infecto-entrevistas - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/infectonline/infecto-entrevistas/ Notícias sobre saúde Mon, 12 Jan 2026 16:25:07 +0000 pt-PT hourly 1 https://saudeonline.pt/wp-content/uploads/2018/12/cropped-indentity-32x32.png infecto-entrevistas - Saúde Online https://saudeonline.pt/noticias/infectonline/infecto-entrevistas/ 32 32 VIH/SIDA: “Estamos a assistir a um retrocesso comunicacional e a uma falta de informação da população em geral” https://saudeonline.pt/vih-sida-estamos-a-assistir-a-um-retrocesso-comunicacional-e-a-uma-falta-de-informacao-da-populacao-em-geral/ Tue, 06 Jan 2026 10:45:57 +0000 https://saudeonline.pt/?p=181837 O conteúdo <i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> VIH/SIDA: “Estamos a assistir a um retrocesso comunicacional e a uma falta de informação da população em geral” aparece primeiro em Saúde Online.

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“Urge conferir ferramentas aos profissionais de saúde para se desconstruir a hesitação vacinal” https://saudeonline.pt/urge-conferir-ferramentas-aos-profissionais-de-saude-para-se-desconstruir-a-hesitacao-vacinal/ https://saudeonline.pt/urge-conferir-ferramentas-aos-profissionais-de-saude-para-se-desconstruir-a-hesitacao-vacinal/#respond Fri, 03 Jan 2025 10:00:45 +0000 https://saudeonline.pt/?p=166183 Helena Soares é coordenadora da Formação Avançada em Hesitação Vacinal da NOVA Medical School, que se vai realizar entre 5 e 16 de maio, online, e cujas candidaturas estão abertas até 21 de abril. Em entrevista, aborda a forma como as redes sociais influenciam a não adesão à vacinação, que tem levado ao ressurgir de doenças.

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hesitação vacinal

Porquê uma formação sobre hesitação vacinal?

A seguir à água potável, a vacinação é a intervenção em saúde que mais vidas salva a nível mundial. Para que as vacinas salvem vidas é necessário que as mesmas sejam administradas. E é aqui que surge a hesitação vacinal. Um relatório mundial (2021) aferiu que 32% dos adultos, o que equivale a 1.3 biliões de pessoas, não estavam predispostos a serem imunizados gratuitamente contra a covid-19, constituindo um obstáculo à imunidade de grupo.

A hesitação vacinal define-se, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), como um atraso na aceitação ou recusa na vacinação, apesar da mesma estar disponível. Em 2019, a hesitação vacinal foi identificada pela OMS como uma das maiores dez ameaças à saúde global por “ameaçar reverter o progresso feito na debelação de doenças preveníveis por vacinação”.

Isto é preocupante, porque ao impedir que se atinja a imunidade de grupo, a hesitação vacinal promove a ressurgência de doenças que se julgavam debeladas, como o sarampo. Os surtos de sarampo que se verificam, atualmente, são maioritariamente por pessoas que não foram vacinadas, colocando em risco a si próprias, mas também os bebés menores de 1 ano, que ainda não atingiram a idade para serem vacinados. Tendo em conta os riscos para a saúde pública, urge conferir ferramentas aos profissionais de saúde para que estes possam desconstruir a hesitação vacinal.

 

Em Portugal já se nota mais pessoas que não querem vacinar-se?

Embora os dados nacionais sugiram uma forte adesão à vacinação, começam a surgir “clusters” locais de crianças não vacinadas. De um modo ainda mais alarmante, estudos recentes mostram uma preocupação crescente por parte dos pais acerca da calendarização e segurança das vacinas pediátricas. Estamos então perante uma oportunidade para renovar a educação, o diálogo e a construção de consensos no que respeita à valorização das vacinas.

“… a hesitação vacinal tem surgido, em certa medida, como um efeito colateral do sucesso da vacinação”

Em que tipo de vacinas?

A resposta a esta pergunta é mais complexa do que inicialmente possa aparentar. Se analisarmos o fenómeno da hesitação vacinal, retrospetivamente vemos que o mesmo esteve presente ao longo da história da vacinação. Aliás, podemos mesmo dizer que a oposição à vacinação antecede mesmo a introdução da primeira vacina por Edward Jenner. No século XVIII, Cotton Mather teve de defender o processo de variolação de críticas que o mesmo era mais deletério que a varíola em si. Como os programas de vacinação contra a varíola contribuíram para um tremendo declínio na incidência de doença, o questionamento inicial sobre o efeito deletério da vacina evoluiu.

