Opinião - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/opiniao/ Notícias sobre saúde Wed, 16 Sep 2026 11:04:34 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Opinião - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/opiniao/ 32 32 Os desafios de comunicar com o doente – a indústria como ponte entre o consultório e a farmácia https://saudeonline.pt/os-desafios-de-comunicar-com-o-doente-a-industria-como-ponte-entre-o-consultorio-e-a-farmacia/ https://saudeonline.pt/os-desafios-de-comunicar-com-o-doente-a-industria-como-ponte-entre-o-consultorio-e-a-farmacia/#respond Wed, 16 Sep 2026 08:00:34 +0000 https://saudeonline.pt/?p=189841 Coach e Training & Development manager na Servier Portugal

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A gestão de uma doença crónica não é um evento isolado, mas sim um percurso contínuo que se estende por meses e anos. Ao longo desta jornada, o doente percorre um ciclo constante — um “vai e vem” entre o consultório médico e a farmácia de oficina. Embora estes dois espaços representem diferentes touchpoints e envolvam diferentes interlocutores, o protagonista é rigorosamente o mesmo. É precisamente nesta alternância que reside o maior desafio e a maior oportunidade para o sistema de saúde: a necessidade de criar uma comunicação coerente e complementar.

A realidade atual mostra-nos que, apesar de tratarem a mesma pessoa, o médico e o farmacêutico operam muitas vezes sem uma ligação direta. Esta fragmentação pode gerar nuances comunicacionais que, se não forem levadas em linha de conta, têm potencial para tornar a mensagem menos clara, baralhar o doente e comprometer a adesão deste ao seu tratamento. Em patologias silenciosas e crónicas, como a hipertensão arterial, dislipidemia ou a doença venosa crónica, esta clareza é ainda mais vital. Como costumamos reforçar: “o único tratamento eficaz é aquele que o doente realmente toma”. Para que isso aconteça, a mensagem que sai do consultório tem de encontrar eco e reforço na farmácia.

É aqui que a indústria farmacêutica assume o seu papel mais estratégico: o de ponte. A nossa posição é única porque nos relacionamos diretamente com ambos os profissionais. Mais do que fornecer medicamentos, partilhamos o mesmo propósito fundamental que move médicos e farmacêuticos: colocar o doente no centro da nossa ação. Os doentes não são apenas os destinatários do nosso trabalho; eles são o nosso propósito, e a nossa missão conjunta é a de garantir aos doentes mais vida e melhor qualidade de vida.

Ao interagir com estes dois pilares, a indústria deteta com precisão as “falhas” e as lacunas comunicacionais que o dia a dia acelerado muitas vezes oculta. Identificamos onde o fio condutor se perde e onde a mensagem precisa de ser afinada. Assumir este papel de parceiro de gestão significa converter essa perceção em ações concretas.

O nosso contributo passa pela criação de momentos e fóruns de diálogo que permitam que, no mesmo espaço e ao mesmo tempo, médicos e farmacêuticos possam discutir o “seu” doente. Ao promover estes encontros, a indústria não está apenas a facilitar a formação técnica; está a construir uma linguagem comum. O objetivo é garantir que, entre o diagnóstico e a dispensa, entre a consulta e a toma diária, exista uma harmonia absoluta que proteja o doente e potencie os resultados clínicos. Afinal, uma saúde articulada é a única forma de honrar o compromisso que todos temos com a vida.

 

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Mais do que pele seca, uma doença inflamatória com impacto profundo na vida dos doentes https://saudeonline.pt/mais-do-que-pele-seca-uma-doenca-inflamatoria-com-impacto-profundo-na-vida-dos-doentes/ Fri, 11 Sep 2026 08:00:17 +0000 https://saudeonline.pt/?p=189686 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Mais do que pele seca, uma doença inflamatória com impacto profundo na vida dos doentes aparece primeiro em Saúde Online.

