Dr. Ricardo Mexia - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/dr-ricardo-mexia/ Notícias sobre saúde Tue, 24 Nov 2020 17:00:10 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Dr. Ricardo Mexia - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/dr-ricardo-mexia/ 32 32 “Resposta do SNS tem um limite”, avisam médicos de saúde pública https://saudeonline.pt/resposta-do-sns-tem-um-limite-avisam-medicos-de-saude-publica/ https://saudeonline.pt/resposta-do-sns-tem-um-limite-avisam-medicos-de-saude-publica/#respond Mon, 12 Oct 2020 09:15:00 +0000 https://saudeonline.pt/?p=99046 "Se as infeções continuarem a aumentar pode ser difícil prestar cuidados", alerta o presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública.

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O presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública alerta que a resposta do Serviço Nacional de Saúde “não é ilimitada” e salientou que se as infeções por covid-19 continuarem a aumentar pode ser difícil prestar cuidados.

“Sendo verdade que já se esperava, que havia uma evolução do número de casos, pelo facto de se verificar não devemos ficar menos preocupados”, afirmou Ricardo Mexia, assinalando que Portugal regista um “número elevado de casos” de covid-19.

Apesar de ressalvar que o limite da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ainda não foi ultrapassado, o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP) alertou que se os casos continuarem numa trajetória ascendente o país vai “ter dificuldades precisamente nessa resposta”.

“A resposta do SNS não é ilimitada e, portanto, tem um limite”, frisou, sustentando que se se mantiver “este ritmo talvez seja difícil para o SNS conseguir dar os cuidados necessários a todos os que deles necessitam”, ao mesmo tempo que sublinhou que esta é uma “constatação que já há longo tempo” era sabida.

Assim, na ótica do médico, “é fundamental interromper as cadeias de transmissão para evitar este avolumar do número de casos”.

Ricardo Mexia pediu “um reforço dos meios, designadamente no que diz respeito à capacidade de resposta das unidades de saúde pública”.

“As unidades, com os recursos que têm, têm uma particular dificuldade em conseguir realizar todas as tarefas de vigilância epidemiológica”, sublinhou.

Portugal registou hoje mais cinco mortos relacionados com a covid-19 e um número recorde de 1.646 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Desde o início da pandemia, em março, este é o maior número de casos de infeção. O segundo maior registo aconteceu a 10 de abril, com 1.516, e o terceiro mais recentemente, nesta sexta-feira, com 1.394 novos casos.

Perante estes dados, Ricardo Mexia considerou também que aquilo que “eventualmente preocupará mais são os impactos do número de casos, ou seja, aquilo que diz respeito por um lado aos internamentos, por outro às necessidades de cuidados intensivos” e, ainda, à “mortalidade associada”.

Questionado se a solução para contrariar o aumento de novas infeções por covid-19 deverá passar por um novo confinamento da população, o presidente da ANMSP admitiu essa hipótese.

“Eu julgo que essa é uma medida que nenhum de nós deseja nem desejava, mas (…), se nós não tivermos de facto uma resposta” através do “reforço dos meios humanos, materiais, para conseguir interromper cadeias de transmissão, se as diversas atividades económicas não fizerem o que lhes compete em termos de adaptação e minimização do risco e se o Governo não tiver os meios para alocar aos serviços para que eles possam dar uma resposta adequada” e se os cidadãos não fizerem a sua parte no cumprimento das recomendações, será “difícil” poder “encontrar outra solução”, alertou.

“Os recursos que temos são estes, se não forem suficientes acho que uma medida mais restritiva pode, eventualmente, ser a única que, perante o aproximar daquele limite, daquela linha vermelha que é a capacidade de resposta do SNS, eu não vejo muitas alternativas que possamos utilizar”, concluiu.

SO/LUSA

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Mais de mil casos diários dificulta quebra das cadeias de transmissão https://saudeonline.pt/mais-de-mil-casos-diarios-dificulta-quebra-das-cadeias-de-transmissao/ https://saudeonline.pt/mais-de-mil-casos-diarios-dificulta-quebra-das-cadeias-de-transmissao/#respond Fri, 09 Oct 2020 09:11:33 +0000 https://saudeonline.pt/?p=98997 Inquéritos epidemiológicos começam, de novo, a acumular-se. Médicos "estão muito assoberbados" com trabalho, diz o presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública.

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Mais de mil casos de covid-19, “não sendo surpreendente”, não é um valor desejável “numa base diária”, porque mesmo sem agravar a mortalidade ou comprometer a capacidade de internamento, dificulta a resposta da saúde pública, defendem estes profissionais.

