João Filipe Raposo - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/joao-filipe-raposo/ Notícias sobre saúde Thu, 23 Oct 2025 10:48:29 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png João Filipe Raposo - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/joao-filipe-raposo/ 32 32 Diabetes – Visão Global: Prevenção e Fatores de Risco https://saudeonline.pt/diabetes-visao-global-prevencao-e-fatores-de-risco/ https://saudeonline.pt/diabetes-visao-global-prevencao-e-fatores-de-risco/#respond Thu, 23 Oct 2025 09:50:58 +0000 https://saudeonline.pt/?p=179908 A apresentação de João Filipe Raposo, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia e diretor clínico da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, vai abordar três áreas principais: o mundo desigual da diabetes, o mundo novo na mudança de paradigma e o mundo do futuro.

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Na primeira parte, dedicada ao mundo desigual da diabetes, o orador, também presidente-eleito da Federação Internacional da Diabetes – Região Europa, relembra que, mesmo 100 anos após a descoberta da insulina, persistem grandes desigualdades no diagnóstico, no acesso às terapêuticas e no acompanhamento multidisciplinar. “Continuamos com uma boa parte da população com diabetes por diagnosticar atempadamente, e muitas crianças, jovens e adultos continuam a ser diagnosticados com diabetes tipo 1 em fases muito graves da doença”, explica.

João Filipe Raposo acrescenta que estas desigualdades também se refletem no acesso a novos tratamentos e no rastreio das complicações, fundamentais para preservar a qualidade de vida. “As complicações – renais, cardiovasculares, de saúde mental, entre outras – continuam a ser responsáveis pela maior perda de qualidade de vida e pela mortalidade. E, apesar de existirem novas terapêuticas eficazes, os custos voltam a ser uma barreira importante”, sublinha.

Na segunda parte, dedicada ao mundo novo na mudança de paradigma, o médico destaca programas de rastreio precoce da diabetes tipo 1, como o projeto português “Dedo que adivinha”, derivado do projeto europeu Edent1fy, que permitem acompanhar as pessoas antes do surgimento dos sintomas. “O soft landing é um dos benefícios imediatos do rastreio, mas permitirá no futuro também utilizar terapêuticas modificadoras da doença, adiando o aparecimento dos sintomas na diabetes tipo 1 e a progressão da doença”, afirma.

Ele sublinha ainda a possibilidade de reduzir a incidência da diabetes tipo 2 através de medicamentos eficazes e do tratamento da obesidade. “Ao tratar a obesidade com sucesso, é possível reduzir uma boa parte dos novos casos de diabetes tipo 2”, destaca.

Por fim, João Filipe Raposo explora o mundo do futuro, destacando três áreas centrais: tecnologia, novas profissões de saúde e o papel do cidadão. Quanto à tecnologia, aponta os wearables e a inteligência artificial como ferramentas que fornecem feedback imediato e ajudam na gestão da doença, mas alerta que “é essencial definir bem como estas ferramentas devem ser usadas, para que não substituam o pensamento crítico nem a avaliação pessoal do estado de saúde”.

Sobre as novas profissões de saúde, defende a necessidade de repensar a distribuição de competências para garantir cuidados adequados, mesmo perante a escassez de médicos e enfermeiros. Já em relação ao cidadão, João Filipe Raposo reforça que “cada pessoa terá cada vez mais responsabilidade na gestão da sua saúde e da sua doença. Mas essa responsabilidade não deve ser confundida com transferência de culpa”. “O cidadão tem também um papel ativo na exigência de mudança da sociedade”, conclui.

 

Sílvia Malheiro

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Quer na diabetes quer na obesidade, a prevenção é essencial

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Diabetes. “A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral” https://saudeonline.pt/diabetes-a-populacao-sabe-fazer-escolhas-saudaveis-mas-e-condicionada-por-fatores-como-o-horario-laboral-3/ https://saudeonline.pt/diabetes-a-populacao-sabe-fazer-escolhas-saudaveis-mas-e-condicionada-por-fatores-como-o-horario-laboral-3/#respond Mon, 25 Mar 2024 14:14:55 +0000 https://saudeonline.pt/?p=157047 João Filipe Raposo, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, considera que é fundamental alterar o modelo social para que se consiga diminuir a prevalência da diabetes. Para o especialista, as jornadas de trabalho longas e baixos salários são exemplos de fatores que também contribuem para más escolhas alimentares.