No início do século XX, o que se questionava era a necessidade de continuar a vacinar. Esta lógica deturpada, em que inicialmente a objeção por sectores da população é apontada aos possíveis efeitos deletérios das vacinas, evolui, uma vez mostrada a eficácia, para uma objeção à continuidade, tem sido aplicada desde então a várias vacinas. Ou seja, a hesitação vacinal tem surgido, em certa medida, como um efeito colateral do sucesso da vacinação.

Como resultado da aplicação de programas e campanhas de vacinação, várias doenças infeciosas e os seus efeitos deletérios têm-se tornado menos visíveis. Com o passar do tempo, pacientes, pais e até profissionais de saúde têm muito pouco conhecimento sobre as doenças que as vacinas previnem. Este desconhecimento dificulta o discernimento dos benefícios das vacinas, enquanto os riscos, incluindo os riscos alegados e mesmo demonstradamente falsos, se tornam paradoxalmente mais visíveis.

Não obstante, parece incontornável que a pandemia de SARS-CoV-2 e o desenvolvimento aparentemente rápido (não o foi, as vacinas de RNA levaram mais de 30 anos a serem desenvolvidas) das vacinas contra a covid, conjuntamente com o que foi entendido como mandatos de vacinação, levaram a um aumento da contestação à vacinação. No início de 2021, 56% dos portugueses hesitavam e 9% recusavam ser vacinados contra o vírus SARS-CoV-2.

Qual o perfil destas pessoas?

Contornando as limitações que este tipo de perfis apresenta, foram desenhados cinco perfis de hesitantes vacinais. Estes incluem pessoas que procuram a sua informação médica de forma independente, muitas vezes recorrendo às redes sociais e a opiniões de “wellness influencers”, cépticos preocupados, pessoas indiferentes, apoiantes cautelosos e apoiantes reluctantes da vacinação. Para cada um destes perfis, a intervenção para contrapor a hesitação vacinal será necessariamente diferente.

“As mensagens veiculadas pelos ‘wellness influencers’ variam entre infundamentadas interpretações enviesadas de estudos científicos até à propagação de teorias da conspiração”

De que forma as redes sociais têm contribuído para a hesitação vacinal?

Historicamente, os movimentos que questionavam a vacinação exerciam a sua influência em grupos locais. Pensa-se que a transição da hesitação vacinal de um contexto local para um contexto nacional ocorreu pela primeira vez em 1982, nos Estados Unidos da América, aquando da transmissão televisiva do documentário “DPT: Vaccine Roulette” sobre a vacina para a difteria, tétano e tosse convulsa. Progressivamente, assistiu-se a um nivelar por igual entre perceções pessoais e os factos científicos veiculados pelas autoridades de saúde.

As redes sociais catapultaram esta tendência para dimensões previamente inimagináveis. A informação é partilhada com maior velocidade e para maior número de destinatários. As redes sociais, para além de colocarem em contacto indivíduos e grupos isolados de hesitantes vacinais, criaram a figura do ‘wellness influencer’. No que diz respeito à sua saúde, 33% dos jovens adultos depositam mais confiança na informação prestada pelos ‘wellness influencers’ do que pelos médicos. O discurso dos ‘wellness influencers’ é estruturado de forma a explorar de modo eficiente o nosso desejo comum de conhecimento e controlo num mundo cada vez mais caótico ao recorrer a palavras-chave como empoderamento do paciente e literacia política.

As mensagens veiculadas pelos ‘wellness influencers’ variam entre infundamentadas interpretações enviesadas de estudos científicos até à propagação de teorias da conspiração sobre a indústria farmacêutica e as vacinas. Na internet, factos científicos sobre a vacinação convivem lado a lado com informações fictícias numa luta desigual, tendo em conta que os algoritmos favorecem a disseminação de mensagens simples com maior potencial em se tornarem virais. Embora o processo científico não seja livre de falhas – e neste campo a publicação na Lancet do estudo, entretanto retratado, sobre vacinação e autismo surge como o exemplo mais infame -, este continua a ser o maior guardião da validação e disseminação de factos científicos válidos e socialmente responsáveis.

 

De que forma os profissionais de saúde devem lidar com a hesitação vacinal?

Cientistas sociais e biomédicos têm-se debruçado sobre esta questão há anos. Algumas técnicas validadas incluem a escuta ativa do paciente, o favorecimento da troca de informação sem juízo de valor, o cultivo de entrevistas motivacionais e o recurso a metáforas. Estas técnicas irão ser ensinadas no Curso Avançado em Hesitação Vacinal da NOVA Medical School, que decorrerá em maio de 2025, em formato online.

