Cristina Vaz de Almeida - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/cristina-vaz-de-almeida/ Notícias sobre saúde Tue, 12 Aug 2025 13:26:37 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Cristina Vaz de Almeida - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/cristina-vaz-de-almeida/ 32 32 E-book sobre cancro da próstata é “um alerta e um apelo à ação preventiva” https://saudeonline.pt/e-book-sobre-cancro-da-prostata-e-um-alerta-e-um-apelo-a-acao-preventiva-2/ https://saudeonline.pt/e-book-sobre-cancro-da-prostata-e-um-alerta-e-um-apelo-a-acao-preventiva-2/#respond Tue, 12 Aug 2025 08:22:37 +0000 https://saudeonline.pt/?p=177874 O cancro da próstata, quando detetado numa fase precoce, tem uma taxa elevada de sucesso terapêutico. Mas para que se possa pedir ajuda atempadamente, é preciso apostar-se na literacia, daí que a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde tenha lançado um e-book sobre a doença, como nos explica Cristina Vaz de Almeida, a presidente da Sociedade.

O conteúdo E-book sobre cancro da próstata é “um alerta e um apelo à ação preventiva” aparece primeiro em Saúde Online.

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Porquê um e-book sobre cancro da próstata?

Está na hora de alertar com consciência de que as palavras têm poder e os factos tem de ser à medida das necessárias fases da vida e das condições das pessoas.       A ciência e a criatividade unem-se para adequar estes conteúdos e sensibilizar para a razão e emoção. Eis porque lançamos  este instrumento de mudança e de conhecimento.

 

Integra a Coordenação Científica. Que profissionais participaram na elaboração/revisão do e-book?

O e-book contou com a participação de um grupo científico altamente coeso e experiente na área da literacia em saúde e cancro, coordenado por mim, pelo Dr. Vasco Fonseca, médico oncologista, e pela Prof.ª Zacharoula Sidiropoulou, médica cirurgiã, ambos com vasta experiência clínica e científica. Juntos, lideramos o Grupo de Literacia em Saúde e Cancro da SPLS, assegurando uma abordagem rigorosa, humanista e centrada na pessoa para os conteúdos desenvolvidos. Foi o momento certo para esclarecer a população, uma vez que as pessoas estão mais atentas a querer saber sobre a sua saúde, sobretudo as mais velhas.

“… o livro incorpora o Modelo ACP – Assertividade, Clareza e Positividade (Vaz de Almeida,:2018) , que visa promover uma comunicação mais eficaz em saúde. Este modelo permite transmitir mensagens difíceis ou sensíveis com empatia e rigor”

Os homens tendem a pedir ajuda mais tarde. Este e-book acaba por ser também uma forma de os alertar para a importância do rastreio e da prevenção?

Sim, sem dúvida. O e-book “Cancro da Próstata”, lançado pela SPLS, é mais do que um repositório de informação médica – é uma ferramenta de literacia em saúde dirigida, sobretudo, aos homens e também  aos profissionais das várias áreas da saúde, beneficiando a sociedade em geral.

Sabemos, pela evidência científica e pela prática clínica, que os homens tendem a procurar ajuda médica mais tardiamente, muitas vezes por motivos culturais, sociais ou por desvalorização de sintomas iniciais. Esta demora pode comprometer significativamente o diagnóstico precoce e a eficácia do tratamento do cancro da próstata, uma doença que, quando detetada atempadamente, tem elevada taxa de sucesso terapêutico.

O objetivo deste e-book é precisamente contribuir para a mudança desse comportamento, através de uma linguagem clara, acessível e baseada em evidência. Pretende-se capacitar os homens com informação rigorosa, mas comunicada de forma empática e motivadora, incentivando-os a tomar decisões informadas sobre a sua saúde, incluindo o rastreio e a prevenção.

