14 Nov, 2016

Taxa de mortalidade por pneumonia em Portugal é o dobro da média europeia

Os custos económicos que os internamentos por doença pneumocócica acarretam para o Serviço Nacional de Saúde representaram cerca de 1% do orçamento para a saúde em 2016, revelou o pneumologista Filipe Froes

Os custos económicos de internamento por Pneumonia são conhecidos e voltaram a ser evidenciados durante uma sessão sobre “Nomes e números da Pneumonia” que se realizou no sábado, no âmbito das XXXII Congresso de Pneumologia que decorreu há dias no Algarve.

Filipe Froes, pneumologista do Hospital de Pulido Valente e consultor de Pneumologia da Direção-Geral da Saúde, fez as contas e relembrou os custos económicos que os internamentos por doença pneumocócica acarretam para o Sistema Nacional de Saúde (SNS), o que corresponde a 1% do orçamento para a saúde em 2016.

Os dados são de um estudo que decorreu entre 2000 e 2009, e analisou os internamentos nas instituições do Serviço Nacional de Saúde e revelam que os custos diretos por internamento hospitalar rondam os 2.706€ por doente, o que acarreta para o SNS uma despesa total de cerca de 220 mil euros/dia e 80 milhões de euros/ano.

Segundo Filipe Froes “a pneumonia é uma doença muito democrática. Afeta pessoas de ambos os géneros, de todas as idades, de todas as classes sociais e de todos os graus e escolaridade”. Considerada a doença respiratória com maior impacto na mortalidade, a nível nacional “ninguém está imune à pneumonia, cada um de nós pode ser um dos nomes e representar mais um dos números da pneumonia”.

Para o especialista a prevenção passa por um maior foco nos números relativos ao impacto da cessação tabágica, da vacinação antigripal e antipneumocócica e do controlo das doenças crónicas. “Se a pneumonia está associada a todos os nomes e a todos os números, podemos, com as ferramentas de que atualmente dispomos, escolher os melhores nomes e os melhores números”, acrescenta.

Em Portugal a doença mata uma média de 23 pessoas por dia, só nos hospitais públicos. Todos os dias são internados, em média, 81 doentes adultos com pneumonia adquirida na comunidade; destes, 16 acabam por morrer devido à doença, o que significa uma taxa de letalidade intra-hospitalar de cerca de 20%.
Segundo Filipe Froes, “a maioria dos casos podem ser evitados através da vacinação antipneumocócica que continua a ser a melhor forma de prevenirmos uma Pneumonia. As crianças pequenas e os adultos a partir dos 65 anos estão entre os mais vulneráveis, bem como pessoas com mais de 50 anos que tenham co-morbilidades como Diabetes, Asma, DPOC e Doença Cardíaca. Pessoas cuja imunidade está comprometida também devem vacinar-se”.

Cristina Bárbara, Diretora do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias da Direção-geral da Saúde (DGS) também as abordou a questão das pneumonias revelando que a doença tem em Portugal, quer em termos de mortalidade, quer em termos de morbilidade, números piores do que os da média europeia.

A especialista apresentou no Algarve uma análise exploratória do estudo que está ser realizado com recurso à base de dados do Serviços Nacional de Saúde relativo a pneumonias em Portugal e explicou que o objetivo final passa por gerar um modelo de monitorização futura para Portugal. «Depois de criado este modelo, em que encontramos os fatores que levam a maior mortalidade, se os passarmos a monitorizar em consequência das politicas de saúde, conseguiremos atuar melhor», garantiu.

SO/Comunicado SPP

 

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