O conteúdo Diabetes. “A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral” aparece primeiro em Saúde Online.

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diabetes

Que avaliação faz da evolução da diabetes em Portugal?

Gostaria de lhe dar uma visão extremamente positiva, ou seja que já se havia conseguido estabilizar a curva crescente da diabetes tipo 2, que se estaria mais perto da cura da diabetes tipo 1, que já conhecíamos melhor outros tipos mais raros de diabetes, contudo não o posso fazer. Infelizmente, a realidade é outra e ainda é uma doença preocupante, que continua a crescer  na população em Portugal – e não só –, com os elevados custos associados, e ainda não temos uma verdadeira estratégia que combata a diabetes tipo 2, que tem muito a ver com os estilos de vida. Existem alguns projetos-piloto, mas ainda estamos muito longe de ter os resultados desejáveis

 

O que está a falhar no combate a esta doença?

Não temos tido uma grande capacidade de discutir e mudar o nosso modelo social, ou seja focamo-nos apenas na responsabilidade da pessoa ao optar por estilos de vida menos saudáveis, mas sem ir ao cerne da questão. A sociedade em que vivemos também leva a que as pessoas optem mais facilmente por uma alimentação pouco saudável e por uma vida mais sedentária, sem prática regular de exercício físico. A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral, o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. As jornadas longas de trabalho, com baixos salários, diminuem o tempo que se tem para o exercício e contribuem para se optar por alimentos de pior qualidade, por exemplo. O próprio modelo de urbanização não promove a saúde. Podemos gastar muito dinheiro em folhetos e campanhas, mas se não alterarmos a falta de condições que promovem a adoção de hábitos saudáveis, mantemos o problema.

“O modelo social de Portugal é muito diferente do vigente nos países nórdicos [da Europa], onde existe um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal”

Facilmente se opta mais por alimentos hipercalóricos e pré-cozinhados…

Sim, a nossa sociedade é obesogénica. Os alimentos menos saudáveis tendem inclusive a ser mais baratos do que os outros. Num país em que os salários são baixos, as pessoas vão inevitavelmente comprar o que não faz tão bem, mas podem pagar.

 

É um problema que deve assim envolver diferentes parceiros?

Sem dúvida! Não basta uma única medida. E, claro, a promoção da saúde deve começar sempre na infância. Apesar de tudo, temos tido também alguns avanços (como a legislação referente aos refrigerantes), mas não é suficiente para mudar comportamentos. Quando se fala sobre doenças não transmissíveis é preciso olhar para várias vertentes. O modelo social de Portugal é muito diferente do vigente nos países nórdicos [da Europa], onde existe um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

“A educação terapêutica é fundamental, apesar de não ser muito reconhecida pelos sistemas de saúde” 

E relativamente a quem já foi diagnosticado com diabetes, que avaliação faz do acesso a cuidados de saúde em Portugal?

Felizmente, temos acesso às inovações terapêuticas, apesar de alguns atrasos que vão sempre acontecendo no que diz respeito à aprovação e comparticipação. Atualmente, a grande questão é o  acesso à tecnologia das bombas perfusoras de insulina para diabetes tipo 1. Temos uma proposta do Governo que vai permitir o acesso às de última geração a toda a população com diabetes tipo 1, mas ainda desconhecemos de que forma se vai operacionalizar essa medida.

Na diabetes tipo 2, a inovação farmacológica permite-nos controlar melhor a doença em si e, simultaneamente, prevenir algumas complicações como as do foro cardiovascular e renal. Falta, todavia, dar mais atenção a outras dimensões tais como a saúde mental de quem vive com esta doença crónica, o fígado gordo, a retinopatia diabética … É importante não esquecer o papel das equipas multidisciplinares que permitem dar um melhor acompanhamento ao doente, ajudando-o na gestão da sua própria doença. Deveria existir mais equipas. Mesmo para o Estado, a prevenção e o bom controlo da diabetes contribuem para a redução das despesas do sistema de saúde.

