenciando novos surtos de poliovírus e dificultando os esforços de erradicação da doença.

Relativamente à covid-19, os especialistas recomendam que se considere a administração de vacinas duas vezes por ano para grupos de maior risco, devido à diminuição da proteção ao fim de cerca de seis meses. Kate O’Brien destacou ainda que o mercado destas vacinas se tornou mais limitado, com predominância das tecnologias de RNA mensageiro, defendendo um reforço do investimento no desenvolvimento de vacinas mais abrangentes, incluindo soluções pancoronavírus e de ação prolongada.

SO/LUSA

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