Trabalhadores exigem integração no Centro Hospitalar de Setúbal

Dezenas de trabalhadores do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) concentraram-se ontem à entrada do Hospital São Bernardo para exigir a integração no quadro de pessoal, mas a administração diz que já pediu a contratação de quase todos

A assistente operacional Sandra Nogueira foi uma das trabalhadoras que recebeu a notificação da cessação do contrato com o CHS (que engloba o Hospital São Bernardo e o Hospital do Outão) no final do mês de março e que marcou presença na concentração realizada ontem à tarde, junto à entrada principal do Hospital São Bernardo, em que participaram duas a três dezenas de trabalhadores.

“Assinei um contrato de cinco meses, em novembro de 2016, mas já estava a trabalhar no hospital desde dezembro de 2015, através de uma empresa de trabalho temporário”, disse Sandra Nogueira, convicta de que os trabalhadores que terminam contrato em março continuam a ser necessários nos serviços onde exercem a atividade.

Uma opinião corroborada pelo coordenador da União de Sindicatos de Setúbal, Luís Leitão, que acusou os responsáveis da saúde de quererem manter a precariedade dos vínculos laborais de trabalhadores que deveriam integrar o quadro de pessoal.

“Alguns destes trabalhadores iniciaram a atividade no hospital em janeiro de 2016, através de uma empresa de trabalho temporário, depois estiveram até setembro através da mesma empresa de trabalho temporário. Mais tarde foram contratados ao abrigo do plano de contingência da gripe e agora são despedidos”, disse Luís Leitão, coordenador da União de Sindicatos de Setúbal, afeta à CGTP.

“O que está aqui em causa, além dos postos de trabalho, é o Serviço Nacional de Saúde. Estes trabalhadores são essenciais ao serviço do hospital e estão a ser recrutados por motivos falsos: não é para substituir ninguém, é porque fazem falta ao serviço”, acrescentou o sindicalista, defendendo a abertura de concursos para o preenchimento dos lugares em causa.

Confrontada com as críticas da União de Sindicatos e dos trabalhadores, a administração do CHS informou, em comunicado, que foram disponibilizadas 25 camas adicionais para internamento de doentes ao abrigo do Plano de Contingência para temperaturas extremas – módulo de Inverno e que a abertura de novas camas “gerou a necessidade de novas admissões temporalmente circunscritas, autorizadas e acordadas com os trabalhadores até 31 de março de 2017”.

O CHS refere ainda que estão em causa 57 trabalhadores e não 100, como refere um comunicado da USS.

Por outro lado, a administração do CHS adianta que, face ao aumento da atividade assistencial que entretanto se verificou no CHS, decidiu pedir a “a contratação definitiva” de 42 dos 57 trabalhadores em causa, acrescentando que espera ver esse pedido autorizado até final do mês, de forma a evitar a desvinculação dos trabalhadores em causa.

LUSA/SO

 

Gedeon Richter

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