 

“Educar para proteger o futuro” foi o tema do Dia Mundial da Diabetes. A educação para  a saúde é um desafio mundial?

Sim, à medida que se vai conhecendo melhor a doença comprova-se cada vez mais a relação da diabetes com outras patologias, como as cardiovasculares. É também fator de risco para um pior prognóstico de doenças oncológicas ou infeciosas… É essencial conseguir-se, primeiramente, diagnosticar o mais cedo possível, para que se possa ter maior qualidade de vida e menos custos associados – e para que se consiga controlar a doença. A educação terapêutica é fundamental, apesar de não ser muito reconhecida pelos sistemas de saúde. Nós, profissionais de saúde, não podemos esquecer esta vertente. A educação terapêutica é das ferramentas mais eficazes para o uso correto dos cuidados de saúde.

MJG

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“Na Endocrinologia existem três patologias muito prevalentes: diabetes, obesidade e patologia tiroidea”

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Diabetes. “A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral” https://saudeonline.pt/diabetes-a-populacao-sabe-fazer-escolhas-saudaveis-mas-e-condicionada-por-fatores-como-o-horario-laboral-2/ https://saudeonline.pt/diabetes-a-populacao-sabe-fazer-escolhas-saudaveis-mas-e-condicionada-por-fatores-como-o-horario-laboral-2/#respond Thu, 16 Nov 2023 15:00:07 +0000 https://saudeonline.pt/?p=151280 João Filipe Raposo, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, considera que é fundamental alterar o modelo social para que se consiga diminuir a prevalência da diabetes. Para o especialista, as jornadas de trabalho longas e baixos salários são exemplos de fatores que também contribuem para más escolhas alimentares.

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Que avaliação faz da evolução da diabetes em Portugal?

Gostaria de lhe dar uma visão extremamente positiva, ou seja que já se havia conseguido estabilizar a curva crescente da diabetes tipo 2, que se estaria mais perto da cura da diabetes tipo 1, que já conhecíamos melhor outros tipos mais raros de diabetes, contudo não o posso fazer. Infelizmente, a realidade é outra e ainda é uma doença preocupante, que continua a crescer  na população em Portugal – e não só –, com os elevados custos associados, e ainda não temos uma verdadeira estratégia que combata a diabetes tipo 2, que tem muito a ver com os estilos de vida. Existem alguns projetos-piloto, mas ainda estamos muito longe de ter os resultados desejáveis

 

O que está a falhar no combate a esta doença?

Não temos tido uma grande capacidade de discutir e mudar o nosso modelo social, ou seja focamo-nos apenas na responsabilidade da pessoa ao optar por estilos de vida menos saudáveis, mas sem ir ao cerne da questão. A sociedade em que vivemos também leva a que as pessoas optem mais facilmente por uma alimentação pouco saudável e por uma vida mais sedentária, sem prática regular de exercício físico. A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral, o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. As jornadas longas de trabalho, com baixos salários, diminuem o tempo que se tem para o exercício e contribuem para se optar por alimentos de pior qualidade, por exemplo. O próprio modelo de urbanização não promove a saúde. Podemos gastar muito dinheiro em folhetos e campanhas, mas se não alterarmos a falta de condições que promovem a adoção de hábitos saudáveis, mantemos o problema.

“O modelo social de Portugal é muito diferente do vigente nos países nórdicos [da Europa], onde existe um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal”

Facilmente se opta mais por alimentos hipercalóricos e pré-cozinhados…

Sim, a nossa sociedade é obesogénica. Os alimentos menos saudáveis tendem inclusive a ser mais baratos do que os outros. Num país em que os salários são baixos, as pessoas vão inevitavelmente comprar o que não faz tão bem, mas podem pagar.

 

É um problema que deve assim envolver diferentes parceiros?

Sem dúvida! Não basta uma única medida. E, claro, a promoção da saúde deve começar sempre na infância. Apesar de tudo, temos tido também alguns avanços (como a legislação referente aos refrigerantes), mas não é suficiente para mudar comportamentos. Quando se fala sobre doenças não transmissíveis é preciso olhar para várias vertentes. O modelo social de Portugal é muito diferente do vigente nos países nórdicos [da Europa], onde existe um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

“A educação terapêutica é fundamental, apesar de não ser muito reconhecida pelos sistemas de saúde” 

E relativamente a quem já foi diagnosticado com diabetes, que avaliação faz do acesso a cuidados de saúde em Portugal?

