António Pedro Machado - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/antonio-pedro-machado/ Notícias sobre saúde Thu, 16 Apr 2026 11:22:22 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png António Pedro Machado - Saúde Online https://saudeonline.pt/tag/antonio-pedro-machado/ 32 32 “Este modelo permite que o médico defina de forma personalizada o seu caminho formativo” https://saudeonline.pt/este-modelo-permite-que-o-medico-defina-de-forma-personalizada-o-seu-caminho-formativo-2/ https://saudeonline.pt/este-modelo-permite-que-o-medico-defina-de-forma-personalizada-o-seu-caminho-formativo-2/#respond Tue, 14 Apr 2026 15:45:28 +0000 https://saudeonline.pt/?p=185773 A edição de 2026 do Update em Medicina aposta num modelo inovador de trilhos formativos personalizados, pensado para responder às necessidades reais da Medicina Geral e Familiar. Em entrevista, o internista António Pedro Machado, coordenador da Comissão Científica do evento, destaca uma formação mais prática, flexível e articulada com outras especialidades, defendendo os cuidados de saúde primários como base essencial do SNS.

O conteúdo “Este modelo permite que o médico defina de forma personalizada o seu caminho formativo” aparece primeiro em Saúde Online.

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Esta edição marca uma rutura com o formato mais tradicional do Update em Medicina. O que motivou a decisão de avançar para um modelo por trilhos formativos? Que lacuna sentiam que era preciso preencher?
Como sabe, temos um formato híbrido. Além das sessões presenciais no Algarve, transmitimos em direto online para aqueles que estão mais longe ou não puderam deslocar-se. O foco prático mantém-se nos cuidados de saúde primários.

O programa inclui sete áreas temáticas principais: saúde mental, saúde cardiovascular, infeciologia, geriatria, saúde da mulher e materno-infantil, nutrição e gestão organizacional, incluindo também questões médico-legais. Todas estas áreas são abordadas com casos clínicos, debates e cursos práticos, com conteúdos selecionados por um grupo alargado de especialistas em medicina familiar, mas também de especialidades hospitalares, embora com um peso muito menor.

Alguns tópicos refletem questões atuais e emergentes, como o Burnout, a gestão da grávida com comorbilidades ou a epidemia de obesidade, que são temas essenciais nos cuidados de saúde primários. Outro tema de destaque é o impacto dos ecrãs no neurodesenvolvimento das crianças. Aliás, espero que no Dia Mundial da Criança, no dia 1 junho, este tema venha a debate. Mantemos o formato dinâmico, com casos clínicos interativos, debates de prós e contras e mini palestras.

Uma das novidades é a avaliação de conhecimentos através de uma web app. Contudo, o aspeto mais inovador é a introdução dos trilhos formativos. Estes permitem que cada participante escolha o seu percurso de acordo com os seus interesses ou necessidades formativas. Por exemplo, se uma sessão plenária abordar infeciologia, o médico poderá seguir sessões sequenciais sobre VIH, tuberculose e outros temas da área, constituindo um trilho formativo. Outro trilho poderá começar com insuficiência cardíaca e seguir para cardiomiopatia amiloidótica, fibrilhação auricular, entre outros.

Nunca temos mais de dois trilhos em paralelo, de forma a preservar a sequência lógica de cada percurso. Este modelo permite que o médico defina de forma personalizada o seu caminho formativo, o que consideramos fundamental.

 

Este novo modelo parece aproximar-se de uma lógica de formação quase “à medida”. Até que ponto este poderá ser o futuro dos congressos médicos em Portugal?
Exatamente, é isso mesmo! Vamos continuar a desenvolver este modelo no futuro. Estruturámos o Update em torno de grandes áreas nucleares da Medicina Geral e Familiar. Há sessões plenárias, mas cada médico pode optar pelo seu trilho formativo, de acordo com os interesses ou necessidades. Além disso, também incluímos simpósios que se encaixam nestas grandes áreas temáticas.

Considero que a nossa metodologia é inovadora e tem pernas para andar oferecendo um percurso formativo mais personalizado e adaptado à realidade de cada participante.

 

O Update tem reforçado a componente hands-on e a aprendizagem prática. De que forma este carácter mais experiencial pode fazer a diferença na forma como os médicos aplicam o conhecimento quando regressam à sua prática clínica?
Sempre que possível, tentamos reproduzir a prática do dia a dia em cada sessão. O médico recebe um conjunto de dados do doente, analisa-os, formula hipóteses diagnósticas, conduz a investigação, decide quais os exames mais adequados e, no final, integra toda a informação para chegar ao diagnóstico, que funciona como um veredito. Depois, aplica as medidas terapêuticas necessárias, ou seja, toma decisões clínicas, exatamente como na prática diária.