MJG

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“A Fisioterapia é um dos elementos centrais na reabilitação das pessoas que vivem com condição pós-covid” https://saudeonline.pt/a-fisioterapia-e-um-dos-elementos-centrais-na-reabilitacao-das-pessoas-que-vivem-com-condicao-pos-covid/ https://saudeonline.pt/a-fisioterapia-e-um-dos-elementos-centrais-na-reabilitacao-das-pessoas-que-vivem-com-condicao-pos-covid/#respond Tue, 27 Aug 2024 13:36:59 +0000 https://saudeonline.pt/?p=162047 Em entrevista, Vitor Hugo Azevedo, professor adjunto da Escola Superior de Saúde do Alcoitão e fisioterapeuta respiratório e intensivista da UCI 1 da ULS Lisboa Ocidental, fala do papel da Fisioterapia Respiratória na reabilitação de pessoas que vivem com condição pós-covid.

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Vítor hugo azevedo

De que forma é que a covid-19 continua a impactar a prática de Fisioterapia e os pedidos de ajuda através de reabilitação?

A covid é uma patologia que teve um grande impacto na sociedade, quer a nível agudo, quer pelas consequências e limitações causadas pela condição pós-doença, definida como a presença de sintomas pós-fase aguda.

A Fisioterapia é um dos elementos centrais na reabilitação das pessoas que vivem com condição pós-covid. De ressalvar que os sintomas apresentados pelos doentes não são apenas físicos. Encontram-se descritos muitos outros do foro cognitivo, nomeadamente o brain fog.

Relativamente ao plano de reabilitação, este deve ser personalizado de acordo com a avaliação realizada, nomeadamente pela Fisioterapia, coincidindo com as limitações apresentadas pela pessoa. Não existe um modelo one size fits all para esta condição.

Assim, é fundamental a implementação de estratégias com equipas multidisciplinares que envolvam, para além dos fisioterapeutas, médicos, psicólogos e outros profissionais associados à reabilitação, como terapeutas ocupacionais e, em determinadas situações, terapeutas da fala.

“A reabilitação é fundamental para devolver às pessoas a sua capacidade funcional e autonomia.”

 

Quais são os principais sintomas físicos dos pacientes com condição pós-covid?

Entre os principais sintomas, a fadiga é descrita pelos doentes como uma sensação incapacitante e que não melhora após o descanso, impactando a rotina da pessoa de uma forma muito significativa.

Dor crónica e limitação da tolerância ao exercício são também sintomas mencionados, uma vez que a covid é uma doença que pode ter repercussões que não se limitam ao sistema respiratório, podendo afetar também a saúde cardiovascular e musculoesquelética. Existe uma associação de sintomas importantes e as respostas em reabilitação podem envolver várias intervenções, de acordo com a gravidade da doença.

Quando um doente passa mais tempo hospitalizado, poderá ter piores resultados, dado que irá apresentar um maior período de inatividade. No caso de pacientes que necessitem de, por exemplo, ser ventilados mecanicamente, ocorre um impacto relevante sobre a sua função física.

 

Quais as adaptações necessárias para casos de pacientes com comorbilidades pré-existentes?

No que diz respeito à personalização de tratamentos, o estado funcional anterior da pessoa tem um impacto muito grande. Não existe nenhuma intervenção que inclua apenas benefícios, sem qualquer tipo de contrapartida. Também para a condição pós-covid, este aspeto deverá ser refletido. Em casos de pessoas com comorbilidades prévias, é necessário ter em conta maiores critérios de segurança, nomeadamente a implementação de exercícios sob monitorização contínua de frequência cardíaca, de saturação periférica de oxigénio ou de pressão arterial.

 

Relativamente à fisioterapia respiratória, de que forma é que esta vertente é integrada no tratamento e quais são os benefícios?

Enquanto especialidade intrínseca à Fisioterapia, a Fisioterapia Respiratória é focada na otimização do sistema de transporte de oxigénio. A atuação destes profissionais incide na otimização da função pulmonar, na desobstrução das vias aéreas – quando existe, por exemplo, obstrução por secreções brônquicas -, e na otimização da ventilação.

Os fisioterapeutas respiratórios desempenham ainda um papel muito importante na implementação de estratégias que envolvem o recondicionamento e a otimização da aptidão  cardiorrespiratória, nomeadamente através de treino aeróbico, de treino de força e de estratégias de educação.

A reabilitação e o papel da Fisioterapia devem contribuir para a educação dos utentes, de modo que interiorizem estratégias de autogestão que lhes permitam ser o mais autónomas possível na gestão de sintomas associados à condição pós-covid.

