José Artur Paiva - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/jose-artur-paiva/ Notícias sobre saúde Thu, 20 Oct 2022 11:31:39 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png José Artur Paiva - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/jose-artur-paiva/ 32 32 Mais de 20 hospitais comprometem-se a reduzir infeções para metade https://saudeonline.pt/mais-de-20-hospitais-comprometem-se-a-reduzir-infecoes-para-metade/ https://saudeonline.pt/mais-de-20-hospitais-comprometem-se-a-reduzir-infecoes-para-metade/#respond Tue, 18 Oct 2022 09:52:03 +0000 https://saudeonline.pt/?p=136394 O projeto "STOP Infeção Hospitalar 2.0” visa reduzir a incidência de cinco tipos de infeção hospitalar em 50% em três anos.

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Doze hospitais comprometeram-se a reduzir para metade as infeções hospitalares, ao abrigo de um projeto do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências a Antimicrobianos (PPCIRA), que abrange agora 22 instituições do país.

O alargamento do projeto “STOP Infeção Hospitalar 2.0”, que visa reduzir a incidência de cinco tipos de infeção hospitalar em 50% em três anos, foi consolidado esta segunda-feira, em Lisboa, numa cerimónia pública de assinatura da carta de compromisso pelos 22 hospitais aderentes.

A cerimónia contou com a presença, entre outros, da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, do diretor do PPCIRA José Artur Paiva, e da secretária de Estado da Promoção da Saúde, Margarida Tavares.

Em declarações aos jornalistas no final da cerimónia, José Artur Paiva lembrou um estudo realizado em 2011-2012, segundo o qual Portugal era dos países europeus com mais alta taxa de prevalência de infeção hospitalar.

Ao longo destes 10 anos, os resultados têm vindo a melhorar progressivamente, através do programa prioritário que foi criado na Direção-Geral de Saúde, o PPCIRA, adiantou.

Sob a égide da Fundação Calouste Gulbenkian [FCG] e com a colaboração PPCIRA, houve um programa em 2015-2018 dirigido a quatro tipos de infeção hospitalar: pneumonia de cuidados intensivos, as infeções associadas a cateteres, infeções urinárias associadas a algálias e as infeções associadas a cirurgias.

“O nosso objetivo no primeiro programa era reduzir em 50% os quatro tipos de infeção”, o que foi alcançado na totalidade dos 12 hospitais aderentes em três infeções. Na infeção associada à cirurgia do cólon e do reto houve uma redução, mas não atingiu os 50%.

Segundo José Artur Paiva, o objetivo para este próximo triénio “é exatamente igual”, mas “é mais ambicioso” nos hospitais que já faziam parte do projeto, uma vez que têm de reduzir mais 50%.

O diretor do programa da DGS explicou que os “velhos hospitais”, que já têm experiência adquirida do programa anterior, vão ser facilitadores da introdução das medidas aos novos hospitais.

Salientou que o projeto traz modificações “à luz do que a ciência foi trazendo de novo”, destacando o relato dos resultados no imediato.

“O programa promove a educação dos profissionais, a participação dos doentes e das famílias na estratégia de prevenção e uma série de medidas comportamentais de que saliento uma muito importante que é o ‘feedback’ de resultados no dia-a-dia”, referiu.

O médico explicou que em vez de dar relatórios ao fim de três ou seis meses ou de ano a ano, a informação é dada cada vez que surge uma infeção, que é declarada ao prestador de cuidados e aos profissionais, criando-se um processo colaborativo.

De acordo com o especialista, a maioria destas infeções são tratadas, mas têm como “reflexo negativo” o aumento da demora média de internamento, que traz um acréscimo de custos e até alguma dificuldade de acesso aos novos doentes.

Apontou ainda outro problema “mais moderno e preocupante” que são as infeções causadas por bactérias resistentes, “difíceis de tratar”, que obrigam a usar antibióticos mais potentes que induzem resistências.