Felizmente, temos acesso às inovações terapêuticas, apesar de alguns atrasos que vão sempre acontecendo no que diz respeito à aprovação e comparticipação. Atualmente, a grande questão é o  acesso à tecnologia das bombas perfusoras de insulina para diabetes tipo 1. Temos uma proposta do Governo que vai permitir o acesso às de última geração a toda a população com diabetes tipo 1, mas ainda desconhecemos de que forma se vai operacionalizar essa medida.

Na diabetes tipo 2, a inovação farmacológica permite-nos controlar melhor a doença em si e, simultaneamente, prevenir algumas complicações como as do foro cardiovascular e renal. Falta, todavia, dar mais atenção a outras dimensões tais como a saúde mental de quem vive com esta doença crónica, o fígado gordo, a retinopatia diabética … É importante não esquecer o papel das equipas multidisciplinares que permitem dar um melhor acompanhamento ao doente, ajudando-o na gestão da sua própria doença. Deveria existir mais equipas. Mesmo para o Estado, a prevenção e o bom controlo da diabetes contribuem para a redução das despesas do sistema de saúde.

 

Todas essas questões vão ao encontro do tema deste ano do Dia Mundial da Diabetes: “Educar para proteger o futuro”. É uma questão mundial?

Sim, à medida que se vai conhecendo melhor a doença comprova-se cada vez mais a relação da diabetes com outras patologias, como as cardiovasculares. É também fator de risco para um pior prognóstico de doenças oncológicas ou infeciosas… É essencial conseguir-se, primeiramente, diagnosticar o mais cedo possível, para que se possa ter maior qualidade de vida e menos custos associados – e para que se consiga controlar a doença. A educação terapêutica é fundamental, apesar de não ser muito reconhecida pelos sistemas de saúde. Nós, profissionais de saúde, não podemos esquecer esta vertente. A educação terapêutica é das ferramentas mais eficazes para o uso correto dos cuidados de saúde.

MJG

Notícia relacionada

“Na Endocrinologia existem três patologias muito prevalentes: diabetes, obesidade e patologia tiroidea”

O conteúdo Diabetes. “A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral” aparece primeiro em Saúde Online.

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Diabetes. “A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral” https://saudeonline.pt/diabetes-a-populacao-sabe-fazer-escolhas-saudaveis-mas-e-condicionada-por-fatores-como-o-horario-laboral/ https://saudeonline.pt/diabetes-a-populacao-sabe-fazer-escolhas-saudaveis-mas-e-condicionada-por-fatores-como-o-horario-laboral/#respond Mon, 13 Nov 2023 16:08:25 +0000 https://saudeonline.pt/?p=151086 João Filipe Raposo, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, considera que é fundamental alterar o modelo social para que se consiga diminuir a prevalência da diabetes. Para o especialista, as jornadas de trabalho longas e baixos salários são exemplos de fatores que também contribuem para más escolhas alimentares.

O conteúdo Diabetes. “A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral” aparece primeiro em Saúde Online.

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diabetes

Que avaliação faz da evolução da diabetes em Portugal?

Gostaria de lhe dar uma visão extremamente positiva, ou seja que já se havia conseguido estabilizar a curva crescente da diabetes tipo 2, que se estaria mais perto da cura da diabetes tipo 1, que já conhecíamos melhor outros tipos mais raros de diabetes, contudo não o posso fazer. Infelizmente, a realidade é outra e ainda é uma doença preocupante, que continua a crescer  na população em Portugal – e não só –, com os elevados custos associados, e ainda não temos uma verdadeira estratégia que combata a diabetes tipo 2, que tem muito a ver com os estilos de vida. Existem alguns projetos-piloto, mas ainda estamos muito longe de ter os resultados desejáveis

 

O que está a falhar no combate a esta doença?

