Joana Castelhano - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/joana-castelhano/ Notícias sobre saúde Mon, 01 Jun 2026 09:30:58 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Joana Castelhano - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/joana-castelhano/ 32 32 “Mais do que uma profissão, a Medicina tornou-se para mim uma forma de viver com propósito, através do cuidado, proximidade e serviço aos outros” https://saudeonline.pt/mais-do-que-uma-profissao-a-medicina-tornou-se-para-mim-uma-forma-de-viver-com-proposito-atraves-do-cuidado-proximidade-e-servico-aos-outros/ https://saudeonline.pt/mais-do-que-uma-profissao-a-medicina-tornou-se-para-mim-uma-forma-de-viver-com-proposito-atraves-do-cuidado-proximidade-e-servico-aos-outros/#respond Mon, 01 Jun 2026 09:30:58 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187449 Joana Castelhano, médica de família na USF Travessa da Saúde – ULS São José, começou por querer ir para a NASA, mas descobriu que é na Medicina Geral e Familiar (MGF) que é feliz. Desde a adolescência sempre se empenhou em projetos humanitários, de voluntariado, para dar resposta a populações muito vulneráveis. A exercer Medicina em Camarate, no mês do Médico de Família, conta-nos os desafios que tem enfrentado numa freguesia onde há vários problemas sociais graves, como violência doméstica e até fome. No final, deixa um apelo aos mais novos: não deixem que a pressão assistencial e os indicadores vos afastem da visão holística e humanitária, tão próprias da MGF.

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Sempre teve o sonho de seguir Medicina e de ser médica de família?

Nem por isso [risos]. Em pequena queria trabalhar no circo! Depois, comecei a sonhar ser astronauta, estudar Engenharia Física e ir para a NASA. Mas também pensei ser missionária e partir para África. A Medicina apareceu mais tarde…  Nasci em 1975. O meu pai era sociólogo e a minha mãe assistente social, ambos muito empenhados na construção da democracia e de um Estado Social. Em casa, aprendi desde cedo o espírito de serviço e que cada um pode (e deve) ter um papel ativo na comunidade.  Também fui escuteira e o escutismo foi uma grande escola de serviço e de vida. Foi uma experiência que me fez crescer com alguns valores e um grande sentido de missão.

Foi precisamente com os escuteiros que comecei a fazer voluntariado. Depois na adolescência fui voluntária no Hospital D. Estefânia- como Bata Amarela –, visitava e brincava com as crianças internadas – e na capelania do Hospital de Santa Maria, onde tocava guitarra na missa, ao domingo, e de seguida visitava os doentes. Com o grupo “Jovens Sem Fronteiras”, participei em projetos em bairros de lata em Lisboa e em África.

Nessa altura, não sonhava ser médica, porque gostava muito de Física e Química. A ideia da Medicina surgiu quando fiz os testes psicotécnicos e a psicóloga notou que a candidata a astronauta tinha os pés assentes na Terra e mostrava uma alegria genuína sempre que falava das experiências de voluntariado e de contacto com pessoas. Fez-me refletir sobre a possibilidade de escolher uma profissão onde pudesse continuar a viver essa alegria todos os dias.

E daí a opção pela Medicina Geral e Familiar?

Também não foi uma decisão imediata! Quando terminei a faculdade de Medicina fiz um curso sobre lepra e parti para Moçambique com um microscópio. No regresso, entrei para Cardiologia Pediátrica. Gostava (genuinamente) tanto de Cardiologia como de Pediatria. Parecia, na altura, o caminho certo.

