Novartis seleciona startups para integrar estratégia de inovação

A ideia nasceu em Portugal, tendo sido rapidamente adotada por outras filiais da multinacional suíça, de países com dimensão semelhante a Portugal. Em entrevista ao SaúdeOnline, Cristina Campos, Diretora-Geral da Novartis Portugal, fala-nos sobre a iniciativa.

A Novartis Portugal concluiu, no passado dia 17, a fase de seleção dos projetos candidatos ao programa Techcare, um projeto desenvolvido pela multinacional farmacêutica Novartis, em parceria com a Deloitte Digital e a Beta-i, que desafia startups experientes na produção de protótipos ou já em fase de testes, a desenvolver ferramentas, soluções ou métodos que respondam a necessidades do ecossistema da saúde em Portugal. Nesta primeira edição, foram oito as áreas terapêuticas abrangidas pelo programa, liderado pela filial portuguesa da multinacional suíça: insuficiência cardíaca, psoríase, espondilartrites, asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), esclerose múltipla, patologias retinianas e oncologia.

“A ideia foi criar um projeto de inovação aberta, ambicioso, em colaboração com startups, aproveitando a experiência destas empresas, que já é relevante no desenvolvimento de soluções tecnológicas, com projetos-piloto a decorrer, e assim promover uma união feliz, potenciadora de resultados concretos”, explica Cristina Campos, Diretora-Geral da Novartis Portugal, que impulsionou o programa.

A  iniciativa é o resultado de uma reflexão interna em Portugal. “Nos últimos três anos temos feito alguma sondagem e avaliação do potencial deste tipo de parceria, que envolve uma empresa multinacional, como a Novartis e o ecossistema de startups, não só nacionais, mas também internacionais”, aponta aquela responsável.

A ideia nasceu em Portugal, tendo sido rapidamente adotada por outras filiais da multinacional suíça, de países com dimensão semelhante a Portugal. “Apesar de ter nascido na Novartis Portugal, o programa abrange a Bélgica, Holanda, Suíça, Áustria e Grécia, países com os quais já temos historial de colaboração em alguns projetos”, explica Cristina Campos para logo acrescentar: “daí o termos decidido, desde o início, abrir o programa à participação de startups internacionais”.

Candidataram-se ao programa Techcare, que culminou num bootcamp na sede da filial portuguesa, no Tagus Park, em Oeiras, que decorreu de 13 a 17 do corrente, 64 startups oriundas de 11 países. Tantos quantos os projetos selecionados por um júri multifuncional e institucional, que incluiu colaboradores da Novartis Portugal, de diferentes áreas de atuação, do Marketing, aos Legal affairs, Medical, entre outras, que durante um dia ouviram os pitchies dos candidatos, com as propostas de valor que os seus projetos poderiam trazer a uma colaboração com a Novartis. “Contámos ainda com a participação de outros stakeholders, da Academia à prática clínica passando pelas associações de doentes, entre outros, que vieram partilhar os seus desafios e expor a sua visão de como a tecnologia e o mundo digital pode acrescentar valor às suas áreas de atuação”, acrescenta Cristina Campos. No último dia do Bootcamp, as equipas apresentaram os seus projetos, explicando de que forma integraram as necessidades expressas pelos stakeholders, com base nas quatro vertentes que definimos no início de que falarei adiante”, aponta a responsável.

“A promoção e lançamento do programa foi feito em parceria com a Deloitte Digital e com a Beta-i, esta última com grande experiência neste tipo de projetos de inovação aberta com startups. Aproveitámos as plataformas já existentes maximizando a comunicação do projeto nas redes sociais e no nosso site. Em poucas semanas já tínhamos 64 candidaturas ao programa” revela Cristina Campos que diz acreditar “que o talento das startups selecionadas vai contribuir para criar soluções inovadoras na área da Saúde, capazes de trazer valor acrescentado a este ecossistema. O projeto Novartis Techcare espelha a identidade da companhia e a sua aposta contínua na inovação e no digital”, sublinha.

Dos 11 finalistas selecionados, 4 são portugueses, 4 do Reino Unido, e os restantes três, de Itália, França e Espanha.

Nesta primeira edição foram definidas quatro áreas de desenvolvimento de novas tecnologias. “São quatro desafios, selecionados com base no percurso do doente, do momento do diagnóstico ao da instituição de terapêutica e ao longo da sua vida. A primeira área é a do diagnóstico e da referenciação, onde acreditamos que ainda há muito trabalho a fazer, desde logo pelo subdiagnóstico que marca muitas patologias que acabam por ser tratadas tardiamente. Pensamos ser necessário acelerar o diagnóstico e a referenciação dos doentes. A segunda área selecionada é a de ativação do doente e gestão da doença, numa ótica de capacitar o doente para que esteja mais preparado para uma melhor gestão da sua patologia, da identificação dos momentos-chave e de ser mais proactivo e responsável na procura de soluções para o seu caso concreto. A terceira área é a das redes colaborativas, nomeadamente plataformas de comunicação e partilha de informação entre os vários profissionais de saúde e também com as associações de doentes e outros doentes e finalmente a área de criação de valor e resultados em saúde, muito relevante para os financiadores do sistema, já que permite demonstrar os resultados da inovação tecnológica como criadora de valor para a sociedade e para a economia” explica Cristina Campos.

Na área de diagnóstico e referenciação, foram selecionadas a Alcove, uma startup do reino Unido fundada em 2014, responsável por um criar um serviço de apoio digital para promover a autonomia de idosos e adultos com deficiência; a NeuroPsyCAD, uma startup portuguesa que candidatou um projeto de apoio ao diagnóstico precoce na área da neuropsiquiatria, e a UpHill, uma startup nascida na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, com um sistema que regista as formações das equipas médicas e avalia a necessidade de formação complementar.

Na área de Ativação do doente e Gestão da Doença, foram eleitas as startups MedicSen, uma startup espanhola que está a desenvolver uma app de gestão personalizada da diabetes; a Care Across, do Reino Unido, com uma plataforma web dedicada a doentes oncológicos e cuidadores e a Amiko, startup italiana, que apresentou um método de gestão da medicação através de sensores digitais para a área respiratória.

O programa selecionou também, na categoria Redes Colaborativas, as empresas Biotechspert, do Reino Unido, com a criação de um algoritmo que identifica e conecta rapidamente especialistas e líderes de opinião de várias áreas; a Francesa LibHeros com uma plataforma que liga doentes e profissionais de Saúde através de um site, uma app e um operador telefónico, e a Portuguesa Tonic App, do Porto, com um software que disponibiliza conteúdos formativos, apoia no diagnóstico e melhora a comunicação entre médicos dos cuidados primários e terciários.

No âmbito do programa Techcare foram ainda selecionadas a portuguesa PromptlyHealthCare, de Braga, que desenvolve projetos na área de Criação de Valor e Resultados em Saúde, que apresentou uma plataforma online que reúne dados científicos sobre o tratamento, permitindo aos doentes com a mesma patologia, consultar os resultados esperados de acordo como tratamento que lhes foi prescrito.

No dia 17, o “pitch day”, os finalistas tiveram a oportunidade de demonstrar o potencial das suas soluções tecnológicas. Alguns deles, selecionados por um júri composto de stakeholders de várias instituições e com a colaboração da audiência, serão objeto de apoio da Novartis, para o desenvolvimento de um piloto que, ao demonstrar resultados positivos, será escalado e integrado nas nossas atividades a nível nacional e eventualmente internacional”, conclui Cristina Campos.

MMM

 

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