 

Como é feita a avaliação do progresso durante o decorrer do programa de reabilitação?

Depende sempre da dimensão que se encontra a ser avaliada. É realizada uma avaliação das várias dimensões da função física, nomeadamente a capacidade aeróbia, o condicionamento físico e a força muscular específica dos músculos apendiculares e respiratórios.

Além disso, acompanhamos a evolução da qualidade de vida e da autonomia funcional dos utentes, através da utilização regular de escalas e instrumentos.

“A reabilitação tem de se traduzir numa vida melhor, mais autónoma e numa perceção de competência mais clara por parte das pessoas que vivem com condição pós-covid-19.”

 

Quais os desafios relativos à reabilitação pós-covid?

De futuro, acredito que é necessário aprofundar o conhecimento científico relativamente a estratégias de intervenção que se revelaram eficazes para dar resposta às limitações apresentadas pelos doentes.

Esta investigação, capaz de guiar a prática clínica, deve ser realizada de uma forma colaborativa, englobando a produção de conhecimento científico e integrando as pessoas que vivem com esta condição.

“Só sabemos quais os resultados obtidos quando produzimos estudos que nos permitem dizê-lo concretamente, através do método científico e utilizando métricas válidas e adequadas.”

 

CG

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Dia Mundial de Combate à Hepatite. “Os migrantes devem ser integrados em programas de rastreio” https://saudeonline.pt/dia-mundial-de-combate-a-hepatite-os-migrantes-devem-ser-integrados-em-programas-de-rastreio/ https://saudeonline.pt/dia-mundial-de-combate-a-hepatite-os-migrantes-devem-ser-integrados-em-programas-de-rastreio/#respond Mon, 29 Jul 2024 09:43:53 +0000 https://saudeonline.pt/?p=161511 No âmbito do Dia Mundial de Combate à Hepatite, que se celebrou no domingo, Paulo Carrola, coordenador do Núcleo de Estudo das Doenças do Fígado da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, faz uma reflexão sobre a forma como se tem processado o controlo das hepatites em Portugal. Em entrevista, refere temas como o impacto da imigração relativamente a estas doenças.

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hepatite

Quais são os principais fatores de risco para a transmissão de hepatites em Portugal?

As hepatites B e C são as que têm maior impacto na saúde e no prognóstico do doente e têm formas de transmissão muito idênticas, nomeadamente a toxicodependência (a partilha de seringas), os hábitos sexuais desprotegidos e as transfusões sanguíneas feitas antes dos anos 90. No caso da hepatite B, temos também a forma de transmissão vertical, de mãe para filho, que hoje em dia praticamente não existe, uma vez que faz parte do rastreio pré-natal.

É de destacar, também, a hepatite A, causadora de alguns surtos recentes também por transmissão sexual, principalmente nos indivíduos homossexuais, e também por via fecal-oral.

Por sua vez, a hepatite E, que também tem um impacto muito importante, afeta principalmente dois grupos: as grávidas (situações em que pode prejudicar tanto a mãe como o próprio feto), e os doentes imunocomprometidos. No caso desta hepatite, as transmissões são fundamentalmente por via oral, através do consumo de carnes mal cozinhadas ou de águas contaminadas.

Existe ainda a hepatite delta, que habitualmente funciona em conjunto com o hepatite B e que partilha com esta as mesmas fontes de transmissão.

“As hepatites com mais impacto são a B e a C e é para essas que está dirigido um maior número de esforços em termos de controlo, mas não é de descurar o impacto das restantes.”

 

Acredita que é possível que o cenário epidémico em Portugal se esteja a alterar devido à chegada de cada vez mais migrantes, especialmente provenientes de países em desenvolvimento? Quais são os grupos populacionais mais afetados no nosso país?

Os toxicodependentes são grupos de doentes que partilham um conjunto enorme de infeções, onde as hepatites também desempenham o seu papel, nomeadamente pela partilha de seringas. No entanto, acredito que, hoje em dia, existe muito mais sensibilização. As instituições governamentais e não governamentais têm feito um esforço enorme de apoio através de mecanismos de prevenção, seja pela divulgação do uso de preservativo, de implementação de programas de trocas de seringas e da vigilância dos hábitos de consumo de drogas.

Ainda assim, para além deste problema, persistem hábitos sexuais de risco, e os recentes surtos de hepatite A surgiram um pouco nesse contexto.

