Paulo Filipe - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/paulo-filipe/ Notícias sobre saúde Thu, 10 Jul 2025 09:45:07 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Paulo Filipe - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/paulo-filipe/ 32 32 Ex-diretor de Dermatologia desconhecia o que os médicos ganhavam em cirurgias adicionais https://saudeonline.pt/ex-diretor-de-dermatologia-desconhecia-o-que-os-medicos-ganhavam-em-cirurgias-adicionais/ https://saudeonline.pt/ex-diretor-de-dermatologia-desconhecia-o-que-os-medicos-ganhavam-em-cirurgias-adicionais/#respond Wed, 09 Jul 2025 10:01:08 +0000 https://saudeonline.pt/?p=177131 Paulo Filipe, ex-diretor do Serviço de Dermatologia da ULS Santa Maria, afirmou que não tinha acesso às codificações das cirurgias adicionais.

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O ex-diretor do Serviço de Dermatologia da ULS Santa Maria disse, hoje, que nunca teve acesso ao que os médicos ganhavam na produção cirúrgica adicional, justificando que “era apenas uma chefia intermédia”.

“Eu nunca tive acesso ao que os médicos ganhavam em adicional. Só fui confrontado com isso quando apareceu nas notícias. E também não tinha de ter, porque era apenas uma chefia intermédia clínica”, disse Paulo Filipe na Comissão de Saúde, no parlamento.

O clínico está a ser ouvido a pedido da IL e do Chega sobre a produção adicional de cirurgias, um regime que prevê incentivos a pagar aos profissionais de saúde para reduzir as listas de espera, no Serviço de Dermatologia da ULS Santa Maria.

Em causa está o alegado aproveitamento do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), que terá permitido a um médico receber centenas de milhares de euros por operar doentes aos sábados

Paulo Filipe explicou que não tinha acesso às codificações das cirurgias adicionais. “Não tenho a ver com as codificações. É preciso ter um curso para fazer a codificação e também é uma competência da Ordem dos Médicos. Cada cirurgia gera um código. Além disso, o diagnóstico dos doentes não é só ser benigno ou maligno. Há também outros critérios que levam a outros diagnósticos, como, por exemplo, as comorbilidades, as outras doenças que os doentes têm, o grau das comorbilidades”, observou.

O ex-diretor sublinhou que teve conhecimento pela imprensa de que “auditorias à codificação tiveram uma conformidade de 99,5%”, representando “uma correta codificação dos doentes”. “Esta conformidade que foi encontrada internamente vai ser agora novamente vista pela IGAS [Inspeção-Geral das Atividades em Saúde]. (…) Também estou interessado em saber se houve ou não alguma fraude ou algum desvio grande da produção ou da rentabilidade do serviço em termos clínicos”, referiu.

A IGAS avançou com um processo de inquérito de natureza disciplinar ainda sem conclusões conhecidas. Paralelamente, a inspeção-geral abriu um processo de auditoria à atividade cirúrgica realizada em produção adicional no Serviço Nacional de Saúde, abrangendo as 39 ULS e os três institutos de Oncologia, que já recolheu e tratou os dados enviados por todos os hospitais.

Paulo Filipe lembrou que propôs, em 2020, ao Conselho de Administração da ULS Santa Maria a produção de cirurgias adicionais, devido a “listas de espera enormes”, numa “proporção de três regulares ou convencionais para uma adicional”.

“Na época da pandemia, apenas vinham ao hospital pessoas jovens com lesões benignas. A cirurgia adicional, nessa altura, era sobretudo com lesões benignas. Mas foi havendo uma evolução e fez-se uma proporção de malignas e de benignas. (…) Temos dado preferência às malignas, nos últimos meses, porque tem havido um boom e uma explosão muito nítida, após a pandemia de lesões malignas cutâneas”, disse.

