Projeto para ajudar doentes em falência hepática vence 2ª edição do prémio Carregosa/Ordem dos Médicos

A cerimónia de entrega de prémios está marcada para esta segunda-feira, 19 de fevereiro, com início às 21h30, no Salão Nobre da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, no Porto, e contará com a presença do Bastonário da Ordem dos Médicos.

A edição de 2017 do Prémio Banco Carregosa/Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, criado para premiar trabalhos ou projetos na área da investigação clínica, vai ser entregue esta segunda-feira ao médico Filipe Sousa Cardoso que estudou uma forma de prevenir lesões cerebrais, potencialmente fatais para doentes com falência aguda do fígado.

Filipe Sousa Cardoso, em conjunto com quatro investigadores, concluiu que uma determinada técnica de tratamento (a circulação extracorporal contínua) foi significativamente mais eficaz a remover uma substância nociva presente no sangue (a amónia) que provoca lesões cerebrais fatais aos doentes com falência aguda do fígado. Com esta descoberta, a sobrevida dos doentes pode ser substancialmente aumentada. “Estes resultados sugerem que a utilização atempada deste tipo de tratamento pode ajudar a evitar a morte precoce”, acrescenta o autor.

Especialista em Gastrenterologia, Filipe Sousa Cardoso tem 33 anos e integra os quadros do Hospital Curry Cabral – CH Lisboa Central.  Considera que outra das virtualidades deste projeto é contribuir “para a racionalização dos custos associados à admissão hospitalar destes doentes”, designadamente no que diz respeito “à permanência nos cuidados intensivos ou o potencial transplante de fígado”.  Mestre em Investigação Clínica e com um fellowship em Hepatologia Aguda no King’s College Hospital, Filipe Sousa Cardoso assume que vai aproveitar o valor do Prémio Banco Carregosa/SRNOM (20 mil euros) para investir no estudo da falência do fígado, através da colaboração com outros grupos de investigadores e da presença em reuniões científicas internacionais.

O Júri do Prémio Banco Carregosa /SRNOM decidiu ainda, por unanimidade, atribuir duas Menções Honrosas a Ana Luísa Neves, especialista em Cardiologia Pediátrica, e a Luís Guimarães Pereira, médico anestesiologista. Cada um destes médicos irá receber 5 mil euros.

Ana Luísa Neves, apresentou o trabalho “Valor prognóstico de biomarcadores cardíacos nas cardiopatias congénitas”, que abordou uma das principais causas de mortalidade infantil no nosso país: as malformações cardíacas. O estudo avaliou um painel de biomarcadores cardíacos em recém-nascidos para determinar e estratificar o risco de doença nesta população. Na opinião da médica e investigadora, este tipo de avaliação “pode prever instabilidade do recém-nascido e permitir o seu tratamento atempado”.

A investigação de Luís Guimarães Pereira sobre “Dor crónica pós-operatória após cirurgia cardíaca” demonstrou que mais de um terço dos doentes sujeitos a cirurgia cardíaca desenvolve dor crónica e que cerca de metade apresenta dor de intensidade moderada a severa, com perda de qualidade de vida. Na perspetiva do autor, a dor crónica decorrente de cirurgia cardíaca “deve ser considerada um problema de saúde com grande relevância”, melhorando a resposta na prevenção e no tratamento. O médico acredita que esta investigação pode ajudar a divulgar esta patologia e pretende aplicar a verba atribuída nesta Menção Honrosa na implementação de medidas preventivas nos grupos de risco.

O Júri do Prémio de 2017 foi constituído pela Presidente do CA do Banco Carregosa, Maria Cândida Rocha e Silva e pelos Professores, Investigadores e Médicos Manuel Sobrinho Simões, Guilherme Macedo, António Sarmento (Presidente), os Senhores Doutores José Costa Maia e Manuel Alexandre Figueiredo.

Após uma primeira análise dos 38 trabalhos concorrentes, o Júri selecionou para a fase final nove trabalhos.  Para a escolha dos trabalhos premiados, o Júri teve em conta a relevância do tema, o rigor da metodologia cientifica e a aplicabilidade a curto prazo dos resultados.

COMUNICADO/SO

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