22 Fev, 2017

PR defende que estruturas curriculares de Medicina devem acompanhar a aceleração dos tempos

O Presidente da República defendeu hoje que as estruturas curriculares devem ser repensadas “à luz da aceleração dos tempos”, não devendo ser alteradas de cada vez que muda o Governo ou a liderança das instituições académicas

“Com a aceleração da ciência e da tecnologia, com os novos desafios sociais, em particular os da sociedade portuguesa, as estruturas curriculares não podem mudar de cada vez que muda um Governo, não podem mudar de cada vez que muda uma liderança de uma instituição académica, mas devem ser repensadas à luz da aceleração dos tempos. Isto, porventura, aplica-se também à formação na medicina”, disse o chefe do Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República falava na comemoração do 192.º aniversário da Faculdade de Medicina do Porto, cerimónia que inclui também uma palestra do professor universitário e conselheiro de Estado Adriano Moreira.

Na sua intervenção, e em relação ao que classificou como “desafio estatutário”, Marcelo Rebelo de Sousa considerou ser este o momento para “repensar o regime jurídico” que “já tem tempo suficiente para poder ser reanalisado com distância”.

“É o momento, é certo que se pode esperar pelo fim da legislatura ou por nova legislatura, mas é, em larga medida, tempo perdido”, sublinhou.

Um outro “desafio” apontado pelo Presidente da República, e que tinha sido lançado pela diretora da Faculdade de Medicina do Porto, refere-se à exiguidade dos meios financeiros da instituição.

“O país está a fazer um esforço sério para cumprir compromissos internacionais, numa trajetória de afirmação de finanças, de equilíbrio financeiro interno e externo. Isso tem custos e as academias pagam esses custos. Em qualquer caso, porque sabemos todos que a educação é central no tal conselho estratégico nacional e é central no tal objetivo universal, é permanente a preocupação dos responsáveis relativamente à exiguidade dos meios”, disse.

A diretora da Faculdade de Medicina do Porto, Maria Amélia Ferreira, referiu que “nos últimos 10 anos, a FMUP [Faculdade de Medicina da Universidade do Porto] foi a Unidade Orgânica que mais cresceu em número de estudantes, não tendo sido esta situação acompanhada de aumento de orçamento”.

“O financiamento obtido através do Orçamento do Estado representa apenas 54% dos proveitos totais da FMUP e paga apenas 82% dos custos de pessoal e 55% dos custos totais”, disse.

Segundo Maria Amélia Ferreira, “para manter o equilíbrio orçamental, há anos que não se abrem lugares para a progressão da carreira académica na FMUP”.

LUSA/SO

 

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