O médico afirmou que “a cirurgia adicional passou a ser a regra”, quer na ULS Santa Maria, quer “noutros hospitais a nível nacional”. Sobre os motivos da sua demissão, o ex-diretor explicou que teve a ver com a nomeação, por concurso público, como professor da Faculdade de Medicina de Lisboa.

“Tendo ficado no posto por concurso público, e, atendendo às grandes responsabilidades inerentes, a minha demissão estava prevista, porque eu só poderia ficar no Serviço Nacional de Saúde com 10 horas e meia. E isso não dá para dirigir um serviço”, indicou.

O ex-diretor do serviço de Dermatologia da ULS Santa Maria considerou também que o médico que terá recebido milhares de euros em cirurgias adicionais não devia ser codificador, embora a auditoria interna não tenha verificado irregularidades.

“Ele foi, de facto, codificador. Isto foi no início, mas depois foi feita a mudança de codificador. De qualquer modo, ele não devia ser codificador dos próprios atos, mas a auditoria, que é independente, não verificou desconformidade na codificação. Não há nada que diga que houve um grave erro de codificação”, afirmou Paulo Filipe.

SO/LUSA

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“Esta Reunião é um momento feliz de pertença à SPDV” https://saudeonline.pt/esta-reuniao-e-um-momento-feliz-de-pertenca-a-spdv/ https://saudeonline.pt/esta-reuniao-e-um-momento-feliz-de-pertenca-a-spdv/#respond Thu, 29 May 2025 18:17:44 +0000 https://saudeonline.pt/?p=175738 Entrevista a Paulo Filipe, presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV).

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Esta é a primeira Reunião da Primavera desde que iniciou o novo mandato. Como encara este reencontro da comunidade dermatológica em 2025?
É com enorme entusiasmo. A Reunião da Primavera é sempre um momento especial, mas esta tem um sabor particularmente feliz: reencontramo-nos na Figueira da Foz, 26 anos depois da última edição nesta cidade. A escolha do local foi intencional — a alternância geográfica permite-nos descentralizar, aproximar a Sociedade dos seus membros e redescobrir o território. A aguarela do cartaz simboliza bem esse espírito: o farol como orientação e porto seguro.

 

O programa científico é bastante abrangente. Que destaques gostaria de sublinhar?
Preparámos um programa equilibrado, atual e com forte envolvimento dos internos. Haverá simpósios sobre temas clínicos emergentes — como a tricologia, cada vez mais relevante na prática diária — e outros estruturantes, como a abordagem multidisciplinar às conectivites com artrite, que contará com a presença de especialistas da Dermatologia e da Reumatologia, incluindo os representantes máximos da Sociedade Portuguesa de Reumatologia. Destaco também o simpósio sobre cancro cutâneo e exposição solar, em parceria com a APCC, um tema central na nossa missão de sensibilização para a prevenção.

 

A componente formativa e o apoio aos internos continuam a ser uma prioridade?
Absolutamente. Os internos estão no centro da SPDV. Os casos clínicos e comunicações livres revelam o excelente trabalho que se faz nos nossos internatos. Este ano, quatro bolseiros da Bolsa Cabral Ascensão partilharão as suas experiências internacionais, apoiadas pela SPDV, num testemunho inspirador sobre a importância da formação contínua. A aposta nas bolsas e na internacionalização dos nossos internos é para manter e reforçar.

 

A vertente histórica também está presente nesta edição. Como vê esse equilíbrio entre tradição e inovação?
Vejo-o como essencial. A Dermatologia tem uma história rica que importa conhecer e valorizar. O simpósio do GEHDV, sobre a história da doença de Hansen e o papel do Hospital-Colónia Rovisco Pais, é disso exemplo. Além de ciência, é também uma viagem à memória coletiva da nossa especialidade. A visita de estudo a este local será, sem dúvida, um dos momentos marcantes desta reunião.