Mas, ao fim de dois anos, comecei a perceber que aquilo que mais me realizava não era o lado técnico da Medicina. O que realmente me tocava eram as pessoas, conhecer as suas histórias, acompanhá-las ao longo da vida, e às suas famílias, perceber o seu contexto, estar presente nos momentos mais importantes, dos mais felizes aos mais difíceis.  Sentia falta dessa proximidade humana. E estava cansada de urgências, técnicas e da vida hospitalar…

Nessa altura recordei-me da experiência que havia tido num estágio médico em férias, da vida de uma médica de família, em Pias. Fazia domicílios a idosos espalhados pela planície alentejana, que nos recebiam com alegria e gratidão…  Foi também determinante ter conhecido naquele momento a Dr.ª Alexandra Fernandes, grande entusiasta da MGF, que viria a ser minha orientadora de formação.   Repeti o exame da especialidade e escolhi MGF. Já passaram 17 anos e continuo a achar que foi uma das decisões mais acertadas da minha vida.

“… há ainda uma grande parte da população a viver em condições muito precárias, sem conseguir ultrapassar o nível básico de subsistência, e dependente de prestações sociais. Nos muitos bairros de génese ilegal construídos nos anos 50, as casas têm más condições de salubridade, sem ventilação ou iluminação natural, por vezes sem saneamento básico”

Ainda apanhou a reforma dos cuidados de saúde primários…

Sim, foi uma fase de grande entusiasmo e novidade, para mim e para a MGF.   Pessoalmente, recordo-me da sensação de sair do Hospital de Santa Maria (de um ambiente tenso, competitivo, uma máquina gigante conectada por corredores intermináveis) e de “despertar” em Fernão Ferro, numa pequena extensão de saúde em ambiente quase rural. Fiquei encantada…

E neste contexto, encontrar uma equipa que combinava grande dinamismo (tinha sido um Projeto Alfa e depois uma das primeiras USF a nível nacional), competência técnica, espírito de missão e dedicação incansável à comunidade.  Uma equipa de excelência, a todos os níveis, e que era como uma família.

Foi um enorme privilégio aprender a ser médica de família com a Dr.ª Alexandra Fernandes e com a Dr.ª Maria da Luz Pereira (na altura a coordenadora da USF Fernão Ferro MAIS), numa pequena freguesia, longe do hospital e muito próxima das pessoas, onde sentia que fazíamos parte da vida da população e onde os utentes precisavam realmente de nós. Essa experiência moldou profundamente a forma como vejo a MGF.

Em 2010, terminado o internato, soube que se estava a constituir uma USF em Camarate, uma freguesia nos subúrbios de Lisboa, perto de mim mas totalmente desconhecida. Conheci a Dr.ª Ana Raposo e o Dr. António Gravato, mentores do projeto, que me cativaram pelo seu humanismo e poesia, mas não fazia ideia ao que vinha…

4.º Mundo à saída da capital… Bairros suburbanos, acampamento de ciganos, bairros de barracas, parcialmente substituídos por bairros de realojamento, casas clandestinas empoleiradas em morros, espreitando a autoestrada. População portuguesa pobre e envelhecida (migrantes chegados do Alentejo e da Beira Interior nos anos 50 e 60), que se renova com imigrantes dos quatro cantos do mundo: africanos, europeus de leste, brasileiros, indianos, paquistaneses. Uma Babel de línguas, culturas, religiões. Quotidianos de pobreza, clandestinidade, consumos e tráficos, violência, desestruturação da família…

As condições de vida são muito precárias…

Sim, há ainda uma grande parte da população a viver em condições muito precárias, sem conseguir ultrapassar o nível básico de subsistência, e dependente de prestações sociais. Nos muitos bairros de génese ilegal construídos nos anos 50, as casas têm más condições de salubridade, sem ventilação ou iluminação natural, por vezes sem saneamento básico. Mas vão-se construindo anexos, com condições ainda piores, que são arrendados a imigrantes…  Os transportes públicos nos bairros são escassos e chegar ao centro de Lisboa pode demorar mais de 1hora e implica apanhar vários autocarros diferentes (apesar de estamos apenas a 10-15 Km). Quotidianos difíceis que tornam a realidade social ainda mais complexa.

