6 Mar, 2017

Terapia inovadora para cancro desenvolvida por português ganha prémio de imagem científica

A imagem é uma das 22 vencedoras da 20.ª edição da competição criada em 1997 pela fundação Welcome Trust, que é considerada uma das instituições não governamentais com maior de volume de financiamento à investigação médica

Uma fotografia de uma terapia inovadora para combater o cancro desenvolvida pelo português João Conde foi uma das vencedoras da edição deste ano dos prémios Welcome Image, que distinguem imagens científicas.

A fotografia, cuja autoria é partilhada com Nuria Oliva e Natalie Artzi, foi obtida durante um período de dois anos em que João Conde esteve no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Atualmente, encontra-se a trabalhar na universidade Queen Mary, em Londres.

“A imagem mostra uma estrutura de gel, em que se vê uma estrutura parecida com um favo de mel. O gel tem embebidas uma série de moléculas terapêuticas, neste caso ‘microRNA’, que são umas sequências genéticas que alteram a expressão de alguns genes envolvidos em cancro. Esse gel adere muito facilmente ao tecido tumoral e liberta de forma controlada uma dose muito mais elevada (de terapia) para as células tumorais, de forma a poder inibir o seu crescimento e a sua multiplicação”, disse João Conde.

João Conde precisa que “o que se vê na imagem é um corte histológico (corte de observação da estrutura de tecidos) em que se vê a estrutura do gel e os pontos vermelhos são as moléculas terapêuticas distribuídas ao longo do gel”.

O investigador foi para o MIT com o intuito de desenvolver plataformas para terapia localizada de cancro. As terapias localizadas, explicou, são mais eficientes porque “conseguem libertar as moléculas terapêuticas e as drogas e a medicação localmente com uma dosagem muito mais elevada e de uma forma muito mais eficaz”.

O grupo desenvolver o gel, que é implantado localmente sobre os tumores, de cancro da mama no caso da imagem premiada, e cujo efeito foi captado num microscópio de fluorescência.

A imagem é uma das 22 vencedoras da 20.ª edição da competição criada em 1997 pela fundação Welcome Trust, sediada em Londres e que é considerada uma das instituições não governamentais com maior de volume de financiamento à investigação médica.

Os prémios, que no ano passado tiveram entre os vencedores as portuguesas Sílvia Ferreira, Cristina Lopo e Paula Alexandre, resultam numa exposição das imagens vencedoras que serão exibidas em institutos, museus e centros científicos no Reino Unido, Europa e África.

“É interessante porque é uma maneira de divulgar ao público um pouco do que fazemos no laboratório. Há sempre um hiato grande entre o público em geral e a comunidade científica”, referiu João Conde.

Doutorado em Biotecnologia em 2014, o investigador venceu um prémio de início de carreira Marie Curie que lhe abriu as portas para trabalhar no MIT e atualmente em Londres.

A imagem vitoriosa, admitiu, foi apenas uma das várias que submeteu e nem sequer é aquela que considera mais impressionante.

“Enviámos outras em que usámos microscopia eletrónica de forma a mostrar a estrutura destas moléculas, que são à nanoescala [um nanómetro é um milhão de vezes inferior a um milímetro]. E aí conseguíamos ver detalhes muito mais interessantes do que nesta imagem. Esta é uma imagem mais geral e macroscópica do gel. O equipamento usado é bastante básico”, reconheceu.

LUSA/SO

 

Gedeon Richter

 

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