 

Num tempo de transformações na saúde, que papel deve assumir a SPDV?
Temos de ser uma voz ativa, presente nos grandes debates, nas decisões políticas e na definição de estratégias de Saúde Pública. A SPDV está empenhada em garantir a representação plena da Dermatologia, em todos os setores — público, privado, académico — e em afirmar o seu valor no contexto europeu. A colaboração com entidades como a APCC ou a Sociedade de Reumatologia mostra que estamos a construir pontes e a pensar de forma integrada.

 

Que mensagem deixa aos participantes da Reunião da Primavera 2025?
O meu agradecimento sincero. Aos colegas que participam, aos que apresentam trabalhos, aos moderadores, à indústria que nos apoia, e à equipa organizadora. Esta Reunião foi pensada como um espaço de aprendizagem, de encontro e de pertença. Que todos levem consigo novos conhecimentos, bons momentos e um renovado orgulho em fazer parte da SPDV.

 

SO

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“A implementação de um registo nacional de doenças imunomediadas com expressão cutânea é um passo crucial” https://saudeonline.pt/a-implementacao-de-um-registo-nacional-de-doencas-imunomediadas-com-expressao-cutanea-e-um-passo-crucial/ https://saudeonline.pt/a-implementacao-de-um-registo-nacional-de-doencas-imunomediadas-com-expressao-cutanea-e-um-passo-crucial/#respond Thu, 07 Nov 2024 16:51:23 +0000 https://saudeonline.pt/?p=164192 Presidente da SPDV, diretor do Serviço de Dermatologia da ULS Santa Maria e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Paulo Filipe fala sobre a edição deste congresso nacional e do mandato da atual Direção da SPDV, à qual preside, e que vai terminar no final deste ano. A implementação de um registo nacional de doenças imunomediadas com expressão cutânea, que vai entrar, brevemente, em fase de testes, é um dos projetos desenvolvidos.

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Estamos no 23.º Congresso Nacional de Dermatologia e Venereologia. Quais são os temas mais inovadores ou relevantes que vão ser discutidos este ano?
Neste congresso, será abordado um vasto leque de temas que refletem os avanços mais recentes e as preocupações emergentes na Dermatologia. A inovação tecnológica, a medicina personalizada, bem como os novos tratamentos para patologias dermatológicas complexas, serão tópicos centrais. Teremos simpósios organizados pelos grupos de trabalho da SPDV: psoríase e cirurgia dermatológica. Além disso, a sustentabilidade em medicina, terá também um destaque especial. Para falar deste tema contamos com a presença do Sr. Bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. Carlos Cortes, a quem aproveito para deixar um agradecimento público. É uma participação que honra a SPDV e o seu congresso nacional.

 

Em relação ao estado atual da Dermatologia em Portugal, que desafios específicos serão abordados no congresso?
A Dermatologia em Portugal enfrenta diversos desafios, desde o acesso equitativo aos cuidados especializados em todas as regiões do país até à necessidade de integrar novas tecnologias e práticas sustentáveis nos cuidados de saúde. Haverá um curso intitulado “Derma AI-ferramentas práticas para a medicina moderna”, ministrado pelo Prof. Rogério Canhoto, engenheiro eletrotécnico no ramo de sistemas e computação, que considero um marco importante para a prática dermatológica moderna.

 

Como é habitual, vai realizar-se o simpósio luso-espanhol AEDV/SPDV. Que assuntos vão ser abordados?
O simpósio luso-espanhol é sempre um dos momentos mais simpáticos do congresso, reunindo especialistas dos dois países para discutir temas de interesse comum.

 

Qual o ponto de situação desta interação entre a SPDV e a sua congénere espanhola?
A relação entre a SPDV e a AEDV tem sido extremamente produtiva e enriquecedora para ambos os países. Temos vindo a fortalecer a colaboração, partilhando experiências e conhecimentos, o que contribui para um crescimento conjunto. O simpósio anual é apenas um exemplo desta cooperação. Lembro que este simpósio tem o equivalente no congresso espanhol de Dermatologia. A nossa proximidade geográfica facilita este intercâmbio de boas práticas e a criação de sinergias profissionais, humanas e académicas.