Dou-lhe um exemplo: na sessão sobre comorbilidades na grávida, vamos apresentar um caso de uma grávida que chega à consulta na 24.ª semana, isto é pouco comum, dado que a primeira consulta normalmente ocorre entre a 6.ª e a 9.ª semanas. Este tipo de caso permite aos médicos experimentar situações fora do habitual, analisando-as de forma inovadora e tomando decisões baseadas no raciocínio clínico, e não apenas seguindo regras pré-definidas. Cada decisão é discutida, avaliando-se os caminhos possíveis, todos defensáveis, mas existindo uma opção considerada a mais adequada.

O objetivo do Update é simular o dia a dia do médico, com mensagens muito claras e ensinamentos práticos. Não se trata de revisar toda a matéria, mas de destacar flashes de conhecimento úteis para a prática clínica futura.

Não são regras absolutas, mas pequenas lições que ficam na memória e são aplicáveis na vida profissional. Não se trata de acumular dezenas de informações, mas de reter pontos realmente importantes que fazem a diferença no dia a dia do médico.

 

Nesta fase particularmente desafiante para o sistema de saúde, considera que o diálogo entre as diferentes especialidades, assim como a maior articulação com a Medicina Geral e Familiar promovidos pelo Update em Medicina podem contribuir para melhorar os cuidados prestados?
Sim, acho que sim. Considero a Medicina Geral e Familiar como a especialidade base do nosso sistema de saúde, e é fundamental reforçá-la. Entre as suas várias intervenções, destaca-se a identificação precoce da doença e a prevenção, que são responsáveis por grandes ganhos em saúde. Olhando para a evolução da especialidade nas últimas décadas, houve uma mudança radical.

No entanto, é essencial que a Medicina Geral e Familiar não fique isolada. É preciso manter uma ligação forte com as outras especialidades. Aprendi com o professor Nogueira da Costa que só existem três especialidades “nucleares” – a Medicina Interna, a Pediatria e a Medicina Geral e Familiar. Todas as outras “são subespecialidades”. O médico de família, tal como o internista, domina grandes áreas do conhecimento sem ser especialista em cada uma delas, mas consegue, igualmente, estabelecer pontes com as várias especialidades. O médico de família faz, no fundo, a Medicina Interna do ambulatório, mas também cobre a saúde infantil, a saúde da mulher, a medicina preventiva e outras áreas que escapam à medicina interna.

É devido a este cunho generalista da especialidade que ter uma ampla cultura médica e um raciocínio clínico treinado são requisitos fundamentais ao exercício da arte do diagnóstico diferencial. Só diagnosticamos o que conhecemos, o que temos em mente. Também por isso, é tão importante o diálogo entre a Medicina Geral e Familiar e as outras subespecialidades.

Este tipo de congressos – que integram várias áreas do conhecimento – é crucial para a prática da Medicina Geral e Familiar e, consequentemente, para excelência dos cuidados de saúde prestados. No dia em que deixarmos de investir nos cuidados de saúde primários e nos seus profissionais, o Serviço Nacional de Saúde estará em risco

 

Quer deixar uma mensagem aos participantes?
Sim. Gostaria de convidar todos os colegas, internos e especialistas, a viverem este congresso de forma ativa. Ser ativo significa participar, levantar o braço, intervir, explorar os trilhos, escolher os percursos formativos, questionar e discutir debater ideias. Mas, acima de tudo, significa partilhar experiências: a dúvida de um é a dúvida do outro, e a opinião de cada um enriquece o conhecimento coletivo. A experiência não se constrói apenas com o contacto direto com o doente, mas também através da partilha de experiências com os outros.

O Update em Medicina foi pensado para refletir a riqueza e a complexidade da Medicina Geral e Familiar, uma especialidade fundamental para o SNS. Espero que o congresso não seja apenas um momento de atualização científica, mas também uma oportunidade de reencontro com o entusiasmo e o sentido de missão que une todos os médicos. Porque nós somos missionários. A medicina exige compromisso: quem escolhe esta carreira compromete-se a servir os doentes e é para isso que fazemos um juramento. No juramento de Hipócrates, como sabemos, a palavra “utente” não aparece.

