Margarida Gaspar de Matos - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/margarida-gaspar-de-matos/ Notícias sobre saúde Fri, 27 May 2022 08:52:14 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Margarida Gaspar de Matos - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/margarida-gaspar-de-matos/ 32 32 Um terço dos alunos tem sinais de sofrimento psicológico https://saudeonline.pt/um-terco-dos-alunos-tem-sinais-de-sofrimento-psicologico/ https://saudeonline.pt/um-terco-dos-alunos-tem-sinais-de-sofrimento-psicologico/#respond Fri, 27 May 2022 06:42:22 +0000 https://saudeonline.pt/?p=132117 Esta é a primeira vez que o Ministério da Educação pede um estudo nacional sobre a saúde psicológica e bem-estar da comunidade escolar.

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Cerca de um terço dos alunos das escolas portuguesas tem sinais de sofrimento psicológico e défice de competências socioemocionais, um problema que se agrava com o avançar da escolaridade e afeta mais as raparigas, concluiu um estudo.

O estudo “Observatório Escolar: Monitorização e Ação | Saúde Psicológica e Bem-estar” foi realizado este ano junto de 8.067 crianças e adolescentes que frequentam escolas portuguesas, desde o pré-escolar até ao 12.º ano.

“Penso que os alunos, tirando uma minoria, dentro de uns tempos estarão recuperados”, defendeu a coordenadora do estudo, Margarida Gaspar de Matos, da Equipa Aventura Social da Universidade de Lisboa.

Segundo os investigadores, os problemas de saúde mental agravam-se à medida que os alunos crescem, até chegarem ao 12.º ano, altura em que são relatados mais problemas.

Ao longo do percurso escolar surgem duas exceções, as crianças do 2.º ano e os jovens do 8.º, que aparecem também especialmente vulnerabilizadas.

Os estudantes do 5.º ano aparecem como os mais satisfeitos com a vida e com menos sintomas de mal-estar psicológico: São os mais otimistas, confiantes, com maiores índices de sociabilidade, criatividade, energia e menor ansiedade face aos testes.

Esta é a primeira vez que o Ministério da Educação pede um estudo nacional sobre a saúde psicológica e bem-estar da comunidade escolar que, segundo o ministro João Costa, passará a ser realizado periodicamente.

“É uma resposta a evidências [provas] científicas que nos dizem que o bem-estar se correlaciona muito positivamente com os resultados escolares dos alunos, com o seu desempenho académico e, por isso, não podemos deixar isto de foram da atividade da escola”, explicou João Costa.

No estudo hoje divulgado, os investigadores procuraram identificar sintomas emocionais, problemas de comportamento, hiperatividade, problemas relacionados com os colegas, mas também comportamentos prossociais entre as crianças do pré-escolar e 1.º ciclo.

Após os inquéritos realizados com a ajuda de professores e educadores, concluíram que cerca de um quarto das crianças são irrequietas (23,2%) e distraem-se com facilidade (24,9%), mas 88,6% dizem ter pelo menos um bom amigo.

Entre os alunos mais velhos, mais de um quarto disse sentir tristeza (25,8%), irritação ou mau humor (31,8%) e nervosismo (37,4%) várias vezes por semana ou quase todos os dias.

Embora a maioria refira que raramente ou nunca sente uma tristeza tão grande que pareça não aguentar (67,1%), quase um terço admitiu sentir essa tristeza pelo menos mensalmente (32,9%).

Na escala de perceção da qualidade de vida, sete em cada dez alunos (71,4%) disseram sentirem-se calmos e tranquilos pelo menos metade do tempo, mas quase metade (42,7%) admitiu que ficava muito tenso na altura dos testes.

Numa comparação entre géneros, os rapazes mostraram ter uma melhor perceção de bem-estar, satisfação com a vida e menor sintomatologia de mal-estar psicológico. Eles são mais otimistas, têm maior controlo emocional, mais confiança, sociabilidade, mas também sofrem mais de ansiedade face aos testes e são mais vezes vítimas de ‘bullying’.

Os investigadores defenderam por isso que as raparigas carecem de “atenção redobrada à medida que se avança na escolaridade”.

O estudo surgiu na sequência da pandemia de covid-19, precisamente para perceber o efeito na comunidade escolar, concluindo que um em cada três alunos considerou que a vida na escola piorou, um quinto achou que a vida com os amigos também ficou pior e 28,4% referiu que a vida consigo mesmo também se agravou. Já a vida em família manteve-se inalterada para a maioria (56,7%).