 

O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, vai ser o orador da conferência com o tema “Sustentabilidade em Medicina”. Este é um assunto que tem vindo a ganhar cada vez mais relevância, especialmente no que diz respeito ao impacto ambiental das práticas médicas. De que forma a Dermatologia pode contribuir para uma medicina mais sustentável, tanto no uso de recursos como na adoção de práticas clínicas mais ecológicas?
A Dermatologia tem um papel fundamental na sustentabilidade da medicina, nomeadamente através da racionalização do uso de recursos, como materiais descartáveis, e na adoção de tratamentos que minimizem o impacto ambiental. O uso consciente de medicamentos e a redução de resíduos, como os derivados de biópsias e tratamentos cirúrgicos, são aspetos que podemos melhorar. Além disso, a implementação de tecnologias digitais para diagnósticos e consultas à distância pode ajudar a reduzir a pegada ecológica.

 

“La dermatología del futuro: innovación, tecnología y medicina personalizada” é outro tema abordado em conferência. Com os avanços rápidos na tecnologia e a crescente importância da medicina personalizada, quais são as inovações tecnológicas que, na sua opinião, terão o maior impacto na Dermatologia nos próximos anos? Como vê o papel do dermatologista a evoluir com essas mudanças?
Acredito que a inteligência artificial, a análise de big data e a teledermatologia terão um impacto significativo no futuro da nossa especialidade. A capacidade de personalizar tratamentos com base em características genéticas específicas dos doentes já está a ganhar terreno e será revolucionária no tratamento de doenças graves e/ou crónicas, como o melanoma maligno ou as doenças imunomediadas. O dermatologista passará a desempenhar um papel ainda mais interdisciplinar, sendo o elo entre a inovação tecnológica e terapêutica e a medicina humanizada. Nesse sentido teremos 5 simpósios satélites patrocinados por firmas farmacêuticas, cujos palestrantes são dermatologistas portugueses que nos vão trazer atualizações importantes neste campo dos chamados medicamentos biológicos.

 

Este seu mandato como presidente da SPDV vai terminar no final deste ano. Qual o balanço que faz? Como vê estes anos à frente da sociedade?
O balanço é extremamente positivo. Foram anos desafiantes, especialmente no período pós-pandemia, mas conseguimos adaptar-nos e continuar a promover o crescimento da SPDV. Orgulho-me de termos reforçado a digitalização da sociedade, facilitando o acesso à formação e à partilha de informações entre os nossos membros. Mas também promovendo a transição digital, garantindo maior eficiência e sustentabilidade nos eventos que organizamos. Esta mudança permitiu uma organização mais ágil e ecológica, mantendo a SPDV alinhada com as tendências tecnológicas e as expectativas de modernização da comunidade científica. Refiro-me por exemplo à substituição dos pósteres e programas em papel para o formato eletrónico.

Outro ponto que considero da maior relevância para a Dermatologia nacional é a implementação dum registo nacional de doenças imunomediadas com expressão cutânea.

Este é, sem dúvida, um passo crucial para a Dermatologia em Portugal. Este tipo de registo permite a recolha sistemática de dados sobre a prevalência, características clínicas e resposta ao tratamento destas patologias, facilitando a investigação e a personalização terapêutica. Além disso, ajuda a uniformizar os cuidados em todo o país e a identificar áreas onde há lacunas no diagnóstico e no tratamento, o que tem um impacto direto na qualidade de vida dos doentes e na eficiência dos serviços de saúde.

Este registo encontra-se em fase avançada de desenvolvimento esperando-se que esteja operacional em 2025. Prevemos entrar na fase de testes muito brevemente.

