Incontinência - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/incontinencia/ Notícias sobre saúde Tue, 08 Oct 2019 15:45:11 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Incontinência - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/incontinencia/ 32 32 Obesidade duplica risco de incontinência em mulheres mais jovens https://saudeonline.pt/obesidade-duplica-risco-de-incontinencia-em-mulheres-mais-jovens/ https://saudeonline.pt/obesidade-duplica-risco-de-incontinencia-em-mulheres-mais-jovens/#respond Thu, 27 Sep 2018 10:44:17 +0000 https://saudeonline.pt/?p=60232 O risco de mulheres mais jovens terem incontinência urinária quase duplica se essas mesmas mulheres forem obesas, revela uma metanálise realizada por uma equipa de investigadores da Universidade de Queensland, na Austrália.

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Em comparação com mulheres com um Índice de Massa Corporal (IMC) normal, as mulheres obesas (com um IMC superior a 30), têm 1,95 vezes mais probabilidade de desenvolverem incontinência urinária (IU). O risco reduz-se para um terço no caso das mulheres com excesso de peso (IMC entre 25 e 30). “No geral”, escrevem os autores, “a estimativa combinada do risco para o desenvolvimento da IU devido à exposição ao excesso de peso (sobrepeso mais obesidade) foi de 1,68”.

A equipa, liderada por Tayla Lambert, analisou 14 estudos (publicados até setembro de 2017) envolvendo uma amostra total de 47.293 mulheres de oito países: Austrália, França, Estados Unidos, Dinamarca, Inglaterra, Escócia, País de Gales e Holanda. Os investigadores selecionaram estudos que incidiram sobre mulheres com 55 ou menos anos, peso em excesso e um follow-up de dois anos ou mais.

No que diz respeito à idade, os investigadores não encontraram diferenças no risco de IU entre mulheres com menos de 36 anos de idade (jovens) e aquelas entre 36 e 53 anos (meia-idade).

Considerada uma doença que afeta, na maior parte das vezes, mulheres mais velhas e que já tiveram filhos, a incidência da incontinência urinária tem vindo a crescer entre as mulheres mais jovens e nulíparas. Estudos recentes sugerem que o excesso de peso e a obesidade aumentam o risco de IU em mulheres, possivelmente porque o excesso de peso abdominal aumenta a pressão sobre a bexiga.

Os autores também determinaram se o excesso de peso estava associado a um risco aumentado para qualquer um dos quatro subtipos de IU: IU de esforço; IU de urgência; IU mista; IU severa. Dos 14 estudos analisados, 5 forneceram estimativas de risco em função do tipo de incontinência. Assim, o risco para a IU mista foi de 2,45, seguido por 2,28 para a IU grave, 1,90 para a IU de urgência e 1,83 para a IU de esforço.

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Fórum Global de Incontinência: Vencer o estigma para colocar a doença na agenda https://saudeonline.pt/forum-global-de-incontinencia-vencer-o-estigma-para-colocar-a-doenca-na-agenda/ https://saudeonline.pt/forum-global-de-incontinencia-vencer-o-estigma-para-colocar-a-doenca-na-agenda/#respond Thu, 17 May 2018 17:23:29 +0000 https://saudeonline.pt/?p=54980 Se a incontinência urinária fosse um país, seria o 3º mais populoso do mundo. Para afastar o estigma e para alertar o poder político de que é necessário dar mais atenção a esta patologia, especialistas, doentes e decisores políticos reúnem-se para falar sobre incontinência. Sem tabus. O último encontro decorreu no mês passado, em Roma, e o Saúde Online esteve lá.

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A comparação faz sentido para se perceber a dimensão do problema: se a incontinência urinária fosse um país, seria o 3º mais populoso do mundo, só ultrapassado pela China e pela Índia e à frente de colossos como os EUA ou o Brasil. São mais de 400 milhões de pessoas, homens e mulheres, praticamente de todas as idades. Para afastar o estigma e para alertar o poder político de que é necessário dar mais atenção a esta patologia – atribuindo mais recursos, por exemplo -, especialistas, doentes e decisores políticos reúnem-se de dois em dois anos para falar sobre incontinência. Sem tabus. O último encontro, o Global Forum of Incontinence, decorreu no mês passado, em Roma, e o Saúde Online esteve lá.