“No fundo, fomos percebendo que cuidar da saúde também passa por criar oportunidades, estimular o desenvolvimento das crianças, fortalecer redes de apoio e aproximar as pessoas da comunidade”

Face a este cenário, a ligação entre Saúde e Social é essencial. Como se consegue dar resposta a esta população tão vulnerável?

Desde os primeiros dias de trabalho na USF, vivemos uma série de desafios. Dramas humanos que nos abalam profundamente, que é preciso aprender a gerir e para os quais temos de procurar respostas. Rapidamente percebi que ser médica de família aqui significava muito mais do que fazer consultas ou prescrever medicamentos (até porque muitas vezes os utentes não têm possibilidade de os comprar…). Significava tentar compreender a vida das pessoas em todas as suas dimensões. Muitos dos seus problemas de saúde estão profundamente ligados à pobreza, à solidão, à iliteracia, à exclusão social ou às barreiras no acesso aos cuidados.

Mas também percebi muito cedo que ninguém consegue responder sozinho a estes desafios. A articulação entre a Unidade de Saúde, apoio social e a comunidade é absolutamente essencial. Trabalhamos em proximidade com a assistente social, com a Junta de Freguesia, o Centro Paroquial e com várias outras instituições locais. Mas ainda assim, muitas vezes as estruturas sociais e comunitárias não têm recursos suficientes para dar resposta. E por outro lado, uma rede informal de proximidade muitas vezes tornava-se mais eficaz e mais célere.

Foi assim que nasceu, em 2013, uma “Liga de Amigos”, um grupo de voluntariado ligado à USF. Surgido da nossa vontade de promover a saúde, no seu sentido mais lato, bio-psico-socio-cultural. Gente disponível, sensível às necessidades da comunidade: um casal de reformados; a visitadora de doentes da paróquia; o desempregado de longa duração; uma doente oncológica; o pároco, o presidente da Junta de Freguesia, as religiosas de uma congregação que vivem e trabalham na freguesia, a assistente social do Centro de Saúde; por vezes as nossas famílias e amigos.

Todos os meses novas situações: um doente invisual que precisa de acompanhamento para ir ao hospital; uma idosa analfabeta que pede apoio para organizar a medicação; uma mulher jovem com uma doença neurodegenerativa que há vários anos não saía de casa, mas que finalmente viu construída uma rampa… Pequenos gestos que, na prática, têm um enorme impacto na vida das pessoas.

Os voluntários acabaram também por ajudar a desenvolver outros projetos, à medida que as necessidades iam surgindo na USF: a dinamização da sala de espera, onde se construiu uma biblioteca infantil, inserida num projeto de promoção da literacia infantil (com empréstimo de livros nas consultas a partir dos 6 meses e uma “Hora do Conto” mensal), o grupo de croché “EntreNós” para mulheres vítimas de violência doméstica (referenciadas pelo seu médico de família), a colaboração com o projeto “Jovem Despertar” (apoio escolar para crianças desfavorecidas, numa garagem do bairro) angariando os alimentos para o lanche, a dinamização de “Caminhadas Saudáveis”, etc…

No fundo, fomos percebendo que cuidar da saúde também passa por criar oportunidades, estimular o desenvolvimento das crianças, fortalecer redes de apoio e aproximar as pessoas da comunidade. É essa dimensão profundamente humana da Medicina de Família que continua a inspirar-me todos os dias.

 Também têm lutado contra a violência doméstica. Como tem sido essa experiência?

Ao longo do tempo fomos percebendo que muitos problemas de saúde mental, (ansiedade, depressão, alcoolismo) eram subjacentes a situações de violência doméstica e a um grande isolamento social. Isso levou-me a pensar numa abordagem menos formal e mais humana, mais centrada na criação de relações e de confiança. Foi assim que nasceu o “Entre Nós”, um grupo terapêutico de croché que tinha lugar aos sábados à tarde. Eu nem sabia fazer croché…

Muitas das mulheres chegavam ao grupo sem saber exatamente o motivo pelo qual tinham sido encaminhadas. O médico de família sugeria-lhes a participação, explicando-lhes que os trabalhos manuais podiam melhorar a ansiedade ou depressão. E esse efeito está de facto descrito. Mas é claro que a conexão social e a interajuda foram o elo mais forte. Aos poucos, começaram a aperceber-se que tinham histórias semelhantes e começaram a apoiar-se umas às outras.