Para além disso, temos também um problema acrescido nesta dinâmica, que é algo que temos de abordar do ponto de vista da saúde pública. Falamos dos fluxos migratórios, seja no caso dos refugiados ou de imigrantes, provenientes de países com uma elevada incidência destas doenças. Nestes países não existe o mesmo controlo que em Portugal, quer do ponto de vista de vacinação, quer de tratamento.

Muitos dos refugiados que acolhemos atualmente são provenientes, maioritariamente, de países de leste, cuja realidade espelha uma prevalência muito mais alta de hepatite B do que em Portugal. Estes grupos populacionais deveriam ser também integrados em programas de rastreio e de acompanhamento médico, tal como os doentes portugueses. Acredito que as entidades estão alertadas para isso, mas existe ainda muito trabalho a fazer, até porque a imigração tem sido um problema crescente nos últimos tempos.

“A imigração é muito importante, mas devemos oferecer a quem entra no país as mesmas condições e estabelecer os mesmos planos de tratamento que temos para a população em geral.”

 

A nível de tratamentos, como se encontra o acesso? Existem obstáculos, seja a nível de custos ou de disponibilidade?

Para a hepatite B, os tratamentos que existem são os mesmo já há vários anos. Temos dois antivíricos, medicamentos com uma eficácia muito elevada para os doentes que têm indicação de tratamento, mas é um tratamento distinto da hepatite C. Na hepatite B, apesar de não atingirmos uma cura, uma vez que o vírus permanece na célula hepática, conseguimos controlar a doença. Contrariamente, no caso da hepatite C, temos antivíricos de elevada potência. Estes fármacos oferecem uma taxa de cura que a nível nacional, segundo os últimos relatórios, rondará os 94 a 95%. Isto significa que, em 100 doentes, 95 ficam curados e os tratamentos que existem são, de facto, suficientes para controlar a infeção.

Presentemente, o problema que existe não reside na disponibilidade de meios de tratamento, que felizmente, de acordo com as recomendações internacionais, Portugal tem, mas antes na questão do rastreio, de se conseguir diagnosticar e tratar os doentes infetados.

Nos últimos anos, conseguimos diminuir em muito o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento, que numa fase inicial era muito burocrático. Este processo já é mais simples, o que leva a que o tratamento seja administrado mais rapidamente.

De futuro, no caso da hepatite C, se continuarmos a aumentar o número de tratamentos, e sendo que existem cada vez menos doentes, vamos assistir a uma inversão da prevalência da doença na população, o que indica que estamos no bom caminho.

“O grande problema não está no tratamento, mas naquilo que está a montante.”

 

Acredita que deve haver um envolvimento mais ativo por parte do Governo no que diz respeito à definição e implementação de mais indicadores e rastreios adaptados às necessidades das várias hepatites?

É a tutela que define as linhas orientadoras em Portugal, pelo que acredito que sim. O grande problema reside na organização e na definição de estratégias. Assim, o Governo podia providenciar uma ajuda mais positiva no sentido de melhorar a organização entre todas as estruturas, não só governamentais, como não governamentais.

Existem inúmeras instituições não governamentais que trabalham nesta área, com um papel importantíssimo, mas sozinhas não conseguem fazer tudo. É necessário que o Governo se alie a estas estratégias de forma a conseguirmos atingir o objetivo final da OMS, que é a erradicação das hepatites até 2030. Só com uma dinâmica partilhada e com uma organização mais eficiente é que lá conseguiremos chegar.

 

Quais são as expectativas futuras para o controlo das hepatites em Portugal?

Sou um otimista e penso que as expectativas que temos em termos de controlo de infeção não podem deixar de ser positivas. No entanto, podemos fazer mais. A implementação de um teste universal, feito pelo menos uma vez na vida a todas as pessoas, é fundamental. Em qualquer momento da nossa vida pode ter surgido algum episódio que, eventualmente, possa ter desencadeado uma transmissão sem conhecimento.

Além disso, é muito importante manter a dinâmica das estratégias de micro-eliminação, vocacionadas para grupos de risco mais restritos, com a ajuda das organizações não governamentais.

Relativamente à hepatite C, devemos melhorar ainda mais a disponibilidade da medicação para o tratamento, retirando toda a burocracia que ainda existe no acesso, e conseguir que o tratamento chegue ao doente de uma forma mais rápida.

 

Cláudia Gomes

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Hepatites – É hora de agir!

