15 Mar, 2017

Tratamento cirúrgico de Hemorróidas sem dor

Os tratamentos cirúrgicos da doença hemorroidária, sempre tiveram (e têm) […]

Os tratamentos cirúrgicos da doença hemorroidária, sempre tiveram (e têm) um inimigo: a dor pós-operatória! Ela é a principal razão de desmotivação e receio dos doentes na procura de um tratamento que os liberte de incómodos e sofrimentos que, tantas vezes, se arrastam por décadas.

A sensibilidade da região anorectal é dada por terminações nervosas intrínsecas.
O canal anal é totalmente extra-peritoneal e estende-se por 3 a 5 cm, desde a junção anorectal até à margem do ânus.

O 1/3 inferior ( cerca de 1,5-2 cm) do canal anal é revestido por epitélio pavimentoso estratificado e queratinizado – anoderme – que possui terminações nervosas somáticas, sensíveis à dôr. Os 2/3 superiores, revestidos por mucosa cubóide e colunar, são insensíveis à dor.

A dor pós-operatória, qualquer que seja a técnica aplicada, resulta da agressão à anoderme que é detentora da enervação sensitiva do canal anal.

A dificuldade em garantir a não-violação da anoderme – que se identifica a olho nu, mas tem a topografia alterada, aquando da doença hemorroidária e do prolapso mucoso – resulta numa elevada percentagem de pós-operatórios dolorosos, com maior ou menor expressão em doentes submetidos a tratamento cirúrgico que envolva laqueação, excisão, mucosectomia, mucopexias ou a sua eventual conjugação.

Ora, exceptuando a violação deliberada da anoderme, todos os tratamentos cirúrgicos de hemorroidas patológicas deve incidir sobre o segmento anal que não tem inervação sensitiva e é conhecido. O busílis está na capacidade de definição da transição da anoderme para o revestimento insensível, a qual se apresenta alterada atendendo à distorção local e ao volume dos pedículos hemorroidários a que se associa um prolapso mucoso.

Para obviar a esta realidade, da prática quotidiana, desenvolvemos uma atitude complementar simples que, permite distinguir, integralmente, a anoderme, assegurar a sua não-violação cirúrgica e, subsequentemente, evitar a dor pós-operatória.

Como fazemos?

Com o Doente já posicionado para a cirurgia, pintamos 1 cm a 1,5 cm para cima da margem do ânus, com 2 cc de azul patente e, enquanto se colocam os campos operatórios, a coloração azul difunde-se sem corar a mucosa rectal. De seguida, introduzimos um afastador anal e confirmamos a demarcação – rosa da mucosa anal e azul da anoderme.Procedemos, então, à cirurgia prevista e … não violamos a zona azul!

José Pereira, Luis Fontes, J. Meira e Cruz

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