Portanto, vincou, “ao reduzir infeções, estamos a criar um ciclo virtuoso que reduz a demora média [de internamento], melhora o acesso à saúde, reduz a resistência aos antibióticos e reduz o consumo de antibióticos”.

A DGS e o Ministério da Saúde reconhecem a relevância deste projeto nos hospitais e partilham os propósitos plasmados no Plano Nacional de Segurança do Doente 2021 que considera a participação dos hospitais neste projeto, que conta com a parceria da FCG e o apoio técnico-científico do Institute for Health Improvement, “um indicador do Índice de Qualidade do PPCIRA e parte integrante do processo de contratualização das instituições prestadoras de saúde do SNS”.

LUSA

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Pandemias. “O imprevisível vai, previsivelmente, acontecer mais vezes” https://saudeonline.pt/pandemias-o-imprevisivel-vai-previsivelmente-acontecer-mais-vezes/ https://saudeonline.pt/pandemias-o-imprevisivel-vai-previsivelmente-acontecer-mais-vezes/#respond Thu, 03 Mar 2022 09:40:53 +0000 https://saudeonline.pt/?p=128962 É importante perceber que “as surpresas serão cada vez mais frequentes na área da saúde pública”, sublinha o diretor de Medicina Intensiva do Hospital de São João.

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O diretor de Medicina Intensiva do Hospital de São João, no Porto, referiu que, dois anos depois do aparecimento da covid-19, é importante perceber que “as surpresas serão cada vez mais frequentes na área da saúde pública”.

“Tem de resultar desta pandemia a clara perceção de que o imprevisível vai, previsivelmente, acontecer mais vezes”, disse José Artur Paiva em entrevista à agência Lusa.

Lembrando o contexto em que vivemos, desde a globalização, à proximidade do reino animal ao reino humano, ou as mudanças climáticas e a evolução da resistência dos microrganismos, José Artur Paiva frisou que “é claro que o número de eventos imprevistos em termos de saúde pública vai ser cada vez mais frequente”.

“E, por causa disso, temos de estar sempre preparados”, completou o especialista que é crítico da forma como os cuidados de saúde primários estão articulados com os cuidados hospitalares e considera que o sistema de referenciação atual é “ancestral e ultrapassado”.

É necessário mudar o paradigma. Deixar de viver num ambiente em que estamos em contingência ou não”, referiu.

O cocoordenador da Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a covid-19 defendeu que “aumentar a capacitação do médico de cuidados de saúde primários em áreas de especialidade criaria uma diminuição no recurso à transferência para o hospital” e que “os hospitais precisam de ter geografias mais mutáveis, ter áreas silenciosas que são postas a funcionar quando são precisas”.

Dois anos volvidos do aparecimento da covid-19 em Portugal, José Artur Paiva aproveitou para sublinhar que “cuidar dos profissionais de saúde tem de estar na ordem do dia”, o que não se resume só às condições financeiras, mas sim a projetos, investigação, inventivo profissional e condições de trabalho.

Não podemos continuar a permitir a saída dos nossos melhores especialistas do Serviço Nacional de Saúde”, sublinhou, lembrando que é agora o tempo de pensar no peso que a covid-19, embora em desaceleração, vai deixar no sistema de saúde.

Entre outros exemplos, à Lusa o especialista contou que há estudos recentes que apontam que ter tido covid-19 com alguma expressão aumenta a probabilidade de ter eventos cardiovasculares no ano seguinte.

Já questionado sobre a resposta atual do país, o também presidente do Colégio de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos admitiu que a pandemia acelerou “uma capacitação significativa da Medicina Intensiva”, mas se o aumento de camas foi acompanhado de aumento de equipamento, já o aumento de recursos humanos “não foi tão significativo”, sobretudo no que se refere à disponibilidade de enfermeiros com formação diferenciada.

