José Dinis - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/jose-dinis/ Notícias sobre saúde Tue, 07 Feb 2023 12:07:50 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png José Dinis - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/jose-dinis/ 32 32 Cancro. “É muito importante que o Estado olhe para os recursos e os organize” https://saudeonline.pt/cancro-e-muito-importante-que-o-estado-olhe-para-os-recursos-e-os-organize/ https://saudeonline.pt/cancro-e-muito-importante-que-o-estado-olhe-para-os-recursos-e-os-organize/#respond Fri, 03 Feb 2023 10:52:53 +0000 https://saudeonline.pt/?p=140373 O diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas defende uma reorganização dos recursos disponíveis para ultrapassar as desigualdades no acesso aos cuidados na área oncológica.

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“É muito importante que o Estado olhe para os recursos que tem disponíveis e para onde está a população e os organize. É isso que o Programa Nacional das Doenças Oncológicas tenta fazer como uma estrutura técnica de apoio aos órgãos de decisão”, disse José Dinis em entrevista à agência Lusa, a propósito do Dia Mundial do Cancro, assinalado no sábado.

O médico oncologista explicou que, sendo a esmagadora maioria dos doentes com cancro em Portugal tratados no Serviço nacional de Saúde (SNS), “a iniquidade no acesso estará em primeira linha ligado com a heterogeneidade e a desigualdade como o sistema nacional de Saúde está implementado em Portugal”.

“Há sítios onde funciona muito bem, sítios em que funciona assim assim e sítios onde funciona de uma forma não tão bem”, admitiu José Dinis, assegurando, contudo, que os doentes têm acesso aos melhores tratamentos disponíveis para o tratamento do cancro.

Questionado se a crise tem tido impacto na disponibilidade dos medicamentos, o especialista começou por explicar que os tratamentos oncológicos são multidisciplinares, indo das cirurgias mais simples às mais complexas, passando por tratamentos muito sofisticados com “máquinas que custam milhões de euros” e por tratamentos biológicos, como a imunoterapia, um dos grandes avanços da oncologia.

“Mas o que posso dizer é que, desde que há cerca de 10, oito anos, houve uma maior racionalização da entrada dos novos medicamentos no sistema nacional de saúde as coisas estão melhores. No entanto, continuamos a ter algum atraso, que também é monitorizado, mas não é isso que está a condicionar os tratamentos”, declarou.

José Dinis explicou que ainda decorre “um tempo considerável” entre a aprovação dos fármacos pela Agência Europeia do Medicamento e a sua integração nos hospitais públicos, mas, afirmou, “as entidades estão a trabalhar nisso e estão a par destas dificuldades e Portugal também tem que melhorar alguma coisa nesta área”.

Mas, insistiu, “qualquer português pode-se sentir seguro” porque tem acesso aos melhores tratamentos, realçando que a taxa de sobrevivência do cancro “honra Portugal”, porque está acima da média europeia.

Sobre se a saída de especialistas do SNS tem tido impacto nos serviços de oncologia, o médico disse que são afetados como a generalidade do SNS porque os tratamentos oncológicos envolvem várias especialidades.

“Eu próprio, no meu serviço já senti isso. Neste momento, acho que sentimos todos de uma forma muito vincada nas várias especialidades envolvidas”, disse, sublinhando que as medidas políticas para travarem ou para inverterem esta situação competem ao Governo e não ao Programa para as Doenças Oncológicas.

Segundo os últimos dados do Registo Oncológico Nacional, foram diagnosticados 57.878 novos casos de cancro em 2020, um aumento de 19,3% face a 2010.

Questionado se estes números se poderão ter agravado nos últimos anos em que houve atrasos nos diagnósticos devido à pandemia de covid-19, o oncologista explicou que é preciso aguardar pelos novos dados.

Mas questionou: “Porque é que a pandemia vai aumentar o número de diagnósticos? Não me parece, pelo menos de forma explosiva”.

Referiu que o que as pessoas temem é que as neoplasias diagnosticadas e que surgiram nesse período estejam em fases mais avançadas e que isso se traduza depois numa menor sobrevivência, mas disse que é preciso esperar, não sendo claro que isso vai acontecer.

Na véspera de se assinalar o Dia Mundial do Cancro, José Dinis apelou à população para adotar um estilo de vida saudável, evitando o tabaco, o sedentarismo, a exposição ao sol, moderar o consumo das bebidas alcoólicas e fazer uma alimentação saudável.

“É na prevenção que está o ganho porque quando a doença se estabelece já estamos todos atrás do prejuízo com tudo que advém em termos de impacto físico, psicológico e às vezes até monetário”, salientou.

José Dinis lembrou que o doente oncológico não é só quem está doente, mas a família e muitas vezes as pessoas e os amigos que o rodeia.

Por isso, apelou às pessoas para estarem mais atentos à medida que a idade avança, para fazerem rastreios, porque o aumento da esperança de vida da população e, acima de tudo, os hábitos de vida levam a um aumento da incidência do cancro.

SO/LUSA

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O SaúdeOnline está a acompanhar a par e passo o 19º Congresso Nacional de Oncologia, que decorre até sexta-feira, dia 18, na Alfândega do Porto.

Uma das primeiras sessões da manhã desta quarta-feira juntou vários especialistas de renome para abordar o tema da “Reorganização dos centros de saúde: discutindo os centros de referência”. No final da sessão, o SaúdeOnline esteve à conversa com José Dinis, diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas.

O especialista destacou a necessidade de Portugal se envolver num projeto europeu de construção de uma rede de Centros Compreensivos de Cancro. O projeto foi iniciado no início de novembro. “Temos de verificar as realidades de cada país. Apresentei a realidade alemã nesta área, país que já está muito avançado”, referiu José Dinis, sublinhando que a avaliação das capacidades de cada país é um elemento fundamental para definir a rede europeia, nomeadamente os critérios e a implantação. No fundo, explica, para se perceber o que “cada país tem de fazer para lhe ser atribuída a certificação”, certificação essa que será importante para atribuição de fundos europeus nesta área aos diferentes países.

José Dinis realça que os Centros Compreensivos de Cancro têm a capacidade de realizar um melhor tratamento dos doentes, aumentando as possibilidades de cura. A explicação está, mais do que na qualidade dos profissionais, nos processos utilizados neste tipo de centros, nomeadamente na forma como se fazem as cirurgias. “Tudo nestes centros deve funcionar de forma atempada de modo a minimizar o desperdício e aumentar as hipóteses de cura”. O também oncologista do IPO do Porto acredita que Portugal tem capacidade para criar Centros Compreensivos de Cancro, mantendo-se a par das boas práticas seguidas noutros países europeus.

SO

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