Lançámos também uma campanha nacional de sensibilização sob o lema “Será?” que visa chamar a atenção da população com doença cutânea para o facto inquestionável de que o dermatologista é o especialista da pele por excelência. É ele, melhor do que ninguém que tem acuidade diagnóstica e capacidade técnica para decidir e levar a cabo a melhor solução terapêutica no que respeita aos problemas dermatológicos. Não podemos perder de vista esta premissa se queremos ser bem-sucedidos na abordagem e solução desses problemas que aliás estão cada vez mais na ordem do dia.

 

Correspondeu às suas expectativas?
Sim, de muitas maneiras superou as minhas expectativas. Tive a honra de trabalhar com uma equipa dedicada e comprometida, o que nos permitiu alcançar resultados que talvez não fossem possíveis de outra forma. No entanto, sempre há espaço para melhorar.

 

Quais os principais desafios?
Um dos principais desafios foi a adaptação aos novos tempos. Para esse efeito criámos o grupo de estudo, reflexão e análise da inteligência artificial (IA) em Dermatologia. Promovemos uma mesa-redonda sobre o tema da utilização da IA em dermatologia, uma conferência e um curso teórico-prático sobre o tema. Também publicámos (eu e a secretária-geral Dra. Goreti Catorze) um artigo de opinião (inteligência artificial e dermatologia) na tribuna médica (jornal online da OM) e na revista da OM em versão mais curta. Além disso, procurámos garantir a sustentabilidade financeira da SPDV continuando a oferecer eventos de alta qualidade num cenário de crescentes custos, como foi o caso do 22.º Congresso de Lisboa em 2023, realizado na FMUL. Finalmente, e como última prioridade houve um esforço no sentido de manter os nossos membros motivados e envolvidos neste propósito coletivo de reforçar a união e qualidade da Dermatologia portuguesa. Dou como exemplo o apoio que demos à criação de uma subespecialidade de medicina estética para dermatologistas num esforço conjunto com a OM.

 

O que considera que ainda falta ser feito na Dermatologia em Portugal e que deixará para a próxima Direção/mandato?
Acredito que é essencial continuar a investir na formação e atualização contínua dos dermatologistas, especialmente em áreas emergentes como a dermatologia digital e a medicina personalizada. Além disso, há um trabalho a fazer para garantir que os cuidados dermatológicos de qualidade sejam acessíveis a todas as populações, em particular nas regiões mais periféricas do país. Acredito que a próxima Direção terá condições para continuar este trabalho com sucesso.

 

Sílvia Malheiro

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“Reter dermatologistas no SNS é um desafio complexo que envolve várias abordagens”

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Nos últimos tempos verificou-se um esvaziamento dos serviços públicos de Dermatologia, com a saída dos seus especialistas para o privado e uma maior procura de consultas de Dermatologia, o que tem dificultado a capacidade de resposta dos hospitais às necessidades da população. O novo Governo diz estar a trabalhar no sentido de melhorar a realidade do SNS, no que respeita à falta de recursos humanos, entre outros aspetos. Saiu agora o plano de emergência para a saúde e está-se a apostar no desenvolvimento das ULS. Considera que estas alterações (as que se conhecem) poderão ter impacto na atração e retenção de especialistas? Na sua opinião o que é que deveria realmente ser feito?
Reter dermatologistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um desafio complexo que envolve várias abordagens. Algumas estratégias que podem ser eficazes são:

