Trombose associada ao cancro – uma importante causa de morbilidade e mortalidade
Diretor Interino do Serviço de Imunohemoterapia da ULS Matosinhos

Trombose associada ao cancro – uma importante causa de morbilidade e mortalidade

A Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH) definiu o 13 de outubro como o Dia Mundial da Trombose com o objetivo de sensibilizar os profissionais de saúde e população para esta problemática crescente. Esta data marca o nascimento de Rudolf Virchow (Polónia 13 de outubro de 1821 — Berlim, 5 de setembro de 1902), médico alemão, o primeiro a descrever o conceito de “trombose”.

Todos os anos, o tromboembolismo venoso (TEV) é causa da morte de 1 de cada 4 pessoas. É alarmante, se pensarmos que até 900.000 pessoas nos Estados Unidos são afetadas por esta entidade cada ano; e que cerca de 100.000 dessas pessoas irão morrer, cifras superiores ao número total de pessoas que perdem a vida cada ano devido à SIDA, cancro da mama e acidentes de viação combinados.

Dados recentes ampliaram nossa compreensão da trombose associada ao cancro – uma importante causa de morbilidade e mortalidade.

Considerado um grave problema de saúde pública, o TEV é formado por duas entidades: a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (EP). Sua presentação está associada à existência de fatores de risco, nomeadamente hospitalização e imobilidade, sedentarismo, utilização de fármacos com estrogénio, cirurgia, sobretudo ortopédica, tabagismo e existência de doença oncológica, entre outros.

Todos eles aumentam a incidência de trombose, sendo que o risco de TEV é 4-6 vezes maior nos doentes com cancro, submetidos a cirurgia, e até seis vezes maior nos doentes que realizam tratamento antineoplásico.

A ocorrência do TEV no decurso da doença oncológica confere mau prognóstico e aumenta o risco de recorrência. Esta elevada morbilidade que se associa à doença tromboembólica no doente oncológico conduz a maiores períodos de hospitalização, atrasos ou descontinuação de tratamentos quimioterápicos, aumento do risco hemorrágico, de recorrência e síndrome pós-trombótico, com grande impacto na qualidade de vida do doente e sua família.

Embora nem todos os fatores sejam conhecidos, os principais determinantes do risco para a ocorrência de trombose associada ao cancro são o tipo de cancro diagnosticado, qual a terapêutica antineoplásica instituída e o nível de atividade física do doente.

Alguns tipos de cancro se associam a maior risco de TEV. Estes incluem os tumores no cérebro, estômago, pâncreas, linfomas, rins e ovário, entre outros.

Não é infrequente que o episódio de TEV passe a ocupar o foco principal, desde o ponto de vista terapêutico às claras repercussões económicas e sociais e sanitárias.

Como profissionais da saúde, é fundamental o nosso papel, não só na identificação dos doentes que se beneficiam de profilaxia anti-trombótica, como também no diagnóstico dirigido e  no rápido início de terapêutica anticoagulante.

Graças ao trabalho em equipa e a comunicação entre as diferentes especialidades que entram em contacto com os utentes, conseguiremos combater esta entidade, beneficiar e melhorar o estado de saúde de nossos pacientes.

Pontos-chave:

– Doentes com cancro possuem maior risco de tromboses venosas ou arteriais;

– O risco de trombose nestes doentes é aumentado por fatores como cirurgia, internamento, infecções, assim como fatores específicos ao cancro, tais como tipo e extensão, e por determinados tratamentos;

– O TEV em doentes com cancro tem consequências graves, pois pode exigir internamento, atrasar o tratamento (quimioterapia, radioterapia) e reduzir a sobrevida. Além disso, o tratamento anticoagulante aumenta o risco de hemorragia.

 

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