Onconline - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/onconline/ Notícias sobre saúde Fri, 12 Jun 2026 13:15:48 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Onconline - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/onconline/ 32 32 Pandemia poderá ter deixado por diagnosticar mais de 55 mil casos de cancro em sete países https://saudeonline.pt/pandemia-podera-ter-deixado-por-diagnosticar-mais-de-55-mil-casos-de-cancro-em-sete-paises/ https://saudeonline.pt/pandemia-podera-ter-deixado-por-diagnosticar-mais-de-55-mil-casos-de-cancro-em-sete-paises/#respond Tue, 09 Jun 2026 08:00:50 +0000 https://saudeonline.pt/?p=187568 Mais de 55 mil casos de cancro que seriam expectáveis não foram diagnosticados durante os primeiros meses da pandemia de covid-19 em sete países de elevado rendimento. O estudo conclui que os confinamentos e as restrições sanitárias tiveram um forte impacto nos rastreios e diagnósticos.

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Pandemia poderá ter deixado por diagnosticar mais de 55 mil casos de cancro em sete países

Mais de 55 mil casos de cancro poderão ter ficado por diagnosticar em sete países de elevado rendimento durante os primeiros nove meses da pandemia de covid-19, segundo um estudo publicado na revista científica The Lancet Oncology.

O trabalho foi desenvolvido pela Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS), em colaboração com um consórcio internacional de agências de luta contra o cancro e organizações de saúde pública.

Os investigadores analisaram dados de 2,6 milhões de doentes registados na Austrália, Canadá, Dinamarca, Irlanda, Nova Zelândia, Noruega e Reino Unido, comparando o número de diagnósticos efetuados durante a pandemia com aquele que seria expectável com base nas tendências observadas antes da crise sanitária.

A análise incidiu sobre sete tipos frequentes de cancro — cólon, reto, pulmão, próstata, mama, ovário e melanoma — entre o início de 2015 e o final de 2020.

Os autores estimam que, entre 1 de abril e 31 de dezembro de 2020, foram diagnosticados menos 55.713 casos do que os 347.666 que eram esperados. Em termos globais, cerca de um em cada seis casos previsíveis não terá sido identificado nesse período.

As quebras mais acentuadas ocorreram durante os primeiros quatro meses das medidas sanitárias mais restritivas, incluindo os confinamentos.

O cancro da próstata foi o mais afetado, registando uma redução de 24% nos diagnósticos. Seguiram-se o cancro da mama e o melanoma, ambos com uma diminuição de 18%. Já os cancros do pulmão e do ovário apresentaram reduções mais moderadas, de 8% e 4%, respetivamente.

Entre os países analisados, o Reino Unido e a Irlanda registaram algumas das maiores quebras no número de diagnósticos, enquanto a Noruega e a Nova Zelândia sofreram menos perturbações e recuperaram mais rapidamente os níveis de deteção esperados.

Segundo os investigadores, estas diferenças poderão estar relacionadas com fatores como o acesso aos cuidados de saúde, a capacidade de resposta dos sistemas de saúde e a continuidade dos programas de rastreio e diagnóstico durante a pandemia.

Os autores defendem que são necessários estudos adicionais para perceber quantos dos doentes que não receberam diagnóstico nesse período acabaram por ser identificados mais tarde e se, nesses casos, a doença já se encontrava numa fase mais avançada.

Em fevereiro de 2021, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, classificou o impacto da pandemia nos cuidados oncológicos como “catastrófico”, depois de a organização ter verificado interrupções nos serviços de Oncologia em cerca de um terço dos países da região europeia.

LUSA/SO

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Doentes oncológicos portugueses estão entre os que mais esperam por medicamentos inovadores

Portugal é um dos países europeus onde os doentes oncológicos mais esperam pelo acesso a medicamentos inovadores para o tratamento do cancro, segundo um relatório da Federação Europeia das Indústrias e Associações Farmacêuticas (EFPIA).

O estudo analisou 56 novos medicamentos oncológicos aprovados desde 2021 e concluiu que os doentes portugueses aguardam, em média, 919 dias até os novos tratamentos chegarem ao mercado nacional.

Apenas Roménia, Lituânia e Estónia apresentam tempos de espera superiores aos registados em Portugal.

Na Estónia, os doentes esperam em média 1.227 dias, enquanto na Lituânia o tempo médio ronda os três anos. Já na Roménia, o acesso demora cerca de 925 dias.

Portugal surge assim na quarta pior posição entre os 36 países analisados, muito distante da Alemanha, que lidera o ‘ranking’ com um tempo médio de apenas 47 dias entre a autorização e a disponibilização dos medicamentos.

O relatório evidencia fortes desigualdades no acesso aos novos tratamentos oncológicos na Europa, não apenas no tempo de espera, mas também na quantidade de medicamentos efetivamente disponíveis.

A Alemanha volta a liderar nesta área, com 91% dos medicamentos aprovados desde 2021 já acessíveis aos doentes. No extremo oposto surge a Turquia, com apenas 7%.

Portugal apresenta, contudo, um desempenho mais favorável neste indicador, tendo já disponíveis 61% dos novos medicamentos oncológicos aprovados, acima da média europeia de 51%.

O país surge ao lado de Estados como Suécia, Eslovénia, Polónia e Bélgica.

O relatório destaca ainda a situação particularmente desfavorável dos doentes portugueses com doenças oncológicas raras, que são os que mais tempo esperam por novos medicamentos entre todos os países analisados.

Nestes casos, os doentes em Portugal aguardam em média 859 dias após a autorização de comercialização dos fármacos.

Mais uma vez, a Alemanha apresenta os tempos mais reduzidos, com uma média de apenas 44 dias, representando uma diferença superior a dois anos relativamente a Portugal.

A média europeia para medicamentos destinados a doenças oncológicas raras situa-se nos 614 dias.

Quanto à disponibilidade destes tratamentos, a Alemanha é também o país com maior percentagem de medicamentos acessíveis, disponibilizando 97% dos novos fármacos inovadores para doenças raras.

Portugal surge na oitava posição deste indicador, com 56% dos medicamentos disponíveis.

Já no caso dos medicamentos destinados a doenças raras não oncológicas, o cenário é ainda mais limitado, com apenas 39% dos novos fármacos disponíveis, em média, nos países analisados.

Os autores do relatório alertam para um “cenário de desigualdade crescente” no acesso a medicamentos inovadores na Europa, sublinhando que as diferenças entre países continuam a aumentar, quer no tempo de espera, quer na disponibilidade efetiva dos tratamentos.

LUSA/SO

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