29 Ago, 2017

Tempo de espera para cirurgia em doentes prioritários melhorou

A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) revelou hoje que o tempo de espera para cirurgia em doentes prioritários melhorou em 2016, um ano que teve a maior atividade cirúrgica de sempre

Os dados da ACSS foram revelados depois de o Jornal de Notícias ter divulgado hoje que o tempo médio de espera para cirurgia aumentou no ano passado, fixando-se em 3,3 meses, “o pior desde 2011”.

Em declarações à Lusa, Ricardo Mestre, da ACSS, diz que os tempos de resposta em 2016 se mantiveram “à volta dos 3 meses, como acontecia habitualmente”, e sublinha que “os tempos de resposta para os mais prioritários melhoraram”.

O responsável considerou ainda que a portaria aprovada este ano que reduz os tempos máximos de resposta garantidos para os casos de prioridade normal (de 270 para 180 dias) e que entra em vigor em janeiro de 2018 vai trazer “maior equidade”.

“Mantendo a mediana em cerca de 3 meses, esta medida vai trazer maior equidade entre os utentes nas listas”, defendeu.

Numa nota enviada às redações, a ACSS diz que “esta portaria permite ainda, pela primeira vez no SNS [Serviço Nacional de Saúde], medir o tempo de resposta completo que é assegurado ao utente na globalidade do seu trajeto no hospital”.

Na mesma nota, a ACSS recorda que “em 2016 se registou o número mais elevado de entradas em lista de inscritos para cirurgia desde que foi constituído o Sistema de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), o que evidencia o aumento da procura dos hospitais do SNS para a realização de atividade cirúrgica”.

Segundo o relatório de acesso aos cuidados de saúde, citado pelo JN, no ano passado foram efetuadas 568.765 cirurgias, o valor mais alto desde que existe sistema integrado de gestão de inscritos, “mais 1,5% do que em 2015 e mais cerca de 65.000 do que em 2011”, sublinha a ACSS.

O JN escreve ainda que no ano passado houve 22 mil doentes que foram inscritos e operados no mesmo dia, “fintando os critérios de prioridade e antiguidade que devem gerir as listas de espera”.

Sobre esta matéria, a ACSS diz que “as intervenções cirúrgicas no SNS são realizadas de acordo com critérios claros, transparentes e escrutináveis, que consideram a prioridade clínica e a antiguidade da inscrição em lista”.

Sublinha também que “o número de utentes que foram inscritos e operados no mesmo dia registou o valor mais baixo de sempre em 2016 (22.013, que compara com 26.763 em 2012 ou com 25.951 em 2011), totalizando cerca de 3,8% dos utentes operados”.

“Estas situações correspondem a situações específicas em que as direções clínicas dos serviços autorizam as intervenções cirúrgicas por razões pontuais e concretas, como seja a rentabilização dos tempos disponíveis para utilização dos blocos operatórios, por exemplo”, justifica.

No final do ano passado mais de 200 mil doentes que aguardavam por uma cirurgia.

LUSA/SO/SF

Gedeon Richter

 

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