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Por favor, use os antibióticos com cuidado!

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Diretor da Unidade de Cuidados Intensivos do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, Coordenador do Grupo Coordenador Local (GCL) do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA) do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, Gestor local do Projeto Stop-Infeção no Centro Hospitalar Barreiro-Montijo

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No dia 18 de novembro comemoramos pelo décimo ano consecutivo o Dia Europeu do Antibiótico. Esta iniciativa do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), à qual a OMS se associa pela terceira vez assinalando a Semana Mundial dos Antibióticos, marca um período no qual a tragédia das resistências volta a conhecer honras de notícia, às portas de um novo aumento sazonal da gripe e do consequente, e em grande medida injustificado, pico de uso de antibióticos. Tudo normal? – Sim, se nos esquecermos que a cada ano que passa damos novos passos em direção ao abismo da era pós-antibiótica, na qual voltaremos a morrer de infeções que chegámos a tratar.

Dez anos é muito tempo. Tempo ao fim do qual, repetida a mensagem, talvez se esperasse que a consciência para o problema do aumento das resistências tivesse atingido níveis mais elevados entre cidadãos, médicos prescritores e outros profissionais de saúde, gestores e decisores políticos. É verdade que os portugueses sabem mais de antibióticos do que sabiam, mas continuam a saber pouco.

Alguma coisa se tem conseguido. O relatório do consumo de antibióticos na Europa em 2016, que sairá no próprio dia 18, trará certamente boas e más notícias. Em geral, temos usado menos estes fármacos. Mas estamos a melhorar pouco. Em alguns períodos e em diversos hospitais, até piorámos no uso de antibióticos de mais largo espetro, indutores das resistências mais graves, como carbapenemos e polimixinas.

Está demonstrada a relação entre a utilização de antibióticos e o aumento das resistências. Quanto mais antibióticos usarmos, mesmo que de espetro estreito, maior pressão seletiva exerceremos sobre as múltiplas estirpes bacterianas. Matamos as mais suscetíveis, muitas das comensais do nosso microbioma, selecionamos as resistentes que ficam sem competidoras e proliferam, causando infeções. Para tratarmos essas infeções temos que usar antibióticos de mais largo espetro, iniciando assim novo processo de seleção, agora de estirpes mais resistentes que as anteriores. Algumas delas partilham material genético, transmitem entre si plasmídeos contendo informação que as  capacita para resistir aos antibióticos, tornando-se multirresistentes. Progressivamente ficamos sem antibióticos aos quais as bactérias que infetam o nosso doente sejam suscetíveis. Infeções por bactérias panresistentes têm mortalidade elevada.

Esta evolução pode ser invertida, usando menos antibióticos e usando-os de forma racional. Provavelmente as estirpes já resistentes não perderão a sua resistência. Mas se deixarmos proliferar as menos resistentes, principalmente as do nosso microbioma, mais adaptadas ao organismo e com vantagem competitiva face às mais resistentes, poderemos inverter a tendência agora dominante.

Usar menos passa por não dar antibióticos em infeções virais como a gripe ou em situações sem indicação como a bronquite aguda em adultos saudáveis. O mesmo na bacteriúria assintomática ou em isolamentos bacterianos a partir de zaragatoas de feridas crónicas. Não podemos tratar análises, temos que tratar pessoas doentes. Fazer o contrario é usar mal os antibióticos e caminhar para o desastre do contínuo aumento das resistências.

Usar menos antibióticos passa também por utilizar estratégias facilitadoras, como os testes de diagnóstico rápido, que podem excluir a presença de infeção bacteriana ou apontar para a presença de determinada bactéria, permitindo suspender ou dirigir precocemente a terapêutica antibiótica. Justifica-se também a disseminação de programas vacinais, utilizando vacinas antigas como a anti-gripal ou anti-pneumocócica, ou mais recentes, como as dirigidas contra bactérias mais frequentes em infeções associadas a cuidados de saúde, como Staphylococcus, Klebsiella ou Clostridium.

Mas para que os antibióticos sejam utilizados de forma racional, há que apoiar os prescritores através de programas dedicados, os PAPA. A stewardship antibiótica é o instrumento mais eficaz para implementar boas práticas de uso de antibióticos nos serviços de saúde. Mas para que seja implementada são necessários profissionais, principalmente médicos mas não só, que dediquem tempo a esta tarefa. É indispensável que se priorize a atribuição de recursos humanos aos PAPA.

Estão à porta síndromes gripais aos milhares. São milhares de oportunidades para boas práticas. É fundamental que sejam aproveitadas. Todas. Se não, os antibióticos vão continuar a perder a sua eficácia. Se isso acontecer, muitas infeções complicando neutropenias pós-quimioterapia vão deixar de ser tratáveis e deixaremos de poder tratar muitos cancros. Deixarão de ser tratáveis muitas infeções nos recém–nascidos grandes prematuros. Deixarão estes bebés de sobreviver?Deixaremos de poder tratar algumas das infeções complicando cirurgias major. Deixaremos de poder fazer estas cirurgias?

Não pode ser. Tudo se joga em cada prescrição, em cada simples prescrição de antibiótico. Que deve ser correta. Sempre!

 

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