 

Sílvia Malheiro

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“Procuramos criar percursos formativos que se adaptem às necessidades de cada participante”

O conteúdo “Este modelo permite que o médico defina de forma personalizada o seu caminho formativo” aparece primeiro em Saúde Online.

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“Este modelo permite que o médico defina de forma personalizada o seu caminho formativo” https://saudeonline.pt/este-modelo-permite-que-o-medico-defina-de-forma-personalizada-o-seu-caminho-formativo/ https://saudeonline.pt/este-modelo-permite-que-o-medico-defina-de-forma-personalizada-o-seu-caminho-formativo/#respond Mon, 13 Apr 2026 09:37:33 +0000 https://saudeonline.pt/?p=185660 A edição de 2026 do Update em Medicina aposta num modelo inovador de trilhos formativos personalizados, pensado para responder às necessidades reais da Medicina Geral e Familiar. Em entrevista, o internista António Pedro Machado, coordenador da Comissão Científica do evento, destaca uma formação mais prática, flexível e articulada com outras especialidades, defendendo os cuidados de saúde primários como base essencial do SNS.

O conteúdo “Este modelo permite que o médico defina de forma personalizada o seu caminho formativo” aparece primeiro em Saúde Online.

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Esta edição marca uma rutura com o formato mais tradicional do Update em Medicina. O que motivou a decisão de avançar para um modelo por trilhos formativos? Que lacuna sentiam que era preciso preencher?
Como sabe, temos um formato híbrido. Além das sessões presenciais no Algarve, transmitimos em direto online para aqueles que estão mais longe ou não puderam deslocar-se. O foco prático mantém-se nos cuidados de saúde primários.

O programa inclui sete áreas temáticas principais: saúde mental, saúde cardiovascular, infeciologia, geriatria, saúde da mulher e materno-infantil, nutrição e gestão organizacional, incluindo também questões médico-legais. Todas estas áreas são abordadas com casos clínicos, debates e cursos práticos, com conteúdos selecionados por um grupo alargado de especialistas em medicina familiar, mas também de especialidades hospitalares, embora com um peso muito menor.

Alguns tópicos refletem questões atuais e emergentes, como o Burnout, a gestão da grávida com comorbilidades ou a epidemia de obesidade, que são temas essenciais nos cuidados de saúde primários. Outro tema de destaque é o impacto dos ecrãs no neurodesenvolvimento das crianças. Aliás, espero que no Dia Mundial da Criança, no dia 1 junho, este tema venha a debate. Mantemos o formato dinâmico, com casos clínicos interativos, debates de prós e contras e mini palestras.

Uma das novidades é a avaliação de conhecimentos através de uma web app. Contudo, o aspeto mais inovador é a introdução dos trilhos formativos. Estes permitem que cada participante escolha o seu percurso de acordo com os seus interesses ou necessidades formativas. Por exemplo, se uma sessão plenária abordar infeciologia, o médico poderá seguir sessões sequenciais sobre VIH, tuberculose e outros temas da área, constituindo um trilho formativo. Outro trilho poderá começar com insuficiência cardíaca e seguir para cardiomiopatia amiloidótica, fibrilhação auricular, entre outros.

Nunca temos mais de dois trilhos em paralelo, de forma a preservar a sequência lógica de cada percurso. Este modelo permite que o médico defina de forma personalizada o seu caminho formativo, o que consideramos fundamental.

 

Este novo modelo parece aproximar-se de uma lógica de formação quase “à medida”. Até que ponto este poderá ser o futuro dos congressos médicos em Portugal?
Exatamente, é isso mesmo! Vamos continuar a desenvolver este modelo no futuro. Estruturámos o Update em torno de grandes áreas nucleares da Medicina Geral e Familiar. Há sessões plenárias, mas cada médico pode optar pelo seu trilho formativo, de acordo com os interesses ou necessidades. Além disso, também incluímos simpósios que se encaixam nestas grandes áreas temáticas.

Considero que a nossa metodologia é inovadora e tem pernas para andar oferecendo um percurso formativo mais personalizado e adaptado à realidade de cada participante.

 

O Update tem reforçado a componente hands-on e a aprendizagem prática. De que forma este carácter mais experiencial pode fazer a diferença na forma como os médicos aplicam o conhecimento quando regressam à sua prática clínica?
Sempre que possível, tentamos reproduzir a prática do dia a dia em cada sessão. O médico recebe um conjunto de dados do doente, analisa-os, formula hipóteses diagnósticas, conduz a investigação, decide quais os exames mais adequados e, no final, integra toda a informação para chegar ao diagnóstico, que funciona como um veredito. Depois, aplica as medidas terapêuticas necessárias, ou seja, toma decisões clínicas, exatamente como na prática diária.