  1. Melhoria das condições de trabalho: no que respeita a infraestruturas e recursos, garantindo que os dermatologistas têm acesso a equipamentos modernos e a recursos adequados para exercerem a sua profissão de forma eficaz; assim como no que diz respeito à carga horária, que deve ser ajustada, tal como o número de doentes atendidos por dia para evitar o esgotamento profissional.
  2. Salários competitivos: é preciso fazer uma revisão salarial e oferecer salários competitivos em relação ao setor privado e a outros países, para tornar a permanência no SNS mais atrativa; criar incentivos financeiros, introduzindo prémios de desempenho, compensações por horas extras e benefícios adicionais, como subsídios para formação contínua.
  3. Formação e desenvolvimento profissional: proporcionar oportunidades de acesso a formações médicas contínuas, cursos de atualização e subespecializações; incentivar e apoiar projetos de investigação e publicações científicas, proporcionando tempo e recursos para estas atividades.
  4. Ambiente de trabalho positivo: desenvolver uma cultura organizacional, promover um ambiente de trabalho saudável e colaborativo, com foco no bem-estar dos profissionais; assim como o seu reconhecimento e valorização, através da implementação de programas de reconhecimento para destacar e valorizar o trabalho dos dermatologistas.
  5. Progressão na carreira: desenvolver propostas de carreira médica claras e transparentes, que permitam a progressão profissional dentro do SNS.
  6. Flexibilidade e concorrência: oferecer opções de horários flexíveis e oportunidades de trabalho a tempo parcial; telemedicina: incorporar práticas de telemedicina para melhorar a flexibilidade e a acessibilidade dos cuidados dermatológicos.
  7. Equilíbrio trabalho-vida pessoal: implementação de políticas de bem-estar, que promovam o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, incluindo licenças remuneradas e programas de apoio psicológico.
  8. Participação em decisões: incluir os dermatologistas na tomada de decisões administrativas e na formulação de políticas que afetem diretamente a sua profissão.
  9. Estas estratégias, quando implementadas de forma integrada e com compromisso, podem contribuir significativamente para a retenção de dermatologistas no SNS, melhorando a qualidade dos cuidados prestados aos doentes e a satisfação dos profissionais.

 

Considera que as ULS poderão ser uma mais-valia para os profissionais, mas, sobretudo, para os utentes que precisem de assistência e acompanhamento em Dermatologia? Como avalia estes últimos meses de funcionamento em ULS?
Na verdade, este modelo de organização em ULS ainda não deu frutos por ter sido implementado há pouco tempo. Mas, penso que o modelo é útil para aproximar os cuidados de saúde primários e os centros hospitalares.

 

Como está a ser a experiência da organização desta Reunião do Verão?
A organização da Reunião do Verão tem sido uma experiência extremamente enriquecedora. A coordenação de diferentes elementos e a colaboração com diversos participantes têm sido desafiadoras, mas também gratificantes.
O apoio e o entusiasmo da comunidade dermatológica, onde se incluem os médicos, mas também os nossos parceiros da Indústria Farmacêutica, têm sido fundamentais para garantir o sucesso do evento.

 

Qual o critério para a escolha de temas do programa?
Os temas do programa foram escolhidos com base na sua relevância atual e impacto na prática dermatológica.

 

Quer destacar alguns? Tem-se verificado muitos avanços nesta área?
Considerámos os avanços mais recentes na área da inteligência artificial (IA). Refiro-me ao projeto-piloto surgido no âmbito do relatório da Direção Executiva do SNS (maio de 2014). Esse relatório tem como meta o recurso à IA em Dermatologia. Vamos discutir esta questão numa mesa-redonda.

Também procurámos equilibrar a cobertura de tópicos fundamentais como a inovação terapêutica nas doenças imunomediadas com expressão cutânea e as doenças emergentes em Venereologia, mais precisamente o vírus mpox. A Venereologia é uma vertente importante da nossa especialidade, pelo que procurámos dar-lhe o destaque que merece.

Aliámos à atualização em infeções sexualmente transmissíveis um simpósio que foca a história de outra doença venérea, a sífilis, que provocou grandes malefícios na saúde das pessoas que a contraíam. Durante muitos séculos, até à descoberta da penicilina, esta doença não tinha cura eficaz. É importante não esquecer que todo o progresso científico implica esforço e trabalho.

Conseguir a cura de doenças que hoje em dia nos parecem simples e banais foi resultado de um longo caminho. Uma saúde melhor é uma conquista da civilização e da ciência.

