Prof. Dr. Davide Carvalho - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/prof-dr-davide-carvalho/ Notícias sobre saúde Tue, 18 May 2021 13:28:35 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Prof. Dr. Davide Carvalho - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/prof-dr-davide-carvalho/ 32 32 Entrevista. 5 anos de empaglifozina, a revolução no tratamento da DMT2 https://saudeonline.pt/entrevista-5-anos-de-empaglifozina-a-revolucao-no-tratamento-da-dmt2/ Wed, 09 Sep 2020 17:11:20 +0000 https://saudeonline.pt/?p=97825 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Entrevista. 5 anos de empaglifozina, a revolução no tratamento da DMT2 aparece primeiro em Saúde Online.

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“Empagliflozina é um único ISGLT2 a demonstrar redução da mortalidade em doentes com DT2 de elevado risco CV” https://saudeonline.pt/empagliflozina-e-um-unico-isglt2-a-demonstrar-reducao-da-mortalidade-em-doentes-com-dt2-de-elevado-risco-cv/ https://saudeonline.pt/empagliflozina-e-um-unico-isglt2-a-demonstrar-reducao-da-mortalidade-em-doentes-com-dt2-de-elevado-risco-cv/#respond Mon, 07 Sep 2020 12:42:38 +0000 https://saudeonline.pt/?p=97604 Para além do impacto significativo na redução do risco de morte por eventos CV, a empaglifozina reduz também, em quase 40% o risco de agravamento ou aparecimento da nefropatia, sublinha o Prof. Dr. Davide Carvalho, diretor do serviço de Endocrinologia do Hospital de São João, num mês em que se passam 5 anos desde a divulgação dos resultados do estudo EMPA-REG.

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Dia 15 de Setembro, o Empa-Reg Outcome comemora 5 anos desde a sua publicação e o Prof. Davide Carvalho estava na sala em que os resultados foram o apresentados. Pode partilhar o que sentiu quando viu as famosas curvas de Kaplan Meier?

Na EASD, há sempre momentos de grande excitação e grande entusiasmo, porque os médicos anseiam por melhores terapêuticas para os seus doentes. Após as desilusões do SAVOR-TIMI e do EXAMINE, em que os inibidores da DPP4 causavam menos hipoglicemias mas, em termos cardiovasculares, eram semelhantes às sulfonilureias, como o CAROLINA viria a comprovar definitivamente, esperávamos por novas opções.

Estimulamos pela divulgação da informação de que os dados tinham sido positivos, fez com que a sala onde o EMPA-REG ia ser apresentado já estava repleta 30 minutos antes apesar de ser uma sessão de comunicações orais. Durante a apresentação, as expectativas foram crescendo de forma a que, quando os resultados do ponto-final primário foram apresentados, houve uma explosão de alegria e as pessoas levantaram-se a bater palmas.

Qual o impacto que o estudo Empa-Reg Outcome teve na abordagem e gestão ao doente com DT2?

O estudo Empa-Reg Outome demonstrou pela primeira vez que a empagliflozina, um inibidor dos SGT2,  vs placebo em doentes com DM2 e DCV e demonstrou superioridade da empagliflozina na redução do risco de um composto de 3 eventos CV adversos (MACE), constituído por morte CV, Enfarte agudo do miocárdio (EM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC) não fatal, com uma redução relativa de 38% na morte CV, 32% na morte por todas as causas e 35% em hospitalização por IC (HIC).

Os benefícios observados foram relacionados com a diminuição da incidência dos eventos de IC, e não com a prevenção de eventos isquémicos. Sendo a doença cardiovascular a principal causa de morte em 75% dos diabéticos, estes fármacos passaram a ser indicados como fármacos de escolha para adicionar à metformina em doentes com doença cardiovascular.

Podemos afirmar que com o estudo Empa-reg Outcome deixa de haver uma abordagem glicocêntrica, inaugurando-se um novo conceito que assenta numa abordagem Cardio-Reno-Metabólica?

Embora não tenha sido desenhado especificamente para responder à questão do possível efeito dos iSGLT2 na função renal, o EMPA-REG OUTCOME também demonstra resultantes impressionantes da empagliflozina nos eventos renais (MARE). Durante os 3,1 anos de duração média, a empagliflozina reduziu em quase 40% o risco de agravamento ou aparecimento da nefropatia. Isso incluiu uma redução na progressão para macroalbuminúria (RR 0,62; p<0,001), mas também uma redução significativa no ponto-final renal “mais difícil” de duplicação da creatinina sérica, início da terapia de substituição renal e morte por doença renal (ITT 0,54; p <0,001).

Curiosamente, a empagliflozina reduziu a TFGe mais do que o placebo durante o primeiro ano, mas a TFGe estabilizou depois com a empagliflozina, enquanto no braço do placebo, a TFGe sofreu um declínio progressivo, de modo que a TFGe foi significativamente menor no braço do placebo no final do estudo. Assim, houve uma mudança no paradigma do tratamento da diabetes tipo 2: em vez de procurar reduzir a glicemia, passou a pretender-se mudar o prognóstico cardio-renal da doença.

5 anos após a publicação do Empa-Reg Outcome, a Empagliflozina continua a ser o único iSGLT2 com evidência na redução da mortalidade em doentes com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular estabelecida.