Para Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, ultrapassar as mil infeções por dia “é uma barreira mais psicológica do que epidemiológica”, uma vez que não há qualquer quantificação que coloque uma linha vermelha nos mil casos, ainda que reconheça que como base diária, possa vir a ser problemático, sobretudo para o trabalho de inquérito epidemiológico feito pelos médicos de saúde pública, que se queixam de falta de recursos para o volume de trabalho.

Para Ricardo Mexia está em causa a capacidade de quebrar cadeias de transmissão, sendo cada vez mais difícil aos médicos “já muito assoberbados” garantir que são feitos todos os contactos nas vigilâncias ativas.

 

Inquéritos epidemiológicos começam, de novo, a acumular-se

 

Mesmo o inquérito epidemiológico, que é uma tarefa fundamental, em algumas unidades já tem ficado pendente de um dia para o outro. É muito difícil conseguir dar resposta de forma sistemática a este tipo de pressão e agora além deste avolumar dos casos os profissionais já estão numa situação de grande desgaste fruto do trabalho acumulado ao longo do tempo”, disse Ricardo Mexia à Lusa.

Perante o atual cenário, em que não se registou um agravamento da mortalidade e em que os serviços de saúde continuam a ter capacidade de resposta e de internamento a casos graves, Ricardo Mexia descarta a necessidade de novas medidas, como um novo confinamento, a ser adotado em alguns países.

O responsável recordou que esse confinamento foi necessário numa fase inicial para “ganhar tempo” perante uma pandemia para a qual ninguém estava preparado, assegurando meios de resposta e garantindo um número de casos suficientemente baixo para não se traduzir num afluxo incomportável aos serviços de saúde.

“Nós até podemos ter 10 mil casos, que se forem todos benignos isso não é um problema, nem havia nenhuma medida que tivéssemos que estar a implementar. O problema são os casos das pessoas mais vulneráveis, que acabam por ter desfechos mais negativos. Até ver, felizmente, ainda não estamos nesse patamar, porque nem os internamentos atingiram o limite daquilo que é a nossa capacidade, nem, felizmente, a mortalidade está em números até comparáveis com o que tivemos em março/abril, quando tínhamos esta ordem de grandeza de novos casos por dia”, disse.

Sobre a proteção às pessoas mais vulneráveis, como os idosos, nomeadamente os que estão institucionalizados em lares, Ricardo Mexia admite que não encontra alternativa que os salvaguarde mais do que o isolamento e limitar os contactos com pessoas que sejam possíveis focos de contágio.

SO/LUSA

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“Portugal não pode chegar ao inverno como está hoje”. Risco de descontrolo preocupa https://saudeonline.pt/portugal-nao-pode-chegar-ao-inverno-como-esta-hoje-risco-de-descontrolo-preocupa/ https://saudeonline.pt/portugal-nao-pode-chegar-ao-inverno-como-esta-hoje-risco-de-descontrolo-preocupa/#respond Mon, 13 Jul 2020 09:14:18 +0000 https://saudeonline.pt/?p=94838 Portugal corre o risco de não conseguir responder a um ressurgimento de casos no inverno, diz o médico de Saúde Pública Ricardo Mexia.

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“Já tivemos algum tempo para nos prepararmos depois daquele embate inicial” em que se evitou o crescimento exponencial de casos que se verificou em países como Espanha, mas “do ponto de vista de preparação dos recursos, o que constatamos é que não houve verdadeiramente um planeamento e os problemas que enfrentamos na região de Lisboa e Vale do Tejo estão, por demais, à vista”, afirmou Ricardo Mexia em declarações à agência Lusa.

“É importante que neste momento consigamos reduzir aquilo que é a disseminação da doença no país. Se quando chegar o inverno já estivermos neste patamar, a possibilidade de as coisas entrarem num crescimento ainda mais difícil de controlar é real”, alertou.

 

Reforço tardou nas Unidades de Saúde Pública

 

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública apontou que “não se reforçaram as unidades de saúde pública com a capacidade de resposta necessária para acorrer às situações em tempo útil”.

“Nós devíamos agora, durante um período em que não estamos tão pressionados com outros problemas de saúde, como é o caso da gripe, conseguir empurrar os números para baixo, mas para isso temos que pôr recursos no terreno para conseguirmos controlar a situação”, defendeu.

Ricardo Mexia afirmou estar “surpreendido por não haver mais medidas de reforço das unidades de saúde pública” mas ressalvou querer “acreditar que isso também estará incluído” na preparação do próximo ano letivo e nos meses de outono que se seguem, que coincidem com o início da época da gripe sazonal.