Destacamos também o simpósio intitulado “Mens sana in locus sano”, reconhecendo que um local saudável e bem projetado pode contribuir significativamente para uma mente saudável. Temos procurado abordar nas nossas reuniões esta interligação entre a Dermatologia, o ambiente e outras áreas do conhecimento. Para isso, temos convidado académicos externos à SPDV, ligados a universidades das cidades onde decorrem os eventos. Neste caso, convidámos uma arquiteta paisagista, professora da Universidade de Évora.

Realço também os numerosos casos clínicos e comunicações que recebemos por submissão livre e que representam o trabalho clínico dos nossos colegas que todos os dias dão o seu melhor em prol dos doentes.

 

Quais as suas expectativas para esta reunião?
As expectativas para esta reunião são altas. Esperamos promover discussões produtivas, fomentar a colaboração entre especialistas e proporcionar uma plataforma para a partilha de conhecimentos e experiências.
Acredito que este evento será uma oportunidade valiosa para todos os participantes se atualizarem sobre os últimos desenvolvimentos na Dermatologia e estabelecerem novas parcerias profissionais.

 

Quer deixar uma mensagem aos congressistas?
Gostaria de agradecer a todos os congressistas pela sua participação e entusiasmo. Este evento é uma oportunidade única para aprendermos uns com os outros e para impulsionarmos a Dermatologia para novos patamares. Espero que aproveitem ao máximo as sessões, criem novas pontes de contacto e voltem para as suas práticas mais motivados.

Juntos, podemos continuar a melhorar a qualidade do atendimento aos nossos doentes e avançar no campo da Dermatologia. Bem-vindos e aproveitem a reunião!

 

Sílvia Malheiro

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Dermatologia. “Temos médicos de elevado nível profissional e universidades e internatos de excelência”

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Dermatologia. “Temos médicos de elevado nível profissional e universidades e internatos de excelência” https://saudeonline.pt/dermatologia-temos-medicos-de-elevado-nivel-profissional-e-universidades-e-internatos-de-excelencia/ Fri, 24 Nov 2023 10:29:23 +0000 https://saudeonline.pt/?p=151763 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Dermatologia. “Temos médicos de elevado nível profissional e universidades e internatos de excelência” aparece primeiro em Saúde Online.

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Dermatologia

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O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Dermatologia. “Temos médicos de elevado nível profissional e universidades e internatos de excelência” aparece primeiro em Saúde Online.

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“Na última década assistimos a um esvaziamento dos serviços públicos de Dermatologia” https://saudeonline.pt/na-ultima-decada-assistimos-a-um-esvaziamento-dos-servicos-publicos-de-dermatologia/ https://saudeonline.pt/na-ultima-decada-assistimos-a-um-esvaziamento-dos-servicos-publicos-de-dermatologia/#respond Wed, 22 Mar 2023 11:43:22 +0000 https://saudeonline.pt/?p=141789 Paulo Filipe, presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), falou do estado da Dermatologia no Serviço Nacional de Saúde e das medidas que considera que deveriam ser tomadas, no sentido de se fixar estes especialistas nos serviços públicos.

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Como avalia o estado da Dermatologia no SNS?

A Dermatologia está a atravessar uma fase difícil no SNS. Na última década assistimos a um esvaziamento dos serviços públicos de Dermatologia, com a saída e/ou fixação da maioria dos dermatologistas antigos e recém-especialistas em hospitais privados.

Mais recentemente, há uma tendência para a abertura de clínicas privadas de pequena dimensão fora dos grandes grupos de saúde. Refiro que no período pandémico covid-19 houve uma redução da oferta no setor privado a que se seguiu um recrudescimento notável, tanto da procura, como da oferta dos serviços de saúde na pós-pandemia, acentuando-se desse modo a saída de dermatologistas e outros profissionais de saúde do SNS.

 

Qual a percentagem de dermatologistas que trabalha exclusivamente no SNS?

Cerca de 1/3 dos dermatologistas nacionais trabalham no SNS, mas só uma ínfima parte em exclusividade. A maioria acumula funções no SNS e no setor privado.

