21 Fev, 2017

Toxina de molusco marinho em alternativa a ópioides no controlo da dor

Segundo os autores do estudo, a nova alternativa abre novas possibilidades de prevenção uma vez que a dor crónica, quando instalada, é muito difícil de tratar

Um composto extraído do veneno de um molusco marinho da família dos cones atua como supressor da dor, podendo constituir uma alternativa aos medicamentos da classe dos ópioides, revelaram cientistas da universidade de Utah, nos Estados Unidos. Os resultados do estudo foram publicados na edição online da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A descoberta abre caminho ao desenvolvimento de medicamentos no combate à dor crónica que descartem os ópioides, uma vez que estes são extremamente viciantes.

“A natureza deu origem à evolução de moléculas muito sofisticadas, com efeitos surpreendentes e que permitem descobrir os diferentes ‘caminhos’ de atuação das substâncias no sistema nervoso”, disse Baldomero Olivera, professor de biologia na universidade de Utah que liderou o estudo, sobre a descoberta feita com o veneno do ‘Conus regius’, um pequeno cone (nome derivado da forma da concha) comum no mar das Caraíbas.

Os moluscos da família dos cones utilizam dardos microscópicos para injetarem o veneno com que paralisam as presas. O veneno de algumas espécies, especialmente do ‘conus textile’, é mortal para os humanos.

O composto extraído do veneno do ‘Conus regius’ que combate a dor foi designado ‘Rg1A’ e os investigadores concluíram que os mecanismos através dos quais atua sobre os centros nervosos da dor são totalmente diferentes dos verificados com os opióides.

Baldomero Olivera salienta que uma das novidades do ‘Rg1A’, testado em ratos, é a de os efeitos de supressão permanecerem muito tempo depois de o composto ser eliminado pelo organismo, ao fim de quatro horas.

Michael McIntosh, outro dos investigadores, adiantou que “que os efeitos do composto mantiveram-se, continuando a suprimir a dor 72 horas depois de ter sido injetado”.

“Estes resultados são particularmente promissores porque abrem possibilidades de prevenção. Uma vez instalada, a dor crónica é muito difícil de tratar e este composto oferece um potencial novo caminho para prevenir o processo de instalação da dor crónica e nova esperança de tratamento para pacientes que esgotaram quase todas as opções disponíveis”, referiu Michael McIntosh.

As propriedades de supressão da dor do “Rg1A” foram testadas através da administração do composto a ratos que tinham sido expostos a quimioterapia, que provoca extrema sensibilidade ao frio e dor forte. Estes ratos não sofreram dor, ao contrário daqueles que foram sujeitos à quimioterapia sem terem sido injetados com “Rg1A”.

O próximo passo será iniciar “testes pré-clínicos” para avaliar a segurança e comprovar a eficácia no novo tratamento.

LUSA/SO

 

Gedeon Richter

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