Além disso, o livro incorpora o Modelo ACP – Assertividade, Clareza e Positividade (Vaz de Almeida,:2018) , que visa promover uma comunicação mais eficaz em saúde. Este modelo permite transmitir mensagens difíceis ou sensíveis com empatia e rigor, aumentando a probabilidade de adesão às recomendações de saúde. Assim, este e-book é, sim, um alerta e um apelo à ação preventiva, desmistificando o cancro da próstata e promovendo uma atitude de vigilância e autocuidado entre os homens – um contributo valioso para a promoção da saúde masculina em Portugal.

 

Uma das temáticas tem a ver com os tratamentos. O cancro da próstata já não tem de ser uma sentença de morte?

De facto, o cancro da próstata deixou de ser, em muitos casos, uma sentença de morte, graças aos avanços científicos, à deteção precoce e, sobretudo, ao acesso a informação credível, clara e útil e aos tratamentos mais eficazes.

“Envolver médicos e enfermeiros de família é, assim, garantir que o conhecimento produzido chega de forma útil e eficaz à comunidade”

A divulgação deste livro também vai envolver – ou deverá envolver – profissionais de saúde, nomeadamente médicos e enfermeiros de família?

Sem dúvida. A literacia em saúde não é apenas uma responsabilidade dos cidadãos, mas uma competência essencial dos profissionais de saúde. Médicos e enfermeiros de família têm um papel determinante na proximidade com as pessoas, na construção de relações de confiança e na comunicação de informações que ajudem os utentes a compreenderem melhor a sua condição de saúde, os tratamentos disponíveis e os comportamentos protetores.

A SPLS reconhece esta realidade e, por isso, promove a inclusão ativa dos profissionais de saúde em todas as suas iniciativas, incluindo a divulgação de obras científicas, como este livro. Temos todo um excelente feedback dos profissionais e o número de visualizações ultrapassou as 5000 só numa semana. Trata-se de um instrumento que não só informa, mas também capacita, contribuindo para o reforço das competências comunicacionais dos profissionais, de forma assertiva, clara e positiva — princípios centrais do Modelo ACP com as competências da assertividade, clareza e positividade (Vaz de Almeida, 2018)

Além disso, os profissionais de saúde são multiplicadores de boas práticas e aliados estratégicos na promoção da literacia em saúde a nível local, regional e nacional. Envolver médicos e enfermeiros de família é, assim, garantir que o conhecimento produzido chega de forma útil e eficaz à comunidade, promovendo um ecossistema de saúde mais informado, mais participativo e mais humano.

Maria João Garcia

 

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UA desenvolve metodologia eficaz e menos invasiva para detetar cancro da próstata

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Porquê um e-book sobre cancro da próstata?

Está na hora de alertar com consciência de que as palavras têm poder e os factos tem de ser à medida das necessárias fases da vida e das condições das pessoas.       A ciência e a criatividade unem-se para adequar estes conteúdos e sensibilizar para a razão e emoção. Eis porque lançamos  este instrumento de mudança e de conhecimento.

 

Integra a Coordenação Científica. Que profissionais participaram na elaboração/revisão do e-book?

O e-book contou com a participação de um grupo científico altamente coeso e experiente na área da literacia em saúde e cancro, coordenado por mim, pelo Dr. Vasco Fonseca, médico oncologista, e pela Prof.ª Zacharoula Sidiropoulou, médica cirurgiã, ambos com vasta experiência clínica e científica. Juntos, lideramos o Grupo de Literacia em Saúde e Cancro da SPLS, assegurando uma abordagem rigorosa, humanista e centrada na pessoa para os conteúdos desenvolvidos. Foi o momento certo para esclarecer a população, uma vez que as pessoas estão mais atentas a querer saber sobre a sua saúde, sobretudo as mais velhas.

“… o livro incorpora o Modelo ACP – Assertividade, Clareza e Positividade (Vaz de Almeida,:2018) , que visa promover uma comunicação mais eficaz em saúde. Este modelo permite transmitir mensagens difíceis ou sensíveis com empatia e rigor”

Os homens tendem a pedir ajuda mais tarde. Este e-book acaba por ser também uma forma de os alertar para a importância do rastreio e da prevenção?