Não temos tido uma grande capacidade de discutir e mudar o nosso modelo social, ou seja focamo-nos apenas na responsabilidade da pessoa ao optar por estilos de vida menos saudáveis, mas sem ir ao cerne da questão. A sociedade em que vivemos também leva a que as pessoas optem mais facilmente por uma alimentação pouco saudável e por uma vida mais sedentária, sem prática regular de exercício físico. A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral, o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. As jornadas longas de trabalho, com baixos salários, diminuem o tempo que se tem para o exercício e contribuem para se optar por alimentos de pior qualidade, por exemplo. O próprio modelo de urbanização não promove a saúde. Podemos gastar muito dinheiro em folhetos e campanhas, mas se não alterarmos a falta de condições que promovem a adoção de hábitos saudáveis, mantemos o problema.

“O modelo social de Portugal é muito diferente do vigente nos países nórdicos [da Europa], onde existe um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal”

Facilmente se opta mais por alimentos hipercalóricos e pré-cozinhados…

Sim, a nossa sociedade é obesogénica. Os alimentos menos saudáveis tendem inclusive a ser mais baratos do que os outros. Num país em que os salários são baixos, as pessoas vão inevitavelmente comprar o que não faz tão bem, mas podem pagar.

 

É um problema que deve assim envolver diferentes parceiros?

Sem dúvida! Não basta uma única medida. E, claro, a promoção da saúde deve começar sempre na infância. Apesar de tudo, temos tido também alguns avanços (como a legislação referente aos refrigerantes), mas não é suficiente para mudar comportamentos. Quando se fala sobre doenças não transmissíveis é preciso olhar para várias vertentes. O modelo social de Portugal é muito diferente do vigente nos países nórdicos [da Europa], onde existe um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

“A educação terapêutica é fundamental, apesar de não ser muito reconhecida pelos sistemas de saúde” 

E relativamente a quem já foi diagnosticado com diabetes, que avaliação faz do acesso a cuidados de saúde em Portugal?

Felizmente, temos acesso às inovações terapêuticas, apesar de alguns atrasos que vão sempre acontecendo no que diz respeito à aprovação e comparticipação. Atualmente, a grande questão é o  acesso à tecnologia das bombas perfusoras de insulina para diabetes tipo 1. Temos uma proposta do Governo que vai permitir o acesso às de última geração a toda a população com diabetes tipo 1, mas ainda desconhecemos de que forma se vai operacionalizar essa medida.

Na diabetes tipo 2, a inovação farmacológica permite-nos controlar melhor a doença em si e, simultaneamente, prevenir algumas complicações como as do foro cardiovascular e renal. Falta, todavia, dar mais atenção a outras dimensões tais como a saúde mental de quem vive com esta doença crónica, o fígado gordo, a retinopatia diabética … É importante não esquecer o papel das equipas multidisciplinares que permitem dar um melhor acompanhamento ao doente, ajudando-o na gestão da sua própria doença. Deveria existir mais equipas. Mesmo para o Estado, a prevenção e o bom controlo da diabetes contribuem para a redução das despesas do sistema de saúde.

 

Todas essas questões vão ao encontro do tema deste ano do Dia Mundial da Diabetes: “Educar para proteger o futuro”. É uma questão mundial?

Sim, à medida que se vai conhecendo melhor a doença comprova-se cada vez mais a relação da diabetes com outras patologias, como as cardiovasculares. É também fator de risco para um pior prognóstico de doenças oncológicas ou infeciosas… É essencial conseguir-se, primeiramente, diagnosticar o mais cedo possível, para que se possa ter maior qualidade de vida e menos custos associados – e para que se consiga controlar a doença. A educação terapêutica é fundamental, apesar de não ser muito reconhecida pelos sistemas de saúde. Nós, profissionais de saúde, não podemos esquecer esta vertente. A educação terapêutica é das ferramentas mais eficazes para o uso correto dos cuidados de saúde.

MJG

Notícia relacionada

“Na Endocrinologia existem três patologias muito prevalentes: diabetes, obesidade e patologia tiroidea”

O conteúdo Diabetes. “A população sabe fazer escolhas saudáveis, mas é condicionada por fatores como o horário laboral” aparece primeiro em Saúde Online.

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