Maria Clara Bicho - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/maria-clara-bicho/ Notícias sobre saúde Thu, 17 Apr 2025 11:52:07 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Maria Clara Bicho - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/maria-clara-bicho/ 32 32 “O microbioma é extremamente importante na prevenção e no tratamento da infeção por HPV” https://saudeonline.pt/o-microbioma-e-extremamente-importante-na-prevencao-e-no-tratamento-da-infecao-por-hpv/ https://saudeonline.pt/o-microbioma-e-extremamente-importante-na-prevencao-e-no-tratamento-da-infecao-por-hpv/#respond Wed, 16 Apr 2025 13:55:11 +0000 https://saudeonline.pt/?p=174420 A vacinação contra HPV é importante, mas também se deve dar relevância ao microbioma, quer na prevenção quer no tratamento. Quem o afirma é Maria Clara Bicho, ginecologista e investigadora no Instituto de Saúde Ambiental e no Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

O conteúdo “O microbioma é extremamente importante na prevenção e no tratamento da infeção por HPV” aparece primeiro em Saúde Online.

]]>

A vacinação alterou o panorama da infeção por HPV nos mais novos. Mas, em relação às mulheres que não tiveram acesso à vacina gratuita, a infeção ainda é uma preocupação?

Sim, a infeção por HPV é sempre uma preocupação, quando se tem uma vida sexual ativa. Uma mulher pode ser infetada em qualquer idade. Tive um caso de uma senhora, com 70 anos, sempre com testes negativos, que teve um novo parceiro e acabou por testar positivo. É um problema de saúde que também depende muito da imunidade de cada pessoa

E em relação às comunidades imigrantes, que vêm de países onde não se dá importância a esta infeção?

A realidade está a mudar. Estou ligada à Associação Científica Lusófona-Estudo das  Doenças Transmissíveis e Cancro e tenho colaborado em ações de formação em países de língua oficial portuguesa (PALOP), como Moçambique, Angola, Cabo Verde e Macau. O problema é que ainda não existe grande sensibilização junto das populações locais, assim como verbas para que possam investir mais no combate à infeção por HPV. Esta é uma situação que se poderia resolver se houvesse mais solidariedade. Em Portugal chega-se a ter vacinas quase a terminar o prazo, que não são usadas. Poderiam ser doadas.

Relativamente às mulheres imigrantes, que residem no nosso país, temos a oportunidade de as vacinar. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) está sobrecarregado, mas é importante, na Medicina Familiar, perceber se essas mulheres estão vacinadas. Deve-se também, obviamente, vacinar os filhos. Além da vacina, é essencial também fazer o rastreio a HPV e orientar, caso testem positivo.

“Se o microbioma estiver equilibrado, com probióticos, obtêm-se melhores resultados. Já existem estudos neste âmbito que o demonstram”

Fala-se muito em prevenção, mas que novidades existem, nos últimos tempos, em termos de tratamento?

Primeiramente, deve pensar-se na prevenção da infeção por HPV. Não esquecer a importância da imunidade, porque estamos a viver tempos muito difíceis, com muito stress, o que tem repercussões no sistema imunitário. Se este estiver fragilizado, diminuído, mais facilmente se pode ter a infeção. Algumas pessoas conseguem, naturalmente, eliminar o vírus, outras não e é preciso iniciar o tratamento. A carga genética também tem impacto.

 

Tem-se falado muito de microbioma. Qual a relevância na prevenção e no tratamento da infeção por HPV?

Desde 2013 que estou envolvida num estudo de investigação do microbioma, nos laboratórios Dr. Joaquim Chaves, assim como na deteção de anticorpos do vírus, para se perceber se a vacina foi eficaz. O microbioma é extremamente importante na prevenção e no tratamento da infeção por HPV. E não se pode pensar apenas na mulher, o tratamento também deve envolver o homem. Numa formação, no Brasil, em 2013, quando colaborei no lançamento da vacina contra HPV, a forma como sensibilizei um grupo de jovens foi com esta imagem: o ato sexual é como a pendrive e o computador, isto é, basta um deles estar infetado para que se transmita o vírus. O microbioma é importante na prevenção, mas também no tratamento. Se o microbioma estiver equilibrado, com probióticos, obtêm-se melhores resultados. Já existem estudos neste âmbito que o demonstram.