Sim, sem dúvida. O e-book “Cancro da Próstata”, lançado pela SPLS, é mais do que um repositório de informação médica – é uma ferramenta de literacia em saúde dirigida, sobretudo, aos homens e também  aos profissionais das várias áreas da saúde, beneficiando a sociedade em geral.

Sabemos, pela evidência científica e pela prática clínica, que os homens tendem a procurar ajuda médica mais tardiamente, muitas vezes por motivos culturais, sociais ou por desvalorização de sintomas iniciais. Esta demora pode comprometer significativamente o diagnóstico precoce e a eficácia do tratamento do cancro da próstata, uma doença que, quando detetada atempadamente, tem elevada taxa de sucesso terapêutico.

O objetivo deste e-book é precisamente contribuir para a mudança desse comportamento, através de uma linguagem clara, acessível e baseada em evidência. Pretende-se capacitar os homens com informação rigorosa, mas comunicada de forma empática e motivadora, incentivando-os a tomar decisões informadas sobre a sua saúde, incluindo o rastreio e a prevenção.

Além disso, o livro incorpora o Modelo ACP – Assertividade, Clareza e Positividade (Vaz de Almeida,:2018) , que visa promover uma comunicação mais eficaz em saúde. Este modelo permite transmitir mensagens difíceis ou sensíveis com empatia e rigor, aumentando a probabilidade de adesão às recomendações de saúde. Assim, este e-book é, sim, um alerta e um apelo à ação preventiva, desmistificando o cancro da próstata e promovendo uma atitude de vigilância e autocuidado entre os homens – um contributo valioso para a promoção da saúde masculina em Portugal.

 

Uma das temáticas tem a ver com os tratamentos. O cancro da próstata já não tem de ser uma sentença de morte?

De facto, o cancro da próstata deixou de ser, em muitos casos, uma sentença de morte, graças aos avanços científicos, à deteção precoce e, sobretudo, ao acesso a informação credível, clara e útil e aos tratamentos mais eficazes.

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A divulgação deste livro também vai envolver – ou deverá envolver – profissionais de saúde, nomeadamente médicos e enfermeiros de família?

Sem dúvida. A literacia em saúde não é apenas uma responsabilidade dos cidadãos, mas uma competência essencial dos profissionais de saúde. Médicos e enfermeiros de família têm um papel determinante na proximidade com as pessoas, na construção de relações de confiança e na comunicação de informações que ajudem os utentes a compreenderem melhor a sua condição de saúde, os tratamentos disponíveis e os comportamentos protetores.

A SPLS reconhece esta realidade e, por isso, promove a inclusão ativa dos profissionais de saúde em todas as suas iniciativas, incluindo a divulgação de obras científicas, como este livro. Temos todo um excelente feedback dos profissionais e o número de visualizações ultrapassou as 5000 só numa semana. Trata-se de um instrumento que não só informa, mas também capacita, contribuindo para o reforço das competências comunicacionais dos profissionais, de forma assertiva, clara e positiva — princípios centrais do Modelo ACP com as competências da assertividade, clareza e positividade (Vaz de Almeida, 2018)

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Maria João Garcia

 

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Baixa literacia em saúde exige políticas públicas e formação de profissionais de saúde https://saudeonline.pt/baixa-literacia-em-saude-exige-politicas-publicas-e-formacao-de-profissionais-de-saude/ https://saudeonline.pt/baixa-literacia-em-saude-exige-politicas-publicas-e-formacao-de-profissionais-de-saude/#respond Wed, 02 Jul 2025 10:56:09 +0000 https://saudeonline.pt/?p=176957 A presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde apela a medidas conjuntas e estratégicas, face aos mais de 78% dos portugueses que apresentam níveis inadequados ou problemáticos de literacia em saúde.