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Opioides: os grandes mestres da Medicina da Dor? https://saudeonline.pt/opioides-os-grandes-mestres-da-medicina-da-dor/ Thu, 10 Sep 2026 14:38:51 +0000 https://saudeonline.pt/?p=189660 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Opioides: os grandes mestres da Medicina da Dor? aparece primeiro em Saúde Online.

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Dor – qual o papel da MGF na abordagem do doente com dor? Quando referenciar para uma Unidade de Tratamento de Dor? https://saudeonline.pt/dor-qual-o-papel-da-mgf-na-abordagem-do-doente-com-dor-quando-referenciar-para-uma-unidade-de-tratamento-de-dor/ https://saudeonline.pt/dor-qual-o-papel-da-mgf-na-abordagem-do-doente-com-dor-quando-referenciar-para-uma-unidade-de-tratamento-de-dor/#respond Thu, 10 Sep 2026 14:33:58 +0000 https://saudeonline.pt/?p=189656 Joana Brandão, médica interna de MGF na USF Marco, ULS Tâmega e Sousa, pós-graduada em Medicina da Dor - FMUC, doutoranda em Ciências Médicas ICBAS; Andreia Fernandes, assistente hospitalar em Anestesiologia, Unidade Multidisciplinar de Dor Crónica da ULS Tâmega e Sousa, pós-graduada em Medicina da Dor - FMUP

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A dor crónica afeta um em cada três adultos portugueses e representa um grave problema de saúde pública e de gastos em saúde. Na maioria das vezes, é o médico de família o responsável pela gestão da dor destes utentes. Um estudo epidemiológico realizado em Portugal mostrou que cerca de um terço dos doentes com dor crónica sentia que o controlo da sua sintomatologia não era adequado.

De acordo com a International Association for the Study of Pain, o tratamento multidisciplinar da dor corresponde a uma abordagem que inclui profissionais de diferentes áreas. Por ser habitualmente o primeiro profissional a contactar com o utente, o médico de família assume, com frequência, a gestão inicial da dor, em particular, nos episódios de dor aguda que levam à procura de consulta aberta.

Esta posição confere à Medicina Geral e Familiar (MGF) um papel central não só no tratamento sintomático, mas também na prevenção da cronificação da dor aguda, através de um controlo álgico precoce e adequado. Também na dor crónica, a abordagem inicial deve ser feita pelo médico de família, seguindo uma sequência lógica, caracterização e avaliação do tipo de dor, exclusão de sinais de alarme, instituição de terapêutica inicial, quer farmacológica como não farmacológica e vigilância continuada da resposta terapêutica, com ajuste da estratégia conforme a evolução clínica.

Apenas quando o controlo álgico não é alcançado apesar de uma abordagem adequadamente conduzida e titulada é que se deve ponderar a referenciação, de acordo com os critérios estabelecidos, para consulta de Dor.

Do ponto de vista organizacional, as Unidades de Dor hospitalares constituem o topo de um sistema de referenciação baseado na complexidade clínica e terapêutica crescente.

Em 2024, a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED), em colaboração com o Grupo de Estudos de Dor da APMGF e Unidades de Dor nacionais, publicou recomendações de consenso definindo critérios explícitos de referenciação: casos muito prioritários (≤15 dias), prioritários (≤30 dias) e não-prioritários (≤120 dias), consoante gravidade, complexidade diagnóstica e necessidade de técnicas diferenciadas.

Deve ser referenciado à consulta de Dor o doente com dor crónica estabelecida, de intensidade moderada a severa e com impacto funcional relevante, refratária às opções terapêuticas disponíveis em cuidados de saúde primários, sobretudo quando existam problemas associados à terapêutica analgésica ou indicação para técnicas de intervenção exclusivas do meio hospitalar.

A gestão eficaz da dor crónica beneficia de uma articulação entre a MGF e a Unidade de Dor, e não apenas de um percurso estritamente sequencial. Para otimizar este modelo de cuidados partilhados, torna-se fundamental que a contrarreferenciação seja tão rigorosa quanto a referenciação, explicitando o plano, os objetivos e a quem compete cada decisão.

