José Sanches Magalhães - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/jose-sanches-magalhaes/ Notícias sobre saúde Wed, 01 Jul 2026 10:02:33 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png José Sanches Magalhães - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/jose-sanches-magalhaes/ 32 32 Cancro da próstata: tratar o tumor sem sacrificar a qualidade de vida https://saudeonline.pt/cancro-da-prostata-tratar-o-tumor-sem-sacrificar-a-qualidade-de-vida/ https://saudeonline.pt/cancro-da-prostata-tratar-o-tumor-sem-sacrificar-a-qualidade-de-vida/#respond Tue, 30 Jun 2026 08:00:05 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187949 Assistente Graduado de Urologia no IPO-Porto, Fellow do European Board of Urology e diretor do Instituto de Terapia Focal da Próstata (www.prostatafocal.com)

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O cancro da próstata é o tumor mais frequente no homem em Portugal, com milhares de novos casos por ano. A boa notícia é que, detetado a tempo, é hoje altamente tratável. A pergunta que cada vez mais doentes me colocam na consulta não é apenas “como me curo?”, mas “como me curo sem deixar de ser quem era?”. É uma pergunta justa — e a medicina tem hoje respostas que há uma década não tínhamos.

Durante muitos anos, o tratamento do cancro da próstata localizado assentou em duas opções: a cirurgia de remoção total da glândula e a radioterapia. São tratamentos eficazes e continuam a ser indispensáveis em muitos casos. Têm, porém, um preço frequente: por atuarem sobre toda a próstata, podem afetar estruturas vizinhas delicadas — os nervos da ereção e o esfíncter que controla a urina. Para muitos homens, isso significa conviver com incontinência ou disfunção sexual.

É aqui que entra a terapia focal, uma terceira via que mudou a forma como olho para esta doença. Em vez de tratar toda a glândula, tratamos apenas a zona onde o tumor está. Entre estas técnicas, a eletroporação irreversível (IRE) é a que melhor traduz esta filosofia. Não usa calor nem radiação: através de finas sondas colocadas com precisão, guiadas por imagem, aplicam-se impulsos elétricos que destroem as células tumorais e poupam o tecido saudável em redor. Por não depender de temperatura, respeita os feixes nervosos e o esfíncter urinário — exatamente as estruturas que mais sofrem nos tratamentos clássicos.

Na prática, é um procedimento minimamente invasivo, realizado em 30 a 90 minutos, que permite, na maioria dos casos, a alta no próprio dia e um regresso rápido à vida normal. Para o doente, isto traduz-se em menos tempo de internamento, menos receio e a possibilidade de voltar ao trabalho e à rotina em poucos dias. Fui um dos primeiros em Portugal a aplicar esta técnica ao cancro da próstata e, nos últimos anos, fui convidado a partilhar essa experiência com colegas no estrangeiro — sinal de que o que fazemos no Porto acompanha o que de melhor se pratica na Europa. Não falo de uma promessa de futuro, mas de uma realidade que já trata doentes portugueses.

Quero, contudo, ser claro: a terapia focal não substitui todos os tratamentos nem serve todos os doentes. Aplica-se a casos de cancro localizado, criteriosamente selecionados após um estudo individual rigoroso, que assenta na ressonância magnética e na biópsia de fusão — só um diagnóstico preciso permite um tratamento preciso. Há doentes para quem a cirurgia ou a radioterapia continuam a ser a melhor escolha.

A mensagem que deixo aos homens é simples: façam o rastreio, valorizem um PSA alterado e procurem informar-se. Um diagnóstico de cancro da próstata já não tem de significar escolher entre a cura e a qualidade de vida. Hoje, muitas vezes, é possível ter as duas.

Instituto de Terapia Focal da Próstata 

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O cancro da próstata não tira férias. E se este verão fosse o momento certo para salvar uma vida? https://saudeonline.pt/o-cancro-da-prostata-nao-tira-ferias-e-se-este-verao-fosse-o-momento-certo-para-salvar-uma-vida/ https://saudeonline.pt/o-cancro-da-prostata-nao-tira-ferias-e-se-este-verao-fosse-o-momento-certo-para-salvar-uma-vida/#respond Fri, 11 Jul 2025 08:56:41 +0000 https://saudeonline.pt/?p=177163 O cancro da próstata começa por ser silencioso, como alerta José Sanches Magalhães, urologista no Instituto de Terapia Focal da Próstata, no Porto.