Será a primeira vez que a gripe sazonal coincide com a covid-19 e a época de vacinação da gripe deverá começar mais cedo, sobretudo no que diz respeito aos profissionais de saúde, defendeu.

Os sintomas de covid-19 e da gripe são “semelhantes numa fase inicial”, salientou, afirmando que “provavelmente, torna-se difícil destrinçar” entre casos de uma e de outra se não houver reforço dos diagnósticos laboratoriais.

Por outro lado, as medidas adotadas por toda a sociedade para prevenir a covid-19 – higiene das mãos, uso de máscara, etiqueta respiratória – “também são úteis para reduzir a disseminação da gripe e, portanto, poderá haver uma vantagem nesse sentido”.

 

Covid-19 e gripe sazonal: espera-se inverno “mais severo”

 

“Se conseguirmos antecipar a época de vacinação da gripe e assegurarmos que a cobertura é mais alargada, particularmente no que diz respeito aos profissionais de saúde, podemos até ter uma época de gripe mais ligeira”, considerou, indicando que isso seria útil para não colocar o sistema de saúde “em maiores dificuldades” por ter também que lidar com “o previsível número de casos de covid-19”.

Mas o melhor, defende, é que todos se preparem “para um inverno um pouco mais severo, no sentido de haver, eventualmente, um maior número de casos” de covid-19.

Isso passa por Portugal conseguir “identificar rapidamente os casos, ter diagnóstico laboratorial disponível” suficiente e rápido, capacidade de isolar casos e colocar contactos em quarentena, ter oferta de ventiladores e camas de cuidados intensivos.

Ricardo Mexia aponta “adaptação” como uma palavra chave para o próximo outono e inverno: “a minha expetativa é que agora, com o tempo, com mais recursos para programar essa nova realidade, se consiga ter as coisas mais bem preparadas para o inverno”, declarou.

Mantendo em algum grau o teletrabalho e as aulas à distância, poder-se-á “reduzir a probabilidade de disseminação da doença e também reduzir a necessidade de medidas mais drásticas mais generalizadas”, afirmou.

Nas escolas, “as aulas terão que ser adaptadas” e, sendo “difícil cumprir o distanciamento físico em salas de aula que, já de si, não são normalmente muito grandes, se não se conseguirem desdobrar as turmas, é possível que não se consiga” o distanciamento físico de um metro entre alunos apontado pela Direção Geral da Saúde como mínimo, notou.

SO/LUSA

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Covid-19: “Estamos a ser mais reativos do que proativos”, alerta ANMSP https://saudeonline.pt/covid-19-estamos-a-ser-mais-reativos-do-que-proativos-alerta-anmsp/ https://saudeonline.pt/covid-19-estamos-a-ser-mais-reativos-do-que-proativos-alerta-anmsp/#respond Tue, 07 Jul 2020 11:44:34 +0000 https://saudeonline.pt/?p=94507 O presidente da ANMSP afirma que Portugal precisa de aumentar a capacidade de resposta a nível de saúde e preparar-se para uma eventual segunda vaga da pandemia no inverno

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Em entrevista à Lusa, o líder da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP) disse que em Portugal “estamos a ser mais reativos do que proativos e é importante que haja um planeamento efetivo para o momento em que, previsivelmente, vamos ter os nossos serviços de saúde mais pressionados, como é o caso do inverno. Se acrescentarmos esse aumento da procura pela gripe aos problemas relacionados com a pandemia, seguramente temos alguma dificuldade nessa matéria. Importa dotar o país dessa capacidade de resposta.”

O líder da ANMSP assumiu que “as explicações não são fáceis de encontrar” para a situação atual da crise sanitária no país, refletida na subida do número de mortes, de casos e de internamentos hospitalares nas últimas semanas. No entanto, não deixou de enumerar vários fatores que se conjugaram para o atual retrato da pandemia.

Desde a mensagem que foi passada para as pessoas, que levou a que adotassem comportamentos de maior risco, a falta de preparação, ou seja, de antecipar o aumento do número de casos e alguma demora na realização das diversas tarefas, como os inquéritos epidemiológicos ou o diagnóstico laboratorial. Isso acabou por levar, de facto, ao surgimento de um número relevante de novos casos”, explicou.

 

“É necessário uma alocação de recursos atempada e adequada”

 

Questionado sobre a definição da evolução da realidade portuguesa no combate ao SARS-CoV-2, Ricardo Mexia sublinhou que a resposta passa, necessariamente, pela alocação de recursos atempada e adequada, bem como o cumprimento das normas de prevenção de contágio, nomeadamente, etiqueta respiratória, distanciamento social e uso de máscara de proteção.

