Investigação - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/investigacao/ Notícias sobre saúde Fri, 04 Sep 2026 10:18:27 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png Investigação - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/investigacao/ 32 32 Seis em cada dez mulheres em Portugal são afetadas por problemas sexuais e não pedem ajuda médica https://saudeonline.pt/seis-em-cada-dez-mulheres-em-portugal-sao-afetadas-por-problemas-sexuais-e-nao-pedem-ajuda-medica/ https://saudeonline.pt/seis-em-cada-dez-mulheres-em-portugal-sao-afetadas-por-problemas-sexuais-e-nao-pedem-ajuda-medica/#respond Fri, 04 Sep 2026 10:11:52 +0000 https://saudeonline.pt/?p=189446 Problemas sexuais, contraceção, menopausa, fertilidade e outros temas relacionados com a saúde da mulher continuam a ser pouco discutidos por muitas mulheres. A conclusão é do estudo Taboo, realizado em seis países europeus, incluindo Portugal.

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Mais de seis em cada dez mulheres portuguesas experienciam problemas sexuais, mas a maioria nunca consultou um médico para as resolver, de acordo com o estudo Taboo. Os mais comuns são secura vaginal, redução/ausência de libido, ausência de orgasmo e relações sexuais dolorosas e afetam 65% das mulheres no geral. Contudo, a maioria nunca consultou um médico, o que indica que estes temas são considerados tabu.

Carla Rodrigues, coordenadora do Núcleo de Medicina Sexual da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, realça, em comunicado, que “sintomas como a secura vaginal, a dor durante as relações, a diminuição do desejo sexual ou a dificuldade em atingir o orgasmo não devem ser encarados como ‘normais’ ou inevitáveis”.

Como acrescenta: “Atualmente, dispomos de várias opções terapêuticas, desde medidas de educação e aconselhamento sexual, lubrificantes e hidratantes vaginais, tratamentos hormonais ou não hormonais, fisioterapia do pavimento pélvico e medidas de intervenção em terapia sexual, sempre adaptados às necessidades de cada mulher. Na maioria dos casos, há formas eficazes de melhorar os sintomas e de recuperar uma vida sexual satisfatória.”

Outros dos estigmas que se destacou no estudo está associado à maternidade, na medida que, no geral, 47% das mulheres portuguesas sentem pressão da família ou dos amigos em ser mães. Esta acontece sobretudo junto de quem decide não ter filhos, quem está a planear ou quem está a tentar há algum tempo, mas ainda não conseguiu engravidar.

Para Luís Vicente, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução, “esta é uma pressão que conduz a que muitos casais se isolem socialmente, principalmente durante os períodos em que se estão a submeter a tratamentos ou a tentar engravidar, sem sucesso. Por isso, todos deveríamos aprender a evitar estes comentários, que têm impacto psicológico sobre quem está a viver a infertilidade”. O especialista lembra que o stress e a ansiedade são fatores com impacto negativo importante na resolução desta situação.

Já Amália Pacheco, presidente da Sociedade Portuguesa de Contracepção, acredita que “a falta de informação e de literacia é o que condiciona a decisão das mulheres”. Um exemplo disso é a contraceção de emergência: 43% das mulheres portuguesas recusam utilizar a pílula do dia seguinte, sobretudo por receio dos seus efeitos indesejáveis, mas também por preferirem esperar até que uma eventual gravidez seja confirmada ou por acreditarem que a contraceção de emergência é abortiva.

“Quando falamos de aconselhamento contracetivo e abordamos a pílula, é importante que a contraceção de emergência seja apresentada ao mesmo nível que as restantes opções contracetivas”, defende a médica.  Na sua opinião, é importante garantir que as mulheres têm acesso a “informação clara e rigorosa” para que possam tomar decisões informadas sobre a sua saúde sexual e reprodutiva.

No inquérito confirmou-se ainda que a menopausa é um período difícil na vida das mulheres. Ao todo, um terço (35%) diz sentir-se sozinha nesta fase da vida. Em média, as mulheres enfrentam quase seis sintomas diferentes, mas 36% não procura um médico para obter ajuda, mesmo que sejam constrangedores e habituais ao longo da vida.

