Psicólogos têm que ter consciência do impacto das suas palavras

A posição do Bastonário dos Psicólogos surge após a presidente da Associação de Psicólogos Católicos ter afirmado que para se aceitar um filho homossexual não é preciso aceitar a homossexualidade: "Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer. É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom", afirmou Maria José Vilaça

O bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses defende que os profissionais que prestam declarações públicas têm que ter consciência do significado das suas palavras e do impacto que podem ter

“Há uma responsabilidade muito grande dos psicólogos que prestam declarações públicas, que têm que ter consciência do significado das suas declarações e do impacto que podem ter até para o grande público”, disse à agência Lusa Telmo Mourinho Baptista, a propósito das declarações da psicóloga Maria José Vilaça sobre a homossexualidade.

A presidente da Associação de Psicólogos Católicos, que acompanha famílias e pais, salientou que para se aceitar um filho homossexual não é preciso aceitar a homossexualidade: “Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer. É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom”.

As declarações de Maria José Vilaça levaram à apresentação de dezenas de queixas à Ordem dos Psicólogos, que participou os factos ao Conselho Jurisdicional da Ordem, para que seja aberto um inquérito.

“Aquilo que estamos a fazer é aquilo que faríamos em qualquer situação onde há queixas face a um psicólogo e, por isso, remetemos” a situação para o órgão competente, para “averiguar e ter a oportunidade de ouvir as partes, tanto a pessoa alvo de queixa, como os queixosos”, explicou o bastonário.

Telmo Mourinho Baptista reiterou que os profissionais têm que ter “uma grande consciência” e “uma grande preocupação” com as declarações que proferem publicamente.

“A passagem para os Media de uma posição, enquanto profissional, tem consequências”, que muitas vezes são amplificadas, advertiu.

Por isso, não devem fazer “generalizações abusivas”, nem comentar casos que muitas vezes desconhecem, uma prática proibida pelo Código Deontológico, disse o bastonário que falava a propósito da Casa dos Psicólogos,