Dr.ª Ana Raimundo - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/dr-a-ana-raimundo/ Notícias sobre saúde Thu, 26 Nov 2020 15:30:12 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Dr.ª Ana Raimundo - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/dr-a-ana-raimundo/ 32 32 Cancro. Taxas de sobrevivência vão sofrer “queda abrupta daqui a três anos” https://saudeonline.pt/falta-de-medicos-de-familia-e-de-rastreios-ao-cancro-com-efeitos-na-mortalidade/ https://saudeonline.pt/falta-de-medicos-de-familia-e-de-rastreios-ao-cancro-com-efeitos-na-mortalidade/#respond Thu, 12 Nov 2020 10:17:09 +0000 https://saudeonline.pt/?p=100502 As consequências serão "graves” nas curvas de sobrevivência, prevê a Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO).

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via verde cancro

Em declarações à agência Lusa, a presidente da SPO defendeu que os médicos dos centros de saúde têm de ser libertados das tarefas ligadas à covid-19 para poderem acompanhar os doentes e fazer os diagnósticos numa altura em que hospitais não podem receber mais doentes.

Segundo Ana Raimundo, devem ser colocados outro tipo de profissionais a fazerem os telefonemas de acompanhamento dos suspeitos ou doentes com covid-19, uma situação que as autoridades governamentais já estão a fazer.

Para a médica, devia ter-se aproveitado o “período de acalmia” da pandemia de covid-19 para treinar profissionais de outras áreas para realizar este trabalho.

Ana Raimundo criticou também a paragem dos rastreios do cancro no país, afirmando que aliado à questão dos médicos de família, são situações que vão “trazer consequências graves para as curvas de sobrevivência”, em que se vai verificar “uma queda abrupta daqui a três anos”.

“Vai aumentar drasticamente porque vamos tratar doentes em estágios mais avançados e sem possibilidade de cura” e que vão custar muito mais ao Serviço Nacional de Saúde, “num país em crise”.

 

Recuperação da atividade não foi a “que se estava à espera”

 

Relativamente às consultas, cirurgias e tratamentos que tiveram de ser adiados desde o início da pandemia, a oncologista disse que “a recuperação não foi aquilo que se estava à espera”.

“A partir de abril ocorreu uma redução do número de casos e houve um período de acalmia e a ideia era ter recuperado estas lista de espera em algum momento”, tentando-se remarcar as cirurgias e as consultas.

No entanto, “a recuperação não foi assim tão completa”, principalmente “na região de Lisboa onde os casos não reduziram assim tanto”.

Para agravar, o acesso dos doentes a consultas nos seus centros de saúde também “se manteve complicado”, porque os médicos de família estavam noutras funções.

“O que se perdeu em termos de novos diagnósticos do cancro não foi ganho durante esse período de acalmia e agora voltou tudo e de “um modo ainda pior” com números mais elevados de casos covid-19, uma situação a que hospitais e os centros de saúde têm que responder e os outros doentes “ficam um pouco de lado e à espera”.

No caso do cancro, as consequências serão “graves” porque o diagnóstico será feito em “fases mais avançadas com menor possibilidade de cura e com impactos nas curvas de sobrevivência”.

Além disso, as cirurgias consideradas não urgentes poderão ser adiadas e as que impliquem cuidados intensivos obrigatoriamente terão de ser adiadas porque as camas estão ocupadas.

 

Consequências serão “intensas”

 

“É complicado gerir tudo ao mesmo tempo e eu temo que as consequências irão ser bastante intensas”, sendo que no caso do cancro vão sentir-se “daqui a mais algum tempo”.

Os oncologistas estão já a receber doentes em estádios mais avançados, porque estiveram à espera de ter consulta ou porque tiveram medo de ir à consulta ou estiveram à espera que a pandemia acalmasse para ir ao médico.

Sobre os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados no final de outubro que indicam que desde março houve mais 7.396 mortes do que a média do período homólogo dos cinco anos anteriores, sendo a covid-19 responsável por 27,5% do total de óbitos, a oncologista afirmou que serão “uma consequência” dos doentes crónicos, não só os oncológicos, terem menos apoio.