Para Margarida Gaspar de Matos, os resultados não são dramáticos: “Isto não é uma catástrofe nacional, é apenas um período de vulnerabilidade nacional”, defendeu a coordenadora do estudo, realizado em parceria pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), Direção-Geral da Educação (DGE), Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE), e com a colaboração da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) e Fundação Calouste Gulbenkian.

O estudo encontrou também diferenças por regiões: Entre os mais pequenos, foram identificados mais problemas nas escolas das regiões do Douro e Tâmega e Sousa, nomeadamente no que toca aos sintomas emocionais, problemas de comportamento e problemas de relacionamento com os colegas.

Entre os mais velhos, os alunos das escolas do Alentejo aparecem como sendo os mais satisfeitos com a vida, por oposição aos algarvios que são os que se sentem pior, com menos confiança, sociabilidade e menor índice de relações positivas com os professores.

Os alentejanos são os que têm perspetivas mais positivas e dos que menos sofrem com os testes, por oposição aos alunos do Algarve e Norte que sentem maior pressão com o aproximar das provas.

SO/LUSA

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Um em cada dois jovens em idade escolar está em sofrimento psicológico

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Foto: JornalEconómico

Um em cada dois jovens em idade escolar está em sofrimento psicológico, disse a coordenadora da ‘Task Force’ de Ciências Comportamentais aplicada ao contexto covid-19, afirmando que as escolas são hoje um cenário de “grande turbulência”.

Margarida Gaspar de Matos, psicóloga e investigadora da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, afirmou na sua intervenção na reunião no Infarmed, em Lisboa, que observar estes sintomas nos jovens a incomoda.

“Isto foi um dado de há três dias de uma reunião de saúde pública, um em cada dois jovens está com sinais, não de doença mental, mas de sofrimento psicológico nos diferentes contextos, nas escolas, nas universidades nos locais de trabalho”, afirmou na reunião que juntou especialistas, membros do Governo e o Presidente da República, para analisar a situação epidemiológica no país

A psicóloga também manifestou preocupação com as mulheres nomeadamente as que têm filhos.

“O que é há nas escolas? jovens crianças e adolescentes e mulheres, nomeadamente mulheres com filhos. Portanto, as escolas são um cenário de grande turbulência neste momento que temos de olhar com muito cuidado”, advertiu.

No seu entender, é necessário focar a intervenção nos comportamentos de proteção da transmissão do vírus SARS-CoV-2. Mas, avisou, “não é no comportamento em si, é na competência e na motivação e nas oportunidades, bem como com instruções claras e orientadas para a ação. Quem tem de fazer o quê, em que circunstância e como”.

“A comunicação tem que ser clara e tem que se virar para a ação e depois trabalhar contextos facilitadores dos comportamentos de proteção, por exemplo, o distanciamento nos espaços públicos e acesso a máscaras novas em locais de maior risco”, defendeu.

Exemplificou que neste momento o que se observa é que a perceção de risco por parte dos mais novos “é praticamente nula”, sendo que a maior parte acha que “não está minimamente em risco”.

Por outro lado, apontou, “o custo benefício da vacinação na população mais velha baixou imenso”. “As pessoas tinham aquela ideia de que iam ser vacinadas e ficavam boas para sempre e esse bom princípio não aconteceu” e agora dizem-lhes que têm de fazer um reforço das vacinas.

Perante isto, as pessoas dizem: “Não, isto não vai acabar nunca”.

“Se calhar nós enganámo-nos nesta coisa da palavra reforço, deveríamos ter chamado atualização vacinal”, salientou, explicando que a palavra reforço dá a ideia de que se enganaram na dose e que agora é preciso reforçar.

“Nós estamos a falar para a população, não estamos a falar para técnicos”, vincou.

Alertou ainda para a questão da fadiga: “Se estamos cansados dessensibilizamos, já não ligamos e não conseguimos aderir às coisas”, bem como se a saúde mental fracassar e se houver sofrimento psicológico.

Para Margarida Gaspar de Matos, é preciso criar “várias estratégias de intervenção e várias políticas públicas”.

“Nós temos que ter um plano de ação e de comunicação articulados entre os vários agentes envolvidos. Não é só o cidadão sabe, o cidadão faz. Isto é mais muito mais complexo do que parece”, sublinhou.

Para a psicóloga, é preciso “continuar a motivar para os comportamentos de proteção”, alertando que há “várias barreiras no sentido de facilitar a propagação do vírus, o Natal e o frio”.

“Vimos hoje por exemplo que as pessoas que estão nos cuidados intensivos e que faleceram, a maior parte não estava vacinada, este dado é muito importante” e tem que ser divulgado para que as pessoas tenham uma perceção clara do risco sirva como incentivo para se vacinarem.

LUSA

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