A infeção por HPV também afeta os homens. Dever-se-ia apostar em campanhas de alerta?

Sim, sem dúvida! Quando colaborei na introdução da vacina, em Portugal, com a Dr.ª Graça Freitas, só obtivemos aprovação para as meninas, porque não havia financiamento. Mas, na minha consulta, os meninos eram vacinados – os pais tinham de pagar. Finalmente, mais tarde, abrangeram-se também os rapazes.

 

Maria João Garcia

 

Notícia relacionada

O que sabe a população sobre HPV?

O conteúdo “O microbioma é extremamente importante na prevenção e no tratamento da infeção por HPV” aparece primeiro em Saúde Online.

]]>
https://saudeonline.pt/o-microbioma-e-extremamente-importante-na-prevencao-e-no-tratamento-da-infecao-por-hpv/feed/ 0
Entrevista. “A infeção por HPV também afeta o pénis, o ânus e a orofaringe” https://saudeonline.pt/entrevista-a-infecao-por-hpv-tambem-afeta-o-penis-o-anus-e-a-orofaringe/ https://saudeonline.pt/entrevista-a-infecao-por-hpv-tambem-afeta-o-penis-o-anus-e-a-orofaringe/#respond Fri, 03 Mar 2023 10:43:24 +0000 https://saudeonline.pt/?p=141170 Maria Clara Bicho é professora do Instituto de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Lisboa. Desde há vários anos tem-se dedicado ao estudo da infeção por HPV, um problema de saúde que pode ser prevenido com vacinação, preservativo e equilíbrio da microbiota vaginal. Amanhã, assinala-se o Dia Internacional da Consciencialização sobre HPV.

O conteúdo Entrevista. “A infeção por HPV também afeta o pénis, o ânus e a orofaringe” aparece primeiro em Saúde Online.

]]>

Dedica-se ao HPV desde 1991. O que a levou a interessar-se por este vírus?

Comecei a trabalhar com a Dra. Maria do Carmo Ornelas, da área da Biologia. Como vim da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), apaixonei-me primeiramente pela Imunologia por causa do problema da pré-eclâmpsia. E porquê? Porque a pré-eclâmpsia também está muito relacionada com o sistema imunitário. A partir de então, comecei a ler e a ouvir umas coisas sobre Imunologia e patologia oncológica e achei que era um tema muito interessante. Acabei, entretanto, por sair da MAC e ir para o IPO de Lisboa, onde conheci a Dra Carmo e outras colegas que gostavam destas áreas. Juntas acabámos por descobrir mais sobre HPV, sobretudo queríamos estudar a possibilidade de um vírus estar envolvido no desenvolvimento do cancro do colo do útero.

 

Nos anos 90, a infeção por HPV era um flagelo para a mulher…

É verdade! Fiquei chocadíssima com mulheres muito jovens que chegavam à consulta já num estadio que obrigava à realização de uma histerectomia radical. Nós, médicos, não percebíamos exatamente o que podia estar por detrás desta neoplasia, daí ter avançado com alguma investigação. Fui a outros países ter contacto com pessoas muito interessadas nesta infeção e acabou-se por se saber que um vírus contribuía para o cancro do colo do útero.

“A incidência de casos de cancro do colo do útero diminuiu de forma significativa desde que se começou a vacinação”

E essa descoberta foi bem aceite?

Quando comecei em estudar a infeção com a Dra Carmo Ornelas, fomos mesmo consideradas ‘loucas’. Mas conseguimos trazer a Portugal os grandes nomes desta área de conhecimento no primeiro Congresso Internacional do HPV, em 1999. Nesse momento, a comunidade científica percebeu que de facto se devia investir mais nesta descoberta e, em equipa, foi possível criar uma vacina.