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A Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS) manifesta a sua preocupação com os resultados do mais recente estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que revela que mais de 78% da população portuguesa apresenta níveis inadequados ou problemáticos de literacia em saúde. Para a presidente da SPLS, Cristina Vaz de Almeida, é urgente dar uma “resposta estruturada e articulada” entre os diferentes setores da sociedade portuguesa. “É fundamental que o Governo, as instituições de saúde, a academia, as escolas, os grupos comunitários e entidades públicas e privadas trabalhem de forma conjunta e estratégica para aumentar os níveis de literacia em saúde no país”.

Continuando: “Este é um apelo claro à ação e ao trabalho conjunto coordenado de vários stakeholders. Não se pode apenas dizer que se faz literacia em saúde, pois este investimento tem de ser baseado em modelos científicos que devem ser seguidos e respeitados. Há modelos específicos para que a intervenção na mudança de comportamento funcione.”

Para a SPLS, a mudança passa pela intersetorialidade: “Precisamos de vontade política efetiva e de trabalho com os decisores para intervenções que integrem não apenas a saúde, mas também o setor social, a educação e a cultura. Temos mesmo de colocar a literacia em saúde como uma prioridade nacional”.  Apesar do trabalho que ainda tem de ser feito, a SPLS reconhece que tem havido mudanças, já que os resultados melhoraram face a 2017. O novo relatório mostra que existem menos portugueses com níveis de literacia inadequada ou problemática.

Para a especialista em literacia em saúde, é preciso haver “mais compromisso das políticas públicas”, campanhas nacionais que alcancem todos os públicos, principalmente os menos instruídos, e mais formação dos profissionais de saúde. “Não basta informar a população: é urgente formar também os profissionais de saúde em comunicação clara e linguagem acessível, centrada no cidadão”, acrescenta Cristina Vaz de Almeida.

Estas mudanças devem ser acompanhadas pela consulta de entidades e de especialistas com experiências nesta área, na sua opinião. “Tenho ouvido, em todas as manifestações políticas, a importância da literacia em saúde. No entanto, a SPLS não é habitualmente integrada nestas decisões. Há algo incongruente, diria. Estamos disponíveis para o debate claro e orientador”, conclui.

Maria João Garcia

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“Todos os profissionais de saúde são veículos de literacia em saúde”

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Guia de Recursos sobre a Dor reúne “as vozes da comunidade, a dor dos migrantes e a dor LGBT” https://saudeonline.pt/guia-de-recursos-sobre-a-dor-reune-as-vozes-da-comunidade-a-dor-dos-migrantes-e-a-dor-lgbt/ https://saudeonline.pt/guia-de-recursos-sobre-a-dor-reune-as-vozes-da-comunidade-a-dor-dos-migrantes-e-a-dor-lgbt/#respond Wed, 01 Nov 2023 07:16:31 +0000 https://saudeonline.pt/?p=150480 Pelo facto de a dor ser algo que "está sempre presente", e dado que "a forma como a mesma é tratada e encarada tem as suas especificidades", a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde teve a ideia de criar "um projeto inovador onde a dor não fosse apenas tratada de uma forma fisiológica, mas de um modo biopsicossocial", afirma a presidente da SPLS e coordenadora do projeto, Cristina Vaz de Almeida.

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No sentido de dar o conhecer o Guia de Recursos sobre a Dor, um documento criado pela Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS) com a “intenção de criar recursos para as comunidades e para as pessoas, sempre de forma gratuita”, a sociedade organizou o Congresso da Dor no passado dia 17 de outubro, onde publicou este guia. Em entrevista ao SaúdeOnline, Cristina Vaz de Almeida, presidente da sociedade, explica em que consiste este projeto, criado para que “a dor não fosse apenas tratada de uma forma fisiológica, mas de um modo biopsicossocial”, afirma.

Para a constituição do grupo, Cristina Vaz de Almeida convidou 3 pessoas: “Maria Teresa Flor de Lima, vice-presidente de uma associação de dor nos Açores, e médica anestesista, tendo lidado durante muitos anos com a dor; Rita Veloso Mendes, que fez com Rita Espanha o grande estudo de literacia em saúde, e por isso tinha bastante conhecimento sobre a população; e convidei ainda a enfermeira Berta Augusto porque, também dentro da área neurológica, tem muito conhecimento”, conta a presidente da SPLS.