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Relatório PrEP UP. “Universalizar o acesso à PrEP é tornar universal o acesso à prevenção combinada” https://saudeonline.pt/relatorio-prep-up-universalizar-o-acesso-a-prep-e-tornar-universal-o-acesso-a-prevencao-combinada/ https://saudeonline.pt/relatorio-prep-up-universalizar-o-acesso-a-prep-e-tornar-universal-o-acesso-a-prevencao-combinada/#respond Mon, 15 Jan 2024 10:59:43 +0000 https://saudeonline.pt/?p=153648 Foi recentemente publicado o relatório técnico PrEP até 2022, que tem por objetivo descrever a introdução e implementação da profilaxia pré-exposição (PrEP) para VIH em Portugal e resumir as recomendações para a expansão ou fornecimento universal no país. Elaborado por um grupo de trabalho com representantes da Abraço, APECS, GAT, ILGA e ISPUP, os autores esperam que, com este documento, seja dado mais um passo em frente para a operacionalização da Portaria n.º 402/2023, de 4 de dezembro, que prevê a introdução de novos modelos de prestação de consultas de PrEP em Portugal.

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Como caracteriza a acessibilidade à PrEP em Portugal e de que forma a Portaria n.º 402/2023, de 4 de dezembro, pode alterar esta realidade?
A acessibilidade é limitada e está atualmente esgotada. Não existe capacidade médica nem recursos médicos para receber mais pessoas nos hospitais, daí os elevados tempos de espera. Temos registo de pessoas que ser converteram para VIH após termos solicitado uma consulta de PrEP e que não conseguiram aceder a tempo.

“A portaria poderá alterar esta realidade através do aumento da capacidade do sistema de saúde e da diversificação dos locais de acesso, atualmente exclusivamente hospitalares e concentrados em Lisboa e no Porto.”

 

Qual é a importância da universalização da PrEP?
Universalizar o acesso à PrEP é tornar universal o acesso à prevenção combinada. A prevenção combinada traduz-se na combinação de estratégias comportamentais baseadas no conhecimento do resultados dos testes a IST, preservativos/lubrificantes, medicamentos antirretrovirais, vacinas e antibióticos com fins preventivos de IST; tudo isto é acessível através dos programas de PrEP.

“A nova portaria permitirá o acesso à prevenção combinada em cada novo acesso de PrEP que abra.”

 

Que medidas devem ser adotadas de modo a que se possa chegar a um maior número de pessoas?
Deve ser dada prioridade a três aspetos: iniciar campanhas de informação sobre PrEP, reforçar a resposta do sistema de saúde público e não lucrativo para acomodar mais pessoas em seguimento de PrEP e simplificar os algoritmos de admissão e acompanhamento das pessoas em PrEP.

No que diz respeito às campanhas de informação, importa salientar que a PrEP existe, e a forma como se acede e usa é o início para atingir as metas da ONU SIDA de utilização de PrEP nas populações-chave. Já reforçar o sistema de saúde passa por ter uma rede de consultas de PrEP com capacidade para seguir todas as pessoas em risco, com agilidade suficiente para se ajustar às flutuações de procura, uma vez que o risco se altera ao longo da vida e as pessoas podem fazer PrEP, parar e retomar mais tarde, o que é crítico para o sucesso da sua escalabilidade.

Por último, deve ser feito um esforço por simplificar os algoritmos de admissão e acompanhamento, de forma segura, apostando na autonomia das pessoas (como por exemplo, auto-recolha de amostras, questionários de saúde realizados online, entrega dos medicamentos em casa, entre outros) e libertar os profissionais envolvidos de tarefas automatizáveis (por exemplo, (des)marcações, interoperabilidade dos sistemas de informação para registos de saúde e vigilância epidemiológica, renovação de prescrição e análises automática mediante validação clínica, entre outros).

 

De acordo com o relatório, os profissionais de saúde que não estão ligados ao VIH não têm formação adequada em PrEP. De que forma se pode resolver esta questão?
Os currículos das licenciaturas dos profissionais de saúde deveriam ser revistos para garantir que as áreas de saúde sexual incluam a prevenção combinada para VIH, o que por sua vez inclui os antirretrovirais. Os profissionais de saúde envolvidos na área de saúde sexual, reprodutiva e de redução de danos atuais, poderiam ser incentivados pela DGS, através do Programa Nacional para a Infeções Sexualmente Transmissíveis e Infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, a frequentar formações que promova sobre PrEP e lideradas por peritos em consultas de PrEP e/ou, por exemplo, reembolsar quem apresente certificados por ter completado formações já disponíveis em organizações idóneas na área (European AIDS Clinical Society, Organização Mundial da Saúde, etc.) após a data de publicação da Portaria n.º 402/2023, de 4 de dezembro.

