Serviço Nacional de Saúde está mais sustentável

O SNS está mais sustentável, de acordo com um estudo que é hoje apresentado em Lisboa e que indica que em 2016 o financiamento aumentou e a despesa cresceu menos

O estudo desenvolvido pela Nova Information Management School (Nova IMS), da Universidade Nova de Lisboa, constatou que o financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) subiu 3,1% e a despesa cresceu 1,2% menos do que tinha acontecido em 2015.

Se em 2015 o financiamento do SNS se tinha ficado nos 8,56 mil milhões de euros, no ano passado este valor subiu 3,1% para os 8,93% mil milhões de euros.

Quanto à despesa, esta tinha crescido 1,7% para os 9,03 mil milhões de euros em 2015. No ano passado desacelerou o crescimento, atingindo os 9,13 mil milhões de euros, o que contribuiu para aumentar o índice de sustentabilidade do SNS, que passou de 100.2 para 102.2.

O índice de sustentabilidade é calculado tendo em conta a qualidade dos serviços de saúde na ótica dos cidadãos e também a qualidade técnica do SNS, a atividade registada e a despesa.

Pedro Simões Coelho, investigador da Nova IMS, explicou que o índice de sustentabilidade teve, pela primeira vez, um crescimento significativo.

“O índice tinha tido uma evolução marginal e este ano, pela primeira vez, teve uma evolução positiva (…), o que resulta, por um lado, de um crescimento da atividade, que estimamos em 1,6%, e simultaneamente do crescimento da qualidade, não da qualidade percecionada [pelos utentes] – essa estabilizou nos últimos três anos –, mas sobretudo da qualidade técnica, que evoluiu mais de seis pontos entre 2015 e 2016”, afirmou.

O investigador sublinhou que este movimento foi conseguido devido ao facto de o crescimento da despesa ter ocorrido a uma taxa inferior à da atividade. “É um SNS mais produtivo do que era, a atividade cresceu mais do que a despesa, é um sistema que com a mesma despesa consegue ter nível de qualidade significativamente superior”, referiu.

No ponto de vista da atividade, o estudo indica que aumentou o número de doentes atendidos tanto nos hospitais como nos serviços de saúde primários, tendo a subida sido mais significativa nos cuidados primários (2,1%).

A qualidade do SNS na ótica dos utentes baixou ligeiramente para os 68,3 pontos (menos 1,2), mas a qualidade técnica – que usou 13 indicadores validados e ponderados por um grupo de peritos – subiu para os 68,5 pontos (mais 3,4).
A qualidade técnica é calculada usando, entre outros, indicadores como a sépsis pós-operatória, a mortalidade pós AVC (hemorrágico ou isquémico), o reinternamento a 30 dias e as cirurgias em ambulatório, entre outros.

Para os autores do estudo, a eficácia do SNS, que tinha baixado entre 2014 e 2015, aumentou no ano passado, subindo para 71,1 pontos (mais 0,9).

“Significa que está a 71% do que seria um sistema perfeito. É um sistema eficaz no seu contributo para qualidade de vida e de saúde da população, mas também é um sistema que tem tido um impacto significativo quer no estado de saúde da população quer na redução de comportamentos que têm impacto económico [absentismo laboral]”, explicou.
Para medir a eficácia foram usados indicadores como a produtividade, o absentismo dos cidadãos com problemas de saúde, a qualidade de vida dos cidadãos e o seu estado de saúde para perceber como é que o recurso aos serviços de saúde teve influência na melhoria destes valores. Como novos indicadores este ano aparecem a ansiedade e depressão, os cuidados pessoais, a dor/mau estar, a mobilidade e a realização das tarefas diárias.

Ficou demonstrado que o investimento em saúde tem impacto no absentismo, produtividade, na qualidade de vida e que dá origem a um retorno económico e social.

Quanto ao impacto no absentismo, os autores indicam que o número de pessoas que não faltam um único dia ao trabalho por questões de saúde (suas ou de familiares) diminuiu em 2016, assim como as que faltaram por períodos mais prolongados.

Inversamente, aumentou a percentagem de população que faltou ao trabalho entre um a dois dias (passou de 10,5 para 13%), entre três a cinco dias (de 16,1 para 16.9%) e entre seis a 10 dias (de 6 para 9,3%).
Ao avaliar o impacto laboral/absentismo, o estudo concluiu que, se não tivessem recorrido aos serviços de saúde os portugueses, faltariam mais 1,6 dias ao trabalho, o que se traduz num impacto de 2,2 mil milhões de euros (em salários).

Com um universo de cidadãos acima dos oito milhões de pessoas com mais de 18 anos, o estudo abrangeu a realização de 500 entrevistas, em fevereiro, cujos resultados foram “extrapolados para o universo segundo uma pós-estratificação que tem por base as variáveis género e classe etária”.

O estudo é hoje apresentado na 6.ª Conferência “Sustentabilidade na saúde 4.0 – Investimento em saúde e impacto na vida laboral”, que vai decorrer no CCB, em Lisboa.

LUSA/SO

 

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