18 Jan, 2018

Universidade do Minho apresenta estudo sobre qualidade de vida em doentes com mieloma múltiplo

Um estudo realizado em três centros hospitalares do Norte com doentes com mieloma múltiplo e seus cuidadores revelou que os pacientes com necessidades emocionais apresentaram pior qualidade de vida, indicou ontem à Lusa a coordenadora do projeto.

Realizado por investigadores da Universidade do Minho, o estudo “Necessidades e Qualidade de Vida em Doentes com Mieloma Múltiplo e seus Cuidadores” foi realizado junto de pessoas em tratamento no Hospital de Braga, Centro Hospitalar do Porto e Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, sendo que, entretanto, este projeto está a replicar-se no centro hospitalar de Coimbra, bem como no IPO de Lisboa, noticiou o Diário do Minho.

O mieloma múltiplo é uma doença maligna do sangue, que se desenvolve a partir de células linfóides maduras denominadas plasmócitos (um tipo de glóbulos brancos) que têm origem na medula óssea.

A coordenadora do projeto, Maria da Graça Pereira, apontou que “a não satisfação das necessidades de saúde emocional dos doentes com mieloma múltiplo associaram- -se a uma pior qualidade de vida em todos os domínios avaliados: sintomas da doença, efeitos secundários, imagem corporal e perspetiva de futuro”.

“É necessário intervir em termos psicológicos nestes doentes”, disse Maria da Graça Pereira, defendendo o desenvolvimento de intervenções que respondam às necessidades dos doentes, nomeadamente a “necessidade do tratamento incluir equipas multidisciplinares onde exista também um psicólogo”.

Esta investigação, financiada pela biofarmacêutica Celgene, foi o projeto vencedor da bolsa criada pela Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) e a Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas (APLL).

Foram estudadas 70 pessoas com mieloma múltiplo com uma média de 68 anos, sendo a maioria do sexo feminino, com o diagnóstico feito em média há 68 meses (cinco/sete anos).

Quanto à situação profissional, 42% encontravam-se empregados e os restantes desempregados ou reformados. Também participaram ainda 50 cuidadores de pessoas com mieloma múltiplo, 70% do sexo feminino.

Maria da Graça Pereira destacou que mais de 40% dos doentes referiu ter necessidades ao nível de informação, seguindo- -se as necessidades emocionais e financeiras “também com uma expressão significativa”.

Os doentes que foram diagnosticados há mais tempo relataram mais necessidades não satisfeitas em termos de informação, preocupações financeiras, acesso ao tratamento médico e de saúde emocional, situações que, descreveu a coordenadora do estudo, “se associaram a uma pior qualidade de vida”.

“Por sua vez, as necessidades não satisfeitas relativas ao acesso ao tratamento médico associaram-se a uma pior qualidade de vida relativa à perspetiva de futuro”, acrescentou a também investigadora da Universidade do Minho, apontando que “são necessários apoios psicossociais, apoios por parte da comunidade e políticas que possam financeiramente ajudar os doentes”.

Quanto aos cuidadores – 40% eram filhos do doente, 39% cônjuges e 21% outros familiares a responsável frisou que são pessoas que “necessitam de estar bem para cuidar porque são cuidadores informais que não receberam formação para lidar com situações de doença crónica”.

Convictos de que a partir deste estudo, existem dados que permitem desenvolver um programa de intervenção, os responsáveis pelo projeto vão candidatar-se a uma bolsa nesse sentido.

Diário do Minho/SO

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