Foi extraordinário assistir à sua transformação! Muitas recuperaram autoestima, confiança e autonomia. Algumas conseguiram reorganizar completamente a sua vida.  Nunca esquecerei uma senhora com depressão major, que estava numa relação abusiva há cerca de 30 anos. Ia diariamente ao hospital de dia de Psiquiatria fazer terapia ocupacional, como forma de prevenção do suicídio e numa tentativa de reabilitação cognitiva.

Inicialmente era muito reservada, não falava e não participava em nada. Mas, no grupo, descobrimos que sabia fazer croché. Aos poucos, estimulada pelas outras participantes, começou não só a fazer como a ensinar, a envolver-se nas atividades e até a participar em feiras onde vendiam os trabalhos realizados. A mudança foi impressionante! Ganhou um novo propósito, criou relações, voltou a acreditar em si própria e acabou por conseguir sair da relação abusiva em que vivia há décadas. Ainda me telefona todos os anos, para dar notícias da sua nova vida.

Lembro-me de o psiquiatra me contactar, surpreendido com a evolução clínica, perguntando que alterações lhe tinha feito à terapêutica. E, na verdade, não tinha feito nenhuma…às vezes, cuidar da saúde mental começa por criar espaços de pertença, dignidade e ligação humana.

“Nas USF oferecemos cuidados de excelência a uma população cada vez mais exigente e consumidora. Mas quem não tem médico de família, muitas vezes não tem acesso sequer aos cuidados mais básicos, criando-se uma enorme desigualdade”

Ainda existem estas iniciativas ou algumas já se perderam no tempo?

Algumas mantêm-se, outras foram evoluindo ou tornando-se mais difíceis de sustentar. Hoje, os cuidados de saúde primários vivem uma enorme pressão assistencial e administrativa. As exigências são muitas e sobra menos tempo para projetos comunitários que exigem continuidade e dedicação fora do contexto estritamente clínico.  Somos uma USF modelo B a iniciar o processo de acreditação.

Apesar das dificuldades, continuo convencida de que a população mais vulnerável beneficia muito de abordagens integradas e próximas da comunidade e que os ganhos em saúde podem ser grandes. Por outro lado, a essência da MGF é a promoção da saúde e prevenção da doença, a que dedicamos cada vez menos tempo. Atualmente, tenho o privilégio de trabalhar 6 horas por semana na Clínica Nascer e Crescer da ULS São José, que foi criada no Centro de Saúde de Marvila, para dar resposta a doentes sem médico de família- grávidas e crianças. É uma população pobre, na maioria imigrante, excluída.

Nas USF oferecemos cuidados de excelência a uma população cada vez mais exigente e consumidora. Mas quem não tem médico de família, muitas vezes não tem acesso sequer aos cuidados mais básicos, criando-se uma enorme desigualdade. Continuamos a receber utentes sem médico em consultas de Atendimento Complementar, que seriam para situações de doença aguda, com situações muito graves de saúde, que não encontram outra porta de entrada para o SNS.

No fundo, têm apostado na prescrição social? 

A prescrição social é uma abordagem em que profissionais de saúde encaminham os utentes para recursos, atividades e apoios comunitários que podem melhorar a sua saúde e bem-estar, em vez de recorrer exclusivamente a medicamentos ou intervenções médicas. Eu diria que já o fazemos há 16 anos, começámos de forma intuitiva, mas mais do que prescrever, criámos também alguns dos recursos que usamos.

O Ministério da Saúde deveria incluir nos indicadores esta componente mais social, já que tem forte impacto na prevenção em saúde?

