26 Dez, 2017

Refeições em família melhoram saúde física e mental das crianças

Um estudo revelou que as crianças que costumam fazer as refeições em família até aos seis anos, desenvolvem melhores capacidades sociais e estão em melhor forma aos dez anos, quando comparadas àquelas que raramente o fazem.

O estudo foi publicado recentemente no Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics.

Este não é a primeira investigação que sugere que as refeições em família frequentes têm benefícios para a saúde. Por exemplo, em 2011, um estudo provou que as crianças que faziam, no mínimo, três refeições por semana com a família tinham menos probabilidade que ter excesso de peso quando comparadas àquelas que faziam menos de refeições em família por semana.

Mas de acordo com a co-autora do estudo, Linda Pagani, da Universidade de Montreal, no Canadá, os estudos tinham algumas limitações. “No passado, os investigadores não eram claros sobre se as famílias que faziam as refeições juntos eram simplesmente mais saudáveis”.

“E, medir a frequência que as famílias comem juntas e o modo como as crianças se comportam nesses momentos pode não capturar a complexidade de toda a experiência”, acrescenta Linda Pagani.

Perante estas limitações, a equipa de investigadores decidiu conduzir uma análise longitudinal sobre como as refeições em família regulares afetam a saúde física e mental das crianças.

Foram analisados dados de 1.492 crianças, que faziam parte do “Quebec Longitudinal Study of Child Development”, nascidas entre 1997 e 1998, durante cinco meses.

Quando as crianças fizeram seis anos, os pais registaram a frequência com que faziam refeições em família. A condição física geral e o bem-estar mental de cada criança foi avaliado quando alcançaram os dez anos.

Marie-Josée Harbec, outra co-autora do estudo, também da Universidade de Montreal, afirma “como tivemos muita informação sobre a crianças antes dos seis anos – como o temperamento e as habilidades cognitivas, a educação, as carcaterísticas psiclógicas e a configuração familiar – conseguimos eliminar quaisquer condições pré-existentes das crianças ou famílias que pudessem lançar uma luz diferente nos resultados”.

Comparadas com crianças que raramente fazem as refeições em família aos seis anos, aquelas que o fazem de forma regular demonstraram uma melhor condição física, menor ingestão de refrigerantes e melhores capacidades de socialização aos dez anos.

Linda Pagani acredita que a presença dos pais à mesa é uma oportunidade para a interação social, onde se podem discutir assuntos e preocupações do dia-a-dia.

“Experienciar formas de comunicação positivas pode ajudar as crianças a desenvolver melhores capacidades de comunicação com pessoas fora do seu círculo familiar”, afirma a investigadora.

Nos dias que correm, fazer refeições em frente à televisão é uma prática muito comum. “Numa alguma em que a frequência das refeições familiares está em declínio natural da população”, os autores do estudo concluem que “essa característica ambiental pode tornar-se um alvo de intervenções domiciliares e pode ser exibida em campanhas de informação que visam otimizar o desenvolvimento da criança”.

MNT/SF

 

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