Para Ana Fatela, da Direção da Secção de Menopausa da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, com mais informação, há mais hipóteses de se procurar ajuda e controlar determinada sintomatologia. “Atualmente, sabemos que, quando corretamente indicada, iniciada na altura adequada e após avaliação individual dos riscos e benefícios, a terapêutica hormonal é o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores e pode trazer benefícios adicionais para algumas mulheres.”

No entanto, sublinha, “muitas mulheres poderão estar a abdicar de um tratamento eficaz devido a informação desatualizada ou incorreta. Por isso, o essencial é que a decisão seja tomada com base na evidência científica e numa discussão informada entre a mulher e o seu médico”.

Também Fátima Faustino, presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, reforça a importância da consulta e do acompanhamento em todas as fases da vida da mulher: “O debate público cria a abertura cultural para o tema deixar de ser tabu, a literacia garante que a mulher chega à consulta com expectativas corretas, mas é a consulta centrada na mulher que converte essa abertura e conhecimento em diagnóstico, tratamento e continuidade de cuidados.”

Salienta ainda que é fundamental “aproximar as gerações mais jovens dos cuidados ginecológicos e usar a consulta presencial para abordar diretamente alguma informação digital e desconstruir mitos que aí circulam”.

No estudo Taboo ficou ainda demonstrado que cerca de um terço (31%) não utilizou qualquer método contracetivo no último mês. No geral, as mulheres consideram a contraceção uma responsabilidade partilhada com o parceiro, mas apenas 39% refere partilhar os custos financeiros.

Segundo as mulheres inquiridas, os problemas de saúde mais embaraçosos são os que têm maior impacto na sua sexualidade, nomeadamente os vaginais e a incontinência urinária.

Do ponto de vista financeiro, o momento ideal para ter filhos é, para um quinto das mulheres, depois dos 36 anos, o que poderá colidir com a fase em que se inicia a redução da fertilidade feminina.

O inquérito foi feito junto de 12 mil mulheres dos 18 aos 59 anos da Hungria, Reino Unido, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal.

Maria João Garcia

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Alguns dos sinais a ter em conta na suspeita de demência é ter mais de 76 anos, demonstrar apatia e olhar sistematicamente para um familiar ou cuidador durante a consulta, de acordo com um estudo coordenado por Rui Araújo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), e publicado na revista científica da Sociedade Portuguesa de Neurologia Sinapse.

“Descobrimos que pessoas com um determinado perfil de queixas cognitivas e antecedentes médicos apresentavam maior risco de desenvolver demência”, explica o especialista.

Na população estudada, que incluiu doentes observados numa consulta de Neurologia no norte de Portugal, foram detetadas outras queixas compatíveis com doença neurodegenerativa, como pontuações abaixo do esperado para a idade e escolaridade em testes “de cabeceira”. “Isso era especialmente relevante nas pessoas com queixas cognitivas sem doença psiquiátrica prévia.”

Segundo Rui Araújo, é fundamental identificar bem este perfil de risco, na medida que as queixas cognitivas  motivam a maior parte dos pedidos de consulta de Neurologia, apesar de poderem ser sintomas de outras patologias como perturbação de ansiedade e depressão.

“Tendo em conta que novos tratamentos vão surgindo, sobretudo dirigidos para fases precoces da doença de Alzheimer, torna-se fundamental identificar corretamente estes doentes. Quanto mais cedo uma doença for detetada, mais cedo se pode intervir”, afirma o também investigador do RISE-Health e médico neurologista.

Acrescenta, ainda, como “extremamente úteis” a aposta na realização de exercício físico regular, uma nutrição adequada, rotinas de sono e atividade cognitiva para atenuar a evolução de uma demência.

Em Portugal, estima-se que 6% das pessoas com mais de 60 anos – mais de 160 mil pessoas – tenham uma forma de demência, sobretudo a doença de Alzheimer.

O trabalho coordenado por Rui Araújo contou com a participação de Mafalda Silva, Carolina Correia e Daniel Ferro, igualmente investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Maria João Garcia

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