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Com mais de 7 500 novos casos por ano em Portugal, o cancro da próstata continua a ser a principal doença oncológica masculina. Adiar exames pode parecer inofensivo, mas o tempo perdido pode fazer toda a diferença.

O verão é, para a maioria dos portugueses, sinónimo de pausa, descanso e tempo em família. Mas, enquanto as rotinas abrandam, a doença oncológica não dá tréguas. O cancro da próstata, o mais comum entre os homens no nosso país, continua a evoluir silenciosamente, muitas vezes sem dar sinais nas fases iniciais. E é precisamente nesta altura do ano, em que se adiam exames e se desvalorizam sintomas, que importa recordar a importância da prevenção.

De acordo com os dados da Globocan, Portugal regista mais de 7 500 novos casos de cancro da próstata todos os anos, sendo esta também uma das principais causas de morte por cancro entre os homens, com cerca de 2 000 óbitos anuais. A elevada incidência está diretamente ligada ao envelhecimento da população, mas não só. A falta de rastreio regular e o desconhecimento sobre os avanços no diagnóstico e tratamento contribuem para que muitos casos só sejam detetados em fases mais avançadas.

Os meses de verão, tradicionalmente associados a menor procura de cuidados médicos, representam uma janela de risco. As consultas são adiadas, os exames ficam para depois e as decisões clínicas acabam por ser postergadas. No caso do cancro da próstata, isso pode significar perder a oportunidade de intervir precocemente, com tratamentos menos invasivos e maior probabilidade de cura. Um simples teste de PSA e uma ressonância magnética multiparamétrica são, na maioria das vezes, suficientes para detetar a doença ainda numa fase localizada.

A evolução da medicina nos últimos anos tem permitido abordagens cada vez mais personalizadas e eficazes. A ressonância multiparamétrica, por exemplo, passou a ser central no rastreio dirigido, identificando com maior precisão os casos que realmente justificam uma biópsia. Esta, por sua vez, é hoje preferencialmente realizada por via transperineal, com menor risco de infeção e maior conforto para o doente. Quando o diagnóstico é confirmado, já não estamos apenas perante a escolha entre cirurgia radical ou radioterapia. A terapia focal tem vindo a afirmar-se como uma alternativa segura e eficaz em casos selecionados, permitindo tratar apenas a área afetada e preservar ao máximo a função urinária e sexual. Técnicas como a electroporação irreversível (IRE) são disso exemplo, proporcionando bons resultados oncológicos com menor impacto na qualidade de vida.

No Instituto de Terapia Focal da Próstata temos vindo, ao longo da última década, a aplicar estas soluções com sucesso, sempre com uma abordagem centrada no doente, com base na prática clínica mais atual. A tecnologia tem sido fundamental, mas mais determinante ainda é a deteção precoce. É aí que se ganha, muitas vezes, a batalha decisiva.

Por isso mesmo, se tem mais de cinquenta anos, ou se há casos de cancro da próstata na sua família, não espere por setembro para agir. O verão pode e deve ser uma oportunidade para cuidar de si. Aproveite este período com mais tempo livre para marcar os exames, esclarecer dúvidas com o seu médico e garantir que a sua saúde não fica para segundo plano. A maioria dos exames são simples, rápidos e pouco invasivos. E se o diagnóstico justificar tratamento, hoje existe um leque de opções que respeitam cada vez mais a qualidade de vida.

Falar de saúde masculina no verão não é apenas oportuno, é também urgente. Numa altura em que se multiplicam as campanhas sobre proteção solar, hidratação ou segurança rodoviária, a prevenção do cancro da próstata continua quase ausente da agenda mediática. Este artigo é também um apelo aos meios de comunicação. Está nas mãos da informação salvar vidas. Divulgar, questionar, colocar este tema na ordem do dia é um serviço público inestimável. E, muitas vezes, é a única forma de chegar àqueles que nunca entrariam, por iniciativa própria, no consultório de um urologista.

O cancro da próstata não tira férias. A saúde masculina ainda é, em muitos casos, um tema evitado. Quantos pais, maridos, irmãos ou amigos deixam andar por medo, por falta de tempo ou simplesmente porque acham que “não é nada”? Falar sobre cancro da próstata é também quebrar esse silêncio. Se este artigo faz pensar em alguém de quem gosta, partilhe-o. Uma simples conversa pode ser o ponto de partida para salvar uma vida.

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