É igualmente necessário que existam vias de consultadoria rápidas, capazes de resolver dúvidas sem consumir uma vaga de primeira consulta. Um doente com dor crónica bem acompanhado é, quase sempre, o resultado de duas equipas que comunicam, e não de uma que substitui a outra.

 

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Paracetamol e Metamizol: o que nos falta saber https://saudeonline.pt/paracetamol-e-metamizol-o-que-nos-falta-saber/ Thu, 10 Sep 2026 14:29:34 +0000 https://saudeonline.pt/?p=189672 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Paracetamol e Metamizol: o que nos falta saber aparece primeiro em Saúde Online.

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Traços de personalidade e dor: o que fazer? https://saudeonline.pt/tracos-de-personalidade-e-dor-o-que-fazer/ https://saudeonline.pt/tracos-de-personalidade-e-dor-o-que-fazer/#respond Thu, 10 Sep 2026 14:28:30 +0000 https://saudeonline.pt/?p=189651 Psicóloga Clínica (CP n.º 07281)

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A dor é uma experiência pessoal, influenciada por fatores biológicos, psicológicos, relacionais e sociais. Perante uma condição clínica semelhante, duas pessoas podem atribuir significados distintos à dor, expressar de forma diferente e mobilizar recursos diversificados. Reconhecer esta variabilidade não diminui a realidade da dor, permite compreendê-la melhor.

Entre os fatores psicológicos relevantes encontram-se os traços de personalidade: padrões relativamente estáveis de sentir, pensar e agir. O modelo dos Cinco Grandes Fatores (Big Five) permite compreender diferenças individuais através de cinco traços da personalidade que não determina quem tolera ou não a dor, mas ajuda a compreender a dor da pessoa como um todo.

A evidência sugere que níveis elevados de Neuroticismo podem associar-se a uma maior sensação de ameaça, preocupação, sofrimento emocional e catastrofização. A Extroversão pode favorecer a procura de apoio; a Conscienciosidade, a adesão e a organização do autocuidado; a Abertura à Experiência, a flexibilidade perante novas estratégias; e a Amabilidade, o estabelecimento de relações de confiança e colaboração terapêutica. Nenhum traço é exclusivamente fator de risco ou de proteção e o seu efeito depende da história da pessoa, do contexto, do apoio disponível, das crenças e das estratégias de coping.

Por outro lado, a dor persistente, o medo, a incapacidade e a perda de papéis podem modificar a forma como a pessoa reage e se relaciona, pelo que uma expressão intensa de sofrimento não deve ser automaticamente atribuída à personalidade. Tal leitura pode conduzir à psicologização da dor, ao estigma e à desvalorização da experiência do doente.

Assim, importa avaliar a pessoa para além da intensidade da dor: significado atribuído, impacto funcional, emoções, coping, sono, relações, expectativas e objetivos. A comunicação pode ser adaptada consoante o traço de personalidade: algumas pessoas necessitam de informação detalhada e participação ativa, enquanto outras beneficiam de maior estrutura, validação emocional ou tempo para decidir. A intervenção deve ter em conta necessidades e recursos: educação sobre dor, estratégias cognitivo-comportamentais, regulação emocional, aceitação, ativação gradual, suporte social e articulação interdisciplinar.

Avaliar a personalidade não significa aplicar um inventário a todos os doentes, mas formular hipóteses clínicas, observar padrões sem os cristalizar e, quando indicado, recorrer a instrumentos validados como complemento e nunca como substituto da escuta terapêutica.

No Congresso Multidisciplinar da Dor 2026, a reflexão central será esta: não intervimos sobre a personalidade, mas sobre a forma como cada pessoa experiencia e responde à dor. Integrar o conhecimento dos traços de personalidade na avaliação clínica permite antecipar vulnerabilidades, reconhecer recursos e personalizar os cuidados de acordo como compreendemos de que modo a pessoa vive a dor.

 

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