Xavier Barreto - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/xavier-barreto/ Notícias sobre saúde Thu, 27 Nov 2025 11:35:59 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Xavier Barreto - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/xavier-barreto/ 32 32 Administradores hospitalares dizem que modelo melhorou mas faltam “coisas básicas” nas ULS https://saudeonline.pt/administradores-hospitalares-dizem-que-modelo-melhorou-mas-faltam-coisas-basicas-nas-uls/ https://saudeonline.pt/administradores-hospitalares-dizem-que-modelo-melhorou-mas-faltam-coisas-basicas-nas-uls/#respond Thu, 27 Nov 2025 11:35:59 +0000 https://saudeonline.pt/?p=181158 “As ULS são um instrumento para se fazer a integração de cuidados; mas não são um fim em si mesmas e muitas pessoas confundem isto”, argumenta o presidente da APAH.

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A integração dos cuidados entre os centros de saúde e os hospitais melhorou com o modelo ULS, mas “ainda falta muita coisa e coisas básicas”, acredita a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).

“Falta, essencialmente, integração clínica. Em muitos hospitais, as equipas ainda não trabalham de forma articulada. Faltam incentivos alinhados, as equipas têm que ter um conjunto de incentivos que partilhem. Faltam coisas estruturais básicas, como regulamentos. A grande parte das ULS não tem sequer um regulamento aprovado. O regulamento que decide qual é a estrutura de gestão, como é que nós nos articulamos”, enumerou à Lusa o presidente da direção da APAH, Xavier Barreto.

Numa entrevista por ocasião dos dois anos de expansão do modelo de ULS a todo o território nacional, Xavier Barreto reafirmou que a convicção de que “as ULS são um instrumento para se fazer a integração de cuidados, mas advertiu: “Não são um fim em si mesmas e muitas pessoas confundem isto”.

“Diria que hoje estamos melhor do que estávamos há dois anos e creio que essa é a perceção generalizada dos trabalhadores da saúde das ULS, quer nos cuidados hospitalares, quer nos cuidados primários. Mas, naturalmente, há um longo caminho para fazer”, analisou o presidente da APAH.

Regressando ao que permanece em falta, Xavier Barreto considerou “incompreensível” que “muitas” das 39 ULS que existem no país não tenham “em dois anos” regulamentos aprovados, uma responsabilidade da tutela a quem cabe também dar aos conselhos de administração a autonomia tão ambicionada.

“Os governos têm falado sempre de autonomia e da importância da autonomia para as administrações poderem tomar decisões importantes também para a integração de cuidados. Tudo isso é fundamental para a gestão do SNS, das suas ULS e, infelizmente, nós estamos a terminar mais um ano e, mais uma vez, os hospitais continuam sem qualquer tipo de autonomia”, afirmou Xavier Barreto.

Desde 1 de janeiro de 2024 que Portugal passou a estar inteiramente coberto por ULS, num total de 39. A reorganização foi anunciada como tendo por objetivo facilitar o acesso das pessoas e a sua circulação entre os centros de saúde e os hospitais já que estas estruturas respondem agora a uma única gestão. Paralelamente desapareceram as Administrações Regionais de Saúde (ARS).

Nestes quase dois anos, a Direção-Executiva do SNS teve três diretores executivos e o país vai na terceira legislatura.

Recordando que o início das ULS “foi muito difícil” e considerando que o processo de extinção das Administrações Regionais de Saúde “foi complexo e em alguns casos até caótico, pouco planeado”, Xavier Barreto disse que “existem coisas que poderiam estar feitas”.

“Durante muitos meses o governo alimentou a ideia de que não se sabia exatamente se as ULS se iam manter ou se seriam extintas e a reforma revertida. Esta indefinição atrasou o processo”, resume o presidente da APAH.

Neste momento, defendeu Xavier Barreto, esperava-se que os centros de saúde, os hospitais e até mesmo a área social, os municípios, as associações de doentes, as farmácias e o setor privado pudessem articular-se em rede, pudessem partilhar informação, tivessem um único processo clínico e eletrónico.