“Em Lisboa e Vale do Tejo, particularmente, depende da nossa capacidade de rapidamente realizar os inquéritos, isolar os doentes e colocar os contactos em quarentena. Seguramente, depende dos recursos que estiverem alocados e da nossa celeridade para realizar essas tarefas”, notou, acrescentando: “Em relação à disseminação para o resto do país, é a questão da mobilidade e a adoção das medidas que todos já conhecemos”.

Por outro lado, o presidente da ANMSP relativizou as críticas veiculadas ao longo dos últimos dias entre políticos e responsáveis médicos e científicos sobre a recente gestão da pandemia, considerando que “não é uma questão de clivagem” entre as duas partes.

“Cada um tem o seu papel: aos técnicos cabe fazer a avaliação da situação e dotar os decisores da informação para que possam decidir, e aos decisores cumpre dar aos técnicos os recursos necessários. Se cada um cumprir o seu papel, estamos bem encaminhados para conseguir ultrapassar a situação. Se houver, de facto, uma dificuldade em cada um assumir aquilo que é seu, com os políticos a tentarem fazer um discurso técnico e os técnicos a tentarem justificar opções políticas, provavelmente, temos mais dificuldade”, sentenciou.

SO/LUSA

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Médicos de saúde pública querem mais profissionais para evitar descontrolo https://saudeonline.pt/medicos-de-saude-publica-querem-mais-profissionais-para-evitar-descontrolo/ https://saudeonline.pt/medicos-de-saude-publica-querem-mais-profissionais-para-evitar-descontrolo/#respond Fri, 26 Jun 2020 09:35:36 +0000 https://saudeonline.pt/?p=93741 O presidente da Associação dos Médicos de Saúde Pública defende ser urgente contratar profissionais de saúde, atendendo ao crescimento do número de casos.

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Em declarações à agência Lusa, Ricardo Mexia afirmou que “gera alguma perplexidade” que “não se tenha antecipado esta situação, [de aumento do número de casos na área metropolitana de Lisboa], não se tenha planeado e não se tenha alocado recursos previamente para algo que de alguma maneira era previsível”.

Numa fase inicial, “o Governo estava a desdramatizar a situação, mas depois acabou por reconhecer” que “havia um problema”, criando um gabinete” de intervenção para atuar nesta região e adotado “medidas diferenciadas”.

Para Ricardo Mexia, “era plausível” que após o período de confinamento, com a redução das medidas mais restritivas, o número de casos aumentasse como tem acontecido um pouco por todo o mundo.

Apesar de considerar que estar agora a recrutar profissionais e dar-lhes formação é estar “a correr atrás do prejuízo”, Ricardo Mexia disse acreditar ainda ser “possível recuperar” e evitar que o problema “ganhe outra magnitude” se esses recursos forem disponibilizados de “forma mais precoce”.

 

“É preciso alocar recursos para evitarmos chegar a uma fase em que seja uma catástrofe”

 

Questionado sobre se há uma situação de descontrolo na Área Metropolitana de Lisboa, afirmou que não há “um crescimento exponencial” de casos, mas continua a haver “um aumento do número de casos novos em cada dia”.

“Nem achei que numa fase inicial as coisas tivessem corrido tão bem como se pintaram, nem agora acho que seja uma catástrofe. Agora temos é que ter a perceção que é preciso alocar recursos para evitarmos chegar a uma fase em que seja uma catástrofe” e para isso tem de intervir-se de “uma forma mais objetiva”.

O RT (número médio de contágios causados por cada pessoa infetada) está acima do 1 e “esse aumento vai-se manter e, portanto, importa intervir de uma forma concreta, identificando as tais vulnerabilidades, tendo recursos para ir para o terreno fazer os inquéritos epidemiológicos, fazer a recolha de amostras biológicas para todos os diagnósticos e dando as soluções às pessoas para que elas possam fazer o isolamento ou a quarentena”.

Sobre a que se deve este aumento de casos, Ricardo Mexia disse que “é um fenómeno multifatorial” e que tem “um impacto importante em zonas mais desfavorecidas”.

“Pessoas que têm condições laborais precárias que fazem com que tenham uma maior concentração nos transportes públicos” e até muitas dificuldades em cumprir as medidas de distanciamento na sua atividade laboral.

“Depois as suas próprias habitações muitas vezes não têm condições que lhes permitam parar ou distanciar as pessoas mesmo aquelas que estão em isolamento ou em quarentena”, declarou.

