18 Jul, 2017

Tratamento pode estar na origem do aumento da prevalência do VIH

O alargamento do acesso ao tratamento contra o VIH/SIDA pode ser uma das causas da subida do índice de prevalência da doença em Moçambique, disse o secretário-executivo do Conselho Nacional de Combate ao SIDA (CNCS), Francisco Mbofana

“A subida da prevalência, entre 2009 e 2015, pode também ser resultado do impacto do tratamento, porque se as pessoas são tratadas, vivem mais tempo”, afirmou Francisco Mbofana.

O índice de VIH/SIDA em Moçambique aumentou de 11,5%, em 2009, para 13,2%, em 2015, de acordo com dados do Inquérito de Indicadores de Imunização, Malária e VIH/SIDA (IMASIDA) divulgados em março deste ano.

Em entrevista à Lusa, o secretário-executivo do CNCS apontou que o país registou progressos no alargamento do tratamento às pessoas infetadas pelo VIH/SIDA, aumentando a esperança de vida dos doentes, o que pode ter concorrido para a subida da prevalência.

“Se as pessoas ficam em tratamento, elas não morrem, contam hoje e no próximo ano vão contar as mesmas pessoas, isto é que se chama prevalência, significa que este aumento da prevalência que estamos a assistir pode também estar associado ao maior impacto da expansão do tratamento”, assinalou Francisco Mbofana.

Até ao primeiro trimestre do ano em curso, prosseguiu, pouco mais de 1,1 milhão de pessoas recebiam tratamento antirretroviral no país, dos cerca de 1,8 milhão de pessoas infetadas pelo VIH/SIDA.

Francisco Mbofana admitiu que o país continua a registar anualmente novas infeções, que têm influência na taxa de prevalência, apontando a cifra de 83 mil novos casos registados em 2016 como exemplo dessa tendência.

“Continuamos a ter novas infeções, porque se fosse só mais gente a viver mais tempo, a prevalência ou mantinha ou poderia reduzir um pouco, porque as pessoas morrem também, podem não morrer necessariamente de VIH/SIDA”, afirmou o secretário-executivo do CNCS.

O surgimento de novas infeções, continuou, coloca ao país o desafio de manter a aposta na prevenção, como forma de evitar que os programas de tratamento entrem em rotura.

Francisco Mbofana salientou que devido à redução do financiamento canalizado para a prevenção primária, que incide sobre as pessoas não infetadas, Moçambique deve capitalizar os recursos destinados ao tratamento para a prevenção secundária, que é feita junto das pessoas infetadas, para que não disseminem o VIH/SIDA.

“Os indivíduos infetados, se seguem devidamente o tratamento, reduzem o potencial de transmitir o vírus em 96%, mas não é suficiente, se queremos controlar a doença, temos que continuar a promover o uso do preservativo, estilo de vida saudável e fazer comunicação para a mudança social e de comportamento”, destacou Mbofana.

LUSA/SO/SF

 

 

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