Já com o grupo criado, a equipa pensou em qual seria a melhor forma de incluir também “as associações, os hospitais, a proximidade, o biopsicossocial”. Nesse sentido, a presidente da SPLS transmite que foram trabalhadas 9 áreas no Guia de Recursos sobre a Dor.

O primeiro ponto abordado centrou-se na questão ‘o que é a dor?’, bem como a sua “codificação, definições e questões relativamente a se é benigna ou maligna”. Além disso, o grupo tentou ainda perceber a “dor psicológica, para além da física”. “Tentámos aprofundar as questões do luto, o luto normal e o patológico, e que tipos de dor acarretam”, revelou Cristina Vaz de Almeida.

Não esquecendo que “dentro dos hospitais, e até aos cuidadores, existe um percurso da dor”, a equipa explorou questões como: “Como é que se trata a dor nos hospitais? De que maneira passam para as unidades de saúde de proximidade? Que equipas intra-hospitalares existem nos cuidados paliativos? E quanto aos cuidadores?”.

A dor física também foi alvo de destaque, “da cabeça aos pés, desde a dor do maxilar, até à dor respiratória, à dor da gravidez, os cancros, as questões do suporte básico de vida”.

Dentro da dor social, o grupo explorou duas abordagens distintas. A primeira diz respeito aos migrantes, dado que “somos uma sociedade multicultural, e estas populações têm uma dor social muito profunda, uma vez que deixam as famílias e vêm para cá sozinhos na maioria das vezes, não têm uma grande rede de saúde, e daí esta dor social”. Segundo a equipa, existe ainda outra dor social que merecia relevo, nomeadamente a “dor LGBT”, uma dor “que é falada apenas num certo nicho”.

Reunindo já “as vozes da comunidade, a dor dos migrantes e a dor LGBT”, os investigadores decidiram ainda incluir no guia o facto de a dor ser “algo que não se trata apenas através da medicação, mas também através de soluções não farmacológicas, desde a meditação, o ioga do riso, o relaxamento, a convivência social, o mindfulness, etc”. “Uma série de estratégias para toda a gente, mesmo aqueles que não têm dor, mas que possam vir a ter”, partilhou a líder da SPLS. No guia foi ainda mencionada a “questão da alimentação e da atividade física quanto à dor”.

“Por fim, quisemos deixar os testemunhos verdadeiros. São cerca de 9 a 10 pessoas, com vários tipos de dor, desde biológica, fisiológica, psicológica, emocional e social, para transmitirem o seu testemunho. Criámos um micro site com um guia sobre todos os recursos que existem a nível nacional, desde as unidades da dor, as associações de doentes, os recursos na comunidade, e disponibilizamos cerca de 300 contactos de norte a sul do país”, afirmou Cristina Vaz de Almeida.

“Este guia tem tanta riqueza e tanta informação científica, escrita de uma forma tão acessível, que serve para os educadores, para os profissionais de saúde, para os académicos para os profissionais da área social, e para todo o cidadão que tem dor, que possa vir a ter, ou que conhece alguém que tem dor, que é um estado permanente, num determinado momento da vida toda a gente tem dor”, concluiu.

CG

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Qual a relação entre dor crónica e doenças neurológicas?

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Literacia em saúde. “Optar-se por uma linguagem simples, não significa ser-se simplista” https://saudeonline.pt/literacia-em-saude-optar-se-por-uma-linguagem-simples-nao-significa-ser-se-simplista-2/ https://saudeonline.pt/literacia-em-saude-optar-se-por-uma-linguagem-simples-nao-significa-ser-se-simplista-2/#respond Mon, 31 Jul 2023 08:22:58 +0000 https://saudeonline.pt/?p=146676 O “Manual de Literacia em Saúde – Princípios e Práticas” é o “primeiro” a ser publicado em Portugal, como faz questão de frisar Cristina Vaz Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS). Com esta obra, a SPLS quer dar a conhecer boas práticas e alertar para as mais-valias de se ter cidadãos capacitados.