“O envelhecimento da população é uma vitória”, começou por dizer o presidente do Congresso, Adrian Wagg, para, logo a seguir, explicar que esse progresso, isto é, o aumento da esperança média de vida, vem com uma fatura associada. “Muitas destas pessoas mais idosas têm mais do que uma doença. As comorbilidades aumentam com o avançar da idade”, disse Wagg. Com a lista de doenças a aumentar (hipertensão, diabetes, colesterol elevado), acumulam-se também os medicamentos. A polimedicação é um dos fatores que podem potenciar o aparecimento da incontinência urinária, explicou Wagg, que é também professor de Envelhecimento Saudável na Universidade de Alberta, no Canadá.

Apesar dos avanços clínicos para aumentar o número de opções de tratamento disponíveis, atualmente, apenas uma minoria dos doentes com incontinência consegue uma cura ou solução adequada à sua situação. Os medicamentos existentes para esta doença apenas mitigam os seus efeitos – conseguem reduzir as contrações da bexiga ou melhorar a ação do esfíncter da uretra, diminuindo os episódios de perda involuntária da urina, mas não resolvem o problema. Aliás, o presidente da Sociedade Sueca de Urologia, Ralph Peeker, disse ao Saúde Online que não acredita “que possamos avançar muito mais a nível farmacológico para resolver o problema”.

Um estilo de vida saudável tem estado sempre na linha da frente no que respeita à prevenção da doença. “O desafio é fazer as pessoas ouvirem os nossos conselhos”, afirmou Adrian Wagg. “Se quisermos reduzir a prevalência e a incidência tem de ser pela via da cessação tabágica, melhor alimentação, muito mais exercício físico. Temos de mudar as mentalidades. É muito difícil mas é possível”, acredita o médico Ralph Peeker.

 

 

Se, por um lado, a sensibilização para a adoção de hábitos de vida saudáveis é essencial, por outro, “temos de olhar para o tratamento”, como lembrou Wagg. O médico sueco Ralph Peeker acredita que o caminho, ainda longo, é a evolução da medicina regenerativa, que permita intervir diretamente na origem do problema: “Eu acredito que a engenharia de tecidos (medicina regenerativa) pode talvez possa ser uma opção neste caso. Tem havido alguns esforços promissores nesta área para obrigar o esfíncter a funcionar. Todos os grandes investigadores da área dizem acreditar que vai demorar mais 5 anos, mas já o diziam há 20 anos atrás”.

Ainda o estigma

Estima-se que a incontinência urinária afete cerca de 6% da população mundial. Em Portugal, são 600 mil as pessoas a viverem com a doença. Em Itália, mais de 5 milhões. No entanto, nem todas têm um acompanhamento médico especializado. Muitas têm vergonha de admitir que são incontinentes. O estigma perdura e, por isso, o Global Forum of Incontinence, deu espaço aos testemunhos de alguns doentes. O mais emotivo foi o do apresentador de televisão canadiano Derick Fage, que nasceu com a doença e é o embaixador da Fundação Canadiana de Incontinência. Num discurso longo e pontuado com lágrimas, Fage falou dos momentos difíceis pelos quais passou na infância mas deixou uma mensagem de esperança e alento a todos aqueles que vivem com a doença, incentivando os doentes a partilharem as suas histórias nas comunidades onde vivem.

“Esses estereótipos, esses estigmas, têm de desaparecer. E isto só se consegue com muitas campanhas de sensibilização”, garante a presidente de Associação Portuguesa de Psicogerontologia. Maria João Quintela, que também esteve presente no encontro, diz que a sociedade tem de saber construir “um ambiente mais friendly” para estas pessoas. As casas de banho públicas são essenciais para responder às necessidades das pessoas que sofrem de incontinência, mas a verdade é que ainda são raros os espaços públicos que têm este serviço.

Ainda há muito a fazer para colocar o problema na agenda política. Durante o encontro, foi unanime a ideia de que é necessário influenciar os decisores políticos, de modo a aumentar o número de recursos alocados ao combate à incontinência. Mas para isso é preciso afastar o estigma. “Temos de ter a atenção dos políticos. Essa é a questão. Mas porque é que os incontinentes não falam?”, questionava Kawaldip Sehmi, CEO da Aliança Internacional das Associações de Doentes.

Saúde Online

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