Segundo José Artur Paiva, atualmente Portugal tem 850 camas para doentes críticos, mais 230 do que em janeiro de 2020, mas cerca de 5% (cerca de 40 camas) não estão ativas.

“Temos ainda uma pequena quantidade, 5% das camas instaladas que não estão ativas por défice de recursos humanos. O grande impeditivo para que a totalidade das camas esteja ativa é a carência de enfermeiros”, explicou.

Com obras em curso no país, “em breve” o número de camas de cuidados intensivos subirá para as 900, o que fica próximo da média europeia que em janeiro de 2020 era de 9,2 por cada 100 mil habitantes.

“Creio que chegaremos ao fim desta fase de crise pandémica muito perto da média europeia. Mas sem covid-19, esta capacidade é precisa? Claramente sim”, frisou o especialista.

José Artur Paiva recordou que os serviços de Medicina Intensiva trabalham em Portugal historicamente, e mesmo antes da covid-19, com taxas de ocupação acima dos 90%, enquanto à escala internacional se define que as taxas de ocupação devem rondar os 80%.

“Este aumento de Medicina Intensiva é necessário, prepara-nos para a epidemiologia normal das doenças – estávamos impreparados em relação a outros países europeus – e dá-nos plasticidade de resposta. Permite responder a algo que vai ser cada vez mais frequente”, concluiu.

LUSA

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O Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) vai fazer “obras de capacitação” no Serviço de Medicina Intensiva para aumentar o número de camas disponíveis e duplicar o número de quartos de isolamento.

Em declarações à Lusa, no âmbito da portaria publicada hoje em Diário da República, o diretor do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital de São João, Artur Paiva, afirmou que a empreitada visa a “capacitação” daquele serviço.

“Houve um conhecimento por parte das estruturas centrais de que o número de camas com que partimos para a crise [pandémica] da covid-19 em medicina intensiva era inferior aquilo que deveria ser”, disse, acrescentando que a obra se insere no “projeto global nacional de capacitação da medicina intensiva”.

Pelo Serviço de Medicina Intensiva do Hospital de São João, no Porto, passam anualmente “três mil doentes”, afirmou o clínico, acrescentando que a empreitada vai permitir “um ligeiro aumento do número de camas”, passando de 70 para 78.

Alem do aumento de 12% do número de camas, as obras de capacitação vão também permitir “duplicar o número de quartos de isolamento de unidades de cuidados intensivos”, passando de nove para 18.

“Tendo já resultados muito positivos, uma mortalidade em UCI de 11% e hospitalar global de 16%, [a empreitada] vai permitir melhorar o cuidado dos doentes”, destacou.

Nos quartos de isolamento, as melhorias feitas permitirão também “modelar a pressão ambiental” no seu interior, possibilitando a criação de “pressão positiva para evitar que contaminantes que existem no ar do quarto sejam levados para fora”, como “pressão negativa e evitar em determinadas patologias que os micro-organismos que causam doença saiam do quarto”.

“É importante na covid-19, e já era e continua a ser importante por outras patologias como a gripe e a tuberculose”, salientou.

O diretor do Serviço de Medicina Intensiva referiu ainda que as melhorias vão permitir mitigar “um problema significativo”, nomeadamente, as infeções que são adquiridas pelos doentes naquele serviço hospitalar.

“Num doente em que há um grande investimento de cuidados intensivos não faz sentido adquirir uma infeção no hospital. Depois, há uma capacidade de evitar a transmissão das infeções de um doente para o outro e até para os profissionais, aumentando a segurança”, acrescentou.

Com um investimento de perto de seis milhões de euros, a empreitada vai durar cerca de seis meses e decorrer em duas fases, numa primeira vai atuar “numa área que não era de cuidados intensivos e vai passar a ser” e, numa segunda fase, “atuar no melhoramento da área que já era de cuidados intensivos”.

“Num projeto que esperamos que no princípio do próximo ano possa estar concluído”, acrescentou Artur Paiva.

LUSA

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