1 Ago, 2017

Região Centro tem falta de meios para rastreio do cancro colorretal e do colo do útero

Na área de Dão Lafões, em torno de Viseu, os centros de saúde estão mesmo em vias de deixar de fazer citologias para rastrear o cancro do colo do útero

Há centros de saúde na Região Centro sem o material necessário para fazer rastreios do cancro colorretal e do colo do útero, noticia hoje o Jornal de Notícias (JN). A denúncia, aponta o JN,  partiu do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que atribui a constante falha de algum tipo de material nos centros de saúde, às cativações de verbas que têm sido feitas no Ministério da Saúde.

Segundo apurou o JN, a situação será hoje denunciada  no Fórum Médico, que juntará os dois sindicatos do setor e a Ordem, em Lisboa.

Ainda segundo o JN, na área de Dão Lafões, em torno de Viseu, os centros de saúde estão em vias de deixar de fazer citologias para rastrear o cancro do colo do útero. Um médico da região adiantou ao JN que as caixas nas quais são transportadas as lâminas contendo as amostras, para enviar para análise em laboratório, não deverão durar até ao final desta semana. Sem elas, de nada adianta fazer as colheitas. Por isso, o rastreio só voltará a ser oferecido às mulheres utentes dos centros de saúde da região quando o stock for reposto.

O mesmo médico adiantou que de nada vale pedir caixas emprestadas a unidades de saúde vizinhas, uma vez que todas são abastecidas pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro.”Quando falta material num sítio, é uma questão de tempo até que falte em toda a região”, disse.

Contactada, a ARS do Centro assegurou que a compra de caixas porta lâminas e de lâminas de vidro para esfregaço será adjudicada no próximo dia 3, no âmbito de um concurso público. Não revelou, contudo, em que data chegarão aos centros de saúde.

Também por falta de material não estão a ser feitos os rastreios ao cancro colorretal. Neste caso, denuncia o SIM, o problema está relacionado com uma alteração da metodologia de rastreio, no início do ano. “O material que permitia fazer o despiste do cancro pela metodologia anterior deixou de ser entregue, mas também não é enviado o necessário para fazer o rastreio de acordo com o novo método”, denunciam os médicos.

Ao JN, a ARS Centro confirmou que “ocorreu uma transição da metodologia de diagnóstico”, que está “praticamente concluída”, mas não avançou com uma data para a entrega do material necessário. O exame faz parte da carta de compromissos assinada com o Estado, mas os centros de saúde da região já não têm a expectativa de cumprir as metas lá previstas. A ARS Centro garantiu que “nenhum utente deixará de ter acesso aos referidos rastreios”, mas os médicos dos centros de saúde afetados garantem què os exames continuam por fazer.

Na lista das falhas recorrentes, está ainda material de enfermagem, como compressas. Uma nova remessa chegou recentemente a alguns centros de saúde, mas não a todos. “Não falta tudo ao mesmo tempo, mas há sempre alguma coisa em falta”, denuncia o SIM. A ARS Centro admite apenas que “pontualmente possa ocorrer uma ou outra falha”.

 

JN/MM/SO

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