“Mas ainda não têm, como infelizmente se viu por casos recentes em que essa troca de informação, essa partilha de informação falhou. Em causa está definir um percurso para os doentes. Estamos muito longe disso. Muito longe”, referiu.

Para a APAH “falta um impulso maior para criar equipas multidisciplinares que discutam qual é o melhor percurso para os doentes, como é que se consensualiza o diagnóstico, o tratamento e acompanhamento dos doentes”.

“As ULS favorecem isto, porque estão a gerir de forma integrada centros de saúde e hospitais. Favorecem, mas não quer dizer que o garantam. Falta muita coisa, mas apesar de tudo, acho que estamos melhor hoje do que estávamos há dois anos”, concluiu.

SO/LUSA

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“É importante que as pessoas tenham esta noção para baixar um bocadinho a expectativa” de que a situação no Serviço Nacional de Saúde se vai resolver “instantaneamente”. “Não vai”, disse à agência Lusa Xavier Barreto, à margem da CNN Portugal Summit “Inovação na Saúde. Qual o problema da Inteligência Artificial?”, em Lisboa.

O responsável argumentou que, se os hospitais tivessem os recursos para abrir todas as urgências, não seria necessário este “plano de contingência que, no fundo, é o plano de Verão”.

Xavier Barreto citou um estudo recente da PlanAPP – Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospetiva da Administração Pública, segundo o qual seriam necessários mais 2.939 médicos (13,6%) para harmonizar as disparidades regionais, tendo como referência o maior rácio regional de médicos especialistas nos cuidados de saúde primários e nos hospitais face à população.

Apontou ainda outras estimativas, que tiveram como referencial as horas extras e os prestadores de serviços (médicos tarefeiros), e que apontam que se fossem substituídos por médicos contratados seriam necessários cerca de 4.000.

“Mesmo que recrutemos todos os especialistas que formamos todos os anos, esses 3.000 ou 4.000 médicos vão demorar tempo a ser formados e contratados. Preparemo-nos para que, nos próximos anos, tenhamos necessariamente de ter uma resposta organizada de uma outra forma que procure mitigar esta carência”, defendeu.

O administrador hospitalar sublinhou que a situação dos hospitais, a nível das urgências, está como no ano passado “e não vai ser diferente nas próximas semanas”, dado que o número de médicos é praticamente igual e, como tal, “o resultado não pode ser muito diferente”.

“Esta ideia de existir um plano milagroso (…) não faz sentido absolutamente nenhum”, disse, sublinhando que um plano de verão é essencialmente um plano de contingência para decidir, com os recursos que existem, os serviços que vão estar abertos ou fechados.

Na conferência, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, disse que foi mal-interpretada na declaração que fez sobre lideranças fracas e que as suas palavras não se referiam aos administradores hospitalares, mas a toda a cadeia de liderança.

Sobre esta situação, o presidente da associação disse que teve oportunidade de discutir este tema com a ministra e entendeu que “o objetivo não era generalizar”. Xavier Barreto reconheceu que existem algumas lideranças que estão aquém do que seria pretendido, mas lembrou que muitas vezes foram nomeações políticas de pessoas “sem um percurso e sem a formação que deveriam ter” e salientou que não se pode confundir “a árvore com a floresta”.

No entanto, ressalvou que a maioria das lideranças na saúde são “capazes, competentes e, acima de tudo, empenhadas”, apesar de trabalharem num contexto difícil, em que existe subfinanciamento, “um nível de autonomia baixíssimo”, com dificuldades tremendas para encontrar os recursos” que necessitam. “Temos de louvar o facto de ainda termos lideranças disponíveis para trabalhar num contexto tão exigente como este, porque muitas vezes também está em jogo o prestígio pessoal dessas pessoas, dessas lideranças”, salientou.

Questionou ainda: “Quem é o líder que se expõe desta forma num contexto tão difícil, sabendo que vai ser subfinanciado, que não vai ter autonomia para tomar decisões e que, no final, ainda vai ser julgado pelos resultados? Isto é muito difícil”.

 

LUSA

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