11 Jan, 2017

Ovar pede prioridade para a reposição da Urgência local

O presidente da Câmara de Ovar disse hoje que não rejeita quer criar em Entre Douro e Vouga (EVD), mas considera prioritário repor a Urgência local

O presidente da Câmara de Ovar disse hoje que não rejeita a integração do Hospital Francisco Zagalo na megaestrutura de saúde que o Governo quer criar em Entre Douro e Vouga (EVD), mas considera prioritário repor a Urgência local.

Salvador Malheiro afirmou que essa posição tem “o apoio unânime” das cerca de 50 entidades locais que atuam na área da saúde, juntas de freguesias e partidos com assento nos órgãos autárquicos, após análise em conjunto da proposta da tutela para criação da Unidade Local de Saúde (ULS) do EDV – território que integra Feira, Oliveira de Azeméis, S. João da Madeira, Vale de Cambra e Arouca.

“Não estamos contra o modelo proposto pelo Governo – estamos é contra o documento que nos apresentou, que não acautela os interesses de Ovar no que diz respeito à prestação de cuidados de saúde de qualidade à população do concelho”, declarou o presidente da Câmara à Lusa.

“O que também incomodou as pessoas foi o facto de o Governo ter reposto o Serviço de Urgência Básico no Hospital de S. João da Madeira, quando esse concelho só tem uns 22.000 habitantes e está a quatro quilómetros do Hospital da Feira, enquanto Ovar tem 55.00 habitantes, está muito mais longe e ainda não voltou a ter Urgência”, acrescentou o autarca.

Para Salvador Malheiro, todo o processo tem sido “mal conduzido” desde o início, quando em meados de 2016 a Secretaria de Estado da Saúde comunicou à Câmara de Ovar que iria realizar um estudo sobre a viabilidade técnica e financeira de integrar o hospital vareiro e toda a rede de cuidados primários do concelho na nova megaestrutura da ULS do EDV.

“O secretário de Estado disse logo que os presidentes de Câmara iam ser incluídos no grupo de trabalho responsável por esse estudo, mas o facto é que, dois ou três meses depois, sai a portaria e vê-se que nenhum deles fez parte do estudo”, conta o autarca de Ovar.

“Falha tudo logo aí”, defende, questionando se a exclusão dos autarcas não se terá devido ao facto de que, “nos seis concelhos em questão, cinco têm gestão do PSD” e só um do PS.

Depois, em dezembro, o Ministério da Saúde remeteu à Câmara de Ovar o Plano de Negócios da ULSEDV, que, após a devida análise na já referida reunião com as cerca de 50 instituições do concelho, mereceu o seu “desacordo”. Resultou, em contrapartida, numa tomada de posição em “defesa do Hospital de Ovar e da sua manutenção no Serviço Nacional de Saúde, com autonomia técnica e administrativa”.

Foi ainda reiterada a necessidade de o Governo garantir “a não-diferenciação dos organismos prestadores de cuidados de Saúde, a não ser pela sua especialização”, e “uma eficiente e pronta emergência pré-hospitalar, reequacionando a mais-valia de uma Urgência básica no Hospital Francisco Zagalo e/ou a sua articulação com as Viaturas Médica de Emergência e Reanimação (VMER) necessárias”.

Salvador Malheiro realçou que a resposta de Ovar ao Governo foi apresentada “de forma muito construtiva” e incluiu “uma série de sugestões com vista a que se possa melhorar a qualidade da prestação de cuidados de saúde no concelho”.

O autarca aguarda agora a reação do Ministério e espera que esse demonstre “sensibilidade” para com a realidade local, “reabrindo o serviço de Urgência do hospital e disponibilizando logo uma VMER”.

“Se assim não for, será um caso sério, pois, nesta questão, tal como ficou demonstrado na reunião com as instituições locais, lutaremos todos juntos e com muita determinação”, avisou.

LUSA/SO

 

 

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