 

Nos últimos anos tem crescido a procura por consultas de Dermatologia. Como se compatibiliza essa procura (e o eventual aumento das patologias dermatológicas) com a falta de recursos no SNS?

Não podemos afirmar taxativamente que há um aumento de doenças dermatológicas, embora em relação ao cancro cutâneo isso seja uma tendência, em virtude de fatores externos relacionados, por exemplo, com a exposição solar.

Mas, há uma maior atenção às alterações da pele provocadas, não apenas por doenças, mas também pelo envelhecimento natural da pele. Esse foco na pele advém de muitos fatores sociológicos, mediáticos, etc., que não vamos esmiuçar aqui.

Os recursos do SNS devem ser geridos de forma razoável e com o bom senso necessário para cumprir a Constituição da República Portuguesa, no que diz respeito ao direito ao acesso universal aos cuidados de saúde. Houve necessidade de realização de consultas e cirurgias adicionais fora dos horários laborais, para se conseguir dar resposta atempada aos problemas.

 

De que forma a carência de dermatologistas no SNS prejudica a formação de internos?

A medicina em geral, onde se incluem as especialidades médicas, requer não só conhecimentos teóricos, mas práticos que só são possíveis através do contacto com os doentes e a experiência dos médicos mais velhos.

Isto porque a curva de aprendizagem e o reconhecimento de padrões clínicos dermatológicos é lento. Se não há dermatologistas seniores não pode haver formação adequada dos internos que entram na especialidade.

 

Na realidade nacional, há ainda grandes hospitais sem capacidade de respostas em Dermatologia? Quais os casos mais críticos neste momento?

Os casos mais críticos são os hospitais do sul do país, Alentejo e Algarve, onde não há dermatologistas no SNS ou os poucos que existem estão em final de carreira. Mas, também, há carências no interior norte e centro e nas ilhas.

“Os casos mais críticos são os hospitais do sul do país, Alentejo e Algarve, onde não há dermatologistas no SNS ou os poucos que existem estão em final de carreira.”

Na sua opinião, que medidas seria necessário tomar para aumentar a atratividade do SNS na Dermatologia e fixar especialistas?

Temos de analisar as causas que levaram ao êxodo dos dermatologistas do SNS. Certamente, uma das mais importantes foi a diferença salarial face ao que se pratica no setor privado. Ao haver mais oferta de emprego nos hospitais privados com melhores salários as pessoas optam por essa modalidade. Outro fator tem a ver com as carreiras médicas e a satisfação no trabalho.

A sobrecarga horária e assistencial condiciona a formação médica contínua e a atualização dos médicos, limitando o tempo de descanso, de estudo, a vida pessoal, a atividade científica e a marcação de férias. Esta é uma realidade de muitos médicos que continuam a dedicar-se ao SNS em Portugal. Ao invés de recompensados, sentem-se penalizados.

O controlo rígido dos horários numa atividade como a nossa, em que os tempos de consulta ou a necessidade de acorrer a situações urgentes são imprevisíveis, também contribuiu para o descontentamento das pessoas que procuram no setor privado outro tipo de gestão, mais virada para a produtividade do que para o controlo horário. Ao mesmo tempo assistimos a uma sobrecarga burocrática crescente em que os dermatologistas são obrigados a preencher impressos relacionados com tarefas que nada têm a ver com a sua especialidade. Estou a referir-me, por exemplo, aos pedidos de transporte para os utentes que se deslocam às consultas (uma tarefa que devia caber ao serviço social…), os atestados de incapacidade, que anteriormente eram assegurados pelas juntas médicas, etc.. Desejamos que a inovação tecnológica funcione como aliada do nosso dia-a-dia, não como mais uma sobrecarga de milhares de cliques por consulta ou ato médico…

O mesmo em relação a novos equipamentos que possa melhorar a qualidade dos cuidados prestados. Por fim, sugerimos desburocratizar as contratações de novos especialistas em tempo útil.

 

Texto: Sílvia Malheiro

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