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Que avaliação faz da literacia em saúde em Portugal?

Há um antes e um depois do inquérito de 2016, da autoria da Dr.ª Rita Espanha (ENSP). Ora, na altura, concluiu-se que 60% das pessoas tinham baixa literacia em saúde, ou seja seis milhões de portugueses não conseguiam aceder, compreender e usar os recursos de saúde. Esta percentagem era extremamente preocupante. Entretanto, novos dados sugerem que houve alguma melhoria desde 2016, mesmo que pequena, já que se mantém 40 a 50% da população com baixa literacia em saúde. Isto revela que houve um esforço e algum investimento nos últimos tempos, mas não podemos parar. As pessoas continuam a ter muita dificuldade em navegar na complexidade do sistema de saúde. Logo, tem de ser o próprio sistema que se tem de adaptar à pessoa e tornar-se mais simples e não o inverso.

 

De que forma?

Deve-se começar logo por adotar uma linguagem mais acessível, para o cidadão saber como se navega no sistema – por exemplo, como e quando deve ir a uma urgência hospitalar. Esta educação para a saúde e literacia deve envolver todos, não somente profissionais de saúde. Deve incluir as próprias organizações de cariz de saúde, social e educacional e também as autarquias, que têm um papel significativo. Nos últimos tempos temos assistido, aliás, à transferência de competências na área da saúde para os municípios.

“… mais que compreender comportamentos, as pessoas precisam de saber como usar os recursos de saúde”

Literacia em saúde não é apenas, como é habitual pensar-se, ter-se conhecimento do que é saudável…

Exato! O próprio Centers for Disease Control and Prevention dos EUA realça que, mais que compreender comportamentos, as pessoas precisam de saber como usar os recursos de saúde, quer seja uma urgência hospitalar quer seja ter noção de que alimentos devo escolher. Se opto por comer peixe grelhado com salada em vez de um prato cheio de batatas fritas, também estou a usar os recursos existentes. A tomada de decisões ao longo da vida faz toda a diferença. Hoje fala-se muito na Prescrição Social. Neste campo, os médicos podem, por exemplo, dizer aos utentes, mesmo que saudáveis, que saiam de casa para caminhar. Em Portugal, a qualidade de vida acima dos 65 anos é de 6 anos. Nos países nórdicos são 15 anos! E porquê? Porque têm apostado na literacia em saúde e na adoção de comportamentos saudáveis.

 

Associada a esta questão está também a necessidade de se mudar o paradigma para as pessoas sejam corresponsáveis pela sua saúde?

Sem dúvida! Há quem não goste de tomar decisões, nomeadamente deste tipo. Porém, assim como se preocupam com o estado de saúde em dado momento, também devem colaborar e ser corresponsáveis ao não optarem por comportamentos de risco. Mas, para tal, não se pode ter uma linguagem em saúde hermética, técnica e fechada, que impeça as pessoas de perceberem claramente o que devem ou não fazer. Temos que ultrapassar esta maneira de estar na saúde, de acordo com a qual, muitas vezes, este tipo de linguagem acaba por ser sinónimo de poder, de se manter um certo distanciamento. Isso não deve acontecer. É preciso envolver o utente na gestão da sua saúde. Optar-se por uma linguagem simples, não significa ser-se simplista.

“É preciso envolver o utente na gestão da sua saúde”

Os profissionais de saúde também devem ter mais formação pré e pós-graduada em literacia em saúde?

Sim! Em Portugal já existe uma pós-graduação em Literacia em Saúde no Ispa – é a única – e ensina algumas competências como comunicação, marketing social, gestão de conflitos, relação interpares, entre outras competências. Tudo conta! Por exemplo, quando não existe uma boa relação interpares, isso vai refletir-se na segurança e nos cuidados ao doente. Ao longo destes anos, noto que os profissionais de saúde estão muito mais atentos a estas questões e prova disso é o facto deste Manual contar com 48 autores. Comparativamente com outros países da Europa, estamos bem, nomeadamente por se ter legislação na área da literacia em saúde. Desde 2016, com o Ministro Adalberto Campos Fernandes, conseguiu-se integrar a literacia em saúde no Plano Nacional de Saúde.