Faz-me sentido que haja indicadores de complexidade clínica e incentivos específicos para quem trabalha com estas populações. Cumprir os indicadores clássicos exige um grande esforço adicional e empenho da nossa equipa, sem que nos sejam dados recursos especiais para o fazer. No entanto, não sei se este trabalho social pode ser inteiramente mensurável ou traduzido por indicadores. Isso não quer dizer que não se aloquem recursos, se se traduzir em ganhos em saúde e satisfação dos profissionais e utentes.

“Criámos então num armazém um espaço seguro e lúdico, onde as crianças pudessem estar, lanchar (para alguns, é a última refeição do dia) e estudar”

 O tempo é escasso, mas a ligação ao setor social também não deve ser fácil, já que não há recursos humanos suficientes no Serviço Nacional de Saúde (SNS). O que é mais difícil na gestão desta articulação entre Saúde e Social?

Há falta de recursos humanos de parte a parte. Atualmente, há uma única assistente social que dá resposta a 6 unidades de saúde e com quem contactamos por email. Mas a resposta social formal é limitada… Acredito que as respostas têm de surgir também na sociedade civil. E acredito na economia circular.

Atualmente, sou presidente da associação “Jovem Despertar”, em Camarate, que é um centro de apoio ao estudo para crianças carenciadas dos 1.º e 2.º ciclos. A associação nasceu há 13 anos, a par com o nosso grupo de voluntários. Surgiu de uma necessidade identificada: em Camarate há muito insucesso escolar. Por outro lado, muitas crianças provenientes de famílias monoparentais ficam sozinhas depois do horário escolar, até que as mães que trabalham em limpezas de escritórios ou na restauração regressem a Camarate, muito tarde, pelas 21-22h. Percebemos que era urgente uma resposta social, que não existia nestes bairros de génese ilegal (onde, para além da escola, não existem outros equipamentos sociais). Criámos então num armazém um espaço seguro e lúdico, onde as crianças pudessem estar, lanchar (para alguns, é a última refeição do dia) e estudar. Este projeto é financiado maioritariamente por famílias /particulares, que “apadrinham” as crianças.

 O voluntariado é saudável! Tudo o que fazemos pelos outros reverte, em primeiro lugar, para nós próprios em saúde mental, satisfação pessoal, alegria, laços relacionais, propósito e sentido de comunidade.

“Há grandes peripécias, e muita criatividade, num contexto social de “salve-se quem puder”. Há quem improvise o tempo todo para conseguir (sobre)viver. Solidariedade, humor e espírito de equipa é o segredo” 

Pode dizer-se que na USF Travessa da Saúde, além dos benefícios salariais de uma USF modelo B, também têm um salário emocional? 

Sim! Enfrentamos muitas dificuldades no SNS.  Mas o nosso trabalho faz mesmo muita diferença na vida das pessoas e elas dão-nos conta disso diariamente. É um grande privilégio ser médica de família.

Neste contexto tão difícil, como aprendeu a gerir as emoções?

Aprendemos em equipa, com muita interajuda e solidariedade, porque na “Travessa da Saúde” também vive uma família. E com muito sentido de humor! Acontecem coisas nesta freguesia…como diz a Dr.ª Ana Raposo: “Quem não veio a Camarate, ainda não viu o mundo!” Há grandes peripécias, e muita criatividade, num contexto social de “salve-se quem puder”. Há quem improvise o tempo todo para conseguir (sobre)viver. Solidariedade, humor e espírito de equipa é o segredo.

Que mensagem gostaria de deixar aos mais novos?

Diria que vale a pena experimentar esta dimensão social e mais humana da Medicina. Porque, no fim, é muitas vezes aí que encontramos o maior sentido para aquilo que fazemos. Não deixem que a pressão assistencial e os indicadores nos afastem da visão holística e humanitária, tão próprias da MGF.

 

 Maria João Garcia

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