 

Qual é a solução para a escassez de dados que permitam, nomeadamente, monitorizar e investigar a PrEP?
No relatório defendemos a existência de um sistema nacional de vigilância da PrEP para monitorizar cada ponto de transição/etapa chave do continuum da PrEP e assim se identificar quais as regiões que requerem planeamento de saúde e implementação de intervenções relacionadas com a PrEP. Este desenho do sistema de informação deveria adotar o quadro de monitorização da PrEP recomendado pelo ECDC.

Na Portaria, a SMPS é mandatada a criar “os meios necessários para monitorizar os utentes utilizadores de PrEP oral de acordo com Norma da DGS prevista no n.º 4 do artigo 7.º”, mas não é claro se alcança a vigilância epidemiológica de acordo com as recomendações do ECDC. Deve, portanto, ser criado um sistema de vigilância epidemiológica que comunique automaticamente com os sistemas de informação usados na admissão e seguimento de pessoas em PrEP, para garantir um sistema de monitorização epidemiológica automatizado e sem necessidade de intervenções humanas.

É essencial que haja uma normalização das estruturas de dados de saúde, sem a qual não é possível garantir a interoperabilidade semântica – ou seja, se os dados não forem registados sempre com a mesma estrutura não é possível que diferentes sistemas informáticos consigam “compreender-se” e comunicar entre si. Se cada entidade que cria um software estruturar os dados como lhe apetece, então perde-se uma parte muito importante da utilidade de usar sistemas informáticos.

“Este tem sido um problema histórico nos sistemas de informação na Saúde e é um dos motivos para termos deixado de conseguir reunir uma parte dos dados epidemiológicos relativos ao tratamento da infeção por VIH.”

CG 

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Chemsex. “As motivações podem relacionar-se com dificuldades já vividas, como solidão e falta de desejo sexual”

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“A SIDA já não é como há 35 anos, uma doença que matava em poucos meses ou anos” https://saudeonline.pt/a-sida-ja-nao-e-como-ha-35-anos-uma-doenca-que-matava-em-poucos-meses-ou-anos/ https://saudeonline.pt/a-sida-ja-nao-e-como-ha-35-anos-uma-doenca-que-matava-em-poucos-meses-ou-anos/#respond Thu, 21 Dec 2023 10:39:21 +0000 https://saudeonline.pt/?p=152981 Fausto Roxo, Responsável pela Unidade de Doenças Infeciosas do Hospital de Santarém, fala da SIDA como uma doença crónica e alerta para o fim do estigma. Um doente em tratamento, com carga viral indetetável não transmite o vírus.

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SIDA

Passaram 35 anos desde o dia 1 de dezembro quando foi instituído o Dia Mundial de Luta Contra a SIDA. Muita coisa mudou desde essa data. Ainda faz sentido assinalar este dia?

Faz todo o sentido, porque, muita coisa se alterou desde então, principalmente as perspetivas de vida dos nossos doentes. Atualmente, a SIDA já não é como há 35 anos, uma doença que matava em poucos meses ou anos. Hoje, é uma doença crónica, uma infeção, com a qual a pessoa vive perfeitamente bem. É equiparável a outras doenças crónicas, como seja a diabetes ou a hipertensão arterial. De facto, nesse sentido, muito mudou. Temos terapêuticas muitíssimo mais eficazes e bem toleradas, que permitem uma qualidade de vida excelente. No entanto, há um campo em que, infelizmente, mudou muito pouco: a discriminação e o estigma das pessoas que vivem com o VIH. Os doentes continuam a relatar-nos situações de discriminação no seu dia-a-dia, em ambientes escolares, laborais, sociais e familiares. Portanto, nesse sentido, é muito importante, continuarmos a fornecer o máximo de informação à população.

“O vírus não se transmite pelo contacto social do dia-a-dia, por se dar um beijo ou um aperto de mão, por compartilhar uma refeição…”

O que é que podemos fazer mais nesse sentido? Porque informação não tem faltado.

Sim, é uma realidade. Mas, essa informação, que existia há alguns anos, através de campanhas nos media, está hoje muito mais atenuada, sobretudo no que diz respeito à discriminação. É precisar falar sobre comportamentos de risco, mas também alertar que as pessoas com VIH não estão ligadas a nenhum grupo social específico, mais ou menos marginal. Na nossa consulta, temos pessoas de todas as profissões, sexos, idades. O vírus não se transmite pelo contacto social do dia-a-dia, por se dar um beijo ou um aperto de mão, por compartilhar uma refeição… É esse tipo de informações que deveríamos dar à população em geral.

 

Quantas pessoas temos em Portugal com VIH?