“Os serviços de oncologia mantiveram a sua atividade” com os doentes já diagnosticados. Houve foi “um agravamento da lista de espera das cirurgias, porque depende de uma equipa, de um bloco operatório”.

Eventualmente vai haver alguns casos de doenças oncológicas agressivas que foram diagnosticadas mais tardiamente.

“São cancros agressivos, que evoluem rápido e que mataram naqueles primeiros meses após a primeira fase de covid”, como provavelmente outras doenças crónicas que descompensaram como a diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias.

Dados do INE indicam que em 2018 a taxa de mortalidade por tumores malignos foi de 270,8 por 100 mil habitantes, mantendo-se a tendência de aumento.

SO/LUSA

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Presidente da SPO defende Via Verde para o Cancro https://saudeonline.pt/presidente-da-spo-defende-via-verde-para-o-cancro/ https://saudeonline.pt/presidente-da-spo-defende-via-verde-para-o-cancro/#respond Thu, 16 Jul 2020 12:06:41 +0000 https://saudeonline.pt/?p=95134 A Dr.ª Ana Raimundo, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), crê que a criação de uma via verde do cancro pode diminuir tempos de espera na resposta a doentes oncológicos.

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via verde cancro

O trabalho em rede pode ser vantajoso, especialmente quando se observam os efeitos colaterais da pandemia de COVID-19 no âmbito da Oncologia. Enquanto diretora clínica da CUF Oncologia, a representante da SPO vale-se dos números do hospital para induzir aquela que deverá ser uma realidade semelhante nas restantes instituições.

“Na primeira fase do confinamento – entre março e abril – tivemos uma redução muito drástica, de quase 80% de novos diagnósticos de cancro. Agora, observa-se uma recuperação”, assinala a Dr.ª Ana Raimundo. Não obstante a melhoria, os números continuam longe do cenário normal. De uma média de 80 diagnósticos oncológicos semanais, a especialista afirma que o valor médio está agora por cerca de metade, sendo que durante o período de 16 de março a 2 de maio entre os cancros menos diagnosticados estiveram os colorretais, os da mama e os da próstata.

Os atrasos no diagnóstico, potenciados pela pandemia, têm diversas causas. Entre elas, a oncologista refere o receio dos doentes em ir ao médico, dificuldades do sistema a nível e marcação de consultas nos centros de saúde e o maior espaçamento no agendamento, quer de consultas, quer de exames e cirurgias.

Assim, para recuperar os diagnósticos em atraso – processo que demorava cerca de um mês desde o início dos sintomas e “agora provavelmente demora dois meses ou mais” -, a Dr.ª Ana Raimundo acredita que a criação de uma via verde para o cancro pode ser uma boa estratégia para melhorar a resposta aos doentes oncológicos.Por detrás do alerta para os atrasos, há a preocupação de se poder vir a assistir “a médio/longo prazo – três, cinco anos – um agravamento das taxas de mortalidade por cancro”, explica.

 

Via Verde para o Cancro implica esforços, mas permite melhorar resposta

 

Em favor da criação da via verde para o cancro, a presidente da SPO argumenta que é um plano que permite ajudar na diminuição de tempos de espera entre a ida ao médico inicial, o diagnóstico e o início do tratamento. Todavia, defende que primeiro é necessário fazer um retrato de “quantas consultas, exames, diagnósticos deixaram de ser feitos, para depois se arranjarem as melhores soluções dentro dos recursos que se tem”.

Foi essa a experiência da CUF, onde houve uma organização por blocos de horas dedicados ao atendimento de casos suspeitos, como forma de otimizar todo o processo até ao diagnóstico. Admitindo que a articulação entre entre os vários hospitais, centralizando os recursos humanos (com potencial desvio temporário dos mesmos entre hospitais), exige um “trabalho imenso”, a Dr.ª Ana Raimundo sublinha o benefício e a necessidade desta medida, recordando as listas de espera que já existiam. “É por aí que se deveria caminhar. A ideia de uma via verde do cancro tem de ser feita para diagnósticos e tratamentos”, conclui.

SS/Público

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