Dou-lhe um exemplo: na sessão sobre comorbilidades na grávida, vamos apresentar um caso de uma grávida que chega à consulta na 24.ª semana, isto é pouco comum, dado que a primeira consulta normalmente ocorre entre a 6.ª e a 9.ª semanas. Este tipo de caso permite aos médicos experimentar situações fora do habitual, analisando-as de forma inovadora e tomando decisões baseadas no raciocínio clínico, e não apenas seguindo regras pré-definidas. Cada decisão é discutida, avaliando-se os caminhos possíveis, todos defensáveis, mas existindo uma opção considerada a mais adequada.

O objetivo do Update é simular o dia a dia do médico, com mensagens muito claras e ensinamentos práticos. Não se trata de revisar toda a matéria, mas de destacar flashes de conhecimento úteis para a prática clínica futura.

Não são regras absolutas, mas pequenas lições que ficam na memória e são aplicáveis na vida profissional. Não se trata de acumular dezenas de informações, mas de reter pontos realmente importantes que fazem a diferença no dia a dia do médico.

 

Nesta fase particularmente desafiante para o sistema de saúde, considera que o diálogo entre as diferentes especialidades, assim como a maior articulação com a Medicina Geral e Familiar promovidos pelo Update em Medicina podem contribuir para melhorar os cuidados prestados?
Sim, acho que sim. Considero a Medicina Geral e Familiar como a especialidade base do nosso sistema de saúde, e é fundamental reforçá-la. Entre as suas várias intervenções, destaca-se a identificação precoce da doença e a prevenção, que são responsáveis por grandes ganhos em saúde. Olhando para a evolução da especialidade nas últimas décadas, houve uma mudança radical.

No entanto, é essencial que a Medicina Geral e Familiar não fique isolada. É preciso manter uma ligação forte com as outras especialidades. Aprendi com o professor Nogueira da Costa que só existem três especialidades “nucleares” – a Medicina Interna, a Pediatria e a Medicina Geral e Familiar. Todas as outras “são subespecialidades”. O médico de família, tal como o internista, domina grandes áreas do conhecimento sem ser especialista em cada uma delas, mas consegue, igualmente, estabelecer pontes com as várias especialidades. O médico de família faz, no fundo, a Medicina Interna do ambulatório, mas também cobre a saúde infantil, a saúde da mulher, a medicina preventiva e outras áreas que escapam à medicina interna.

É devido a este cunho generalista da especialidade que ter uma ampla cultura médica e um raciocínio clínico treinado são requisitos fundamentais ao exercício da arte do diagnóstico diferencial. Só diagnosticamos o que conhecemos, o que temos em mente. Também por isso, é tão importante o diálogo entre a Medicina Geral e Familiar e as outras subespecialidades.

Este tipo de congressos – que integram várias áreas do conhecimento – é crucial para a prática da Medicina Geral e Familiar e, consequentemente, para excelência dos cuidados de saúde prestados. No dia em que deixarmos de investir nos cuidados de saúde primários e nos seus profissionais, o Serviço Nacional de Saúde estará em risco

 

Quer deixar uma mensagem aos participantes?
Sim. Gostaria de convidar todos os colegas, internos e especialistas, a viverem este congresso de forma ativa. Ser ativo significa participar, levantar o braço, intervir, explorar os trilhos, escolher os percursos formativos, questionar e discutir debater ideias. Mas, acima de tudo, significa partilhar experiências: a dúvida de um é a dúvida do outro, e a opinião de cada um enriquece o conhecimento coletivo. A experiência não se constrói apenas com o contacto direto com o doente, mas também através da partilha de experiências com os outros.

O Update em Medicina foi pensado para refletir a riqueza e a complexidade da Medicina Geral e Familiar, uma especialidade fundamental para o SNS. Espero que o congresso não seja apenas um momento de atualização científica, mas também uma oportunidade de reencontro com o entusiasmo e o sentido de missão que une todos os médicos. Porque nós somos missionários. A medicina exige compromisso: quem escolhe esta carreira compromete-se a servir os doentes e é para isso que fazemos um juramento. No juramento de Hipócrates, como sabemos, a palavra “utente” não aparece.

 

Sílvia Malheiro

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“Procuramos criar percursos formativos que se adaptem às necessidades de cada participante”

O conteúdo “Este modelo permite que o médico defina de forma personalizada o seu caminho formativo” aparece primeiro em Saúde Online.

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