A empagliflozina é um único ISGLT2 a demonstrar a redução da mortalidade em doentes diabéticos tipo 2 de elevado risco cardiovascular, isto é, doentes com doença cardiovascular prévia. Numa meta-análise recente, parece haver uma heterogeneidade entre os iSGLT2 com propriedades da empagliflozina não partilhados por outros iSGLT2. No entanto, a dapagliflozina demonstrou reduzir a mortalidade de todas as causas em doentes com insuficiência cardíaca, estando a diabetes presente em 42% dos doentes.

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30% pessoas com DMT2 a fazer insulina têm hipoglicemias frequentes https://saudeonline.pt/30-pessoas-com-dmt2-a-fazer-insulina-tem-hipoglicemias-frequentes/ https://saudeonline.pt/30-pessoas-com-dmt2-a-fazer-insulina-tem-hipoglicemias-frequentes/#respond Fri, 13 Dec 2019 12:49:02 +0000 https://saudeonline.pt/?p=82234 O tratamento de uma hipoglicemia grave tem um custo superior a 1.450 €/episódio. 6 em cada 10 episódios não foram tratados adequadamente.

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Até agora tem havido pouca investigação sobre o impacto das hipoglicemias nos familiares das pessoas com diabetes, mas um novo estudo, o TALK-HYPO, demonstra que até 64% dos familiares das pessoas com diabetes sentem preocupação e ansiedade relativamente aos riscos associados à baixa de açúcar no sangue, realçando o impacto que isto tem na família. O estudo demonstra também a importância de ter mais conversas sobre as hipoglicemias com a família e com o médico assistente, pois 76% acredita que estas conversas podem levar a melhorias na vida das pessoas com diabetes.

Também em Portugal está demonstrada a importância de evitar e tratar adequadamente estes episódios de hipoglicemia. Num estudo recente realizado pela APDP, verificou-se que mais de 3 em cada 10 pessoas com diabetes tipo 2 a fazer insulina comunicaram a ocorrência de hipoglicemias num curto período de tempo e 6 em cada 10 episódios não foram tratados adequadamente.

As hipoglicemias são a segunda maior causa de ida às urgências hospitalares das pessoas com diabetes em Portugal. Ao mesmo tempo, os custos associados ao seu tratamento são significativos. O tratamento de uma hipoglicemia grave tem um custo superior a 1.450 €/episódio. Esta é a principal preocupação das pessoas com diabetes a fazer insulina e dos seus familiares, de acordo com o estudo DAWN 2, realizado em Portugal.

Mais de metade das pessoas que vivem com diabetes (55%) raramente ou nunca informam o seu médico acerca dos episódios de hipoglicemia e muitos, com medo, acabam por reduzir a sua dose de insulina sem consultar o médico, o que compromete o controlo glicémico. A campanha “Hipoglicemia. Uma Já pode ser demais” pretende sensibilizar a população para que se informe junto dos médicos ou outros profissionais de saúde sobre como podem prevenir, detetar e gerir da forma mais adequada os episódios de hipoglicemia​.

Quando não são devidamente detetadas e geridas, as hipoglicemias podem ter um impacto negativo na qualidade de vida das pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 e podem trazer complicações de saúde que aumentam o risco de morte cardiovascular. As mais graves são as hipoglicemias noturnas, que ocorrem quando as pessoas com diabetes e os seus cuidadores não se apercebem do que está a acontecer. “Se um indivíduo estiver a ter uma hipoglicemia e não for tratado, a falta de glicose no cérebro pode levar à morte. Hipoglicemias repetidas podem levar à instalação de quadros de demência, de perturbações mentais e alterações cognitivas profundas e, por isso, as hipoglicemias devem ser evitadas”, explica Davide Carvalho, médico endocrinologista e presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo (SPEDM). Assim, o especialista afirma categoricamente que “não há um número ótimo de hipoglicemias, o número ótimo de hipoglicemias é não ter”.

Na diabetes tipo 2, numa fase inicial, é possível alcançar o controlo glicémico com a alteração de estilos de vida (prática de exercício regular e uma alimentação saudável), sendo sempre necessário o apoio de um profissional de saúde para otimizar este controlo. Na maior parte das vezes com recurso a anti-diabéticos não-insulínicos e, em casos mais avançados, insulina.

Isabel Videira, diagnosticada com diabetes tipo 2 há nove anos e a fazer terapêutica com insulina há seis meses explica: “se a pessoa se conhecer muito bem, bem como a reação do seu organismo aos alimentos, consegue fazer uma boa gestão, mas há momentos em que as coisas fogem ao nosso controlo e que nós não temos noção do que se está a passar porque o organismo reage de formas diferentes.”

“Já tive alguns episódios de hipoglicemias que se traduzem em sintomas de mal-estar e tremores, inclusive hipoglicemias noturnas que só dou conta porque ficam registadas nos dispositivos ”, afirma Isabel Videira.

A Campanha “Hipoglicemias. Uma já pode ser demais” é uma iniciativa da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, da Federação Portuguesa de Associações de Pessoas com Diabetes, da Sociedade Portuguesa de Diabetologia e da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia Diabetes e Metabolismo, com o apoio da Novo Nordisk, que pretende sensibilizar as pessoas com diabetes para as hipoglicemias. Estas não devem ser vistas como uma consequência natural da diabetes, mas sim como algo que se pode prevenir e lidar através de uma boa gestão da diabetes e da sua terapêutica, devendo as pessoas que vivem com diabetes  estar alerta para as suas consequências a curto e longo prazo.

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