 

E a vacinação mudou o panorama..

Sem dúvida! A incidência de casos de cancro do colo do útero diminuiu de forma significativa desde que se começou a vacinação. Inicialmente, tentou-se integrar a vacina no Plano Nacional de Vacinação para ambos os sexos. Mas não havia verbas. Felizmente, os rapazes já podem ser vacinados hoje em dia. A infeção por HPV também afeta o pénis, o ânus e a orofaringe. E até no pulmão. Estão envolvidas cada vez mais especialidades em torno da infeção HPV.

 

A população ainda associa este vírus apenas à mulher?

Sim. Por exemplo, nas consultas, quando ambas os parceiros estão infetados, surge muito a questão de quem terá sido o responsável. Nessas situações explico sempre que o sexo é como uma pen drive no computador:  a pen drive pode conter vírus e o computador também. Gosto de brincar para desanuviar o ambiente…

“Na minha opinião, o rastreio – que é essencial –  deve ser incluir a citologia e o teste HPV. Sou também apologista de que é preciso fazer testes aos homens, incluindo na orofaringe”

Considera que já se está a recuperar os rastreios ao cancro do colo do útero após a pandemia?

Tanto quanto sei, sim. Na minha opinião, o rastreio – que é essencial –  deve ser incluir a citologia e o teste HPV. Sou também apologista de que é preciso fazer testes aos homens, incluindo na orofaringe. A prática de sexo oral é cada vez mais comum, daí esta necessidade de não nos cingirmos somente ao rastreio na mulher. Aliás, qualquer tipo de sexo: vaginal, oral, digital, anal. É preciso transmitir esta ideia. O médico deve falar sobre sexo com naturalidade e sem qualquer estigma e preconceito.

Falando de prevenção, o uso de preservativo já é mais aceite?

O problema está nos preliminares. As pessoas usam muitas vezes o preservativo somente no momento da ejaculação para prevenirem a gravidez. Mas antes não se evitou o contacto e pode-se transmitir o vírus. A vagina tem ume ecossistema genital muito próprio. Isto é, tem um pH ácido para não haver envolvimento de outros microrganismos. O pénis, por sua vez, tem um pH alcalino para permitir a fecundação. Mas, por vezes, pode haver um desequilíbrio do ecossistema da mulher, levando ao surgimento de infeções.

“Geralmente, aconselho as minhas pacientes a fazerem probióticos para que haja um equilíbrio na microbiota para evitar infeções. Também aconselho aos homens”

Aconselha outras medidas?

Costumo fazer uma avaliação do ecossistema vaginal para analisar o microbioma. Geralmente, aconselho as minhas pacientes a fazerem probióticos para que haja um equilíbrio na microbiota para evitar infeções. Também aconselho aos homens.

 

A Dra esteve no EUROGIN, o encontro internacional de HPV, que decorreu entre 8 e 11 de fevereiro, em Espanha. Que novidades se pode esperar na área da infeção por HPV?

Falou-se muito o aumento do cancro da orofaringe e do ânus por causa desta infeção. É preciso apostar-se mais na prevenção, inclusive nos países menos desenvolvidos, onde nem sequer existe vacina. Temos que trabalhar todos juntos, envolver diferentes conhecimentos, não esquecendo a Saúde Pública e a Investigação.

 LUSA

Notícia relacionada

HPV. “O desafio atual são as mulheres não vacinadas e as que não fazem rastreio”

o

O conteúdo Entrevista. “A infeção por HPV também afeta o pénis, o ânus e a orofaringe” aparece primeiro em Saúde Online.

]]>
https://saudeonline.pt/entrevista-a-infecao-por-hpv-tambem-afeta-o-penis-o-anus-e-a-orofaringe/feed/ 0