Em Portugal, foram diagnosticados 800 novos casos de VIH em 2022, apesar de se verificar uma tendência decrescente.

“Uma pessoa com VIH, no nosso caso do Hospital de Santarém, não tem que ir ao médico de família para ser referenciado. Para não perdermos tempo, temos o acesso à consulta desburocratizado”

Ainda lhe chegam muitos doentes novos à consulta?

Sim e vão continuar a chegar, o que faz com que a pool de doentes vá aumentando. Porque, felizmente, sendo uma doença crónica não damos altas e as mortes são muito raras e, quase sempre, não têm relação com o vírus. São pessoas que também continuam a ter características muito diferentes umas das outras, desde o jovem e muito jovem, quase sempre ligado a relações homossexuais, até às idades mais avançadas, 50, 60, 70 anos – estes relacionados mais com relações heterossexuais. Hoje em dia, é interessante ver que são raríssimos os doentes novos que nos chegam em que a forma de transmissão foi o consumo de drogas.

 

O recente estudo “Infeção por VIH – Do diagnóstico ao início da terapêutica antirretrovírica em Portugal”, realizado pela FMUP, indica que 58,4% dos doentes diagnosticados com VIH não levantaram a terapêutica antirretrovírica até aos 14 dias recomendados. O que é que podemos fazer para alterar esta realidade?

A nossa unidade fez parte deste estudo. Isto resulta de vários fatores. É importante começar a terapêutica o mais cedo possível, porque mais rapidamente se atinge uma carga viral indetetável, ou seja, sem vírus em circulação no sangue. Esta mensagem  é extremamente importante: uma pessoa que faz terapêutica e que tem a carga viral indetetável não transmite o vírus. Quanto ao não levantarem a terapêutica até aos 14 dias recomendados, acontece porque, muitas vezes, chegam já tarde à nossa consulta. Mas, a partir do momento em que prescrevemos, o doente vai de imediato levantar gratuitamente à farmácia do hospital. Alguns doentes quando nos chegam já devem ter VIH há cerca de 10, 15 ou 20 anos. Nunca fizeram um teste e quando os assistimos já há uma grande deficiência do sistema imunitário, sendo a doença de difícil controlo. Ou seja, é preciso testar. Toda a gente deveria fazer o teste pelo menos uma vez na vida e sempre que considerar que teve qualquer comportamento que pode configurar algum risco.

Para terminarmos com este atraso na referenciação, estamos a desburocratizar a consulta. Uma pessoa com VIH, no nosso caso do Hospital de Santarém, não tem que ir ao médico de família para ser referenciado. Para não perdermos tempo, temos o acesso à consulta desburocratizado e qualquer pessoa pode ligar, mandar e-mail ou vir falar connosco pessoalmente. No Hospital de Santarém há uma unidade de doenças infeciosas com a porta sempre aberta.

“A PrEP previne, de alguma forma, o VIH, mas não previne outras doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis”

Qual a sua opinião sobre a PrEP (profilaxia pré-exposição)?

Também temos uma consulta de PrEP. Foi um avanço. A PrEP não é uma vacina, mas talvez seja aquilo que se aproxima mais. É uma medicação para as pessoas que consideram ter, frequentemente, comportamentos que os podem levar a contrair o vírus. É um comprimido que deve ser tomado diariamente e que diminui muito, no caso de haver um comportamento de risco, a probabilidade de contrair o vírus. Temos cada vez mais pessoas nessa consulta e é uma situação que vemos com bons olhos. Porém, é preciso ter noção, de que, apesar de tudo, mesmo quem faz PrEP deve usar preservativo. A PrEP previne, de alguma forma o VIH, mas não previne outras doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis.

 

Quais são os próximos passos a seguir?

Em termos locais, em Santarém, vamos manter a nossa unidade aberta, quer para iniciativas de divulgação quer para receber as pessoas infetadas que nos cheguem. A nível nacional, e também mundial, o objetivo da ONU-SIDA é a redução franca dos casos de transmissão até 2030, porque vai ser difícil ter-se uma vacina nos próximos tempos. As pessoas devem estar cientes dos riscos que poderão ocorrer em determinadas situações. Hoje, há três formas de transmissão que se destacam: relações sexuais desprotegidas, sangue contaminado ou grávida infetada que pode transmitir o vírus ao bebé – felizmente, esses casos são praticamente nulos em Portugal. É preciso alertar para a importância de se usar sempre o preservativo, que protege a 100% e se se considerar que se teve algum comportamento de risco, fazer o teste. Testar é sempre importante.

SM

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