 

Este Manual foi assim pensado somente para os profissionais de saúde?

Este Manual interessa a todos. Está numa linguagem acessível e clara. Deve ser lido por todos os profissionais de saúde, pelas organizações, pelos estudantes, enfim, é uma forma de conhecer as boas práticas nesta área e de saber como podemos apostar mais neste campo.

Texto: Maria João Garcia

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Há um antes e um depois do inquérito de 2016, da autoria da Dr.ª Rita Espanha (ENSP). Ora, na altura, concluiu-se que 60% das pessoas tinham baixa literacia em saúde, ou seja seis milhões de portugueses não conseguiam aceder, compreender e usar os recursos de saúde. Esta percentagem era extremamente preocupante. Entretanto, novos dados sugerem que houve alguma melhoria desde 2016, mesmo que pequena, já que se mantém 40 a 50% da população com baixa literacia em saúde. Isto revela que houve um esforço e algum investimento nos últimos tempos, mas não podemos parar. As pessoas continuam a ter muita dificuldade em navegar na complexidade do sistema de saúde. Logo, tem de ser o próprio sistema que se tem de adaptar à pessoa e tornar-se mais simples e não o inverso.

 

De que forma?

Deve-se começar logo por adotar uma linguagem mais acessível, para o cidadão saber como se navega no sistema – por exemplo, como e quando deve ir a uma urgência hospitalar. Esta educação para a saúde e literacia deve envolver todos, não somente profissionais de saúde. Deve incluir as próprias organizações de cariz de saúde, social e educacional e também as autarquias, que têm um papel significativo. Nos últimos tempos temos assistido, aliás, à transferência de competências na área da saúde para os municípios.

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Sem dúvida! Há quem não goste de tomar decisões, nomeadamente deste tipo. Porém, assim como se preocupam com o estado de saúde em dado momento, também devem colaborar e ser corresponsáveis ao não optarem por comportamentos de risco. Mas, para tal, não se pode ter uma linguagem em saúde hermética, técnica e fechada, que impeça as pessoas de perceberem claramente o que devem ou não fazer. Temos que ultrapassar esta maneira de estar na saúde, de acordo com a qual, muitas vezes, este tipo de linguagem acaba por ser sinónimo de poder, de se manter um certo distanciamento. Isso não deve acontecer. É preciso envolver o utente na gestão da sua saúde. Optar-se por uma linguagem simples, não significa ser-se simplista.

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Os profissionais de saúde também devem ter mais formação pré e pós-graduada em literacia em saúde?

Sim! Em Portugal já existe uma pós-graduação em Literacia em Saúde no Ispa – é a única – e ensina algumas competências como comunicação, marketing social, gestão de conflitos, relação interpares, entre outras competências. Tudo conta! Por exemplo, quando não existe uma boa relação interpares, isso vai refletir-se na segurança e nos cuidados ao doente. Ao longo destes anos, noto que os profissionais de saúde estão muito mais atentos a estas questões e prova disso é o facto deste Manual contar com 48 autores. Comparativamente com outros países da Europa, estamos bem, nomeadamente por se ter legislação na área da literacia em saúde. Desde 2016, com o Ministro Adalberto Campos Fernandes, conseguiu-se integrar a literacia em saúde no Plano Nacional de Saúde.

 

Este Manual foi assim pensado somente para os profissionais de saúde?

Este Manual interessa a todos. Está numa linguagem acessível e clara. Deve ser lido por todos os profissionais de saúde, pelas organizações, pelos estudantes, enfim, é uma forma de conhecer as boas práticas nesta área e de saber como podemos apostar mais neste campo.

Texto: Maria João Garcia

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