 

Falta de recursos humanos dificultou seguimentos

 

Estas situações acabam por “condicionar algumas dificuldades”, que “não são exclusivas de Lisboa”, havendo “infelizmente situações destas um pouco por todo o país”.

A esta situação junta-se a carência de recursos humanos: “houve um momento em que foi muito difícil para as unidades de saúde pública que já estavam muito pressionadas ao longo das semanas com muito trabalho” e “acabaram por não ter a capacidade de fazer os inquéritos epidemiológicos de forma tão célere como seria adequado”.

Mas, questionou, “como é que se pode esperar que as unidades que já estavam muito pressionadas, independentemente da pandemia, com poucos recursos”, pudessem agora “perante este tremendo aumento da procura” resolver todas as situações.

“Não se pode estar a contar com voluntarismo. Eu percebi que foram recrutadas pessoas de outras instituições do SNS e da academia também. Se fosse um hospital a precisar de recursos humanos também era este o procedimento de pedir voluntários às instituições”, questionou ainda.

O especialista disse não compreender porque é que “Portugal teima em não adotar este tipo de recursos que são mais do que um custo são um investimento” para manter a economia a funcionar.

“Vejo com dificuldade quando se gastam 1,2 milhões para a TAP, que seguramente é uma empresa importante e que na prática traz muitos dos turistas que são fundamentais para a nossa economia, mas depois para manter a economia a funcionar e para permitir que as coisas funcionem se investem 700 mil euros na saúde pública”, lamentou.

SO/LUSA

 

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Médicos de Saúde Pública contra falta de pagamento de horas extras https://saudeonline.pt/medicos-de-saude-publica-contra-falta-de-pagamento-de-horas-extras/ https://saudeonline.pt/medicos-de-saude-publica-contra-falta-de-pagamento-de-horas-extras/#respond Fri, 15 May 2020 09:58:50 +0000 https://saudeonline.pt/?p=89537 O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública acusa algumas ARS de a falta de pagamento das horas extraordinárias.

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Há uma recusa de várias administrações regionais de saúde em pagar as horas trabalhadas pelos profissionais, designadamente os de saúde pública, e isso é absolutamente inaceitável”, afirmou Ricardo Mexia no ‘webinar’ sobre “O impacto da covid-19 nos cuidados de saúde pública”.

Para o médico, “os aplausos e as palmadinhas nas costas são importantes, mas é bom que os profissionais de saúde vejam o reconhecimento do seu trabalho esforçado e que muitas vezes foi desempenhado em condições muito adversas”.

Na sua intervenção inicial na ‘webconferência’, organizada pela Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e pela Ordem dos Médicos, Ricardo Mexia reiterou a importância de existirem “ferramentas mais eficazes de comunicação” que permitam aos profissionais “tomarem decisões mais céleres”, no quadro de vigilância epidemiológica da covid-19.

“Nas respostas dadas à pandemia, houve aspetos que ficaram aquém do que seria desejável, fruto de algumas insuficiências, nomeadamente o sistema de informação que é, provavelmente, uma das maiores lacunas que temos e que está à vista todos os dias na recolha e divulgação da informação, designadamente a nível central”, observou.

Segundo o especialista, é importante a implementação de um sistema que integrasse as diversas fontes e fizesse a análise da informação para que a tomada de decisões fosse mais ágil, associada a uma “maior transparência nos dados” recolhidos, relacionados com os casos de covid-19.

Quanto ao reinicio da atividade assistencial em saúde, e para recuperar o número de exames complementares de diagnóstico e cirurgias que não se realizaram no Sistema Nacional de Saúde (SNS), Ricardo Mexia afirmou que o plano é da responsabilidade da tutela, que “terá de ponderar que recursos vai colocar em campo perante o atual e futuro impacto da pandemia na área da saúde”.

“É difícil desmultiplicar parcos recursos humanos para conseguir agora dar essa oferta paralela, porque tendencialmente os profissionais que lidam com doentes com patologias respiratórias, potencialmente com covid-19, devem deixar de atender e tratar doentes das outras áreas nas urgências dos hospitais”, declarou.

Para Ricardo Mexia, não há qualquer dúvida que vai haver outra pandemia, é “só uma questão de tempo” e é necessário delinear estratégias robustas.

“A resposta fora a covid-19 ficou prejudicada. Vai haver uma próxima pandemia e era bom que aprendêssemos com os erros e melhorássemos e ampliássemos as boas práticas. Só através dessa análise podemos estar mais bem preparados”, sustentou.

SO/LUSA

 

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