23 Nov, 2016

Projeto permite acompanhamento personalizado a doentes oncológicos com redução de custos

Um projeto-piloto de acompanhamento personalizado de doentes oncológicos de Gaia e Espinho permitiu a redução de custos associados a deslocações, consultas e exames, estando em discussão a expansão do projeto.

“Foi uma amostra pequena de doentes, mas que serviu de experiencia piloto para que agora se possa expandir para outras instituições. É isso que provavelmente irá acontecer, porque estamos a ter bons resultados. Os números são pequenos mas são positivos”, afirmou à Lusa a enfermeira Selena Rocha, do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) de Gaia/Espinho.

O projeto “GIDO – Gestão Integrada do Doente Oncológico” que promove o acompanhamento personalizado dos doentes com cancro foi implementado há cerca de um ano pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, IPO/Porto e ACeS Espinho/Gaia.

A experiência foi desenvolvida no âmbito do programa “Boas Práticas de Governação”, este ano sob o tema “Caminhos para a Implementação”, que tem como objetivo principal a implementação de projetos inovadores que fomentem uma maior articulação entre cuidados de saúde primários e hospitalares, que possam trazer melhorias efetivas para o doente.

Para esta experiência, foram referenciados 40 doentes da área de Gaia/Espinho acompanhados na Clínica de Urologia do IPO/Porto.

Para a concretização do projeto foram criados canais de comunicação estruturados entre as unidades de saúde de cuidados primários e o Instituto Português de Oncologia do Porto durante o diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos doentes.

“Temos doentes identificados pelo IPO-Porto (Clínica de Urologia) e referenciados para os cuidados de saúde primários, onde o enfermeiro do ACeS (Equipa de Ligação) mantém o contacto com o enfermeiro do IPO-Porto (Enfermeiro de Referência), de forma a garantir um alinhamento e correto acompanhamento do percurso do doente oncológico”, esclareceu Selena Rocha.

Segundo a enfermeira, quando se faz um diagnóstico numa doença oncológica os doentes são referenciados para um hospital e há um afastamento do doente dos cuidados primários que faz com que não recorra à sua unidade de saúde, mas sim ao hospital, algo que não é “prático” em termos de deslocação e exige “maiores custos”.

Um dos principais objetivos do GIDO é “dar conforto e qualidade de vida ao doente que está em fim de vida” visto que, nesse caso, “há uma mudança de paradigma dos cuidados, porque não há intenção curativa”.

“A implementação do projeto incluiu também a elaboração de questionários de satisfação para os profissionais de saúde e utentes e, atualmente, encontra-se em discussão a expansão do projeto para o Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho ou alargamento para outro serviço”, frisou Selena Rocha.

Os resultados deste projeto-piloto serão apresentados quinta-feira, em Lisboa.

SO/LUSA

 

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